Movimentos


… afinal sois professores, correcto?

Caros colegas,

Cansados dos remoques de falta de representatividade e de ausência de ligação ao sentir dos professores nas escolas, habitualmente vindos daqueles que se têm revelado incapazes, quer de conduzir uma contestação consistente e coerente/consequente às políticas educativas de Sócrates, quer de rebater as razões e os argumentos com que, por norma, robustecemos as nossas reivindicações e as nossas tomadas de posição, decidimos constituir uma plataforma aberta a todos os professores, sindicalizados ou não, que, em cada escola/agrupamento, se identificam com a intervenção e a agenda do PROmova.
Trata-se de um registo simples de identificação (nome e escola/agrupamento de pertença/colocação) que, sem qualquer vínculo formal (até dada a natureza informal e espontânea do Movimento, sem nenhuma vocação sindical ou associativa), permita aquilatar do acolhimento das reivindicações do PROmova junto dos educadores e professores portugueses, uma vez que o nome e a escola de cada professor estarão publicados no blogue do Movimento.
Neste contexto, lançamos também o desafio aos outros movimentos independentes de professores, para que procedam a um registo deste género, de forma a podermos construir uma ampla Convergência de Professores que possa potenciar a força reivindicativa dos professores e influenciar, decisivamente, o rumo das políticas educativas.
Para aderir a esta Plataforma é apenas requerida a identificação com a agenda reivindicativa do PROmova, apresentada a seguir, e o envio do nome e escola/agrupamento de pertença/colocação para o e-mail profsmovimento@gmail.com ou ov.goncalves@gmail.com *.
Agenda do PROmova:
– denunciar o “Acordo de Princípios” celebrado entre alguns sindicatos e o ME;
– exigir da parte da tutela atitudes e práticas que dignifiquem os professores e lhes reconheçam a autoridade e a autonomia pedagógica devidas;
– pugnar por uma escola exigente, centrada na real qualificação dos alunos e pautada pela disciplina;
– substituir o actual modelo de avaliação e anular todas as penalizações e vantagens que dele decorreram ou decorrem (qualquer que seja a versão), defendendo um modelo simples e parcimonioso que, esvaziado da superintendência e da competitividade doentia entre pares, garanta uma avaliação séria e justa;
– pôr fim à aplicação de quotas administrativas ao sistema de ensino;
– rever o novo modelo de gestão das escolas, no sentido de eliminar a projecção nas escolas de conflitualidades e disputas que lhes são externas e estranhas, restaurando a democraticidade interna e, especificamente, devolvendo aos professores a decisão em termos de eleição do Director e dos Coordenadores de Departamento.
– acabar com a arbitrariedade com que se têm vindo a seleccionar escolas TEIP, uma vez que este expediente começa a assumir contornos de medida encapotada para, progressivamente, destruir o concurso nacional de professores;
– defender um concurso nacional de professores que respeite a graduação profissional e as demais prioridades e que seja transparente e equitativo, tanto na forma como se efectua a gestão das vagas postas a concurso, como nos mecanismos nacionais, regionais ou locais de colocação dos docentes.
Contamos com todos os colegas que se revejam nestes combates.
Aquele abraço!

PROmova

Porque nos Demarcamos da Greve do dia 4 de Março



São perto de 13 horas de sábado, dia 27 de Fevereiro. Passaram cerca de 48 horas sobre o anúncio oficial de greve por parte da Fenprof e estranho a anomia dos movimentos.

Hora seja feita ao Ilídio e ao MUP que já manifestou a sua opinião sobre o assunto, mas ainda sem definir posição.

Nos sites da APEDE (sem noticiário desde dia 17, quando divulgou uma iniciativa sindical) e do PROmova (com vários posts muito críticos da Fenprof) nada sobre a greve, muito menos uma posição.

Compreendo, porque os movimentos estão numa encruzilhada:

  • Ou aderem a uma greve que apresenta objectivos de luta que eles sempre defenderam, mas convocada por aqueles que tanto criticaram num passado recente.
  • Ou não aderem, em desconformidade com a sua agenda reivindicativa, sublinhando a incoerência da Fenprof e daqueles que assinaram o acordo.

