Liberalismo?


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P. 277.

Adoro estes liberais…

Nogueira Leite volta a ser nomeado para exercer funções no Estado mas sem salário

Liberal

… e uma das grandes esperanças do Pântano Central com direito a salamaleques, colunas de opinião na imprensa de referência e, no fundo, o destino destinado aos predestinados?

Risco de nacionalização abre porta a adiamento da capitalização do Banif

Agradecendo à A.C. o envio:

Neoliberalism and the marginalisation of social justice: the making of an education policy to combat social exclusion

Agradecendo a referência ao Pedro D:

How Colleges Are Selling Out the Poor to Court the Rich

A new report finds hundreds of schools are charging low-income students obscene prices, even while lavishing tuition discounts on their wealthier classmates.

 

Closing Duncan’s Chicago ‘Renaissance’ Schools

Stepane Arcadievitch não escolhia as suas maneiras de pensar, como não escolhia as formas dos seus chapéus ou das suas sobrecasacas: adoptava-as porque eram as de toda a gente. Como vivia numa sociedade em que uma certa actividade intelectual era considerada como apanágio da idade madura, as opiniões eram-lhe tão necessárias como os chapéus. Ao conservatismo professado por muitas pessoas da sua esfera preferia, a falar verdade, o liberalismo, não porque achasse esta tendência mais sensata, mas muito simplesmente porque ela quadrava melhor com o seu género de vida. O partido liberal afirmava que tudo corria mal na Rússia, e era esse, com efeito, o caso de Stepane Arcadievitch, que tinha muitas dívidas e poucos recursos.

Leão Tolstoi, Anna Karenine (a edição do C. Leitores dos primeiros tempos dos anos 70), p. 14.

Qualquer semelhança com o nosso primeiro não é total descoincidência.

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  • Considerar que os serviços públicos são serviços equivalentes a qualquer negócio.
  • Alegar que são caros e pouco eficientes, sendo incomportáveis para o orçamento.
  • Desenvolver um plano de cortes que leva ao afastamento de muitos dos funcionários mais competentes e à degradação dos serviços.
  • Alimentar a insatisfação dos utentes, alegando que no sector privado há maior eficácia, com menores custos para o Estado (sem confessar que não é assim para os utentes).
  • Alegar que, dessa forma, é possível baixar impostos, mas baixá-los de forma selectiva e favorecendo em especial os escalões com mais rendimentos.
  • Continuar a política de erosão da qualidade dos serviços públicos (saúde, educação, segurança, transportes), alimentando a fuga dos utentes para os serviços privados.
  • Subsidiar directamente os interesses privados instalados naquelas áreas de actividade.
  • Os serviços públicos, de baixa qualidade, ficam disponíveis apenas para as camadas mais desfavorecidas (em termos materiais, mas também de informação) da sociedade, aumento a desigualdade de acesso a serviços básicos de apoio social, considerados periféricos às funções “naturais” do Estado.

Nos casos em que há alguma competência, a coisa funciona, em termos globais, mal. Nos casos em que há gaspares a fazer os cálculos, é um desastre.

Leitura para acompanhar.

EDP

Não é a primeira vez que escrevo sobre isto, mas é inevitável voltar ao tema, que pode parecer incómodo para alguns e nem sequer revela novidade. E que é o da simetria dos materialismos que ao longo dos últimos 200 anos têm servido de base aos regimes que mais desumanizaram os indivíduos.

Tanto o materialismo marxista, como o materialismo liberal, reduzem, nas suas formulações simplistas a que infelizmente estamos submetidos, os indivíduos a peças mensuráveis de uma engrenagem determinista que lhes retira qualquer capacidade – talvez mesmo o direito – a um livre arbítrio que os torne condutores do seu próprio destino, sem que ao fazerem isso corram o risco de ser acusados de inimigos de um totalitário interesse comum.

