Medo


… é o mesmo medo que impede muitas coisas que podiam ser boas e acaba por permitir tantas outras que não deviam existir.

A cura é passar por ele e sair do outro lado, quase imunizado.

 

… do preenchimento do tal e-bio. Mesmo agora estava a ouvir dizer que o maior sindicato estava aconselhar o preenchimento, seguido da minuta recomendada contra o vínculo contratual, sob pena de processo disciplinar.

Não é o que está no site oficial, mas o cagaço é uma coisa muito estranha…

Exmo.(a) Senhor(a) Professor(a)

No sentido de uma melhor facilitação e prestação de serviços, a DGAE desenvolveu um sistema de registo de dados biográficos.
Assim o docente para poder usufruir desta mais valia deverá, executar as seguintes tarefas:

Na aplicação SIGRHE em https://sigrhe.dgae.mec.pt, no separador Geral, está disponível o Registo Biográfico (e-Bio).
Nesta aplicação, o docente deve atualizar os seus dados pessoais e preencher todos os campos referentes às habilitações/qualificações profissionais.
Pretende-se com este procedimento, agilizar processos para futuras utilizações e facultar ao docente o acesso aos seus dados pessoais/profissionais .
Após o preenchimento, deve submeter.
Posteriormente, deve aceder à aplicação, dado que a entidade de validação indicada vai validar/corrigir, validar ou deixar pendente a validação.
Se o estado da validação for pendente, apresente os documentos que comprovem os dados por si inseridos.
Para quaisquer dúvidas, consulte o manual disponibilizado na própria aplicação.

Agradecemos a disponibilidade para proceder ao preenchimento dos dados solicitados, com a maior brevidade possível, de modo a permitir a sua validação em tempo útil e a sua utilização em todos os processos que se vão desenvolver já a partir do ínicio de 2013.
Refiro por fim, a enorme importância que este registo tem no futuro de todos os docentes.

Com os melhores cumprimentos,

Eng.º João Góis
Subdiretor Geral da Direção-Geral da Administração Escolar

Como é que pode uma notificação deste tipo e nestes termos ser obrigatória?

Alguém que me explique.

Faço a minuta, ok, e o SE ou a DGAE indeferem e fico automaticamente lixado.

Estou a ver mal?

O que eu acharia normal:

  • O MEC coloca cá fora uma solicitação manhosa, com um campo manifestamente incorrecto.
  • As organizações sindicais aconselham os seus associados e restantes professores a não preenchê-la até estar correcta (sendo que a alteração é de mero detalhe).
  • O MEC corrige a anomalia
  • A malta preenche.

Em vez disso, o que temos? O aconselhamento a preencher do género objecção de consciência e meter o papelinho a protestar não sei quê. Não era mais fácil esperar uns dias pelo aperfeiçoar da tal aplicação? Vai acontecer alguma coisa de relevante Já em janeiro que não nos tenham dito?

Raios pá! Quando vos cortaram as solanáceas rente, o que fizeram com elas? Doce de tomate, base para pizza ou acrescentaram no final do molho para a pasta alla puttanesca?

O pessoal queixa-se das coisas, da governança, da crise, da calamidade, da comunicação social.

Arranja-se onde se denunciar as situações, onde falar sem reservas, onde há abertura para se exporem as situações…

Por exemplo, de professores desempregados de longa duração (mais de um ano, ou mais além, melhor se for um casal). Contactam-se amigos e conhecidos que procuram e encontram.

Mas que não, que isto e aquilo. Que frito e que assado.

Às vezes chateia tanto receio por parte de quem quase nada tem a perder.

Se houver por aí alguém nestas condições que mo comunique para o mail que talvez ainda venha a tempo de.

Ou como eles gostam tanto da segurança que dá a disciplina que, quando dá jeito, criticam.

Fernando Madrinha no Expresso de hoje, assustado com o facto da CGTP e os “sindicatos” não estarem a enquadrar devidamente o protesto popular, ou seja, a fazer o seu papel no sistema:

A CGTP promoveu no sábado aquela que pretendia ser a sua maior manifestação de sempre. Foi grande, sem dúvida, mas comparando com as de 15 de setembro, ficou aquém. os sindicatos estão a perder a rua, não para o centro ou para a direita, mas para o… Facebook. E esta é uma mudança “estrutural” com consequências. Desde logo, leva os partidos da esquerda a radicalizarem as suas posições. Depois, introduz um grau de incerteza e de imprevisibilidade com riscos acrescidos para a estabilidade social e política. Teme-se o pior.

Este tipo de discurso é factualmente correcto mas está eivado de medos, preconceitos e revelações em tão poucas palavras. E também explica a forma muito agradável como muita comunicação social, em tempo real, não fez comparações claras com o que se passara em 15 de Setembro.

Nada como a CGTP para se ter uma contestação domesticada e enquadrada nas regras do sistema.

Cuidado com quem foge ao enquadramento e consegue mobilizar sem rédeas. Ai, ai, ai o demónio das redes sociais… (não percebendo que há muita coisa das redes sociais que falha estrondosamente, sendo que é mais importante perceber as que funcionam e porquê…)

Afinal o discurso dos “partidos da esquerda” nem sequer estava radicalizado pela situação política, é empurrado pelas mobilizações de rua de tipo mais espontâneo.

Meu Deus, como o mundo dos caturras está a mudar e como a incerteza os assusta. Como se pode desmoronar o equilíbrio coreográfico que constitui a previsibilidade do establishment há décadas.

O mundo vai mudando – não sei se de forma “estrutural” porque há idosos mentais que, quando se assustam, começam logo a prever o apocalipse em ceroulas – e eles estão tão assustados, tão assustados.

Tantos anos a acusar a CGTP de ser um bicho-papão e, afinal, ela sempre foi um elemento de certeza e estabilidade

👿

Sócrates reúne estado-maior

Sócrates junta fiéis em jantar no dia antes da manifestação.

Não sei se é regresso se é apenas um novo momento crítico em algo que nunca desapareceu.

O que se segue é o excerto de um mail que recebi de uma colega que, apesar de tudo, decidiu superar o efeito paralisante do medo para protestar contra os desmandos sofridos:

Na minha escola vive-se um ambiente de medo permanente:  ele ameaça as pessoas, insulta as pessoas, favorece descaradamente os amigos, circulam fortes rumores de corrupção (alguém teve acesso indevidamente a um documento muito comprometedor); fazem-se reuniões sem pré-aviso, que duram até às 10 da noite e os professores têm que estar na escola logo de manhã cedo para as suas aulas; há professores sem hora de almoço. 
 
 Quem pode sai da escola, concorrendo ou pedindo reforma antecipada; mesmo a nível de direção o ambiente é péssimo, pois o esquema é sempre o mesmo: desrespeito absoluto pelas pessoas.

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