Mentira


pulgas

 

já estou farto de tropeçar em contratos entre agentes coloridos – uns implodidos, outros igualmente não educativos!

 

A secretária de estado Maria Luís Albuquerque acabou de dizer que os contratos em causa foram todos feitos antes da entrada em funções do actual Governo.

Mas há duas coisas que devem ficar relativamente claras:

  • Isso não significa que pessoas que foram escolhidas para o Governo não conhecessem o que se passava, pois participaram nos tais “investimentos”.
  • O actual PM e boa parte da sua mais estrita entourage sabiam do buraco que existia nas empresas de transportes antes das eleições. Disso eu tenho a quase completa certeza.

O que me suscita três questões:

  • Porque foram escolhidas aquelas pessoas para cargos governativos?
  • Porque só agora se dignaram reconhecer o problema?
  • Porque até agora nos quiseram fazer crer que a principal causa que o desequilíbrio das contas nestas empresas se devia a direitos laborais e a défices tarifários?

PG23Mar13

Público, 23 de Março de 2013

A mentira como única arma política?

Talvez seja a altura certa para abandonarmos os malabarismos linguísticos que ocultam puras imposturas intelectuais e manipulações dos factos. Para deixarmos de usar o neologismo da “inverdade” para designar o que todos sabem ser “mentira”. Compreendo que os políticos, em causa própria, defendam que na esfera política se aplicam normas diferentes na relação entre as palavras e o seu significado, entre a retórica discursiva e a realidade observável pelo cidadão comum. Mas é tempo de deixar de aceitar essa prática como o único recurso a que aqueles, de forma transversal, lançam mão para comunicar com o resto da população.

(continua…)

In the short term lying is of immense help to the politician who lies. It Stops his being exposed in scandal, averts a public row, secures good newspaper coverage. But the dangers are overwhelming. The habit of lying becomes compulsive. Having got away with a lie once, he tends to think that he can do it again. One lie often tendas to generate another. The knowledge that he has lied puts him on his guard, makes him suspicious of the electorate. (Peter Oborne, The Rise of Political Lying, 2005, p. 225)

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