Metas De Aprendizagem


E logo no JN que eu tanto critiquei. Não sei o que dirá o comentador Mat a este respeito…

Confesso que fui um pouco verborreico e explicativo em algumas respostas, mas o resumo feito de cada uma delas respeita fielmente o espírito do que disse. Numa delas, o que recordo é o chamado programa mínimo do início dos anos 80 quando no 12º ano havia o programa e depois os conteúdos que com toda a certeza apareciam nos exames para acesso à Faculdade.

Sei que ainda me foram feitas mais perguntas, sendo uma delas, acho que a última (foi por telefone, não guardei registo), o que mais temia para este ano lectivo, ao que respondi ser a crescente despersonalização da dimensão humana das relações nas escolas, sendo os alunos mais novos os mais atingidos por isso.

“Resultados escolares não melhoram com medida isolada”

As metas de aprendizagem são um instrumento útil para os professores?

Seriam, caso surgissem articuladas com outras medidas, nomeadamente a alteração dos programas e do currículo. Sendo uma medida isolada, terão alguma utilidade, mas o currículo nacional do ensino básico (CNEB) já nos diz qual deve ser o perfil do aluno no final de cada ciclo.

Trata-se, então, de uma duplicação de instrumentos?

Estou com alguma curiosidade para ver se as metas alteram o que está determinado no CNEB ou se introduzem metodologias de trabalho que sejam diferentes do que já temos; se  vão repetir o que já sabemos ou, se por exemplo, vão recuperar o currículo mínimo que existia para o 12º há mais de 20 anos – ou seja, conteúdos que tinham mesmo de ser dados. É uma incógnita.

Se for uma medida isolada, será suficiente para melhorar os resultados escolares?

Não. Com o mesmo programa e currículo em vigor, as metas não podem ser mais fáceis de alcançar pelos alunos. Penso que é mais uma espécie de cosmética, no sentido de apresentar uma medida que, na prática, dirá aos professores os objectivos a atingir. Mas nós já os tínhamos. Seria útil se alterasse o desenho curricular e os programas tivessem novas metas.

Refere-se a uma revisão curricular e ao reordenamento dos ciclos de ensino?

Essa é de há muito tempo e de forma quase consensual a reforma prioritária. É necessário redesenhar o currículo, especialmente no 3º Ciclo, que está errado. Primeiro, reorganizava-se e só depois se definiam novas metas.

Quais são as suas expectativas para este ano lectivo?

Vai ser mais tranquilo a nível global, mas mais intranquilo nas escolas,  devido aos mega-agrupamentos e ao novo modelo de avaliação docente. De resto, o sector está numa relativa anestesia e não me parece que vá sair dela a breve prazo.

Isso é uma crítica aos sindicatos?

A partir do momento em que foi assinado um acordo sobre a carreira, as novas medidas têm merecido alguma oposição dos sindicatos, mas sem grande ênfase.

Nesta resposta eu acrescentei que a vocação dos sindicatos não é, nem tem sido, a análise das questões pedagógicas.

Professores preferiam revisão curricular à definição de metas

Interessante de ler, mas esta passagem deixa-me algo baralhado:

O ME acredita que o instrumento constituirá uma alavanca para a melhoria dos resultados dos alunos. Claro que esse “processo não será automático”, admite Natércio Afonso. “Os professores vão ter de as usar e usar bem”; a “expectativa é que sintam mesmo a sua falta”, sublinha o professor da Universidade de Lisboa, para quem a aplicação “nunca poderá ser obrigatória, mas sempre voluntária”.

Mas então os professores vão ter de usar as metas de aprendizagem, mas a a sua aplicação nunca poderá ser obrigatória?

Mas então no que ficamos?

É uma obrigação facultativa ou uma faculdade obrigatória?

No dia 15 vamos conhecer as Metas de Aprendizagem que irão ser testadas em 10 escolas. Entretanto, os novos programas de Língua Portuguesa, que eram para entrar em vigor este ano, ficaram adiados para o próximo.

Então, no caso da Língua Portuguesa, essas 10 escolas vão aplicar metas de Aprendizagem em Língua Portuguesa para o programa em vigor ou para o que stará no próximo ano?

Se as Metas foram definidas para o antigo programa, foi trabalho quase perdido, se foram para o novo isso quer dizer que nessas escolas já vão adoptar o novo programa?

Entre metas de aprendizagem e competências essenciais (gerais e específicas por disciplina e ano de escolaridade). E parece que será tudo no site da DGIDC.

