Mérito


Habilitações é o que se tem ou o que muitos deputados atestam que frequentam?

Nota: e eu com um MSc de não-cosmética em Tecnologia pré-Bolonha de 93 que o mini-histérico não reconhece por me contratar… Reconheço que frequentei antros que não confesso tão democraticamente assim.

Ordem dos Engenheiros Técnicos oferece 21 mil euros de prémios escolares

Augusto Ferreira Guedes, que hoje deverá ser eleito bastonário da recém-criada Ordem dos Engenheiros Técnicos (OET), anunciou que aquela organização vai assegurar o pagamento dos prémios individuais de mérito escolar a 42 alunos do ensino secundário, num total de 21 mil euros.

… destruindo…

parabéns!

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© Olinda Gil

e

AMIGOS

Manuel Alegre. Passado militar persegue candidato

Os números dos asteriscos (“mérito”)

Como descobrir um segredo de ESTADO?

How Children Learn to Survive in a Meritocracy

Como é que dirigentes, colocados na maior parte das vezes com base em critérios políticos e de cartão partidário ou fidelidade clientelar, que podem progredir sem avaliação e classificação de mérito podem ser responsáveis pela avaliação do mérito dos subordinados?

Governo abre excepção para promoções dos dirigentes do Estado

Os dirigentes da função pública podem progredir na carreira sem avaliação, ao contrário do que está previsto para os restantes funcionários.

O Governo confirmou esta semana que as progressões na carreira dos dirigentes do Estado não estão dependentes da avaliação feita ao seu desempenho, ao contrário do que acontece com a generalidade dos funcionários públicos.

O esclarecimento surge no site da Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), onde se lê que a subida na escala salarial dos dirigentes “não depende da avaliação de desempenho correspondente”. Assim, por cada três anos seguidos em comissão de serviço, o dirigente terá direito a subir na escala remuneratória.

A resposta é simples: aliciando as chefias e dando-lhes torrões de açúcar espera-se que sejam capatazes fiéis dos seus senhores.

Isto é o grau menos zero da decência.

Aplicado às escolas será simples: Directores não avaliados poderão ser avaliadores mais dedicados.

Pronto, também eu – para não ficar atrás de alguns sindicatos – quero facultar elementos para que os colegas não sintam o sufoco destes dias, para isso usando o contributo da Isabel G. e da sua forma de preencher a ficha de autoavaliação:

01 – Como avalia o cumprimento do serviço lectivo e dos seus objectivos individuais estabelecidos neste âmbito?

Excelente. Cumpri o dever de assiduidade que abrange todos os funcionários do Estado e que sempre foi o meu objectivo individual.

02 – Como avalia o seu trabalho no âmbito da preparação e organização das actividades lectivas? Identifique sumariamente os recursos e instrumentos utilizados e os respectivos objectivos.

Excelente. Utilizei os recursos necessários à programação das aulas de modo a promover a formação e realização integral dos alunos, estimulando o desenvolvimento das suas capacidades, a sua autonomia e criatividade.(art. 10ºA alínea b) do ECD)

03 – Como avalia a concretização das actividades lectivas e o cumprimento dos objectivos de aprendizagem dos seus alunos? Identifique as principais dificuldades e as estratégias que usou para as superar.

Excelente. As dificuldades foram superadas organizando e gerindo o processo ensino-aprendizagem, adoptando estratégias de diferenciação pedagógica susceptíveis de responder às necessidades individuais dos alunos. (artº 10ºA alínea d) do ECD)

04 – Como avalia a relação pedagógica que estabeleceu com os seus alunos e o conhecimento que tem de cada um deles?

Excelente. Tenho o conhecimento suficiente e necessário de forma a respeitar a sua dignidade pessoal e as suas diferenças culturais valorizando os diferentes saberes e culturas, prevenindo processos de exclusão e discriminação (art. 10ºA alínea a) do ECD) e promovendo o desenvolvimento do rendimento escolar dos alunos e a qualidade das aprendizagens, de acordo com os respectivos programas curriculares e atendendo à diversidade dos seus conhecimentos e aptidões (art. 10ºA alínea c) do ECD)

05 – Como avalia o apoio que prestou à aprendizagem dos seus alunos?

Excelente.

06 – Como avalia o trabalho que realizou no âmbito da avaliação das aprendizagens dos alunos? Identifique sumariamente as instrumentos que utilizou para essa avaliação e os respectivos objectivos.

Excelente. Foram usados os instrumentos de avaliação definidos nas reuniões de grupo adequando-os às exigências do currículo nacional, dos programas e das orientações programáticas e curriculares, adoptando critérios de rigor, isenção e objectividade na sua correcção e classificação (artº 10ª alínea f do ECD)

(…)

09 – Como avalia o seu contributo para a vida da escola e em particular a sua participação nos projectos e actividades previstos ao nível da escola/agrupamento e da turma (designadamente, no 1.º ciclo, na supervisão das actividades de enriquecimento curricular)? Identifique as actividades que dinamizou e/ou em que participou.

Excelente. Colaborei com todos os intervenientes no processo educativo, favorecendo a criação de laços de cooperação e o desenvolvimento de relações de respeito e reconhecimento mútuo, em especial entre docentes, alunos, encarregados de educação e pessoal não docente. (art 10º ponto 2 alínea c))

10 – Como avalia a sua participação nas estruturas de orientação educativa e nos órgãos de gestão e o contributo que deu para o seu funcionamento?

