Memórias


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Tem mais de 100 anos, talvez já não esteja no prazo de validade… de uma revista Serões de 1904.

É aqui necessário fazer um ponto de referência pela atividade até aqui desenvolvida pois foi ela que lhe permitiu granjear a confiança da sua numerosa família, mas acima de tudo, a confiança do mercado financeiro internacional e do mercado português, que viu nele a segurança e a estabilidade necessárias para o reassumir de funções à frente de um Banco, o que como sabem é sinal de prestígio e robustez curricular suficiente dada a normalmente exigente análise curricular que é imposta pela supervisão financeira bancária.

(…)

O doutoramento honoris causa (“por causa de honra”) é um título honorífico concedido pelas universidades a pessoas eminentes, que se tenham destacado em determinada área, pela sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições. Sem dúvida que este será o caso do Dr. Ricardo Salgado a quem se reconhecem as já citadas qualidades de liderança em tranquilidade, de visão, de antecipação, de decisão em serenidade, de conhecimento técnico e capacidade de gestão. A forma como conseguiu assegurar a transformação do BESCL em BES numa sadia alteração de carreiras, linhas estratégicas e práticas, sem conflitos, deram força a um processo de privatização em que, especialmente na área financeira a confiança é “o ativo” que se trabalha. E neste aspeto o saber gerir a transição sem ruturas dramáticas é um bem escasso que só se aprecia quando se perde. E nós portugueses, nos dias recentes que acabamos de viver bem sabemos os efeitos devastadores que as convulsões irrefletidas podem gerar.

Devo ainda uma última nota que me parece ser muito significativa do que quero referir com “confiança”. O BES, foi o único dos grandes bancos portugueses, que não necessitou do apoio estatal para poder aumentar o seu capital em resultado da revisão recente dos rácios de solvabilidade bancária, o que mais uma vez denota a elevada confiança que os acionistas sentem nessa liderança.

João Duque

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(é deste tamanho… a minha credibilidade em matéria de “confiança”…)

… dos louvaminheiros do salgado, como antes do rendeiro, do jardim da obra divina.

Que agora debandam…

O que dizer agora da “atitude” e “cultura BES”?

Eu espero que esta série de posts memorialísticos sobre o passado de uma das luminárias mais luminosas da nossa Educação Teórica para Totós não seja responsável pelo quase desaparecimento de um certo comentador que se tornou regular neste blogue, tendo nas últimas semanas até mantido o seu nick de ocasião.

Mas… eu volto ao tema porque… recentemente Sérgio Niza saiu do CNE por decisão da maioria dos seus próprios membros, sendo que sobre isso não me pronuncio em concreto, preferindo apenas relembrar o que sobre ele era escrito por alguém que, quase 25 anos depois, parece ter mudado de opinião (claro, claro… as coisas mudam) e ter colaborado na tal varridela.

Limito-me a excertos para não vos cansar com esta minha deriva pela memória dos tempos passados… quando se exaltavam as práticas pedagógicas inclusivas que agora se consideram esquerdistas, despesistas e eduquesas

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Diário de Notícias – Domingo, 5 de Novembro de 1989

 

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É o que dá andar a ter de seleccionar o que se deita fora e o que se guarda da papelada de há 25 anos. Encontra-se mais de um ano de suplementos dominicais do DN de 1989-90, no qual colaborei muito esporadicamente com um punhado de textos para a secção de História, um dos quais continuo a achar muito giro, sendo os restantes pedaços de investigações que acabaram por desaguar no meu mestrado ou em outras escritas mais avulsas.

Mas não foi por isso que guardei umas dezenas desses suplementos, após cansado cotejo. Foi porque achei por lá umas crónicas, recensões e artigos na secção de Educação que merecem ser preservados, porque demonstram o quanto pode evoluir o pensamento de algumas pessoas que, embora fossem já bem adultas, ainda não tinham “amadurecido” e ainda tinham opiniões que hoje considerariam esquerdistas, socialistas, atentatórias do rigor e do mérito.

Vejamos por exemplo o que escrevia uma visita regular deste blogue, que (isto é um suponhamos) não resiste a comentar com nicks variáveis…

Neste caso, temos a PGA e a crítica a um sistema centralizado e uniformizador de seriação dos candidatos ao Ensino Superior, pois, entre outras razões, retirava autonomia às Universidades. O autor é um defensor confesso – agora – de um sistema centralizado e uniformizador da seriação dos candidatos à docência, criticando a autonomia das Universidades na sua formação.

