Liberalismo?


Foi isto que me foi explicado recentemente, por causa de uma situação em que alguém abusivamente usou o NIB divulgado neste blogue para servir de apoio ao pagamento de alguns pareceres jurídicos.

As empresas passaram a comunicar aos bancos os dados para fazer débitos directos, podendo isso acontecer sem qualquer verificação fidedigna da identidade ou da relação entre a conta e a criatura que fornece o dito NIB.

Aqui, ao que parece, não há qualquer garantia constitucional a preocupar os nossos legisladores ou opinadores tipo-MST, sendo que se trata efectivamente de dados privados e não da relação fiscal com o Estado.

O seu NIB pode estar a pagar as contas de outra pessoa

… perceber que os sistemas que se elogiam têm padrões de exigência muito mais elevados.

Por cá, faz-se uma escolha muito oportunista do que se entendem ser as regras básicas de transparência de uma democracia liberal. Claro que seguindo as prédicas do guru Espada não se vai muito longe,, pois apenas se ganham tiques.

Por lá, até um trabalho se sopro debaixo da mesa deixa de ser assunto pessoal para se tornar objecto de luta política durante anos.

Por cá, andar quase uma década com inconsciência fiscal parece assunto menor, incluindo entre opinadores tão atentos a outras minudências políticas que recuam logo nestas matérias,, vá-selá saber porquê.

Exp14Mar15

Expresso, 14 de Março de 2015

Sugestão da A.C.:

Neoliberalism has brought out the worst in us

An economic system that rewards psychopathic personality traits has changed our ethics and our personalities.

Mas, depois, são estas criaturas que dizem que vivem no sector privado e que eles é que deveriam ser um exemplo, como empreendedores e coiso e tal.

A verdade é a mama do Estado é muito mais generosa para eles do que para quem recebe pouco mais de 4 euros de subsídio de almoço mas quem apesar disso, é apresentado à opinião pública como tendo imensos privilégios.

O almoço desta malta pagaria os subsídios de almoço de todo um agrupamento de escolas de dimensão média, professores e funcionários incluídos.

Pub31Ago14

Público, 31 de Agosto de 2014

Porque a “economia real”, privada, não gera emprego sem “encosto” e “subsídio” do Estado.

Exp30Ago14

Expresso, 30 de Agosto de 2014

… resultante da utilização bacoca dos dispositivos em causa. Quanto ao que eu faço em casa com o que é meu, lamento muito mas os “liberais” do desgoverno não deveriam ter nada a ver com isso.

O Governo aprovou esta quinta-feira as alterações à Lei da Cópia Privada, cuja proposta foi anunciada pelo executivo em janeiro do ano passado, que vem taxar todos os dispositivos eletrónicos que permitam gravações, como telemóveis, tablets, pens e discos rígidos.

Onde andam os carrapatosos, os mexias, os duques, os reis (pedros), assim como os espadas, os ramos, os raposos e outros liberais (pseudo) anti-estatistas de serviço quando precisamos deles para não repetirmos o engenheiro?

Gestão do BES, Banco de Portugal e Governo estudam apoio estatal

Há várias soluções que o Estado pode seguir para ajudar o BES a sair do impasse: emissão de uma garantia do Estado, transferência de activos tóxicos para a esfera pública ou uma recapitalização.

Why law school’s love affair with economics is terrible for the American legal system

Law schools are putting more and more emphasis on a cash-crazed free market ideology. Here’s what’s at stake.

(…)

In fact, the most repeated word in my first year law curriculum was not justice, or liberty or order.

It was efficiency.

 

Ao cuidado do nosso PM, que sabemos tão ocupado em salvar o país dos portugueses e de todos os que não pensam como os que o mandam pensar assim, que não tem tempo para ler muito e assim as coisas ficam resumidas.

É verdade que é em estrangeiro, embora não Inglês Técnico, mas com o Key for Schools o senhor Iavé pode fazer-lhe uma tradução rapidinha.

checks_and_balances

Eu destaco ali aquela parte no canto inferior esquerdo…

O equivalente ao Tribunal Constitucional interpreta a Lei feita pelo poder legislativo. Não é o Governo (nos EUA chefiado pelo presidente) que o faz.