Se uns defendem um modelo baseado no determinismo das forças económicas que conduz ao esmagamento dos indivíduos perante mecanismos que os transcendem, os outros defendem cada vez mais um modelo definido pela eficiência de um governação economicista que despreza esses mesmos indivíduos quando não se enquadram, com os seus comportamentos singulares, na pureza dos seus teoremas.

Os leitores de Hayek que nos couberam em sorte (liberais de 3ª categoria à semelhança do que um saudoso professor meu dizia dos marxistas nacionais) não conseguem (ou não querem) ir dois milímetros abaixo da superfície e entender que a denúncia que ele fez do marxismo tinha origem no que ele representaria de perigo para a liberdade individual, sendo o meio errado para servir ao progresso da Humanidade. Hayek aponta-o como caminho para a servidão, porque o que ele recusava era exactamente essa mesma servidão humana.

Ora… o que temos mais entre nós são defensores de um outro caminho para a servidão, pintado enganadoramente com as tintas de um falso liberalismo, usado apenas como fórmula vaga, mas destituída de conteúdo e com uma fundamentação empírica e histórica atroz. Dificilmente Hayek (ou mesmo Popper que há 25 anos serviu de tábua de salvação intelectual para muito esquerdista arrependido) defenderia um liberalismo de máquina de calcular que transforma os seres humanos em peças de uma equação tão descarnada quanto a resultante da aplicação de um qualquer materialismo dialéctico à experiência humana.

Os governos podem ser conduzidos por princípios ideológicos, por visões do mundo, da sociedade e do ser humano, mas eu recuso qualquer visão que esqueça que o valor essencial é o da vida humana e que o bem estar de todos é o que deve nortear, enquanto ideal, a acção dos governantes, aliás como é explícito na primeira constituição liberal do mundo ocidental (a americana), herdeira directa da crença iluminista de que a felicidade terrena deve ser o objectivo primordial de qualquer contrato social subjacente a um governo justo.

O que se passa entre nós (mas não só) nos dias que vão passando é o aviltamento consciente (duvido que seja por ignorância) dos ideais liberais originais de defesa dos direitos individuais em nome de uma racionalidade mecanicista ditada por uma alegada eficácia da acção governativa. E o recurso a autores altamente estimáveis para fundamentar políticas profundamente geradoras de desigualdades e que nada se importam com o mal estar de um número crescente de indivíduos. Mesmo se o Hayek mais tardio renegou a ideia da utilidade da justiça social, assim se tornando o pai teórico do thatcherismo mais desbragado.

Os leitores oportunistas de Hayek fazem por ignorar que o fundamental da sua mensagem – bem como da de Popper em defesa de uma sociedade aberta – é a necessidade de lutar contra os modelos de governação que, de forma abusiva, conduzem os seres humanos para uma indigna servidão. Materialista, mensurável, mecanicista.

Ou seja, fazem por ocultar que eles seriam objecto de tão forte reprovação ética e moral por aquele que afirmam seguir, quanto aqueles que ele originalmente criticou. E ainda há quem apareça a defender que os princípios que fizeram progredir a Humanidade para além da barbárie e da servidão são conjunturais, relativos.

O que significa qualquer dos materialismos em confronto nega a liberdade individual e ergue princípios gerais de matriz totalitária que desrespeitam aquilo que alegam querer alcançar: a liberdade e a felicidade de todos e cada um de acordo com as suas aspirações.

… sobre os fundamentos do Estado de Direito nascido das revoluções LIBERAIS dos séculos XVIII e XIX, a começar pela americana, que consagraram a divisão dos poderes.

E é fantástico que muitos daqueles que pertencem à família política dos que sacralizam a Constituição Americana e o modelo político americano com um equivalente ao nosso Tribunal Constitucional com muitos mais poderes venham agora criticar uma versão muito mais suave desse modelo.

