Liderança


Agradecendo a referência à A. C.

Ver isto faz tanta, mas tanta, mas tanta falta… a tanta gente, desde os equivocados legisladores aos seus maus enviados em tantas escolas…

Um testemunho:

The ways teachers can lead are as varied as teachers themselves.

Se eu não posso, ou devo, escolher os meus alunos e devo motivar todos os que me aparecem para as aprendizagens, sendo essa uma das medidas possíveis para reconhecer um bom professor, porque será que as lideranças escolares precisam de seleccionar todos os seus professores para apresentarem um bom trabalho, meu caro David Justino?

Não será que a boa liderança é aquela que sabe como utilizar os recursos humanos do que dispõe?

Até porque, como é óbvio, depois de uns quantos escolherem, há quem fique sem hipótese de escolher…

… ao contrário do “paradigma” de concentração unipessoal do poder que nos querem apresentar como sendo o nec plus ultra da gestão educacional.

Muitos estudos são de acesso reservado, pelo que ficam apenas alguns de acesso livre e algumas apresentações:

  1. All distributed: sharing leadership to build capacity

  2. Building Distributed Leadership in the Philadelphia School District – An Overview

  3. Distributed Leadership in Schools: The Case of Elementary Schools Adopting Comprehensive School Reform Models

  4. Distributed leadership in schools: what English headteachers say about the ‘pull’ and ‘push’ factors

  5. Distributed Leadership – Drawing on the Strength of Many

  6. Distributed leadership through the looking glass

  7. Educational Micropolitics and Distributed Leadership

  8. Leadership theory and educational outcomes: The case of distributed and transformational leadership

  9. Leading or misleading? Distributed leadership and school improvement

  10. School Leadership Practice: A Distributed Perspective

La distribución del liderazgo como estrategia de mejoramiento institucional

En éste artículo se presenta el concepto de liderazgo distribuido como una alternativa a los modelos jerárquicos de liderazgo. Según éste concepto, el liderazgo es una propiedad de los grupos y organizaciones y no un rasgo de la personalidad. Tradicionalmente, la investigación se ha concentrado en identifi car los rasgos de la personalidad y las actuaciones ideales de los líderes, desconociendo que el liderazgo también se manifi esta de manera colectiva, como un fenómeno multi-nivel. Se ofrece un recorrido por distintos modelos de liderazgo escolar y se introduce una reciente alternativa a la concepción individualista del liderazgo, denominada liderazgo distribuido. Se argumenta que el cambio y el mejoramiento institucional en la escuela contemporánea dependen en gran medida de la participación colectiva en la toma de decisiones así como de la existencia del liderazgo docente en niveles distintos a la dirección.

nem o demitem, nem a gente almoça

A big idea: smaller high schools

Leading Small: Eight Lessons for Leaders in Transforming Large Comprehensive High Schools

Eu chamaria a atenção para algo interessante, a saber, a proposta de mudança no sentido de lideranças partilhadas contra as concepções mais centralizadas. O que significa que neste trabalho de 2000 se aponta na direcção oposta àquela que foi seguida entre nós nos últimos anos.

Como andamos sempre atrasados, pode ser que um dia…

Building a New Structure For School Leadership

(…)

This shift requires first, a redefinition of leadership, away from role-based conceptions and toward distributive views; and second, a clearer set of design principles to guide the practice of large scale improvement. Distributed leadership—hardly an original idea with me—derives from the fact that large scale improvement requires concerted action among people with different areas of expertise and a mutual respect that stems from an appreciation of the knowledge and skill requirements of different roles. Design principles derive from the fact that large scale improvement processes run directly against the grain of the existing institutional structure of public education, and therefore it is difficult to do anything consequential about large scale improvement without violating some fundamental cultural or managerial tenet of the existing structure. The problem, then, is how to construct relatively orderly ways for people to engage in activities that have as their consequence the learning of new ways to think about and do their jobs, and how to put these activities in the context of reward structures that stimulate them to do more of what leads to large scale improvement and less of what reinforces the pathologies of the existing structure.