Posso estar enganado, mas o debate deve acabar da forma esperada. Todos diferentes, todos iguais.

Espero, também, com alguma curiosidade a posição do Ramiro Marques pois foi um adepto fervoroso do acordo e da posição da Fenprof/FNE, pelo que agora também está num certo dilema.

Movimentos pedem mão firme aos sindicatos na avaliação

Na edição de hoje do Sol vem uma peça de Margarida Davim em que se recolhem as opiniões dos líderes da APEDE, MUP e PROmova, assim como do Ramiro Marques e minha.

Como sabemos, os movimentos opõem-se ao acordo, o Ramiro apoia-o, tendo-o achado irrecusável, enquanto eu o acho apressado e a necessitar de muitos acertos antes de ser passado a letra de lei.

As minhas declarações completas às questões colocadas foram as seguintes:

Este acordo assegura que todos os professores com ‘Bom’ vão chegar ao topo da carreira em tempo útil?

Não, de modo algum. A divisão da carreira terminou, mas a progressão tornou-se mais lenta até chegar ao ponto do estrangulamento anterior.
Digamos que o topo da escada está acessível, sem nenhum travão estanque, mas os degraus aumentaram muito.

Porquê?

Porque os mecanismos criados para retardar a progressão permitirão que, no mínimo uns 30% nunca lá cheguem antes da reforma, em especial aqueles que estão na carreira abaixo do 4º escalão que, em relação a 2006 passam a ver o topo da carreira muito mais longe do que viam.

Pode dar-me exemplos de situações em que isso não esteja garantido?

Tudo depende da idade em que um professor inicie a sua carreira. O desenho da actual carreira só permite a um professor chegar, em condições “normais”, ao topo salarial ao fim de 34 anos para quem começa agora, o que significa perto ou pelos 60 anos.
Para quem já está na carreira e a tenha começado a leccionar depois dos 25 anos e só tenha sido integrado mais tarde na carreira, a chegada ao actual 10º escalão só se adivinha com uma bengala na mão. Há colegas meus com mais de 40 anos que, estando actualmente no 3º ou 4º escalão da carreira não têm perspectivas de alcançar esse patamar.

Os professores que tiveram Muito Bom e Excelente vão beneficiar já da bonificação este ano lectivo?

Não sabemos ainda e espero que não porque seria uma aplicação retroactiva da lei que, mais do que beneficiar quem aderiu a um modelo de ADD desacreditado, prejudica quem fez o seu trabalho e lutou em coerência contra esse mesmo modelo, acabando por lhe ser reconhecida a a razão ao tornar-se o “simplex” como norma para alcançar o Bom na avaliação do desempenho.

De que modo é que as novas regras vão acentuar a desigualdade salarial entre professores? Pode dar exemplos?

Neste momento ainda esperamos que algumas regras constantes do “acordo” sejam revistas. Há situações – decorrentes das regras transitórias dos vários modelos aprovados desde 2007 – que criaram disparidades entre docentes que estavam em situação quase igual.
Por exemplo, foi criado um novo escalão e índice (5º escalão e índice 235) que vai funcionar como um tampão para a progressão de docentes que, se ficarem alguns anos à espera de transição com “Bom” (nem mencionando nos das classificações superiores), se podem mais tarde (2, 3 anos) encontrar em escalões de remuneração distintos, quando antes estavam no mesmo.

Quais são, em seu entender, os aspectos mais graves do acordo que foi assinado?

Existem vários, de que eu destacaria os seguintes:

– Uma carreira pouco atractiva para quem está nos dois primeiros escalões e, em relação ao início (há 6-8 anos), muito mais longa.
– O perigo da aplicação de regras, baseadas na avaliação, com efeitos retroactivos em progressões futuras, porque as pessoas tomaram decisões com um quadro legislativo que não contemplava opções que agora existem.
– Normas transitórias para a progressão com algumas falhas e uma data (2013) muito próxima para assegurar que a progressão na carreira não será mais estrangulada a curto prazo.
– Um modelo de avaliação que mais não passa do que da institucionalização do regime simplificado. Um modelo que faz depender a excelência de um docente de duas aulas assistidas por ano não é credível.

