Metas De Aprendizagem


[aqui]

Que parece ser o parente pobre deste trio de pareceres, pela escassa atenção que está a merecer, embora o tema se preveja central para a avaliação das escolas e dos órgãos de gestão, logo… de quase todos os próprios docentes…

E como se vê, o CNE está a favor… só com uns pequenos rodeios…

3. Recomendações sobre a Adopção das Metas de Aprendizagem

Reconhece-se, perante a desorganização curricular que hoje se verifica, a importância de que se reveste a construção de um dispositivo de apoio à gestão da actividade curricular destinado, sobretudo, a melhorar os procedimentos de monitorização e avaliação das aprendizagens, com vista à regulação e readequação sistemáticas do trabalho curricular dos alunos e dos professores.

As Metas de Aprendizagem, tal como foram apresentadas, pretendem responder a essa necessidade.

No entanto, na medida em que devem ser utilizadas também para que sejam alcançados os objectivos faseados do Programa Educação 2015, recomenda-se que:

1.        A validação social e pedagógica destas Metas de Aprendizagem, através de uma extensa utilização, seja rigorosamente monitorizada ao longo dos dois primeiros anos do Programa Educação 2015.

2.        A eventual utilização das Metas na administração de provas aferidas, no decurso dos anos de validação das mesmas, deverá ser devidamente ponderada, uma vez que poderá provocar uma desregulação dos resultados escolares, justamente durante o ciclo temporal do Programa Educação 2015, que pretende promover a melhoria dos resultados de aprendizagem e reduzir a repetência dos alunos.

3.        No decurso do período de validação e dada a extensão das Metas formuladas, será adequado proceder ao ajustamento das Metas finais, e especialmente das intermédias, aos diferentes níveis de desenvolvimento possível. Sugere-se, assim, uma particular atenção na formulação para o 1.º e 2.º ciclos do ensino básico e, em particular, para os 1.º e 2.º anos do 1.º ciclo, não esquecendo que no 2.º ano continua a verificar-se a mais elevada percentagem de repetência deste ciclo (7,5 %).

4.        A fim de conferir uma maior unidade formal ao documento, deveriam ser retomados os cinco critérios ou pressupostos para elaboração das Metas, atenuando, desse modo, a diversidade de metodologias na formulação dos referenciais por disciplina.

5.        Durante o processo de validação das Metas convirá atender à necessidade de se utilizar no documento uma linguagem académica menos sofisticada, para que seja acessível não só aos professores, mas também aos alunos e às famílias que a equipa do Projecto pretende mobilizar para o seu uso efectivo nas escolas.

6.        As necessidades de actualização científica e de aperfeiçoamento pedagógico dos professores deverão ser sistematicamente recolhidas, para que seja possível projectar uma continuada formação de professores, dado que o Projecto dispõe de consultores curriculares para acompanhamento dos professores do conjunto de escolas seleccionadas para a aplicação das Metas, tendo em conta que a qualidade das práticas de ensino é um factor determinante da evolução dos resultados escolares.

7.        Finalmente, se avalie a possibilidade de alargar a rede de consultores a nível nacional, como suporte dos coordenadores dos departamentos curriculares, para que assim se atenuem os previsíveis efeitos perversos que a adopção de mais um novo documento curricular, estruturado de forma diversa dos documentos anteriores, pode gerar, em virtude do aumento de ruído cognitivo na sua apropriação.

Vê-se, porém, com apreensão a introdução em simultâneo nas escolas de um conjunto de novos dispositivos com incidência directa na actividade curricular, designadamente, o novo acordo ortográfico, novos programas e respectivos manuais, nova terminologia linguística, o documento Metas de Aprendizagem, bem como a reorganização curricular do ensino básico e secundário a terem de corresponder conjugadamente aos objectivos do Programa Educação 2015 para a elevação das competências básicas dos alunos portugueses e a avaliação respectiva da sua evolução.

Esta situação invulgar vai requerer um forte esforço de mobilização e acompanhamento destas políticas, a nível nacional, envolvendo todos os potenciais interventores, a fim de que se consiga fazer convergir e harmonizar tantos factores conflituantes.

 

Anexo: Parecer Metas Aprendizagem.

… há uma semana pelos referentes coiso.

As metas mexeram-se.

