Lucidez


A net e as novas tecnologias podem proporcionar muita informação, mas esta pergunta demonstra a quem os alunos sabem que devem recorrer para seleccionar qual a informação credível e relevante.

… a enviesar as leituras ou as práticas.

O que está em jogo nos exames

Há coisas que devem estar para além das asneiras dos ministros que passam ou da paralisia conceptual de quem ou não quer exames ou diz que centra a vida (escolar) nos exames.

Como é óbvio… os exames são apenas um momento nessa e dessa vida escolar, mas parecem ainda despertar demasiados traumas a demasiada gente crescida.

A miudagem, essa, vai encarando as coisas com a naturalidade de quem vê o mundo como algo em movimento…

… foi o ter-nos poupado ao encavalitanço dos políticos com os seus agradecimentos públicos, incluindo os que foram de passeio uma semana para a China.

Já em termos televisivos, foram menos umas horas de directos, embora hoje tenhamos certamente os painéis do costume a “escalpelizar” até à irrelevância os 23 penaltys negados ao Benfica e – a melhor de todas, lida ontem no mural do meu amigo J. P. Maia – a análise ao frame dos movimentos do Beto antes da marcação dos penaltys que defendeu. Já o Oblak, mexeu-se tanto ou mais e não deu resultado. O prémio da noite, no entanto, deve ir para um repórter da SIC que disse que o Oblak adivinhou sempre o lado dos penaltys… basta ver a gravação.

A derrota do Benfica não me alegrou, mas confesso que não me incomodou muito que a arrogância conhecesse os seus limites.

Tahar Ben Jelloun : “La meute”

L’écrivain décrit cette haine irrationnelle qui anime les humains à certains moments, le racisme, “qui est dans l’homme, qu’il soit blanc ou noir ou autre”.

David Byrne, no Actual de hoje sobre a malta que fotografa os concertos em vez de os ouvir e (vi)ver.

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«Mas um velho, d’aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só d’experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:

– «Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
Cüa aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

«Dura inquietação d’alma e da vida
Fonte de desemparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinas e de impérios!
chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com qugem se o povo néscio engana!

«A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
D’ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

Camões, o Velho…

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS ALCAIDES de FARIA – BARCELOS

NOTA DE IMPRENSA 
Os professores do agrupamento de escolas Alcaides de Faria congratulam-se pela ativa participação nesta jornada de luta com 92& de adesão à greve. Dos 260 docentes do agrupamento de escolas somente 20 estiveram ao serviço.
Os professores em greve concentraram-se ao portão da escola em contacto direto com os alunos e encarregados de educação no sentido de explicar as razões da ação de protesto.
Os docentes deste agrupamento reafirmam a disposição para continuar a luta e informam de que vão manter a greve às avaliações agendadas para esta semana.
Com saudações escolares,
os professores do agrupamento de escolas Alcaides de Faria – Barcelos

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Carta dos professores do Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria aos pais e/ou encarregados de educação.

Porque estamos em Greve?

Não aceitamos que a Escola Pública, universal e gratuita, seja desmantelada provocando o aprofundamento das assimetrias sociais e a dificuldade de acesso igualitário às ofertas educativas;

Não aceitamos a lei da mobilidade especial, despedimento massivo de professores (20 a 30 mil), considerando que a educação é o pilar fundamental do desenvolvimento. O país vale pela educação/formação dos seus cidadãos;

Não aceitamos o aumento do horário de trabalho para as 40 h, dado que a especificidade da profissão obriga a muito trabalho fora da escola;

Não aceitamos a desvalorização do cargo de Diretor de Turma, como é intenção do governo ao retirá-lo da componente letiva;

Não aceitamos o aumento do número de alunos por turma, o que dificulta o relacionamento e acompanhamento pedagógico e científico e em nada contribui para o sucesso dos alunos;

Estas Greves – às avaliações e a de hoje, não são contra mais nada nem ninguém que não sejam estas desnorteadas medidas governamentais. Não podemos vergar quando temos a razão. Não nos podem chantagear quando temos dignidade. Não nos apontem as culpas quando somos as vítimas.

Temos todo o respeito pelos nossos alunos, por isso estamos em greve; por isso estamos a defender a qualidade da educação; por isso entendemos que é fundamental fazermos com que percebam porque estamos em Greve desconstruindo os mitos e o ruído enganador difundido pelo governo, e pelos “fazedores de opinião” que debitam interesses nas televisões numa espécie de opinantes encartados que de tudo sabem falar.