Como é que o acordo foi recebido nas escolas?

Com algum desânimo. Apesar do cansaço e desejo de finalizar o conflito, esperava-se mais daquela maratona negocial em que foram mudadas algumas vírgulas e poucos parágrafos à proposta com que o ME começou aquele dia.

Quem é que fica verdadeiramente a ganhar com este acordo?

Politicamente ficou o Governo. Os professores, globalmente, ganham o fim da divisão da carreira mas em troca de algumas cedências em matéria de progressão e duração da dita carreira.

Em que pontos é que os sindicatos deveriam ter sido mais inflexíveis?

No acesso ao 5º escalão da carreira e nos efeitos potencialmente retroactivos de algumas normas da progressão.

O que é que terá levado os sindicatos a assinar o acordo? Perceberam que já não tinham o mesmo tipo de apoio junto dos docentes e da opinião pública?

Ou isso ou a percepção que se o não assinassem ficariam encerrados outros dossiês importantes para a negociação. Cada vez é mais claro que se o acordo não fosse assinado não existiriam outras vias negociais para discutir aspectos da gestão escolar e dos horários, por exemplo.

O que é que poderá acontecer agora? A assinatura do acordo representa o fim da luta contra o modelo de avaliação do ME e o ECD?

O modelo de avaliação era apenas a face visível da contestação ao modelo de carreira. Nessa perspectiva as coisas não mudaram radicalmente. Quando a generalidade dos docentes se aperceber de algumas das normas do “acordo” – caso passem a letra de lei – a insatisfação crescerá. E se, de forma consciente ou meramente instrumental, a maioria dos docentes optar pelo modelo “completo” da avaliação com vista à obtenção das classificações que permitem acelerar a progressão, há o sério risco de implosão do dito modelo.