Atrasos na publicação das metas de aprendizagem

Governo anuncia segunda feira as metas para o sucesso educativo até 2015
As metas de aprendizagem por ano e ciclo de ensino deveriam estar disponíveis a partir de ontem na Internet. O Ministério da Educação atrasou-se e justifica que “até ao final do mês serão divulgadas no site.
Porque neste momento estão a ser apresentadas aos directores de agrupamentos”. (Público, sem link)

Mas aos directores não estavam a ser apresentadas outras metas?

Não será isto um prenúncio de que para os alunos, as metas de aprendizagem também podem ser atingidas quando conseguirem, do tipo, se não é este ano é para o próximo, desde que não repitam nenhum ano, o que seria quase tão fantástico como sei lá o quê?

Isto não faz sentido nenhum.

Resumir e retocar os verbos das competências essenciais e específicas do Currículo Nacional do Ensino Básico não é o mesmo que elaborar o acórdão do processo da Casa Pia…

Fiquei sem perceber: uma meta estatística de sucesso é o mesmo que uma meta de aprendizagem? Ou é tudo à mistura?

Metas de aprendizagem. Ministério pretende melhor os resultados escolares sem aumentar as horas de aulas. As escolas devem encontrar “estratégias para mobilizar os professores e as famílias e a comunidade em geral par ir mais longe nesses resultados” . Os professores devem metas para cada ano em Português e Matemática.
Isabel Alçada reúne com os directores, para?
Exemplos de metas 1:10
Professores, famílias e a comunidade em geral? engraçado, não fala dos alunos
1:44 abertura de vagas para professores, concurso extraordinário, “ainda está de pé”, “não está fechado mas não há um compromisso”

Tudo do Calimero Sousa, excepto o título do post e a interrogação.

Escolas têm que traçar as suas metas para o sucesso educativo

Tem vídeo!!!

E se bem perceberam agora haverá OI ou OC (objectivos colectivos) para as escolinhas…

E logo no JN que eu tanto critiquei. Não sei o que dirá o comentador Mat a este respeito…

Confesso que fui um pouco verborreico e explicativo em algumas respostas, mas o resumo feito de cada uma delas respeita fielmente o espírito do que disse. Numa delas, o que recordo é o chamado programa mínimo do início dos anos 80 quando no 12º ano havia o programa e depois os conteúdos que com toda a certeza apareciam nos exames para acesso à Faculdade.

Sei que ainda me foram feitas mais perguntas, sendo uma delas, acho que a última (foi por telefone, não guardei registo), o que mais temia para este ano lectivo, ao que respondi ser a crescente despersonalização da dimensão humana das relações nas escolas, sendo os alunos mais novos os mais atingidos por isso.

“Resultados escolares não melhoram com medida isolada”

As metas de aprendizagem são um instrumento útil para os professores?

Seriam, caso surgissem articuladas com outras medidas, nomeadamente a alteração dos programas e do currículo. Sendo uma medida isolada, terão alguma utilidade, mas o currículo nacional do ensino básico (CNEB) já nos diz qual deve ser o perfil do aluno no final de cada ciclo.

Trata-se, então, de uma duplicação de instrumentos?

Estou com alguma curiosidade para ver se as metas alteram o que está determinado no CNEB ou se introduzem metodologias de trabalho que sejam diferentes do que já temos; se  vão repetir o que já sabemos ou, se por exemplo, vão recuperar o currículo mínimo que existia para o 12º há mais de 20 anos – ou seja, conteúdos que tinham mesmo de ser dados. É uma incógnita.

Se for uma medida isolada, será suficiente para melhorar os resultados escolares?

Não. Com o mesmo programa e currículo em vigor, as metas não podem ser mais fáceis de alcançar pelos alunos. Penso que é mais uma espécie de cosmética, no sentido de apresentar uma medida que, na prática, dirá aos professores os objectivos a atingir. Mas nós já os tínhamos. Seria útil se alterasse o desenho curricular e os programas tivessem novas metas.

Refere-se a uma revisão curricular e ao reordenamento dos ciclos de ensino?

Essa é de há muito tempo e de forma quase consensual a reforma prioritária. É necessário redesenhar o currículo, especialmente no 3º Ciclo, que está errado. Primeiro, reorganizava-se e só depois se definiam novas metas.

Quais são as suas expectativas para este ano lectivo?

Vai ser mais tranquilo a nível global, mas mais intranquilo nas escolas,  devido aos mega-agrupamentos e ao novo modelo de avaliação docente. De resto, o sector está numa relativa anestesia e não me parece que vá sair dela a breve prazo.

Isso é uma crítica aos sindicatos?