Do Jornal de Negócios, sem ligação para o artigo completo:

Após ter deixado o Europarque nas mãos do Estado, que foi obrigado, como avalista do equipamento, a assumir uma dívida de 31 milhões de euros, a Associação Empresarial de Portugal (AEP), contou novamente com a ajuda estatal para vender a Exponor em troca do seu passivo bancário. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Efisa, um dos activos do ex-grupo BPN “pendurado” na sociedade-veículo estatal Parparticipadas, são dois dos nove bancos credores da AEP que assinaram um acordo extrajudicial de recuperação da instituição.

(…)

O fundo Nexponor, a nova dona da Exponor, absorve todo o passivo bancário da AEP, que ronda os 50 milhões de euros.

E nós perguntamos… o que fez a AEP de relevante para o Estado assumir dezenas de milhões de euros de dívida do consulado de Ludgero Marques?

E não deixa de ser curioso que o único grande credor da AEP que não aceitou o acordo seja o angolano BIC, o tal que comprou o BPN…

Adoro o liberalismo subsidiado pelo Estado.

Digam-me só três coisas:

  • O que ganhou o país com a acção de António Borges para lhe andarmos a pagar isto?
  • Onde conseguiria ele, com a ausência de esforço que se nota, sacar tanto dinheiro no sector privado?
  • Até quando temos de pagar a estes mamões pseudo-liberais (não há outra palavra para isto) , enquanto se afirma que uma reforma de 1500 euros mensais é algo insustentável?

Estado já pagou mais de 300 mil euros à empresa de António Borges

A pressão está ao rubro.

Alega-se “corte nos financiamentos” para despedir.

É fácil. Como o Estado não controla os lucros dos “empreendedores” e essa é a fatia invariável dos encargos, corta-se na parte mais vulnerável.

Usam-se os exemplos lá de fora mas amputa-se que na Holanda os colégios privados com financiamento do Estado pagam remunerações aos gestores mas não podem acumular lucros para distribuir pelos coleccionadores de carros vintage.

E há muita coisa que não se diz.

Claro que, interrogando quem tem responsabilidades na AEEP para falar sobre isto, a desculpa é a do costume.

Resta saber se, como em tempos, o “desbloqueamento” será com uma intervenção humana mas iluminada pelo Espírito Santo.

DN8Mar13

Diário de Notícias, 8 de Março de 2013

O maior inimigo do liberalismo são os supostos liberais

… a constituição de uma nova associação de escolas com interesse nos contratos de associação com o Estado, logo ali na zona Centro.

Nem a argumentação usada.

Deram agora um sinal de vida.

Deve ser do “projecto de gestão” que dizem existir.

Ou “projecto de subsídio”…

A verdade é que o MEC se quisesse poupar dinheiro, não o entregava para pagamentos “externos” se diz que tem professores a mais.

Se o MEC quisesse mesmo racionalizar os seus meios, em vez de clamar que há menos alunos, tentaria cativá-los para a rede que diz ter com excesso de meios.

Ou será que na zona Centro e em Coimbra há um oásis de horários-zero? Ahhh, já sei… é preciso contar com o custo das escolas…

Ou os direitos adquiridos são só para o peixe graúdo?

Porque é interessante ver o regateio de indemnizações de centenas ou alguns milhares de euros a professores contratados enquanto se entregam milhões, a pedido, sem protesto algum.

Estado já pagou mais de 12 milhões em indemnizações

Muito interessante peça da Visão de ontem em que se recolhe o testemunho dos empreendedores que esperam pelo período final do subsídio de desemprego de potenciais interessados em ser contratados para cargos de alguma responsabilidade, para lhes oferecer piores condições salariais como contraponto ao fim próximo do subsídio.

Irrepreensível em termos de boa gestão.

A única explicação para tantos filhos de (boa) família andarem há este tempo todo a cortejar as migalhas que o Miguel Ouvistos Relvas pode deixar-lhes cair do Orçamento para o regaço ávido.

Quanto ao vicentinos fi-de-puta andam sempre à babuge, não há que admirar.

Antero26

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