COMUNICADO CONJUNTO

O “Acordo de Princípios para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente e do Modelo de Avaliação dos Professores dos Ensinos Básicos e Secundário e dos Educadores de Infância” agora assinado entre o ministério da Educação e algumas estruturas sindicais, entre as quais a Fenprof e a FNE, que, entre outros efeitos deletérios, também serviu para desfazer uma importante unidade sindical na luta contra as políticas educativas erradas dos governos de Sócrates, não passa de um novo “memorando de entendimento” que colide, quer com uma parte substantiva das reivindicações que os professores afirmaram, escola a escola e nas ruas, forçando a agenda sindical e resistindo à prepotência e às medidas absurdas da anterior equipa ministerial, quer com o essencial daquilo que os sindicatos afirmaram e defenderam nestes dois últimos anos.
Genericamente considerado, o acordo traduz a validação, por parte dos sindicatos, de quase todos os pilares que sustentavam as medidas que Maria de Lurdes Rodrigues procurou impor e que os professores rejeitam incondicionalmente e que os sindicatos reputavam de inaceitáveis. Referimo-nos, em concreto, ao seguinte:
– manutenção da prova de ingresso na carreira, apesar de os professores contratados e entretanto avaliados serem dispensados da mesma;
– manutenção de um sistema de quotas aplicado ao ensino, num momento em que a sua rejeição é transversal a todos os partidos da oposição, maioritários no Parlamento;
– manutenção, quase intacta, do modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues, massivamente recusado pelos professores.
São de vária ordem as razões que nos levam a rejeitar um acordo que em nada beneficia os professores e que demonstram a imprudência com que alguns sindicatos tratam a representação dos docentes e a facilidade com que abdicam das suas reivindicações nucleares (das 31 exigências da Fenprof para assinar o acordo, a esmagadora maioria não foi acolhida):
1) a transição para a nova estrutura da carreira docente é penalizadora para os professores, uma vez que a sua grande maioria regride no seu posicionamento e demorará muito mais tempo a atingir o topo da carreira;
2) o tempo de serviço de dois anos e meio extorquido aos professores não foi reposto;
3) não foi abolida a prova de ingresso para quem quer leccionar pela primeira vez, depois de uma certificação universitária e do respectivo estágio com orientações pedagógicas e científicas;
4) prevalece o sistema de quotas e a contingentação administrativa de vagas, por meras razões economicistas (quando o Estado esbanja dinheiro em futilidades, em Bancos e em escritórios de advogados) que nada têm a ver com reconhecimento do mérito, condenando a maioria dos professores a uma permanência de sete anos em alguns escalões;
5) em termos de estrutura da carreira docente, substituiu-se um filtro no acesso a professor titular por dois estrangulamentos no acesso aos 5º e 7º escalões;
6) o modelo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues é viabilizado quase intocado, com uma porta escancarada para a sua versão “complex” e que, estamos certos, a maioria dos professores irá transpor, candidatando-se às menções de “muito bom” e de “excelente” (num ciclo avaliativo de dois anos estaremos a falar de cerca 120 mil professores que vão requerer meio milhão de aulas assistidas, o que é uma barbaridade que paralisará as escolas);
7) na sequência do número anterior, os princípios agora aprovados no quadro do modelo de avaliação, mantêm todos os dispositivos que fomentaram, nas escolas, a competitividade doentia, a barafunda e a burocracia, nomeadamente os ciclos de dois anos com avaliação em permanência de todos, a decisão individual de definir objectivos individuais e de requerer aulas assistidas, a proliferação e o entrecruzar de Comissões de Avaliação e Relatores ou, ainda, as dimensões de avaliação consideradas e o contributo em aberto de cada docente para as mesmas, abrindo caminho às disputas de tralha, papelada e projectos folclóricos. A confluência de tudo isto arruinará o ambiente e a cooperação nas escolas e dificultará o investimento dos professores na sua função de ensinar, passando cada um a estar mais focado na sua própria avaliação;
8 ) aceitam-se, e reforçam-se, as consequências decorrentes do 1º ciclo de avaliação em termos de progressão, validando-se uma avaliação que os sindicatos qualificaram de “farsa” e de “faz de conta”, além de que os docentes foram incentivados pelos sindicatos a não entregarem os objectivos individuais e a não viabilizarem o modelo integral através da candidatura ao “muito bom” ou ao “excelente”, sendo agora retaliados por essa ousadia, nomeadamente os professores dos 4º e 6º escalões que não estariam sujeitos ao sistema de vagas para os 5º e 7º escalões, assim como os do 10º escalão que se vêem, hoje, impedidos de aceder ao 11º escalão;
9) as implicações anti-democráticas que o novo modelo de gestão terá na constituição da Comissão de Coordenação de Avaliação, promovendo o aparecimento dos apaniguados do(a) director(a), retirará transparência, imparcialidade e seriedade ao processo de avaliação.
Permitimo-nos afirmar, sem qualquer ambiguidade e com toda a frontalidade, que não podemos deixar de lamentar a imagem enganadora que os sindicatos passaram para a opinião pública, ao fazerem da discussão do estatuto da carreira docente e do modelo de avaliação, uma mera questão de quotas e contingentes de vagas, que em nada condizem com a postura que a classe docente sempre manteve ao longo destes anos de luta, onde as suas reivindicações foram sempre além das questões salariais, preocupando-se, isso sim, com questões de exigência, seriedade, transparência, justiça e qualidade da escola pública, onde se integrava, sobretudo, a exigência de acabar com o modelo de avaliação em vigor, algo que os sindicatos desrespeitaram em absoluto.
Um capital de contestação e de concomitante força negocial foi completamente decapitado e desperdiçado por representantes que demonstraram não estar à altura do respeito que lhes deviam ter merecido a mobilização e os imensos sacrifícios de que os professores deram provas ao longo destes quatro anos.
Os Movimentos Independentes de Professores admitem desencadear, em breve, a construção de uma grande Convergência de Contestação às medidas que os professores continuam a rejeitar neste acordo (e pela defesa de outras que ficaram ausentes), procurando reunir na mesma os sindicatos que não assinaram o acordo, os professores que se destacaram na blogosfera e núcleos de professores, organizados escola a escola.
Contem connosco, porque isto não pode ficar assim!