A partir do momento em que foi assinado um acordo sobre a carreira, as novas medidas têm merecido alguma oposição dos sindicatos, mas sem grande ênfase.

Nesta resposta eu acrescentei que a vocação dos sindicatos não é, nem tem sido, a análise das questões pedagógicas.

Professores preferiam revisão curricular à definição de metas

Interessante de ler, mas esta passagem deixa-me algo baralhado:

O ME acredita que o instrumento constituirá uma alavanca para a melhoria dos resultados dos alunos. Claro que esse “processo não será automático”, admite Natércio Afonso. “Os professores vão ter de as usar e usar bem”; a “expectativa é que sintam mesmo a sua falta”, sublinha o professor da Universidade de Lisboa, para quem a aplicação “nunca poderá ser obrigatória, mas sempre voluntária”.

Mas então os professores vão ter de usar as metas de aprendizagem, mas a a sua aplicação nunca poderá ser obrigatória?

Mas então no que ficamos?

É uma obrigação facultativa ou uma faculdade obrigatória?

No dia 15 vamos conhecer as Metas de Aprendizagem que irão ser testadas em 10 escolas. Entretanto, os novos programas de Língua Portuguesa, que eram para entrar em vigor este ano, ficaram adiados para o próximo.

Então, no caso da Língua Portuguesa, essas 10 escolas vão aplicar metas de Aprendizagem em Língua Portuguesa para o programa em vigor ou para o que stará no próximo ano?

Se as Metas foram definidas para o antigo programa, foi trabalho quase perdido, se foram para o novo isso quer dizer que nessas escolas já vão adoptar o novo programa?

Entre metas de aprendizagem e competências essenciais (gerais e específicas por disciplina e ano de escolaridade). E parece que será tudo no site da DGIDC.

O Ricardo já disponibilizou umas primícias

Eu esclareço que não sou contra as metas de aprendizagem. Acho-as úteis. O que gostava era de perceber se estas metas se vão tornar um substituto dos programas disciplinares, se serão uma espécie de programa mínimo para o nível 3 ou o 10. Do tipo, se souberes aquilo, passas

E também gostava de perceber – já agora – se as equipas do GAVE que vão fazer as provas de aferição e os exames vão ter em conta estas metas…

Uma outra matéria em que a actual ministra da Educação parece mover-se com evidente dificuldade ou, no mínimo, com base em convicções pouco consolidadas é a que se refere às prioridades a estabelecer no que deve ser feito.

Relembremos a cronologia sumária: primeiro anunciou-se uma reforma no currículo do Ensino Básico, depois que iriam ser definidas metas de aprendizagem para cada ciclo de escolaridade.

O que temos agora: metas de aprendizagem definidas por equipas de peritos a ser testadas numa dezena de agrupamentos e a reforma, transformada em reajustamento curricular a meio do percurso, a ficar à espera de melhores dias.

Afirma Isabel Alçada:

Entendemos que a definição das metas de aprendizagem deve ser prioritária. E que não valia a pena estar a mexer no curículo, tirando uma hota aqui e pondo outra ali, sem ter os resultados do primeiro trabalho. Temos de trabalhar com muita segurança e sentindo que o que fazemos vai dar resultado de certeza.

Bem… para começar, essa certeza é impossível de ter. Muito menos em Educação.

Em seguida, antes de trabalhar com segurança, há que pensar com segurança. E saber-se ao que se anda.

Porque eu até sou capaz de conceber tanto que a galinha tenha precedido o ovo como o vice-versa.

Mas a mim parece-me que reajustar o currículo não é apenas determinar a carga horária das disciplinas. É definir que disciplinas e áreas disciplinares (como agora se chamam os tempos ocupados com matérias que não contam para grande coisa…) fazem parte do currículo e em que ciclos de estudos se organiza esse currículo.

Ou seja, que matérias devem ser estudadas, durante quantos anos.

Numa concepção, que admito simplista, como a minha, depois de definir o que se estuda e durante quanto tempo é que se definem as metas de aprendizagem para essas matérias/disciplinas. E então, no final, tenta fazer-se uma distribuição adequada e equilibrada da carga horária.

Seria assim que eu, não perito e zeco de profissão, faria as coisas.

Partiria do geral para o particular, em vez de empilhar particulares na esperança que o quadro final não pareça um cadáver esquisito.