Pode declarar inconstitucionais as leis do Congresso, cambada! É avisar os montenegros e aquele jovem magalhães, o do CDS, que o mais antigo era do PCP e depois passou a ser do PS.

O Governo EXECUTA a Lei, não se pronuncia sobre a sua bondade ou inconveniência, ouviu, meu caro PM de passagem?

Mas eu sei que os nossos liberais só gostam dos exemplos lá de fora de forma muito, muitíssimo selectiva. mesmo que seja da mãe de todas as democracias.

Dizem que leram muito Tocqueville, mas deve ter sido no equivalente aos velhos apontamentos dos livrinhos amarelos e pretos da Europa-América e mesmo assim com algumas páginas por descolar.

 

O que mais me fascina na questão da defesa da “Liberdade” em Educação é muitos dos seus promotores não a defenderem para mais nada do que os seus interesses particulares em abater a parcela da sua despesa com o colégio dos seus amores ou, no caso dos donos de alguns dos seus colégios, detestarem muito o papão-Estado a menos que lhes financie o negócio.

Lá por fora, por exemplo, nos states é notória a coincidência entre os pro-choice em Educação (e Economia) e os no-choice em tudo o mais. Por exemplo, o essencial do grande lobby friedmaniano a favor do cheque para escolher a escola da sua fé e credo é absolutamente contra o apoio do tipo cheque alimentar para os mais desfavorecidos da sociedade, porque diz que eles assim se habituam e ficam uns parasitas sociais.

Por cá, existe algo parecido.

Nem é preciso entrarmos em verborreias deste calibre, que voltam ao grau zero da teorização sobre o assunto, aquele grau que foge às demonstrações empíricas como os filhinhos fogem da escola pública onde há gente de outros formatos sociais e culturais.

Basta lembrarmos que a mesma gente que nega o subsídio de desemprego ou abono de família ou os reduzem gradualmente até à extinção, assim como crítica todo o tipo de suporte financeiro do género rendimento mínimo – a que poderíamos chamar legitimamente cheque-vida ou cheque sobrevivência – é quem defende que seja dado um cheque-ensino a quem dele só tem necessidade em muitos casos para alimentar as peneiras e pagar os uniformes da tété e do mitucho.

(sim, estou em modo acidamente sarcástico e nem sequer falei da pituxa e do bibocas, que é tão lindo nos seus carcolinhos…)

A verdade é que quem nega cerca de 300 euros para a sobrevivência de uma família com os pais e um filho ou pouco mais de 400 euros para uma família com pais e 3 filhos é em tantas situações quem quer esse valor para pagar o convívio social e heráldico das bibbás e do pilocas.

Ou seja, quase todo o CDS, uma parte significativa do PSD e outra eventualmente menor e menos explícita do PS e de alguma esquerda-caviar sem acesso às estruturas da amada Parque Escolar.

É mesmo muita gente e provoca uma enorme dose social de hipocrisia.

(parece que sou “esquerdista” porque coloco a alimentação à frente do colégio das imaculadas desconcertações… defendo a liberdade de viver com dignidade antes de escolher o tweed da bata obrigatória…)

Porque esta malta é pro-choice e a favor da “liberdade” e do “cheque” do Estado mas quando se aplica aos seus gostos e diletâncias, mas nega-a a quem precisa de tal para satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência.

Será que os defensores da liberdade em Educação não são rigorosamente os mesmos que obrigam a que:

O acesso à prestação RSI está dependente de o valor do património mobiliário e o valor dos bens móveis sujeitos a registo, do requerente e do seu agregado familiar, não serem, cada um deles, superior a 60 vezes o valor do indexante de apoios sociais. (€ 25.153,20).

Tens mais de 25.000 euros no banco ou em acções? Então paga os estudos dos teus filhos e não venhas cravar o pessoal! Liberalismo é não seres chupista, pá!

(e nem é bom falar quando a argumentação resvala para o argumento “étnico” do RSI… o que revela logo o quanto acreditam naquela coisa de Deus nos ter criado todos iguais e à sua imagem… )

Conselheiros de Cavaco que assinaram manifesto dos 70 foram exonerados

Vítor Martins e Sevinate Pinto subscreveram manifesto que apela à reestruturação da dívida portuguesa.

O liberalismo tem destas coisas. As pessoas devem ser livres para escolher, mas não para ser.