Ainda bem que há quem evolua nas suas convicções.

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“A PGA: do centralismo à autonomia educativa” in DN, 8 de Abril de 1990

 

 

 

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Livro de Leitura da 2ª Classe

É o que dá andar a mexer em papelada velha (nos intervalos de trocar contactos com o Fisco) … acham-se destas curiosidades…

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Arrumações dão nisto… reencontram-se papéis e rascunhos de outras eras. Os mais divertidos são os de umas crónicas radiofónicas para uma rádio local de Torres Vedras nos anos 90, nas quais já lá estão quase cristalizadas algumas das minhas embirrações actuais.

Neste caso, é um proto-artigo de opinião que terá sido enviado para o Expresso num dos últimos meses de 1987, dando sequência (ingénua) ao que tinha sido publicado em Março sobre a situação agitada então vivida nos cursos de Letras/Ciências Socais e Humanas por causa da questão da criação dos ramos de Formação Educacional.

Era um artigo em colaboração com o meu colega Pedro Janarra e esta versão tem ainda as anotações dele a lápis. A versão final terá ido parar ao caixote do lixo do Expresso, pois não terei feito qualquer cópia.

É interessante como há 27 anos já lá estão coisas escritas muito semelhantes às que tenho escrito nos últimos anos sobre “formas de luta” e a avaliação cabal do seu desfecho, em especial quando esse desfecho contrariava claramente as “vitórias” anunciadas. Sinal evidente do meu esclerosamento mental precoce… 🙂

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… em Fevereiro de 1992, quando Cavaco cedeu e, com o fugaz Diamantino Durão no MEC, a PGA foi anulada e o Independente tratou o tema sob a batuta de Paulo Portas.

Calhou achar hoje este exemplar e notar que muitos dos nomes dos “jovens” já no poder ou a querer ascender eram… Miguel Macedo, Marques Mendes (os já empoleirados), Passos Coelho, Miguel Relvas e Carlos Coelho (em rota mais ou menos rápida de ascensão).

São especialmente interessantes as opiniões de Pulido Valente sobre o assunto (naquela altura até falava na razão dos 100.000 alunos nas ruas contra a prova de acesso à Universidade) e a peça sobre todos os jogos de poder da JSD de então, polvilhada de carreiristas da primeira apanha e como Passos Coelho ziguezagueava entre a contestação e a necessidade de fazer pela vida.

E isto também nos ajuda muito a compreender a arqueologia do discurso do rigor… e dos revolteios dos seus protagonistas actuais, no poder ou na opinião publicada que há quem diga da maior lucidez… (tem dias…)

Naquela altura uma prova de ingresso na Universidade era uma hipocrisia e uma irresponsabilidade… 🙂

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Independente, 28 de Fevereiro de 1992

 

 

A forma como o 25 de Abril surge nas principais publicações semanais da nossa imprensa de notícias é bem diversa e revela duas atitudes quase diametralmente opostas.

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A Visão e o Expresso (actualmente pertencentes ao mesmo grupo empresarial) investiram bastante na efeméride, desde a a realização de debates e a preparação de revistas específicas em edições anteriores (Expresso) à produção da revista com um grafismo e conteúdos à maneira de há 40 anos (Visão).

Nesta semana, o Expresso traz ainda um caderno especial dedicado à reprodução de muitas primeiras páginas da imprensa de 25 de Abril de 1974, para além de abordagens no caderno principal, no Actual e na Revista.

Já os casos da revista Sábado e do semanário Sol revelam uma atitude muito diferente e optam por tratamentos do tema claramente baseados no “lá terá de ser” e na preguiça.

A Sábado deixa a cargo de crónicas com 40 anos de Gabriel Garcia Marquez sobre o 25 de Abril a maior parte do espaço dedicado ao tema, no que seria uma opção curiosa como anexo a outra coisa. Mas o resto é escasso e muito pobre, revelando um desinteresse muito grande, só faltando mesmo a encomenda de uma peça a Rui Ramos a relativizar tudo o que se passou, como aconteceu há uns anos com a passagem dos 100 anos da República. O grande interesse da revista é o ex-pião-maçon Silva Carvalho que, em meu entender, nem dignifica a espionagem (que é algo bem diverso da mexeriquice à conta do Estado), nem a Maçonaria (que sempre me constou ensinar as suas gentes a serem discretas) com o seu desejo imenso de falar e acertar contas muito cedo. Se aliarmos esta opção à do Correio da Manhã, conclui-se com há um certo grupo empresarial na área da comunicação que acha dispensável assinalar de forma c0ndigna os 40 anos de Abril.