Para além de que nem sequer percebo muito bem como se pode depois reformar uma estrutura curricular se nas metas de aprendizagem já estão definidas as disciplinas e previstos os ciclos de escolaridade. O que se vai reformar ou sequer reajustar? As tais horinhas a deslocar para aqui e para ali?

Bom… mas acredito que a minha forma de pensar é que deve estar errada e ser pouco segura.

É para mim extremamente grave que uma ministra da Educação aparente desconhecer que existe em vigor um documento com o título Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais.

Podemos discutir aqui até que ponto o conceito de competências essenciais corresponde ao mesmo (não corresponde exactamente, mas não anda assim tão longe) que as metas de aprendizagem, mas dificilmente será diferente daquilo a que Isabel Alçada designa como competências de base ou mesmo competências-chave.

Podemos até dizer que estas competências essenciais podem estar ultrapassadas e que é necessário redefini-las, até porque há programas disciplinares em transformação.

Podemos ter por aqui uma imensa discussão sobre imensa coisa lateral e periférica ao verdadeiramente essencial: não é verdade aquilo que a ministra afirmou ao dizer que não há um documento que defina (e até o faz por ciclo de escolaridade e tudo) aquilo que cada aluno tem «de atingir em cada nível de escolaridade».

Esse documento existe. É de 2001, está online no nsite da DGIDC e foi apresentado da seguinte forma:

A presente publicação e o resultado de um trabalho realizado ao longo de vários anos, que envolveu um grande numero de professores, grupos de trabalho, documentos, reuniões e pareceres. Na ultima fase, desenvolvida desde meados de 1999, foram produzidas versões preliminares das competências gerais e transversais, assim como daquelas que dizem respeito às diversas áreas e disciplinas do currículo, as quais foram objecto de discussão e de pareceres de departamentos universitários, escolas superiores de educação, associações de professores e centenas de escolas do ensino básico. Foi com base na analise destes pareceres, acompanhada por um esforço de harmonização dos vários documentos, que a formulação final das “competências essenciais” foi elaborada. Desde Dezembro de 2000, o processo foi coordenado por um conselho consultivo, constituído a convite do director do Departamento da Educação Básica.

Estou curioso, muito curioso, para perceber a diferença entre isto e aquilo que está a ser feito agora. Não que ache que o documento existente é para ficar em vigor de forma perpétua. Apenas gostaria de perceber porque é dito que não existe pois – é apenas um suponhamos – acho que alguns dos peritos agora requisitados são exactamente os mesmos…

Sociedade Portuguesa de Matemática critica metas de aprendizagem

São apontadas «limitações muito graves» às propostas do ministério da Educação

A peça de propaganda do ME para hoje – completamente em contra-ciclo de tudo e mais alguma coisa, a começar por não se perceber se as áreas escolhidas estão ligadas com os reajustamentos curriculares também em estudo e/ou preparação – dá pela designação de Metas de Aprendizagem.

Digamos que, ao fim destes meses de trabalho, temos uma espécie de segundo anúncio explicativo do que está a ser feito. Não carecia, já se tinha percebido, esperavam-se alguns resultados concretos mas ficamo-nos por sete páginas que nos informam que passámos de um projecto com uma equipa central, para um projecto que já tem 9 equipas de peritos, cada qual coordenada por uma individualidade do ensino superior.

Não vou dissertar sobre o(a)s coordenador(a) da diversas equipas e se estão lá bem ou não. Estou mais interessado no conteúdo das propostas. Consta que há já 9 propostas provisórias de metas de aprendizagem que foram enviadas para «associações profissionais de docente e sociedades científicas para recolha de pareceres e sugestões».

Parece-me bem. C0mo me pareceria a divulgação dessas propostas, para desde já percebermos o que as equipas de peritos fizeram. Pelas amostras que constam desta espécie de sumário executivo do trabalho, não sei se há algo muito diferente do que já existe.

Vou ficar-me pelos casos que me tocam mais directamente: a Língua Portuguesa e a História do 2º ciclo e de que são apresentados exemplos de metas. Sendo a que é apresentada de LP demasiado básica (resumir um parágrafo), leio a de História e fico algo maravilhado:

Localiza, em diversas representações cartográficas (planisfério, globo, mapas temáticos e maquetas), os territórios (com as suas características naturais e humanas) e movimentações dos portugueses desde o século XVIII ao século XX, com destaque para os espaços do Império Português nos séc. XVI-XX, actualmente países de Lusofonia.