Só se lembraram disso agora?

Como funciona o cérebro de um líder?

(…)
A investigação da liderança tem-se focado em determinar que capacidades inspiram indivíduos e grupos a funcionar de uma forma mais eficaz. Mas, recentemente, investigadores têm procurado formas de incutir essas capacidades em pessoas menos experientes. E com as escolas de negócios a repensarem as suas abordagens, muitas estão a incorporar liderança, ética e responsabilidade como temas de base, juntamente como temas mais tradicionais como a economia e as finanças.

Já percebi como chegámos ao ponto em que estamos… Ética e responsabilidade nunca foram prioridades. Daí os líderes que temos…

LivB

A entrada das mulheres no ensino não rsulta, como tem sido muitas vezes defendido em textos sociológicos, da sua inclinação para a educação das crianças e dos jovens, por sua vez atribuída a uma suposta natureza feminina, mas resulta de múltiplos e diversos factores, entre ops quais se salientam o diminuto leque de opções de emprego para raparigas no mercado de trabalho, a necessidade de começar a trabalhar cedo na vida para prover às necessidades económicas das famílias de origem, a procura de estabilidade e a influência sociocultural e familiar.

As construções identitárias das mulheres evidenciam uma grande diversidade de posicionamentos, inviabilizando qualquer pretensão de uniformização sob a égide de uma hipotética irmandade de género. (p. 334)

Gosto de conclusões  híbridas, que fogem aos clichés da fraca sociologia. Neste caso sobre a femiização do ensino e em particular da liderança educativa, tema que eu próprio estudei muito ao de leve, com conclusões não muito diversas.

O que vale é que cá isto vai ser uma calmaria. Ou não. Depende. Ninguém sabe. A accountabillity e isso. Sei lá.

150 heads and deputies sacked last year

Adviser warns against treating headteachers like football managers.
About 150 secondary headteachers and deputies were sacked last year, prompting a former senior government adviser to warn that headship was turning into the “lottery you get with premier league football managers”.

As political pressure to deliver exam results mounts, the number of senior school managers in England forced out of their posts has escalated from just 30 four years ago, according to a survey by the Association of School and College Leaders (ASCL).

The growing cull will add to concerns about school leadership at a time when half of current headteachers are expected to retire by 2012.

Escrevia-se ontem por alguma imprensa e meios de comunicação online que o Governo quer que Notáveis entrem para a gestão das Universidades.

Este conceito de notáveis deixa-me sempre um bocadinho perplexo ou, pelo menos, confundido quando não se especifica exactamente do que e4stamos a falar.

O que é um notável, para que mereça um lugar de curador, gestor, administrador de uma dessas futuras Fundações que irão adminustrar as Universidades? Percebo que se queira abrir – nestes tempos fica bem em falar na abertura de tudo, quando o que se passa é exactamemnte o inverso – a Universidade à famigerada sociedade civil e abanar a poeira da Academia. Só não percebo exactamente do que se trata e de quem se trata.

Porque eu conheço, na nossa sociedade pós-moderna, teoricamente democrática e não marcada por estatutos de excepção, alguns tipos de notáveis, ou o que passam por ser tal.