Já o Sol opta por incluir um portefólio de imagens mais do que conhecidas e ao nível de um manual escolar do 3º ciclo e dar a palavra a Rentes de Carvalho, a nova coqueluche sénior da nossa literatura, que nem sequer vivia em Portugal em 1974, mas que diz ter começado a preparar o livro – cujo tema parece ser o 25 de Abril –  em 1962 mas que apenas é publicado em 2014. Confesso que não o li, mas já ouvi várias pessoas a desmentir factualmente diversos episódios lá relatados, o que acabou por me tirar a vontade de o comprar. O destaque da 1ª página do jornal vai para o inefável Durão Barroso (aquele que parece acha que Cavaco, Soares e Sampaio ou Eanes não passaram de burros) e o da revista para o muito divertido Vasco Palmeirim que, com um pouco mais de atenção, poderia ter aceitado aparecer na capa de outra edição. Acho eu, que sou esquerdista e vermelho.

Na foto falta o Correio da Manhã, mas optei por não o comprar, atendendo à opção editorial de nem referir os 40 anos da revolução de 25 de Abril de 1974 na sua primeira página.

Quanto aos restantes, há abordagens claramente distintas.

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O Diário de Notícias fez a opção mais radical, uma edição de 80 páginas em papel diferente do habitual totalmente dedicada ao tema, na qual surge em caderno de 20 páginas, separado, com a edição do dia. Abordagem muito ampla, muitos factos, muita documentação, muita opinião.

O Público tem a sua edição ocupada maioritariamente com o tema, assim como o suplemento Ipsílon, bem como ainda uma edição específica do Inimigo Público, que nos revela que se fosse Relvas a fazer a revolução, bastariam dois ou três telefonemas.

O jornal I tem também um espaço alargado de análise do 25 de Abril, com testemunhos espalhados por toda a edição, sendo o maior destaque dado a uma entrevista feita a Vasco Pulido Valente que, como acontece com relativa regularidade, confunde a realidade com os seus humores e nega qualquer papel aos capitães de Abril. É um negacionismo que em vez de corajoso (como o adjectiva o próprio jornal na última página) é outra coisa… que a mim não apetece adjectivar.

Já o Jornal de Notícias faz uma referência de primeira página ao assunto como se fosse uma coisa de segunda ordem perante o futebol e a enésima investida de Passos Coelho sobre as remunerações alheias. São opções… mas a disputa do mercado da imprensa mais popularucha com o Correio da Manhã tem destas coisas que se percebem com dificuldade num título histórico da nossa comunicação social. Até a edição de ontem do temático Jornal de Negócios fazia um destaque maior.

Claro que isto não esgota de forma alguma o modo como o tema tem vindo a ser tratado ao longo dos últimos dias por estes títulos, até porque outras análises, entrevistas e opiniões têm vindo a ser divulgadas, bem como o público tem vindo a editar uma colecção de obras proibidas durante o Estado Novo.

Mas parece tudo muito curtinho… como se a estratégia do esquecimento e da relativização já fosse meia regra. Um destes dias hei-de espreitar os diários de 28 de Maio de 1966, só para comparar.

… para escrever algo muito criativo, profundo ou militante acerca do 25 de Abril, pelo que vou agir mais como voyeur.

Desde 1984 (quando o fiz para um dos meus primeiros trabalhos do curso de História) que compro a imprensa do dia 25 de Abril, com especial sublinhado nos aniversários quinquenais e decenais. Desde os anos 90, em especial de 1994, que passei a gravar a generalidade dos debates televisivos sobre o tema.

Para além do interesse histórico, são o material para um estudo que ainda não consegui ter condições para fazer sobre a construção da memória do que se passou em 1974. Não é um estudo sobre o que se passou, mas sobre o que foram dizendo aqueles que foram chamados a recriar a memória colectiva para consumo de massas.

Como sou teimoso, devo acabar por fazer a coisa, nem que seja com duas bengalas e uma lupa para ver as letras.

Este ano, não passarei de uma análise superficial sobre os jornais do dia, sendo que até agora só comprei o Sol, que de tão discreto parece assinalar a data por necessária formalidade. Se bem que boa parte dos actuais accionistas só o sejam graças a uma independência nascida de Abril.

Entretanto, fui ouvindo as reportagens da TSF, os debates televisivos e há bocado a reportagem da TVI… poucas coisas novas e muito do costume: auto-legitimações.

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