Excelente. Colaborei, de forma activa, nas reuniões de departamento. Cooperei com os órgãos de gestão sempre que solicitada.

11 – Como avalia o estado de actualização dos seus conhecimentos científicos e pedagógicos e a sua capacidade de utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação?

Excelente. Actualizo e aperfeiçoo os meus conhecimentos, capacidades e competências, numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida, de desenvolvimento pessoal e profissional e de aperfeiçoamento do meu desempenho. (artº 10, ponto 2 alínea d) do ECD). Excelente capacidade para a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação

.12 – Refira as acções de formação contínua realizadas e a classificação nelas obtida e avalie o contributo de cada uma delas para o seu desempenho profissional

Não realizei nenhuma acção de formação.

13 – Identifique sumariamente as suas necessidades de formação e de desenvolvimento profissional

Formação em Educação de Adultos.

14 – Como avalia a relação que estabeleceu com a comunidade e o cumprimento dos seus objectivos individuais definidos neste âmbito?

Excelente.

15 – Este espaço destina-se a permitir aos coordenadores de departamento curricular e aos professores titulares com funções de avaliação fazer a auto-avaliação do exercício das funções de coordenação e/ou avaliação. Permite ainda a todos os docentes adicionar elementos complementares que considere relevantes para a sua auto-avaliação

Cumpri, na sua generalidade, os deveres consignados no ECD nos artigos 10º, 10ºA, 10ºB e 10ºC.

Mais uma interessante reviravolta do Ministério da Educação, confesso que inesperada:

De acordo com a proposta da tutela, as bonificações decorrentes das classificações de Muito Bom e Excelente deixam de ser tidas em conta na graduação dos docentes para efeitos dos concursos de colocação nas escolas, ao contrário do que estava inicialmente previsto.

Assim sendo, a graduação continuará a ser feita apenas com base no tempo de serviço e na nota de licenciatura, como acontecia até agora.Se esta proposta não for aceite, a contabilização das bonificações passa a ser uma realidade em 2013, uma vez que o concurso, a partir de 2009, será quadrienal.

A alteração corresponde a uma exigência da FNE, que sempre contestou o facto de as classificações mais elevadas contarem como bónus a nível da graduação profissional, alegando que isso seria uma injustiça, uma vez que a atribuição das notas de Muito Bom e Excelente está sujeita a quotas.

Isto significa na prática que – e mesmo que discordássemos da opção – o modelo pretensamente meritocrático de avaliação do desempenho dos docentes perdeu mais um dos seus traços originais tidos como emblemáticos.

Tudo bem, pode ser uma medida para satisfazer a FNE, ou outros sindicatos, e tentar descolá-los das posições da Plataforma, mas é uma cedência significativa, após o SE Pedreira ter afirmado que as negociações sobre a ADD estavam fechadas.

Tecnicamente estão mas, em sede de negociação de outras matérias, percebe-se que ainda há uma boa margem de recuo para o ME.

Espero brevemente passar os olhos pelo 2/2008 e perceber quantos artigos dele ainda estão em aplicação efectiva.

A frase, na forma afirmativa, quase imperativa, repetida por Fátima Campos ferreira na parte final do debate, mais do que a encomenda ou convicção, soou-me a lugar-comum repetido mecanicamente sem recurso a qualquer reflexão ou demonstração.

Não há mérito sem quotas?

Desde quando?

Desde quando o meu (ou o de qualquer outro docente) mérito enquanto profissional depende de um mecanismo que me é exterior?

Desde quando as minhas qualidades pedagógicas dependem de um decreto regulamentar’

Desde quando o meu desempenho em aula, na sua preparação ou reavaliação, decorre de um delírio de um secretário de estado ou ministra de ocasião?

Não, cara Fátima e outras pessoas que assim pensam: o mérito é independente da exist~encia de quotas ou não.

Porque vejamos então o seguinte paradoxo: de que interessa a uma escola recrutar os melhores docentes, reunir o grupo de mais excelentes profissionais, se depois apenas 1 em 4 ou 1 em 2 tem a possbilidade de ter tal reconhecimento?

O que está aqui em causa é a questão da diferenciação, conceito sem nenhum valor acrescentado do que o descritivo.

A diferenciação é um instrumento para fazer uma escala em termos de mérito relativo. Não de detecção e recompensa do mérito absoluto.

A diferenciação pode mesmo ser um mecanismo extremanete perverso e gerador de injustiças.

Num grupo disciplinar de 8 pessoas, por esta lógica só 2 podem ser muito boas ou excelentes, mesmo que 5 apresentem níveis de desempenho perfeitamente equivalentes. A diferenciação, introduzida à micro-escala dos departamentos e grupos disciplinares é uma ferramenta mais prejudicial do que vantajosa, pois induz más práticas de avaliação/classificação. Em grupos em que não se destaque ninguém de forma relevante há quem venha a ser classificado como excelente, pois «há quota», enquanto em outros há excelentes que ficam de fora, porque «não há quota».

Sem quotas não há mérito?

Sem diferenciação não há justiça na avaliação?

Muito pelo contrário, muito pelo contrário. Só quem é mentalmente preguiçoso e dogmaticamente preconceituoso pode aceitar isso.