  1. Os notáveis comunicacionais/televisivos, celebridades construídas na base da notoriedade ganha na cultura popular, como futebolistas, actrizes e actores de telenovelas mais ou menos juvenis, apresentadores e participantes em reality-shows e outros programas de entretenimento, socialites de ocupação difusa, etc, etc, sendo qu estes estatutos são rápida e facilmente intermutáveis.
  2. Os notáveis oriundos da área cultural, mais erudita, tipo intelectuais profundamente reflexivos sobre os fenómenos sociais e afins, por vezes com o estatuto de opinadores reconhecidos, outras vezes com estatuto de excepções no mundo da política.
  3. Os notáveis do mundo empresarial, aqueles que ontem faziam a capa da Visão graças aos imensos ganhos com as OPA’s e outras habilidades financeiras. Gente rica e cada vez mais rica, notabilizada pela forma como conseguem multiplicar os seus milhões, que se encosta e desencosta ao poder político conforme as estações e as circunstãncias.
  4. Os notáveis mais especificamente políticos (entre nós um notável político deveria ser um oxímoro, mas ninguém dá por iso), que podem ir de gente com o chamado estatuto de senador a gente que apenas tem uma longa carreira política, já tendo passado por mil e uma funções (os Tó Zés Seguros e Carlos Coelhos deste mundo), mesmo se ainda têm a minha idade – quarentinhas na designação de alguém mais velho e bem humorado que conheci há pouco tempo.

Não sei se é um pouco a todos estes, se apenas a alguns, que o Governo quer recorrer para ajudar na gestão das Universidades. Eu, com sinceridade, acho que as categoria 2 e 4 já se encontram, na sua maioria, encaixadas no Ensino Superior, sob um qualquer tipo de estatuto ou pretexto: professores convidados, professores ocasionais de seminários e pós-graduações feitas à medida, etc, etc. Aliás, as Universidades privadas serviram exactamente para, desde final dos anos 80, dar caução académica e segunda ocupação a muita gente da categoria 4 de notáveis.

Quanto à categoria 1 de notáveis, penso que inserir uma notável actriz jovem dos Morangos com Adoçante ou um qualquer Zé Maria no Conselho Geral de uma Universidade seria realmente uma enorme abertura da Academia à sociedade civil. Coisa para provocar uma corrente de ar das grandes. Coíbo-me de exemplificar mais, porque acabaria em disparate rematado. Por falar em rematado, só se forem buscar o Figo para meter uns cobres nos tesouros da Universidade.

Quanto à categoria 3 de notáveis, a dos empresários e gestores, aquela que pelo seu proclamado sucesso e empreendedorismo seria normalmente considerada a mais desejável para esse papel, eu tenho as minhas reservas quanto às figuras disponíveis por cá. No coração das boas práticas na gestão das universidades – os States – a presença desse tipo de figuras tutelares nas universidades é algo muito comum. Mas normalmente isso surge em troca de um estatuto de mecenas e beneméritos das instituições.

Também aí, os notáveis precisam de demonstrar mérito – no caso graças a assinaturas em chorudos cheques – para serem adminitos como notáveis nas Academias. É um mérito que custa dinheiro, normalmente muito dinheiro. Custa o preço de um laboratório novinho em folha, de uma biblioteca bem apetrechada, de uma ala nova na Universidade financiada pelo patrono que lá passa a ter o nome.

Ora em Portugal não temos cá filantropias dessas, mesmo que sejam para encobrir vaidades. os nossos ricos são imensamente forretas. Há uns meses houve uns quantos que disseram que iam juntar não sei quantos milhões de euros para judar à Educação. Quando é que voltámos a ouvir falar deles? Estão mesmo a fazer alguma coisa? Quantos milhões já angariaram e aplicaram?

Tivemos um grande benemérito da Educação no século XIX – o Conde Ferreira – mas no século XX em matéria de verdadeiros beneméritos ficámo-nos por um estrangeiro, Calouste Gulbenkian e pouco mais. Há por aí umas micro-fundações, mas de pouco contam.

Quando Champalimaud morreu deixou uma bela maquia para ajudar a algo muito bom na área da Saúde. Foi o que constou. Foi escolhida Leonor Beleza – uma notável – para ficar à frente da instituição e foram cooptados uns quantos outros notáveis para Curadores da Fundação. Desculpem-me a manifesta ignrância, mas não sei quantos programas nacionais, em instituições de ensino superior a nóvel Fundação está a financiar. O que sei é que o site oficial é em língua inglesa e o mesmo se passa com a brochura de apresentação. Sei que existem anúncios como este, mas espero pelo resto.

