Mudança


A Educação Em Perpétua Mudança

O debate anda aceso, mas prisioneiro de preconceitos sobre mudança e imobilismo, sobre liberdade e outras coisas que são nomeadas como opróbrios.

Mais grave, o debate anda a ser feito sobre bases empíricas truncadas, distorcidas, ao mesmo tempo que se apresenta como imperativo algo que não se demonstra e se enunciam necessidades absolutas que se fundamentam com base no preconceito.

A mudança está de novo a pairar sobre a Educação com maior intensidade, em nome de uma mudança de paradigma quando nem sequer conseguimos ainda fixar com rigor qual se quer destruir, exactamente porque se falseia a sua caracterização.

Perante tudo isto :

  • Não posso concordar com propostas baseadas em escassa fundamentação empírica e com truncagem de dados sobre aspectos fundamentais. Sabemos agora que o relatório do FMI ainda foi mais adulterado do que se pensava. Os dados usados no debate em curso e apresentados à opinião pública são semelhantes aos do relatório, para pior.
  • Considero que o sistema de ensino não-superior e superior em Portugal melhorou muito nos últimos 15 anos e que esses sinais são claros. Apesar de insatisfatórios, os testes PISA 2009 já trouxeram melhorias em relação aos anteriores e os resultados dos PIRLS e TIMMS de 2011 são claros. Afinal, o mito da “má escola publica” começa a cair e não são os rankings internos que o desmentem, pois apenas sublinham que as escolas privadas exclusivistas e não inclusivas conseguem melhores resultados.
  • Os exemplos externos que são fornecidos como “faróis” são ilusórios, apresentados de forma parcial ou com base em realidades culturais completamente diversas (casos dos países do extremo oriente). Para casos mais próximos do nosso, oculta-se que o financiamento por aluno deu maus resultados na Suécia, que na Holanda as escolas privadas não podem gerar lucros para os stakeholders e que nos EUA o desempenho global das charters é inferior ao das escolas tradicionais. E isto não é recorrer a detalhes para denegrir seja o que for, essa é a estratégia dos que, de forma ligeira, acusam as escolas públicas portuguesas de má qualidade, com base nas suas mitigadas experiências pessoais como professores ocasionais ou virtuais encarregados de educação.
  • Perante este cenário considero que mudar de novo, querer novamente reconfigurar elementos fundamentais do sistema de ensino, quando sabemos de fonte segura e não por relatórios encomendados e cozinhados a várias mãos, que está a dar bons resultados, é algo que só trará perturbação em troca de muito pouco de interesse para os alunos, visto que o recurso ao conceito de “liberdade” esbarra com condicionantes que já expus há algum tempo, em outros escritos, de forma que considero bem clara.
  • Só posso defender que qualquer “mudança” seja feita, nesta matéria e de uma vez por todas, com segurança quanto à fiabilidade do caminho a percorrer e mobilizando positivamente os seus executantes no terreno, em vez de os amesquinhar publicamente de modo sistemático, apresentando-os como privilegiados, acomodados e maus profissionais. Não posso ainda aceitar que por “mudança” se entenda mudança dos fluxos financeiros do orçamento do MEC, com o argumento do “preço” mais baixo.
  • Só posso aceitar que a mudança signifique um reforço da dimensão humana da Educação, da proximidade, do seu recentramento na sala de aula, em que as decisões sejam de tipo partilhado e não hierárquico e em que a responsabilização seja geral e não apenas unidireccional, cabendo sempre o ónus da prova por via da avaliação dos eu desempenho aos mesmos (os executores), enquanto quem promove a permanente mudança escapam sempre ao escrutínio das suas decisões.
  • E só posso aceitar que uma “mudança” radical na forma de funcionamento do sistema educativo (mesmo se partes dessa engrenagem já estão instaladas no terreno há um punhado de anos) se faça integrada numa política global de desenvolvimento do país que dê sentido a um projecto que mobilize a população para uma mudança que não passe pelo ideal da mediocridade da maioria para alimento da excelência de um estreitíssima minoria.

MUDANÇA: QUEM A QUER?

Quando alguém, como eu fiz, põe em causa o significado da Greve Geral devido à sua falta de eficácia e ao esgotamento das suas fórmulas esteriotipadas, aparece invariavelmente gente a ripostar pedindo – às vezes de forma ácida… – que eu apresente, então, formas de protesto melhores ou alternativas.

Não querendo escapar ao contraditório, o que eu pretendo chamar a atenção é para a ingenuidade que, no fundo, assiste àquela posição. Essa forma de interpelação parece partir do convencimento de que os protestos sindicais atingiram um ponto de saturação devido às estruturas dirigentes terem já esgotado o repertório das formas de luta que lhe estão consignadas. Como se o horizonte de possibilidades se encontrasse encerrado e agora estivéssemos condenados apenas a baralhar as cartas para um jogo de antemão sabido.

Pergunto eu, porém: será que aquilo que realmente falta são ideias ou projectos para novas formas de acção e de protesto? Os sindicalistas de carreira, pelo menos uma boa parte deles, com a tarimba e os conhecimentos que têm, com o tempo e disponibilidade que usufruem, não conseguirão de facto conceber outras estratégias de luta mais consistentes?

Ou o que falta – e este é o ponto capital – não será, antes, vontade de mudar?

