Na Vanguarda Da Rectaguarda


Poiares Maduro é um óptimo teorizador, mas uma desgraça quanto a conhecer o país e as suas distorções…

Como revelou um grau zero de habilidade política mandaram-nos “descentralizar” áreas da governação destinadas a ser desorçamentadas a nível central e ele ficou feliz e, provavelmente, acredita que está a fazer uma grande “revolução”.

A verdade é que ele nunca será responsabilizado por qualquer asneira, pois irá passear para outras paragens, enquanto nos deixará nas mãos um problema grave, com base num problema ficcionado num país com a dimensão do nosso.

Na área da Educação, a grande “reforma” de Poiares Maduro vai traduzir-se no fim de qualquer veleidade de autonomia das escolas, mas isso a ele não interessa nada. Tem uma visão mais 2ampla”, mais “alargada”, conhece coisas de lá de fora e sente-se um estrangeirado dos bons, daqueles que são essenciais para fazer avançar a piolheira.

A prosa, em plural majestático, é de quem se sente um reformador à moda dos oitocentistas… muito ambicioso nas pretensões, mas um fracasso nas concretizações, muitas delas a ter de ser abandonadas a meio caminho, mesmo se de alguns dos reformadores ficámos com nomes de ruas em Lisboa.

Descentralizar nas palavras e nos atos

Ahhh… já sei… quando digo e escrevo estas coisas, não é raro chamarem-me nomes que acham ser feios e ofensivao, em especial que sou centralista, estalinista, fascista, anti-democrático e tudo isso.

Seja.

Eu ralo-me pouco com a adjectivação do momento e um pouco mais com os factos concretos e esta reforma é uma enorme necessidade inventada.

Conheço o país no qual vivo e sei que o ministro Poiares Maduro se fosse mesmo corajoso deveria fazer a reforma municipal que este governo prometeu e deixou na gaveta, porque preferiu aliar-se aos autarcas do que ser derrotado em toda a linha se avançasse com a anunciada extinção ou fusão de municípios.

Mas Poiares Maduro é apenas o que é e nada mais do que isso.

… mas o Zé Rodrigues dos Santos conseguiu fazer na Grécia uma figura mais triste do que as boas e velhas palhaçadas durante a I Guerra do Golfo.

Com tanta imaginação e jeito para ficcionar a realidade ainda se torna escritor.

… que a falhada reforma da estrutura municipal portuguesa que este desgoverno pretendia e chegou a anunciar (perante o meu profundo cepticismo quanto à capacidade para a fazerem, para além de fecharem Juntas de Freguesia) se transforme subitamente no seu oposto, a saber, o reforço dos poderes e competências dos municípios.

O que estava mal e errado transformou-se, por artes de magia cinzenta, na solução para o país e o “modelo certo”.

Ler uma longa prosa de Duarte Marques a tentar fazer-nos esquecer isso é mesmo só para masoquistas.

A única parte boa é que parece que ele já escreve com o corrector ortográfico e sintáctico ligado.

(ou da Covilhã)… aqui pelo Umbigo.

É de bom gosto ver as referências a cair no vazio.

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Desenho Técnico.  Aula prática. Solidworks.

 

Música de fundo, só para preencher os silêncios dos sólidos primitivos, alguns por extrusão e outros por revolução.

 

Bach Organ Works. Dvd 1 e 2.

 

Pim!

Directores de escola aplaudem limitação do acesso às redes sociais

Bloqueio das redes sociais nas escolas ainda pode ser negociado

Em causa está o impacto que o bloqueio tem em matérias específicas, como a disciplina de TIC, e na forma como pode prejudicar os métodos de ensino de alguns professores. A ANPRI deixa ainda críticas ao modo de atuação do Governo.

Internet limitada nas escolas impede alunos de aprender toda a matéria

sinto-me ucraniano de oposição a par de português de oposição, que aqui também são os transmissores de multas que corporativamente ordeiramente detêm uma bolita encarnada a esconder a ínsula nasal: pela Terceira Lei de Newton…

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… aqui não vamos lá.

E o ministro mediu isso como? Atendendo à população, à área, a quê exactamente, para além dos seus preconceitos pessoais?

Que exemplos têm – comparáveis – de sucesso na municipalização da Saúde, para não falar de outras coisas?