Este processo de luta é em nome da democracia, da igualdade social e da solidariedade nacional. Baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as legítimas expetativas aos alunos e famílias que o governo tem vindo a extorquir.

Este processo de luta não é corporativista mas sim em nome da democracia, da igualdade social e da solidariedade nacional. Está em causa a intransigente defesa de uma ESCOLA PÚBLICA, de uma educação de qualidade e livre que o governo quer destruir. Está em curso um novo paradigma que elimina o Estado Social – Educação, Saúde, Segurança Social…, que todos os cidadãos democratas têm por obrigação contrariar.

Há momentos em que não se pode ficar calado, em casa ou com medo, porque a história das nossas vidas e as gerações futuras, nunca o perdoarão. Este é um dos momentos, em que é importante estarmos juntos e solidários – Professores, Pais, alunos, cidadãos. A causa desta luta é a exigência do presente para o futuro de todos nós.

OS PROFESSORES EXIGEM RESPEITO E DIGNIDADE

Os professores do Agrupamento de Escolas Alcaides de Faria – Barcelos

(…)

From the conservative dark
Into the ethical life
The dense commuters come,
Repeating their morning vow;
“I will be true to the wife,
I’ll concentrate more on my work,”
And helpless governors wake
To resume their compulsory game:
Who can release them now,
Who can reach the deaf,
Who can speak for the dumb?
.
All I have is a voice
To undo the folded lie,
The romantic lie in the brain
Of the sensual man-in-the-street
And the lie of Authority
Whose buildings grope the sky:
There is no such thing as the State
And no one exists alone;
Hunger allows no choice
To the citizen or the police;
We must love one another or die.
.
Defenceless under the night
Our world in stupor lies;
Yet, dotted everywhere,
Ironic points of light
Flash out wherever the
Just Exchange their messages:
May I, composed like them
Of Eros and of dust,
Beleaguered by the same
Negation and despair,
Show an affirming flame.
.

Ser-nos-ia fácil, pondo em prática um vicio do nosso funccionalismo, elaborar um plano desenvolvido o completo da organisação d’estes serviços; bastaria para isso copiar o systema allemão ou austriaco. São óbvios, no entanto, os erros de um tal plagio, querendo implantar de um jacto, n’um paiz falho de recursos científicos e monetários, as maravilhosas instituições dos paizes ricos de sabedoria e dinheiro, e que mesmo n’esses paizes gastaram muitos decennios na sua consolidação e no seu aperfeiçoamento. (Preâmbulo da proposta de lei 8-E sobre a reforma dos serviços de medicina legal do país, apresentada na Câmara dos Deputados em 22 de Fevereiro de 1899)

… continua lúcido. Woody Allen em entrevista no caderno Actual do Expresso:

 

A ver.

O fundador da Microsoft, Bill Gates, acredita que a penetração de tablets no sector da educação pode ser prejudicial para as crianças, por não satisfazer as suas necessidades. Gates acredita que um PC de baixo custo responde melhor aos requisitos da área.
Segundo o mesmo, seriam uma melhor solução para tornar a aprendizagem do século XXI “totalmente interactiva”.
“Dar apenas os dispositivos às pessoas não resolve nada”, diz Gates. Destaca ainda que a introdução de tablets  nos sistemas  de ensino obriga a “mudar o currículo e formação de professores”.
Além disso, considera que para os estudantes um computador sem teclado físico “nunca vai funcionar a 100%”. “Os alunos não querem só ler, e supõe-se que queiram escrever e comunicar”, explica.

Por que é que Cavaco não criou o automóvel e telemóveis portugueses?

Final do texto de João Gobern no FBook acerca do seu afastamento do programa Zona Mista por ter sido apanhado a festejar um golo do Benfica contra o Braga:

10. Tendo reconhecido o erro, tendo lamentado o sucedido, há uma pessoa que me obriga a ir mais longe. Por ter apostado em mim quando nada o obrigava, por me ter brindado com este desafio e porque o capítulo final é tão murcho, resta-me pedir desculpas ao meu amigo Carlos Daniel. Garantindo-lhe que há casos em que a memória funciona mesmo.
11. Aos que escolheram o insulto, a insinuação, a mentira, a queixinha – já conseguiram o que queriam. Agora, por favor, vão marrar para outro lado, que eu, felizmente, tenho mais que fazer.
12. Gostaria, se me permitem esse desejo, que fossem desactivados os grupos de apoio e as petições em que eu esteja envolvido, mesmo indirectamente. Esta terra tem problemas sérios demais para que se gaste tanta energia, tanta disponibilidade e tanto tempo com questões que são verdadeiramente acessórias.
13. Num país onde os lapsos andam à solta, onde se mente impunemente, onde se rouba sem consequências, onde se abusa dos mais fracos, onde se lançam cortinas de fumo para que as pessoas se esqueçam dos seus problemas, posso dizer que, ao menos no meu caso, a culpa não morre solteira. Azar meu: foi justamente agora que ela, a culpa, decidiu casar-se e ser monogâmica.
14. Obrigado, ainda uma vez. Até um dia destes. Boa Páscoa. Espero as amêndoas só na segunda-feira.

Por alguma razão não usei aqui as imagens de João Gobern a festejar o dito golo, embora alguém as tenha colocado em comentários. Afinal, todos sabíamos que ele era benfiquista, assim como sabemos de que clube são certos relatores ou comentadores que se clamam isentos. Todos sabemos que Fernando Correia é sportinguista e nem por isso perde a respeitabilidade de grande jornalista que sempre foi. E muitos outros casos há.

Ao menos Gobern admitiu o erro e arcou com as consequências. Algo muito raro entre nós e quase inexistente na classe política, recrutada pela relva mais baixa disponível no mercado, onde os coelhos mal se conseguem disfarçar.

Não prevejo mais austeridade este ano

André Macedo:

Vida selvagem na EDP

(…)

É fácil confundir espécies na vida animal. Por exemplo, tartaruga e cágado baralham-se muito. Há até casos em que o nome popular não bate com a definição científica. É o caso da tartaruga-do-amazonas: morfologicamente é cágado, mas tem nome de tartaruga. Acontece o mesmo com Henrique Gomes. Ele falou como político que estava a gerir o que é público (e por isso merece especial respeito), mas está a ser interpretado como fosse um insider que, sabendo tudo, deu com a língua nos dentes.

Não é o caso. O secretário de Estado deu a sua visão (externa e, por muito que nos custe, parcial) dos factos, enquanto a EDP fez o mesmo: protege os contratos assinados com o anterior Governo, que se lambia por criar campeões nacionais. O que é estranho nesta história é Passos Coelho ter hesitado sobre o seu lugar nesta selva. Começou por querer ser o herói que caça o predador e acabou por dar um tiro no pé: pediu um estudo, meteu-o na gaveta e deixou o secretário de Estado entregue às feras. Entrada de leão, saída de sendeiro.

Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios (ai tanta publicidade perdida para sempre…):

Não foi só um secretário de Estado que se demitiu de um cargo, foi um Governo que se demitiu da sua função, tornando-se perigosamente parecido com quem criticara violentamente no passado.

O encaixe brutal da privatização tem contrapartidas, como se viu nas nomeações de políticos para a administração, como se vê agora nesta postura obediente aos chineses. No fundo, percebe-se agora, parte desse encaixe da privatização será pago por nós, consumidores e indústrias. É por isso que este é o país “até já”: Santos Pereira diz até já a Henrique Gomes, Passos diz até já a Sócrates, todos dizemos até já aos lóbis, mudamos para que tudo fique na mesma, neste até já Portugal, até já sectores não transaccionáveis, até já cepa torta, sempre “até” e sempre “já” e sempre “nunca”, nunca, nunca mais saímos disto.

DN, 2 de Março de 2012, imagem surripiada no FBook do autor.

Krugman: a crise na Europa e no mundo deve-se ao fracasso dos economistas

Com a compra de 21,5% da EDP, os chineses da Three Gorges entram também no negócio de eletricidade no Brasil. Para além de barragens e parque eólicos, a elétrica portuguesa controla também parte da distribuição nos estados de São Paulo e Espírito Santo.

Com um lucro líquido de 92 milhões de reais (40 milhões de euros), a EDP Brasil faz parte do plano de investimentos proposto pela Three Gorges. Logo na conferência de imprensa onde anunciou o novo acionista da EDP, a secretária de Estado do Tesouro, Maria Albuquerque, fez questão de sublinhar que a “EDP fica intocada no Brasil”, garantindo que os chinese não entrariam no capital acionista da subsidiária brasileira. 

Hoje, dois meses depois da decisão que afastou a Electrobras da corrida à EDP, o ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, garante que entende a decisão do Governo português, mas lembra que o Brasil nunca aceitará a exploração dos seus recursos naturais por investidores estrangeiros.

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