A verdade é que os nossos empresários de sucesso não tem vocação filantrópica. Se um dia Belmiro de Azevedo financiasse um centro de investigação quase que aposto que seria crismado como Centro de Bio-Etc-E-Tal Modelo e Continente e nem é bom pensar o que faria Joe Berardo com a sua contribuição. Passados uns anos deveria querê-la de volta, paga com juros.

Por isso, quanto muito, teremos alguns destes senhores – e espera-se que senhoras – sentados em Conselhos de Curadores a dar opiniões por interposta pessoa, delegada para o efeito, e pouco mais. Entre nós, os particulares, mesmo de sucesso, não gostam de auxiliar instituições públicas, muito menos Universidades, por onde alguns passaram com maus modos e de que não guardam grandes recordações, sendo mais habituais as declarações de acrimónia contra as instituições nacionais (e aqui voltamos a Belmiro, mas também poderia ser aos Pereiras Coutinhos séniores deste jardim mal plantado), preferindo sempre destacar os MBA’s recolhidos lá por fora.

Por um lado compreende-se – ninguém com seriedade resiste a certo tipo de UnI’s – mas também se perceberia se, para além das críticas, estes notáveis fizessem e contribuissem com algo para melhorar a situação. De bitaites já temos nós o papinho cheio.

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É a conclusão a que se chega num recente estudo britânico, de um grupo de reflexão que até é conservador mas não no sentido que por cá damos ao termo no plano económico, que conheci através de referência do Correio da Educação. Afinal, parece que quando estamos a ir num caminho que outros trilharam achando que é muito bom, já eles regressam, desanimados com os reesultados.

Mas essa é a nossa sina, termos elites que decidem com base nas modas de ontem que deixaram de seduzir os próprios criadores.

Um tema que tem sido recorrente em algum discurso sobre a necessidade de mudança educacional e de transformação da gestão e organização das Escolas é o da Liderança. Afirma-se a necessidade de lideranças fortes, dinâmicas, com projectos e capacidade de os implementar, mobilizando para isso os necessários recursos e vontades.

Na prática, o que isto tem significado na retórica ministerial é que uma liderança forte é uma liderança que implementa as políticas ditadas a partir da 5 de Outubro de forma eficaz e acrítica, sem qualquer conceder qualquer grau de reflexão ou autonomia aos docentes. E nada se define sobre o que se entende por Liderança, sendo que este conceito está longe de ser consensual nas diversas abordagens que sobre ele existem na área educativa.

Mas, a questão colocada nos termos acima formulados tanto pode ser aceite de forma pacífica como dar origem a observações irónicas do tipo “pois, o Hitler tinha todas essas qualidade e…”.

Ora o que a mim me interessa na questão da liderança não é necessariamente aquilo que a define, mas aquilo que lhe dá corpo e substância, ou seja a natureza do projecto e o tipo de meios usados para o implementar.

Uma liderança forte só porque é forte não tem interesse. A uma liderança dinâmica só porque é dinâmica aplica-se o mesmo. Tal como a mudança apenas pela mudança, já vimos o que tem dado ao longo destes anos. Mais importante do que tudo isso é existir um rumo e esse rumo ser claro e justo nos objectivos, digno e transparente nas estratégias e leal no recrutamento e mobilização das vontades.

Mais do que uma liderança forte, interessa saber ao serviço do que está essa liderança, qual é o seu projecto em concreto e como pretende levá-lo à prática. E isso, se está provavelmente no espírito de alguma literatura na área da Educação, não me parece encontrar-se nas aspirações da actual tutela, que apenas pretende lideranças locais fortes, mas ligadas através de uma fidelidade feudo-vassálica ao topo da pirâmide. Um pouco como na tropa, claro, para lançar mão de uma imagem tão usada durante o ano de 2006.