New Afghanistan law to silence victims of violence against women

Small change to criminal code has huge consequences in country where ‘honour’ killings and forced marriage are rife.
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A new Afghan law will allow men to attack their wives, children and sisters without fear of judicial punishment, undoing years of slow progress in tackling violence in a country blighted by so-called “honour” killings, forced marriage and vicious domestic abuse.
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Onde estão os apoiantes das guerra do Bush Jr, agora que dava jeito aparecerem?
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Utah is Ending Homelessness by Giving People Homes

Liberalismo do nosso cá de casa não é, certamente, embora esta seja uma medida de um político republicano.

Republican State Gives Free Houses to Moochers, Cuts Homelessness by 74 Percent

Pelo que, como sempre achei, a inteligência e a estupidez não se definem pela posição política, mas pelas políticas concretas.

Os nossos alegados liberais no Governo são um nojo em termos sociais, mas isso não implica que não existam liberais com bom senso e consciência. O azar é que a nós só calhou o refugo, os tipos das segundas e terceiras leituras.

Liberals

“Stop the Madness,” Interview with Rupert Cornwell, Toronto Globe and Mail (6 July 2002)

(mais informações e continuação da citação aqui)

… do tipo de dilema que enfrentamos em matéria de política educacional, com a descrição da narrativa da crise destinada a legitimar a desregulação e entrega de recursos públicos a interesses privados por parte de falsos salvadores de um sistema educativo que dizem em crise, apesar das evidências em contrário.

Diane Ravitch foi secretária de Estado na administração do pai Bush, pelo que dificilmente poderá ser considerada uma ferrenha esquerdista e estatista.

O que ela descreve é a desmontagem da tal narrativa, aquela que nos querem vender cá, de rosto descoberto ou encoberto, graças a umas visitinhas aos states dos muñozes&queirozes.

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Diane Ravitch, The Reign of Error, pp. 3-9.

… quando se aplica à Educação.

Vejamos… estava eu a ler mais abaixo um comentário que defendia a existência da PACC nos seguintes termos, mais coisa, menos coisa: é preciso um mecanismo regulador da diversidade de formação (leia-se classificação) dos licenciados pelasas diversas Universidades e Politécnicos pois há currículos diferentes e há instituições dão notas inflaccionadas e assim os seus alunos têm uma vantagem comparativa injusta, pelo que uma prova escrita de cultura geral com outra teórica de conhecimentos disciplinares trará justiça ao sistema.

Vamos lá a ver umas coisinhas, ó abelhinhas liberais:

Primeiros e mais importante: duas provas escritas não provam absolutamente quase nada sobre a qualidade efectiva de um professor em sala de aula ou no trabalho numa escola, em especial quando a prova comum não trata de nada especialmente útil para o quotidiano de um professor em exercício. Nem avaliou conhecimentos pedagógicos teóricos, nem sequer qualquer competência especial sobre o funcionamento de uma escola, legislação aplicável a cada situação em concreto (indisciplina, Educação Especial, organização curricular, entre outros exemplos possíveis). Recorrendo a uma bateria de testes para ocupar tempo das velhas Selecções do Reader’s Digest tinha-se conseguido uma coisa parecida. Quanto à prova específica, até tremo quando penso nas cliques e tertúlias académicas que terão deitado a mão à prova. Se forem aquelas que andaram a fazer as metas curriculares é melhor alguns colegas ficarem já alerta, porque aquilo são coisas de facção destinadas a lixar as facções adversárias. e não falo apenas do Português e da Matemática.

Segundos e também importante: há uma agência – aparentemente inútil – de certificação dos cursos que – dizem-me – só trata das questões burrocrático-administrativas dos cursos e nada das questões pedagógicas ou da qualidade do ensino praticado nas instituições e cursos certificados. Se é assim ou se reformula a missão da agência ou deve ser extinguida. Há ainda um modelo de avaliação do desempenho docente, que este MEC apenas retocou, que já avaliou os docentes em exercício nas escolas, atribuindo-lhes uma classificação que tem uma relação muito mais directa com a função prática de um professor. Se a ADD em vigor não presta – algo com que não discordo – acabe-se com ela, pois parece que o MEC não acredita na sua capacidade para distinguir os bons dos maus professores.