“Portugal é um dos estados mais centralizados da Europa e nós queremos e iremos avançar, em breve, com alguns projectos-piloto, em alguns municípios, de descentralização de algumas competências”, designadamente nas áreas da “saúde e da educação”, adiantou o ministro.

Bem… o modelo soviético era descentralizado e muito localizado, ao contrário do que se diz.

Eram as bases!

Agora são os autarcas, de que há pouco se criticava a opacidade dos métodos e o caciquismo em matéria de pressão para obras inúteis ou desnecessárias, que passam a decidir nestas matérias?

O secretário de Estado da Administração Local afirmou esta quinta-feira, em Coimbra, que o Governo pretende desenvolver projetos-piloto para que autarquias possam contratar pessoal para centros de saúde e escolas.

António Leitão Amaro disse que o Governo quer que, com estes projetos, haja uma «maior descentralização das competências», nomeadamente «na Saúde, Educação e Segurança Social».

O responsável falava à margem da sessão de encerramento do seminário «Regime Jurídico das Autarquias Locais e das Entidades Intermunicipais», promovido pela Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP).

Sempre os houve em cada nova Situação e nem sequer estou a falar de adesivos.

Falo daqueles neutros por vocação ou simpatizantes de longe que, mal a Bastilha é tomada, aparecem com as mãos sangrentas a gritar para se deceparem mais cabeças.

São gente em muitos casos de carreira menor ou subsidiária dos vultos de cada época, que saltam para a ribalta quando o perigo maior foi afastado e, por uma fracção de segundo, parecem ter estado na fotografia do dia antes. Em outros casos, são criaturas que em contexto adverso nunca dariam um passo em frente, mesmo que resmungando em surdina, mas que quando a maré vira, aparecem como se sempre tivessem estado ali, na formação da onda e a empurrá-la desde o início dos tempos.

Já várias vezes repeti que fui paternalmente avisado para os revolucionários inflamados de dia 26 de Abril ou mesmo de 12 de Março, aqueles que apareciam com ar tão convicto na sua própria inexistente acção em prol do que parecia ser o novo poder que quase ninguém se sentia com coragem para os contestar ou lembrar que antes não tinham estado onde diziam, pois o risco de os enfurecer e ser acusado de contra-revolucionário e porco fascista era mais do que expectável.

Quanto aos de sinal contrário, que agora libertam tudo aquilo que oprimiram tanto tempo no peito, expressando-o de forma muito teórica e intelectualizada, raramente em confronto aberto na defesa de tais crenças radicais – porque não… os radicais eram os outros – tenho por vezes o desprimor de os ter conhecido pessoalmente de forma fugaz ou de com eles partilhar a geração, pelo que os observei na sua ascensão meteórica que agora culmina na corte de passos, quais voltaires na prússia, camareiros do poder.

Pelo que sei, mesmo que ditosamente de forma superficial, muitas das curvas que alguns deram e vários dos atalhos que tomaram ao longo deste seu caminho para a luz liberal que agora os alumia, numa variante próxima dos putos americanos do chá, mesmo se a alguns embaraça a evidente grunhice intelectual de um rubio ou um cruz, embora não consigam deixar de admirar a coragem de um scott walker. Nem sempre é muito o que os distingue dos trajectos feitos pela geração anterior, após passagem por universidade americana, em formatação para um novo destino.

O que os une é a coragem imensa do dia seguinte, quando acham que já podem dizer qualquer disparate e escapar impunes ou, ainda melhor, premiados e quiçá mesmo condecorados com uma qualquer nomeação.

O detalhe mais delicioso de todos é quando, em tempos, se chamavam Epaminondas Berlenga Rasa e agora assinam como Epaminondas da Berlenga e Rasa.

(não sendo raro que o pai ou um tio fosse Teodorico da Berlenga Rasa a 24 de Abril, mas acabasse por sofrer uma oportuna elipse onomástica em pouco mais de 24 horas)

Adenda… a bem dizer o Salazar também foi um destes homens do dia seguinte. Ruminou contra a República, esteve sempre longe dos terrenos do conflito aberto, chegou tarde e a chamado, fez-se útil e depois foi o que se viu… até a cara dele passou a ser vista nos painéis de São Vicente.