Isto, por muitas razões, não pode ser uma meta de aprendizagem, pois colocar no mesmo plano globos com maquetas dá que pensar, para não falar na mistura que se faz, de modo amalgamado, das diversas épocas, conceitos e espaços numa única meta de aprendizagem. Esta meta, a ficar assim, é o exemplo rematado de uma enorme confusão conceptual, onde se tenta misturar tudo – a diáspora da expansão com a diáspora da emigração, por exemplo – e parecem pouco claras as concepções que baseiam os conceitos usados, desde logo a forma como se tenta integrar a Lusofonia nas «movimentações dos portugueses».

Vamos lá tentar recordar o processo.

A actual equipa do Ministério da Educação anunciou duas ideias, ou melhor, duas iniciativas que tinham algo de louvável: rever, reformar ou reajustar o currículo do Ensino Básico e definir metas de aprendizagem por ciclo de ensino.

Para um objectivo nomeou uma equipa de especialistas dirigida por João Formosinho e para a outro nomeou uma segunda equipa dirigida por Natércio Afonso.

A segunda equipa apresentou um documento-síntese com os parâmetros da sua actividade e um cronograma pensado até 2013.

A primeira equipa não divulgou algo do mesmo tipo, apenas se conhecendo declarações desencontradas, mas inicialmente apontando para uma reforma ou reajustamento curricular do 3º ciclo, depois do 2º e 3º ciclo, a entrar em vigor já em 2010-11, com algumas ideias já definidas em finais de Março.

Isto desperta, logo à partida, algumas dúvidas sobre a articulação entre as duas iniciativas.

  • Devem ser definidas metas de aprendizagem para os alunos e depois construir um currículo que permita alcançar essas metas com maior facilidade?
  • Ou deve ser definido um plano curricular e depois definir as metas de aprendizagem por ciclo de escolaridade atendendo a esse mesmo plano?

Já agora, no meio disto tudo, onde entra a necessidade de alterar os conteúdos programáticos das disciplinas, atendendo a que isso já se passa com a Matemática e esa para tewr acontecido com a Língua Portuguesa, mas ficou para o ano de 2011/12?

De acordo com o que é possível observar neste momento, o que está a acontecer?

  • Há novos programas em Matemática e Língua Portuguesa, com introduções divergentes no tempo (avançou a Matemática em alguns aspectos, espera a Língua Portuguesa).

O que eu não percebi ainda, certamente por escassez de atenção e fraca capacidade de pesquisa de informação, é se as duas equipas comunicam entre si e se, por exemplo, as metas de aprendizagem para as disciplinas são pensadas com base nas actuais e na carga horária existente, se já contemplam as alterações a introduzir no currículo.

Ou, no sentido inverso, se a reorganização curricular tem em conta as metas de aprendizagem que estão a ser definidas e que parece que serão dadas a conhecer às escolas já para o próximo ano lectivo, sem reajustamentos curriculares.

Pelo meio disto, ficamos sem sabe:

  • Se há necessidade de alterar os programas de diversas disciplinas (Ciências, História, Inglês, etc) ou se tudo pode ficar como está.
  • Ou mesmo se – agora que a reforma ou reajustamento já vai ter mais um ano para ser preparada – já será possível consultar os professores ou se João Formosinho continua a achar que isso é dispensável.
  • Ou se a equipa de Natércio Afonso, para além das metas de aprendizagem, vai propor a reformulação de alguns programas disciplinares. Ou se nas metas considera a possibilidade de disciplinas eemestrais no currículo ou não.

Eu sei que isto parece confuso para leigos e mesmo para não-leigos.

Eu sei que, em especial para um não-especialista (eu, por exemplo), seria mais lógico ter uma só equipa a trabalhar numa reorganização da escolaridade obrigatória que se dividisse em secções ou grupos de trabalhos especializados para cada tarefa. Mas com tudo a obedecer a uma mesma lógica e a um cronograma comum.

Mas, como dizia, a lógica acima é fruto de deduções não especializadas e certamente ditadas pela ilusão do senso comum de quem vê o mundo pelas lentes foscas de um zeco ao nível do terreno, incapaz de apreender the big picture.

Acredito que o método de cada um trabalhar com a sua metodologia e a sua calendarização – a qual vai podendo ser alterada conforme as conveniências numa perspectiva de flexibilidade – terá evidentes vantagens, qualidades e potencialidades.

Resta demonstrá-las.

Eu vou esperar sentado mas, pelo sim pelo não, para além do ar condicionado ou ventoinha, vou encomendando lenha para me aquecer no Inverno.