Terceiros e argumento mais directo ao coração liberal: têm andado para aí a dizer que a autonomia e a diferenciação dos projectos educativos das escolas básicas e secundárias, aliadas à liberdade de escolha pelas famílias e alunos, criará mecanismos de mercado na Educação que levarão a uma destruição criadora, com as piores escolas a desaparecer com naturalidade e a competição a fazer elevar a qualidade média do desempenho das restantes. Em especial a competição das escolas privadas levará as públicas a melhorarem ou a desaparecerem. Ora… a teoria aplicável ao ensino não-superior parece inaplicável ao ensino superior, pois mais de 20 anos de expansão do ensino privado na área da formação de professores terá levado à permanência de nichos de má qualidade e – de acordo com a postura do MEC e defensores da PACC para contratados com poucos anos de exercício docente – à diminuição da qualidade média dessa formação. Isto deixa-me baralhado… então a competição e a liberdade de escolher, junto com a autonomia na gestão das instituições superiores não deveria ter conduzido exactamente ao contrário? Ou a teoria aplica-se apenas quando calha e dá jeito? Decidam-se e respondam lá ao paradoxo que vocelências mesmas criaram…

… é o daquelas criaturas que dizem ou escrevem que têm direito a opinar sobre tudo porque pagam impostos e que eu não posso abrir a boca porque, sendo professor, é com esses impostos que me pagam.

Ora bem… eu também pago impostos e não apenas o IRS. Sendo funcionário público não há forma de escapar à tabela, para além de pagar tudo o resto, do IMI ao IVA, pelo que pago com os meus impostos muita coisa a quem, do sector privado, recorre a serviços públicos.

E o meu salário não é uma “despesa”, mas a remuneração pelo meu trabalho, que é um serviço público que eu ajudo a prestar. Se fosse assessor ou consultor de gabinete ministerial ou de secretário de Estado ainda poderia encarar a possibilidade de ser inútil. Não sou e presto contas quando os meus alunos fazem exame.

Para além de que estes liberais de galinheiro quando se trata de serem “empreendedores” querem logo pedir o apoio do Estado, o subsidiozinho, a linha de crédito bonificado, a encomenda do produto por um organismo do Estado. Nesse caso, já não são os meus impostos a pagar o incentivo aos seus negócios.

Não vale a pena negar… sabemos bem que não há muito teorizador liberal que tenha apoiado o governo que não ande a receber do AICEP ou a ganhar de uma colocação em administração de empresa com participação pública.

E é esta mesquinhez, esta forma de estar, que dão um certo enjoo, que nem nojo já provocam, tamanho o egoísmo e falta de respeito pelo trabalho alheio, que é encarado como um “encargo” e como se não fosse um cidadão que paga os seus impostos a tempo e horas, incluindo os da actividade privada, que no meu caso pessoal existe e existiu quase sempre desde que entrei no mercado de trabalho e pela qual faço pagamentos por conta e pago os devidos impostos adicionais.

Mas a pior estirpe desta gente é mesmo a que depois vive dos livrinhos que escreve a explicar como deveria ser tudo…

80% dos correios da Europa estão nas mãos do Estado

Apenas cinco países da Europa a 28 privatizaram os serviços postais e quase todos apostaram na dispersão em bolsa, como acontecerá em Portugal com os CTT.

Fundos do BES investem milhões em empresas ligadas à família Espírito Santo

.Nada como angariar fundos para financiar o empreendedorismo familiar. E como o banco fica mesmo ali ao lado…

Dirijo-me a si (…) para divulgar da forma que melhor lhe parece, o autêntico escândalo que algumas empresas de formação estão a utilizar para desviar os alunos das escolas públicas. No caso em apreço, Monção, onde existe um agrupamento, cuja escola secundária tem desde há muitos anos cursos profissionais e uma escola profissional tem agora a feroz concorrência de uma empresa de formação, que pasme-se, oferece além de inúmeras regalias, ainda a oferta da carta de condução. E parece que em outros concelhos, com outras instituições acontece algo semelhante. O que parece estar na moda é oferecer cartas de condução.
A juntar a tudo isto acrescente-se que [alguém com responsabilidades na Educação local] é sócia desta empresa.

Em anexo envio o prospecto que me colocaram na caixa do correio.

Anexo: Triade

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