APEDE,
MUP,
PROmova

Sinais de desacordo… sinais de alerta!

Fica aqui o documento (PROPOSTA ALTERNATIVA DA APEDE) que merece discussão alargada. Em jeito de introdução a uma futura análise, apenas diria que considero que em algumas passagens divaga demasiado em considerações reactivas, podendo ser mais concreto em algumas das propostas enunciadas.

No DN de hoje surge uma peça em que se acena com o reacender dos protestos dos docentes.

Surgem declarações do Ricardo da APEDE, do Ilídio do MUP e minhas. As minhas foram extraídas do blogue, estando exactas. Apenas em nada apontam para acções de protesto em Dezembro, sendo inclusivamente público e publicado que eu acho que só no início de Janeiro se poderão avaliar devidamente os resultados destas negociações.

Quanto às do Ricardo e do Ilídio, que julgo recolhidas na primeira pessoa, eu faria dois reparos:

Cita-se o Ricardo como dizendo:

“As conquistas sociais custaram muito a alcançar e não podem ser deitadas fora”, alerta Ricardo Silva, que condena ainda o desaparecimento “das consequências das avaliações de mérito para progressão na carreira e para aqueles que não entregaram objectivos nem a auto-avaliação” da mesa das negociações.

Sobre isto eu diria apenas que não me parece que isso seja exacto ou correcto, em nenhuma das vertentes. Apenas há coisas que… como já uma vez escrevi, nem sempre podem espreitar acima das águas.

Já quanto ao Ilídio, surge como tendo afirmado que «as negociações se estão a arrastar mais do que o esperado, sem os resultados esperados

A mim quer-me parecer que as negociações começaram há muito pouco tempo e a crítica que se ouviu antes é que o calendário era muito apertado. Quanto aos resultados, não sendo ainda conhecidos nenhuns especialmente animadores, não é menos verdade que em pouco mais de uma semana não estou a ver como é que as coisas poderiam ser muito diferentes.

Claro que compete aos movimentos funcionarem como grilo falante do movimento sindical, pressionando-o no sentido certo, mas é sempre bom fazê-lo de modo fundamentado e perceptível para todos.

E eu sei que o Ricardo e o Ilídio percebem o que aqui estou a escrever, sem qualquer outra intenção que esclarecer a minha posição pessoal pois, como é óbvio, eu não convoco nem desconvoco nada, apenas sendo minha pretensão perceber se as coisas estão a aquecer o suficiente ou não.

Há que recebê-los também com dois beijinhos:

O PODER DE SEDUÇÃO OU O INTERESSE DA RIBALTA

Reuniões de “charme” da ministra da Educação com as estruturas sindicais são cenas de um filme já visto

Eu só sou corruptível na base do papel impresso, em forma de incunábulo, pasquim ou coisa assim.

UM DESAFIO PARA OS PROFESSORES

Para além da não entrega dos OI, seria também sensibilizar os órgãos de gestãopara que apresentassem aos corpos docentes a hipótese de definição, por agora, de objectvos de agrupamento ou escola, enquanto o imbróglio persiste.

REUNIÃO COM O GRUPO PARLAMENTAR DO BLOCO DE ESQUERDA

MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO DE PROFESSORES – 19 DE SETEMBRO – LISBOA

Tal como foi já tornado público, os professores irão manifestar-se em Lisboa, no próximo dia 19 de Setembro de 2009, às 15:00 horas.


Numa forma de manifestação diferente do habitual, a mesma decorrerá em simultâneo em três locais diferentes e simbólicos: Assembleia da República, Ministério da Educação (Av. 5 de Outubro) e Palácio de Belém. Em nenhum deles, haverá prelecção de discurso público, mas sim uma faixa dos Movimentos que organizam o protesto (APEDE, MUP e PROmova), contendo uma mensagem forte e incisiva que pretende dar voz ao sentimento dos professores.


Nos três locais de concentração, haverá representantes dos movimentos, que promovem e organizam esta acção, sendo que os professores poderão dirigir-se livremente a qualquer um desses locais, ou a todos eles, de acordo com a sua sensibilidade e desejo de participação.