Porque a mudança, a mudança efectiva, se podemos saber quando ou como começa, já é mais difícil sabermos quando e em que termos acaba. Os velhos modelos, entretanto, têm estatutos adquiridos, colectivos instalados, rituais consagrados, crenças arreigadas e actores reconhecidos. A previsibilidade, a rotina e o sentido da conservação são os seus referenciais paradigmáticos (no sentido forte, kuhniano, se quisermos, do termo).

Passar de uma “zona de conforto” para um “espaço de turbulência”, de imprevisibilidade, em que as variáveis que entram em cena podem desafiar e subverter os poderes instituídos e escapar ao controle, provoca naturalmente resistência. E medo.

Medo da mudança: eis o que, afinal, tolhe os nossos sindicatos. Não, não é falta de imaginação para conceber outras estratégias de luta mais eficazes ou outras formas de luta mais mobilizadoras que é o problema. É a falta de vontade de mudança, por se ter medo que esta possa alterar a correlação de forças, o equilíbrio estabilizado dos poderes já conquistados. O instituto “Greve Geral” não passa de um mecanismo de segurança para que esses equilíbrios se possam manter e os respectivos poderes se continuem a fazer prevalecer.

Farpas

Blast hits government buildings in Oslo, Norway; shooter arrested at youth camp

The Political Power of Social

Technology, the Public Sphere, and Political Change

The FP Top 100 Global Thinkers

When historians look back to the moment when the post-Cold War reign of American power ended, they may well settle on 2010 as a crucial year. Everywhere, it seemed, there were signs that the long-predicted “rise of the rest” had finally occurred, whether in the newfound assertiveness of fast-growing China or the impatient diplomacy of new powers like Brazil and Turkey. Foreign Policy’s second annual list of the Top 100 Global Thinkers fully reflects that new world.

2010: The Year the Internet Went to War

It was a year without parallel. Threat Level’s bread-and-butter themes of censorship, hacking, security, privacy, copyright and cyberwar were all represented in tug-of-war struggles with unprecedented outcomes.

Os slogans das campanha políticas são, por essência da função, frases curtas, teoricamente apelativas, transmissoras de uma ideia mobilizadora.

Na larga maioria dos casos carecem de verdadeiro conteúdo.

Quase sempre não significam nada em particular. Equivalem a uma catch-phrase publicitária para uma pasta de dentes ou uma nova marca de cereais matinais.

O PS escolheu para a sua longa (pré) campanha eleitoral um produto deste tipo:

A Força da Mudança

Como é óbvio isto não diz nada de essencial, assumindo-se que «mudar» por si só é algo de bom. Isto só é compreensível se os autores da frase e responsáveis pela sua utilização considerarem que os seus destinatários estão insatisfeitos com o que têm. O que no caso do Portugal de hoje até é bem verdade. Mas quem é responsável por esse estado de insatisfação?

Deitando fora as desculpas, exactamente os autores e responsáveis pela frase.

Atacar este slogan é demasiado fácil. Porque se o PS quiser defender-se, apontando a sua pretensa obra reformista dos últimos anos, poderemos sempre dizer que ou não fizeram o trabalho bem e querem «mudar» o que fizeram, ou então que não fizeram o que deveriam.

A mim, pessoalmente, agrada-me essa ideia de «mudança». Eu mudaria praticamente todas as caras que me entram por casa dentro, pela televisões e jornais, como sendo a classe dirigente deste país. Mudaria de Primeiro-Ministro, de Governo, de classe política, de muitos dos analistas-comentadores, de aparelhos partidários, de formas de tentar enganar a opinião pública.

Mas «mudar» ou «mudança», por si só, são palavras, sem conteúdo que permita uma valorização, pois não explicam o sentido e natureza da mudança. Nem nos permitem saber se a mudança é para melhor. Nós mudámos algo nos últimos, anos, concedo isso: mas mudámos para melhor? Mudámos o que era importante mudar?

Não!

Essencialmente mudaram-se algumas flores, mas a pocilga manteve-se a mesma, para isso bastando ver o estado da nossa justiça, do combate à corrupção, os níveis de insegurança, a incapacidade para recuperar a economia, um sector da saúde sem rumo, uma educação entregue aos delírios ideológicos de uma aliança estranha entre velhos actores vindos de origens muito diferentes.

O país continua pobre e em perda.

Mudança?

Sim, mudámos. Mas há sempre aqueles que mudam mais do que os outros. Para alguns, poucos, a mudança foi boa, houve cargos em administrações de empresas, observatórios, grupos de missão, cargos importantes e de prestígio no estrangeiro. Para muitos, quase todos, a mudança foi para pior. Aqui não preciso explicar nada de especial. Basta quem quem lê isto compare as suas perspectivas há pouco mais de meia dúzia de anos com a situação actual.

Força da Mudança?

Vão brincar com outro.

Evaluación y cambio de los sistemas educativos: la interacción que hace falta

Cinco critérios a respeitar, de acordo com o autor, Alejandro Tiana Ferrer, para que as coisas se desenvolvam a contento:

  1. Credibilidade e independência institucional.
  2. Participação da comunidade educativa.
  3. Integração de diversos métodos e perspectivas.
  4. Coerência com os objectivos do sistema educativo.
  5. Gradualidade e adptação ás circunstâncias.

Será desnecessário sublinhar de que modo isto se tem encontrado ausente no processo de reforma permanente promovido pelo ME nestes 3 anos.

Página seguinte »