A de Cavaco é que sempre foi uma pessoa honesta. Pessoalmente honesta. Pessoalmente impoluta. Pessoalmente incapaz de uma pequena malfeitoria. Os dois mandatos com maioria absoluta é que estragaram tudo porque deram para muita gente se aproveitar dele e à sombra dele cresceram as ervas daninhas. Tudo bem. Só que isso não explica a permanência dos diasloureiros e oliveiraecostas na sua órbita muito depois do exercício das tais maiorias, quando deles já não precisava e tal só se explica por opção própria. Mau avaliador da natureza humana? Pessoalmente… posso acreditar que sim, mas…

A de Guterres foi a de um pântano alegadamente percebido só ao fim de 6 anos, quando em entrevista muito recente na SICN o agora quase esquecido Manuel Monteiro contou os esquemas e tráficos de influências dessa segunda metade dos anos 90 em que um tal portas se ocupava a negociar posições nas empresas públicas e cargos de chefia na administração para os seus fiéis seguidores. Desconheceria ele que tal se passava? Era ele mais um dos que, pessoalmente, nunca prevaricou, nem aceitou que com o seu conhecimento se prevaricasse? Pessoalmente… posso acreditar, mas…

A de Barroso foi de se safar logo que arranjou melhor. Nem chegou a novela, foi mero episódio duplo de folhetim. Folhetim que continuou em tons paródicos com o Santana que, justiça lhe seja feita, era mais ao modelo republicano francês, mas com bandana em vez de capacete.

A de Sócrates, tal como lavrada em autos numa revista do Expresso com prosa emplumada de Clara Ferreira Alves e polvilhada de vernaculares expressões para dar mais densidade ao testemunho, é que teve de enfrentar as aristocracias do PS para se chegar ao poder e que isso implicou compromissos e outras coisas assim, incluindo um passeio à Tróia para implodir torres com o empresário preferido até deixar de o ser. Não é que tenha dito isso tudo, mas percebe-se. chegado ao poder, elevou ao pariato e armou cavaleiros aos varas, silvaspereiras, campos e outras inanidades carreiristas de tão escasso ou menor calibre, que fizeram trigo limpo do aparelho de Estado. Pessoalmente… diga ele o que disser… acho que pessoalmente mais valia ter um mínimo de pudor…

A de Passos Coelho, afilhado de um ângelo em vez de uma estrela, é a de que veio salvar o país e está a salvá-lo, a pulso e com muita coragem, que o salgado assim o incumbiu e o relvas congeminou, fora o resto da malta que é liberal que se farta desde que o estado lhe pague. O meu problema é que não percebo em que parte da história entram os branquinhos, relvas de segunda extracção, e mais os agora periféricos carrapatosos, catrogaspintelhentos, nogueirasleites ou os recadeiros televisivos como o sempre jovem mendes, mais aquela ganga toda de imberbes de mba por causa do apelido ou recrutada nos blogues “de referência”. Passos Coelho chegou ao poder para limpar a governação do lixo mas no lixo se vai comprazendo em enterrar. Pessoalmente… também pode ir falando o que bem entender… que já nem consigo ouvir, apenas vejo os fios que puxam a marioneta e a mão que faz a boca mover-se.

Todas as narrativas, em especial as mais longas, assentam na alegada honestidade ou probidade do Grande Líder, atraiçoado por gente menor, não representativa dos Altos Desígnios e Alta Obra feita.

É treta. Pura treta.

Dos que se afirmaram sempre independentes das pressões (Cavaco) aos que afirmam ter-se emancipado dessas pressões (Sócrates) desaguando neste que agora temos, que já se percebeu ser guiado pelas altas pressões, a verdade é que tudo se resume a uma rotação de clientelas sempre a sacar para si e as suas cliques o mais que podem, negando sempre tudo com o maior dos dislates e culpando “o Estado” pela “crise”, pelo “défice”, pelo “desequilíbrio das contas”, tudo culpa de cantoneiros e oficiais de justiça, professores e enfermeiros, juízes e polícias.

E o que é mais chato?

A porcaria de narrativa que está à espera que esta termine.

 

Fazer é complexo, obriga-nos a estarmos disponíveis para nós.

 

Como ser ministro das finanças num local onde não as há?

Trata-se de credibilidade, o d’armani ainda não está preso. E a partir daí.

 

 

 

 

Optar pela bosta ou não.

 

Disse.

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=AelaCI_VIFM

Ex(?)-governados por um vendedor de pílulas vindo de estudos de sanita, não-governados por um ruminante de relva daninha ou equivalente, não me atrevo a expressar opinião – ainda assim não seja decretado velório por sete dias e entremos na decadência.

O que fazer a tanta areia?

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