Os professores virão, preferencialmente, vestidos de negro mantendo algum período de silêncio e dando depois livre curso à sua criatividade contribuindo, desse modo, para evidenciar as razões da sua luta e justo protesto, face à situação que se viveu e continua a viver, actualmente, na Escola Pública.


Os movimentos independentes de professores convidam os senhores jornalistas a acompanhar esta manifestação de protesto dos professores, a ouvir os professores que dão aulas no dia-a-dia, sentindo na pele os efeitos e consequências perversas das políticas educativas impostas pelo governo de José Sócrates, e chamam particular atenção para as diferentes faixas (5 m2 cada) a exibir pela organização, cujo conteúdo só será revelado na tarde do dia 19 de Setembro, em simultâneo, nos três locais em que decorrerá esta iniciativa de protesto.

Segue junto a esta nota de imprensa, em rodapé, o cartaz oficial da manifestação, cuja publicação agradecemos.


Sintra, 16 de Setembro de 2009
Com os nossos melhores cumprimentos,

Pela APEDE,
Ricardo Silva

Pelo MUP,
Ilídio Trindade

Pelo PROmova,
Octávio Gonçalves

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ORGANIZAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO DOS PROFESSORES – 19 DE SETEMBRO

APEMUPROMO

Tal como foi já tornado público, os professores irão manifestar-se em Lisboa, no próximo dia 19 de Setembro de 2009, às 15:00 horas.

Numa forma de manifestação diferente do habitual, a mesma decorrerá em simultâneo em três locais diferentes e simbólicos: Assembleia da República, Ministério da Educação (Av. 5 de Outubro) e Palácio de Belém. Em nenhum deles, haverá prelecção de discurso público, mas sim uma faixa dos Movimentos que organizam o protesto (APEDE, MUP e PROmova), contendo uma mensagem forte e incisiva que pretende dar voz ao sentimento dos professores.
Nos três locais de concentração, haverá representantes dos movimentos, que promovem e organizam esta acção, podendo os colegas dirigir-se a qualquer um desses locais, de acordo com a sua sensibilidade e desejo de participação.

Solicita-se que, na medida do possível, os colegas venham vestidos de negro e que, depois de alguns minutos de silêncio, se manifestem como entenderem, com faixas, cartazes, etc., dando livre curso à sua criatividade, contribuindo, desse modo, para o sucesso desta iniciativa.

APEDE
MUP
PROmova

Que deixo aqui, sem mais comentários por agora do que dizer que ainda bem que com esta posição se verifica a demarcação de outras movimentações estranhas aos interesses específicos dos professores.

COMUNICADO CONJUNTO – APEDE, MUP e PROmova

Na passada 4ª feira, dia 2 de Setembro, os Movimentos Independentes de Professores, APEDE, MUP e PROMOVA, e outros activistas que se têm envolvido neste processo de luta, estiveram reunidos para debaterem e tomarem uma posição conjunta sobre as iniciativas de luta a desenvolver no mês de Setembro. Do debate realizado, e após uma reflexão e troca de ideias conjuntas que teve como preocupação fundamental a manutenção da matriz essencial dos Movimentos de Professores, que é a sua independência, e a ponderação de diversos outros factores (aspectos de logística, mobilização, etc.) resultou a decisão, que agora se anuncia, da realização de uma MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO DOS PROFESSORES, que irá decorrer, em simultâneo, em três locais distintos (Assembleia da República, Ministério da Educação e Palácio de Belém), no dia 19 de Setembro, às 15:00 horas, para que, de uma forma simbólica, articulada e original, os professores possam manifestar o seu veemente repúdio pelas políticas educativas em curso, deixando muito clara a sua disposição para continuarem a luta, caso o futuro governo, seja ele qual for, não concretizar as mudanças que temos vindo a exigir, constantes no “COMPROMISSO EDUCAÇÃO”. Os detalhes organizativos e de pormenor sobre a concretização destas iniciativas serão comunicados em breve.

