Miséria Humana


Venha o Dostoievski e escolha.

 

com os donos de esquerda dos caniches, querem ser o único circo. Disse!

 

É isto o exemplo dado pelas empresas de “sucesso” do universo privado?

Ler estas coisas – e bem que elas estão liofilizadas pelo filtro de “atas” que raramente registam as coisas bem mais quentes – é a melhor forma de se perceber quantas mentiras nos foram ditas sobre a genialidade desta gente que salta de cargo em cargo, graças a golpes e negociatas dignas de gangues de um Padrinho IV.

Exp15Mai14bdExpEcon15Ago14

Expresso e Expresso-Economia, 15 de Agosto de 2014

tentaram mais um ataque de unicidade.

 

 

Convicto de que o problema é dele, je vais me jeter comme d’habitude.

 

Conheço pessoalmente este colega que anda a fazer o calvário das entrevistas das ofertas de escola, em especial de escolas TEIP onde em muitas se vão multiplicando os abusos:

Boa tarde Paulo

Vou-te enviar uma anexo com a minha situação [escola da margem sul]:

De uma forma resumida explico o que aconteceu:

– nesta escola eu era o candidato nº6, soube por colegas que tinham sido convocados os candidatos até ao nº10, como não tinha sido convocado liguei para lá a questionar a situação e disseram-me para ir à entrevista na segunda-feira dia 10 de Setembro;

– compareci à entrevista e não me disseram mais nada;

– ontem apercebi-me que dava para ver na aplicação da dgrhe o motivo do nosso afastamento do horário, quando li não queria acreditar… “docente colocado, não aceitou comparecer à entrevista”;

– nunca pensei que estas escolas descessem tão baixo, fiquei completamente surpreendido pois eles é que não me convocaram, eu é que liguei e só depois me disseram para ir lá.

Envio-te o presente mail para estares ao corrente destas situações.

Abraço

A.

continua a não ser mexilhão nem pode ser investigado.

O poder é divertido para quem pode ou impede que se possa.

Desde ontem que evito comentar as afirmações do PM, para não me sair palavrão. Se assim é,porque tem PPC recompensado parte da clique política que nos conduziu até aqui? Será que, como outros, Passos Coelho considera que a arraia miúda é que concedeu crédito a si mesma, que especulou com o imobiliário durante mais de uma década, que tentou transformar muitas zonas do país num subúrbio contínuo, cortado por estradas que encheram os bolsos de certas elites que continuam a mamar no Estado, enquanto se apresentam os funcionários públicos, desempregados e pensionistas como os grandes beneficiários do dito Estado?

Passos Coelho: “Já estamos pobres. Alguns é que não deram conta disso”

Quem não deu conta disso, que já estávamos pobres e era preciso fazer equilíbrios que nenhum Catroga , Nogueira Leite, Cardona ou Braga de Macedo alguma vez fez é quem sempre beneficiou do Estado gordo, que não precisou de andar a contar os tostões a partir de meio do mês, a saber como esticar o orçamento para a alimentação dos filhos ou como poupar nas deslocações para um trabalho precário.

As pessoas que não podem usar carro por causa do preço dos combustíveis, mas a quem aumentam os preços dos transportes públicos e têm de pagar um passe que pode chegar a 20% do salário.

Que não deu conta que estamos pobres, são os jovenzinhos dos grupelhos de apoio ao ministro Relvas, em trânsito animado entre tertúlias pseudo-liberais que leram o Hayek e o Van Mises e peroram sobre o Estado Obeso e os lugarzinhos de profes na Católica que lhes caíram no regaço tantas vezes na base das redes clientelares e amiguistas, seja de uma obra ou de outra.

E quem fala nestes, também fala nos seus reflexos no espelho, a esquerda-caviar que, em devido tempo, se abarrotou de subsídios do Estado para investigações sobre a pobreza, a ditadura, a injustiça, etc. Cujas tertúlias, outrora acantonadas à Voz do operário, se espelharam por diversas universidade públicas numa rede tentacular paralela à outra.