O Ricardo já disponibilizou umas primícias

Eu esclareço que não sou contra as metas de aprendizagem. Acho-as úteis. O que gostava era de perceber se estas metas se vão tornar um substituto dos programas disciplinares, se serão uma espécie de programa mínimo para o nível 3 ou o 10. Do tipo, se souberes aquilo, passas

E também gostava de perceber – já agora – se as equipas do GAVE que vão fazer as provas de aferição e os exames vão ter em conta estas metas…

Uma outra matéria em que a actual ministra da Educação parece mover-se com evidente dificuldade ou, no mínimo, com base em convicções pouco consolidadas é a que se refere às prioridades a estabelecer no que deve ser feito.

Relembremos a cronologia sumária: primeiro anunciou-se uma reforma no currículo do Ensino Básico, depois que iriam ser definidas metas de aprendizagem para cada ciclo de escolaridade.

O que temos agora: metas de aprendizagem definidas por equipas de peritos a ser testadas numa dezena de agrupamentos e a reforma, transformada em reajustamento curricular a meio do percurso, a ficar à espera de melhores dias.

Afirma Isabel Alçada:

Entendemos que a definição das metas de aprendizagem deve ser prioritária. E que não valia a pena estar a mexer no curículo, tirando uma hota aqui e pondo outra ali, sem ter os resultados do primeiro trabalho. Temos de trabalhar com muita segurança e sentindo que o que fazemos vai dar resultado de certeza.

Bem… para começar, essa certeza é impossível de ter. Muito menos em Educação.

Em seguida, antes de trabalhar com segurança, há que pensar com segurança. E saber-se ao que se anda.

Porque eu até sou capaz de conceber tanto que a galinha tenha precedido o ovo como o vice-versa.

Mas a mim parece-me que reajustar o currículo não é apenas determinar a carga horária das disciplinas. É definir que disciplinas e áreas disciplinares (como agora se chamam os tempos ocupados com matérias que não contam para grande coisa…) fazem parte do currículo e em que ciclos de estudos se organiza esse currículo.

Ou seja, que matérias devem ser estudadas, durante quantos anos.

Numa concepção, que admito simplista, como a minha, depois de definir o que se estuda e durante quanto tempo é que se definem as metas de aprendizagem para essas matérias/disciplinas. E então, no final, tenta fazer-se uma distribuição adequada e equilibrada da carga horária.

Seria assim que eu, não perito e zeco de profissão, faria as coisas.

Partiria do geral para o particular, em vez de empilhar particulares na esperança que o quadro final não pareça um cadáver esquisito.

Para além de que nem sequer percebo muito bem como se pode depois reformar uma estrutura curricular se nas metas de aprendizagem já estão definidas as disciplinas e previstos os ciclos de escolaridade. O que se vai reformar ou sequer reajustar? As tais horinhas a deslocar para aqui e para ali?

Bom… mas acredito que a minha forma de pensar é que deve estar errada e ser pouco segura.

É para mim extremamente grave que uma ministra da Educação aparente desconhecer que existe em vigor um documento com o título Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais.

Podemos discutir aqui até que ponto o conceito de competências essenciais corresponde ao mesmo (não corresponde exactamente, mas não anda assim tão longe) que as metas de aprendizagem, mas dificilmente será diferente daquilo a que Isabel Alçada designa como competências de base ou mesmo competências-chave.

Podemos até dizer que estas competências essenciais podem estar ultrapassadas e que é necessário redefini-las, até porque há programas disciplinares em transformação.

Podemos ter por aqui uma imensa discussão sobre imensa coisa lateral e periférica ao verdadeiramente essencial: não é verdade aquilo que a ministra afirmou ao dizer que não há um documento que defina (e até o faz por ciclo de escolaridade e tudo) aquilo que cada aluno tem «de atingir em cada nível de escolaridade».

Esse documento existe. É de 2001, está online no nsite da DGIDC e foi apresentado da seguinte forma:

A presente publicação e o resultado de um trabalho realizado ao longo de vários anos, que envolveu um grande numero de professores, grupos de trabalho, documentos, reuniões e pareceres. Na ultima fase, desenvolvida desde meados de 1999, foram produzidas versões preliminares das competências gerais e transversais, assim como daquelas que dizem respeito às diversas áreas e disciplinas do currículo, as quais foram objecto de discussão e de pareceres de departamentos universitários, escolas superiores de educação, associações de professores e centenas de escolas do ensino básico. Foi com base na analise destes pareceres, acompanhada por um esforço de harmonização dos vários documentos, que a formulação final das “competências essenciais” foi elaborada. Desde Dezembro de 2000, o processo foi coordenado por um conselho consultivo, constituído a convite do director do Departamento da Educação Básica.

Estou curioso, muito curioso, para perceber a diferença entre isto e aquilo que está a ser feito agora. Não que ache que o documento existente é para ficar em vigor de forma perpétua. Apenas gostaria de perceber porque é dito que não existe pois – é apenas um suponhamos – acho que alguns dos peritos agora requisitados são exactamente os mesmos…

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