Apelamos a todos os colegas para que divulguem e participem activamente nesta jornada de luta, no dia 19 de Setembro, que mostrará, uma vez mais, que os professores têm memória, não desmobilizam e continuam decididos e firmemente empenhados na sua luta cívica em defesa da Escola Pública e de um Ensino de qualidade.

APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino)

MUP (Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores)

PROMOVA (Professores Movimento de Valorização)

Contra o oportunismo, afirmar a escola pública e regressar à luta

O Movimento Escola Pública condena as principais políticas educativas lançadas pelo governo Sócrates, que se caracterizam pela introdução na escola de uma cultura empresarial, burocrática, dirigista e castradora da imaginação e da pedagogia. Neste caldo autoritário e irresponsável, encontra-se o modelo de avaliação de professores, a divisão da Carreira Docente, o novo sistema de gestão das escolas, e a manutenção da precarização e desemprego de milhares de professores, quando a escola pública precisa de estabilidade e recursos para garantir a todos os alunos um ensino de qualidade, independentemente da origem social.

Assim, é com o maior desprezo que reagimos aos arrependimentos disfarçados de Sócrates e da sua Ministra da Educação, que têm como único objectivo comprar o voto dos professores em tempo de eleições.

Precisamente neste tempo de eleições, o Movimento Escola Pública posiciona-se com clareza.

Rejeitamos o slogan “vota à esquerda ou à direita mas não votes PS” porque coloca os professores numa posição estritamente corporativa, como se fosse indiferente para cada um deles o modelo de sociedade e de escola em que vivemos, interessados apenas em salvar a sua pele de forma desesperada.

Apelamos ao voto à esquerda, contra o PS e os partidos da direita, porque é o voto mais genuíno na defesa da importância e do reforço da escola pública, bem como das aspirações das dezenas de milhares de professores que anseiam por estabilidade para o exercício da sua profissão, virada para o sucesso real de todos os alunos, sem exclusões.

Denunciamos a atitude dos partidos da direita, que apenas subscrevem, sublinhe-se que de forma vaga, algumas das principais reivindicações dos professores, por mero oportunismo político. A verdade é que muitas dessas medidas correspondem à sua visão economicista sobre a educação, na linha de um Estado curto que mantém a precariedade dos seus profissionais e que está desejoso por poupar nos seus salários e carreiras. O PS fez o trabalho da direita, e a direita sabe-o bem, por mais que tente disfarçar.

Sintomática é também a defesa que os partidos da direita fazem do novo modelo de gestão das escolas do governo PS, que introduziu os directores para facilitar a transformação da escola numa repartição empresarial do Estado, com uma cadeia de comando hierarquizada.

É à esquerda, contra o PS e a direita, que podemos ajudar a garantir o direito de cada criança e de cada jovem ao sucesso com qualidade, e assegurar condições a professores e professoras, e a todos os profissionais de educação, para reforçar o seu compromisso com a escola e o futuro dos seus alunos e alunas.

Definido o campo da nossa escolha eleitoral importa também, neste período que precede as eleições, manter vivas as aspirações dos professores, que, evitando a instrumentalização por outros, têm tudo a ganhar na realização de uma nova acção de protesto, sem jugos partidários ou daqueles que só pretendem cavalgar a luta dos professores em nome de intenções populistas e justicialistas.

Nesse sentido, o Movimento Escola Pública promoverá contactos entre movimentos e sindicatos, para a definição de uma acção de protesto a realizar no próximo dia 19 de Setembro (data em aberto). Uma acção que coloque no centro o valor da escola pública inclusiva e a dignidade dos profissionais de educação, repetidamente enxovalhados nos últimos anos.

ATÉ ONDE ESTAMOS DISPOSTOS A LEVAR A LUTA?

Está aqui – depois de ultrapassados aqueles textos introdutórios fixos que fazem desesperar um pouco – o balanço da acção do PROmova e os seus planos para o futuro. Boa ideia a de passarem de reactivos a pró-activos, com a decisão de se assumirem como um think tank e passarem a produzir alguma reflexão pela positiva sobre os fenómenos educativos.

Aliás só peca por tardia tal inflexão, se querem a minha opinião (acho que não querem, mas eu dou na mesma…).

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