Não é preciso ser pobre para se falar na pobreza.

Mas convém existir um mínimo de decoro quando se goza com a miséria alheia.

Querem quadros dos mais negro neo-realismo, revisitado no século XXI? Para depois dizerem que se está a perder a perspectiva com casos dramáticos individuais e a não ver o grande cenário?

Tenham um pouco de decoro. Façam alguma coisa e falem o mínimo. Deixem de exibir-se e pavonear-se como donos de um país que já viu gente assim durante a decadência oitocentista. Leiam o Glória do Vasco Pulido Valente e percebam que se estão a ver ao espelho.

 

… para além de qualquer avaliação de desempenho a fingir ou abuso na exploração do trabalho docente é a retirada de meios aos mais carenciados e vulneráveis com pretextos absolutamente materialistas.

Falo dos alunos e das medidas de poupança anunciadas como a necessidade das famílias com direito a subsídio terem de comprar primeiro os manuais e serem reembolsadas depois (algo que parece ser uma medida já tomada) ou a retirada meios humanos especializados no apoio a alunos com NEE.

Isto é ao pior nível dos tempos que pensávamos ultrapassados.

  • Quando da aprovação do decreto-lei 3/2008 levantaram-se imensas vozes contra a forma como se estava a restringir o universo das crianças e jovens a quem seria possível prestar apoios especializados em virtude da forma como se passaram a definir as NEE. Muitas dessas vozes foram de gente ligada ou próxima do partido que actualmente lidera o governo. Agora o que se pretende é reduzir esses mesmos apoios a um grupo que já de si não corresponde vagamente ao dos alunos que precisam efectivamente de um apoio individualizado e especializado. Não conheço ainda em concreto o que se pretende fazer ou cortar, mas quando a definição das prioridades passa por desproteger quem está mais vulnerável atravessa-se uma linha fundamental de (des)respeito pela condição humana.  Aqui não se trata de questões ideológicas, trata-se de princípios básicos de decência e ética perante os nossos semelhantes.
  • O mesmo se passa, embora de um outro modo, com a imposição das famílias carenciadas adiantarem os meios financeiros para adquirirem manuais que podem atingir centenas de euros no seu conjunto, ficando à espera de um eventual reembolso. Quando não se criaram os meios para, como defendia o CDS há meses, existirem bolsas de manuais usados nas escolas. Se há crise orçamental do Estado, há maior crise nos orçamentos das famílias. Para o bem e o mal, o Estado não está desempregado, mas muitos encarregados de educação estão. E NÃO TÊM meios para adquirir os materiais. E as escolas e professores vão ser obrigados a usar de imaginação e, por vezes meios à margem da lei para ultrapassar esta situação. O manual não deve ser o suporte único das aulas, mas pode ser quase o suporte único para o trabalho dos alunos fora das aulas. É absolutamente obsceno do ponto de vista intelectual que pessoas que se definem por oposição ao materialismo, justificarem uma medida destas. O que propõem? A caridade cristã? O milagre da multiplicação dos manuais a saírem do regaço da SE Isabel?

Só falta mesmo ler em qualquer notícia ou blogue que este tipo de protesto é um resquício de socialismo. Não, o que está a ser feito é que é muito mais do que um resquício de falta de uma abordagem humanizada do ensino e DOS ALUNOS.

Morte de Amy Winehouse e ataques de Oslo utilizados em fraudes

.

Basta que haja crentes curiosos. E morbidez.

Toda a educação assenta nestes dois princípios: primeiro repelir o assalto fogoso das crianças ignorantes à verdade e depois iniciar as crianças humilhadas na mentira, de modo insensível e progressivo.

por isso
partiste

porque nada ouvias e na tua face

a noite crescia quando partiste

viajava aos
meus olhos uma catedral imensa

rumorosa e confusa das manhãs claras

reparava em
todos os sons

e havia sons que eram escadas

outros que pareciam luzes

e alguns que ainda não eram sons quando partiste

todos
edificaram a noite

que ficou uma catedral de silêncio

sem escadas nem luzes

nem faces que nos meus olhos viajassem

quando partiste

[eu]

Almeida Santos diz que Bagão Félix mentiu

Bagão Félix disse que Sócrates mentiu, o presidente do PS vem agora dizer que o mais recente conselheiro de Estado nomeado pelo Presidente «fez uma declaração desagradável»

Há coisas que se admitem a uns, mas não a outros. É o caso do reflexivo descodificador-mor da luta dos professores, na perspectiva ortodoxa fenprofiana que responde pelo nome de Francisco Santos.

O homem a todos critica, desde que não sigam a via burocrática da contestação. Descrente da comunicação social, em tempos de submarino na APEDE colocou-se sempre a jeito para aparecer. Agora teve a sua oportunidade para ser exemplar na coerência sobre a ADD e esparrama-se ao comprido, por muito que tente controlar os danos num post do seu blogue.

A verdade é que, conhecendo eu a jornalista do Expresso, sei bem que não é dada a enganos ou equívocos, pelo que o que está escrito é claramente o pensamento da contestação conformista, aquela que diz que se declarou indisponível, mas aceitou a nomeação. Que fez pedido de escusa mas, ao ser indeferido, se fica por aí e agora afirma que «o que interessa agora é prejudicar o menos possível os colegas».

Ou seja, vai fazer o que lhe mandam. Rendeu-se em termos individuais, esperando que as massas façam com que a sua falta de coerência se dilua.

Porque a cagufa é mais do que muita e, no fundinho, há lutadores que se sentem todos emproados por se mostrarem bonzinhos para com os colegas.

No fundo, se vivessem na Alemanha em 1935 ou 1940, fariam o pedido para não gasear os judeus, mas se fosse indeferido, declarariam que os gaseariam com gentileza. Mas gaseariam…

(Nota a posteriori: esta parte acima chocou algumas conciências. Para a próxima, preferem uma metáfora com a matança de focas-bebé? Eu mantenho o que escrevi, pois o absurdo é bem evidente, desde a parte do pedido, que  não percebe, paciência!)

Se até aceitaria isto a outros, menos peneirosos nos pergaminhos de lutas, no caso do mestrando Francisco Santos, acho de um colaboracionismo inaceitável e de uma cobardia política assinalável.

Claro que ao escrever isto sei que a reacção reflexiva será ao nível mais rasteiro dos comentários no seu blogue, da família Sagrav. Mas, por muito que pudesse ser diplomático ignorar, é-me mesmo impossível deixar passar em claro esta manifestação de rabo-entre-as-pernas. É desta massa que se fazem certos candidatos a dirigentes sindicais!

O debate sobre o número de horários que serão abatidos no próximo ano lectivo, à luz das propostas de redução curricular (falar em reforma é claramente desajustado), é importante e não o menorizo.

Se vão ser 10.000, 20.000 ou 30.000 é muito importante.

Mas mais complicado é olhar para as pessoas que, escola a escola, agrupamento a agrupamento, sentem que este ano lectivo pode ser o último e o próximo o primeiro do resto das suas vidas.

E é isso que é muito complicado e que escapa sempre aos cientistas sociais da estatística, aqueles que fogem a encarar as pessoas cujas vidas arruínam com as suas médias, estabelecidas com base na suas teorizações e previsões, cujo historial sabemos ser de recorrente erro.

Há algo que não compreendo com clareza, ou que tento não entender nos termos em que isto se coloca: que modelo de Nação é aquele que justifica com a sua salvação, o genocídio socioeconómico de grupos cada vez maiores dos indivíduos que a constituem?

Que gente é esta que, para fugir às suas responsabilidades, assumindo os erros e saindo de cena, prefere sacrificar aqueles que menos podem?

E que gente é aqueloutra que debate estes assuntos como se de tagarelice de mesa de café se tratasse? Que ganha a vida a escrever  e a opinar sobre a miséria alheia?