Inéditos


Porque hoje é o primeiro dia mesmo a sério para mim. Feliz, ela, que só começa mesmo a acabar a semana…

Conheci a revista Tarja Preta numa feira de HQ alternativa em Lisboa, aí por princípios da década de 2000.

Havia bancas de venda de revistas de HQ e alguns brasileiros tinham vindo vender esse material, para mim ainda inédito. Conheci aí a revista Tarja Preta, penso que a primeira edição, ainda sem capa dura, mas já no formato que tem atualmente.

Gostei logo do formato do papel de jornal e do imenso número de páginas. Reparei que não era apenas uma fanzine, mas sim um projeto editorial alternativo, como o foi também a saudosa revista brasiliense Bongolê Bongoró, na linha dos Comix Underground norte americanos e ingleses, que pulularam na década de 1960 e 1970 e que mostraram ao mundo artistas ímpares como Robert Crumb, Gilbert Shelton ou Richard Corben, isto só para citar alguns.

Nessa feira de HQ alternativa também conheci a F. #001, uma revista em formato de álbum de vinil colorida, muito louca, que tinha como editores Alan Sieber, Leonardo e Arnaldo Branco, o criador do Capitão Presença. O mais alternativo que conhecia desde a década de 1980 do Brasil tinham sido as revistas Chiclete com Banana e a Animal, ambas paulistas, maravilhosas e das quais possuo as coleções.

A revista F. tinha, pela Gibiteca Editora, os diretores S.Lobo e Renato Lima e como diretor, pela Hy Brazil, o meu amigo Zé José, (Eduardo Sousa Lima) que conheci pessoalmente devido à sua revista Zé Pereira e, por isso, também conheci o Rio de Janeiro e o Matias Maxx. Numa noite chuvosa o Ze José me levou lá na sua Loja de produtos saudáveis, HQ alternativa e salão de exposições, o La Cucaracha. Estava no Rio também para levar à impressão a minha HQ em azulejos de fição ciêntífica “Aventuras de Jerílio no séc. 25” e mostrei a capa da revista em azulejos coloridos ao Matias – a prancha/painel… o cara adorou e fizemos aí uma espécie de acordo telepático para que eu participasse na Tarja Preta como colaborador (o que tinha sido o meu sonho de há algum tempo). Em Portugal, conheci outro colaborador da Tarja Preta, o Daniel Paiva, que se deslocou ao Alentejo (Zambujeira do Mar) para me conhecer e ver ao vivo a exposição dos meus trabalhos em azulejaria de fição científica, que estão patentes temporariamente num Bar de uns amigos, o ZZBar. Gostei muito de conhecer esse cara e também do documentário “Malditos Cartunistas”, o qual entreguei pessoalmente ao diretor do festival de Banda Desenhada da Amadora junto com o documentário “O Rio de Jano” do Eduardo souza Lima, para, quiçá, virem a participar nesse festival e noutros em Portugal e na Galiza, que certamente adorarão conhecer a produção de HQ, Cartun, Documentário e Animação brasileiros de primeira qualidade. (Isto é que é puxa-saquismo !)

Chegou agora a oportunidade, e fico feliz, de poder dar a minha colaboração a tão prestigiada revista que contará com colaboradores de renome brasileiros e penso que até o grande Laerte (de quem sou um grande admirador, não menosprezando todos os outros…) colaborará nesta grande revista que é a Tarja Preta.

Resta dizer que a minha ideia de fazer uma revista lusófona de HQ e cartun que fosse publicada no Brasil, em Angola e em Portugal continua a fervilhar; espero é que os artistas e editores destes países se mostrem interessados na sua criação, que cá estaremos para dar a maior força criativa nesse sentido.

Não nos peçam é dinheiro para este projeto, pois é coisa que desconheço a existência desde quase sempre… e acredito que os artistas brasileiros e portugueses também pouco têm visto do vil metal (infelizmente). Quem sabe se os nossos irmãos angolanos têm algum sobrando para realizar este projeto de real interesse cultural!

Grande Abraço.

Luís Cruz Guerreiro

Un éclair d’éternité (1)

(c) Francisco Goulão

Caros colegas e amigos,

Pela primeira vez desde 1975 o 25 de Abril não é comemorado na Assembleia da República, facto que está a deixar muita gente indignada. Apresento-vos um pequeno diaporama (com a duração de 2m40s)   de cariz conceptual, que pretende contribuir para uma reflexão sobre os tempos que correm.

Este trabalho faz parte do projeto “Palavras prenhas”, que inclui, entre outros, um diaporama selecionado para as “Curtas Sadinas”, a decorrer entre 6 e 8 de maio, e outro a exibir no Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, integrado numa exposição que ali vou   ter entre 28 de maio e 18 de setembro.

Se acharem merecedor, divulguem-no por quantas pessoas desejarem.

Abraços livres

António Galrinho

A suprema ironia das palavras.

Com alguns esclarecimentos do autor:

Terminei a tinta da china da história sobre o filósofo «Leonardo Coimbra», também do princípio da República, e comecei a colori-la digitalmente. Envio-lhe em anexo uma amostra do aspecto final do original. As cores aparecem aqui mais leves, pois quando da impressão na gráfica subirão alguns pontos.

(…)

Como achega de informação, uma parte da tiragem desta edição vai ser adquirida pelo Pelouro da Cultura de Felgueiras para colocar em todas as Bibliotecas e estabelecimentos de ensino do Concelho, pois Leonardo Coimbra é natural da «Lixa». A sua entrega está prevista para Junho ou Julho de 2011, aquando do lançamento da edição comercial da «Âncora Editora» distribuída em todo o País.

Talvez apropriado a alguma ministra, cogito eu profundamente de que…

Houve quem dissesse que no último desenho faltavam borboletas. Então encomendei um novo. Como a artista por encomenda trabalha sob inspiração, na 6ª feira fez o desenho inicial, que apenas foi colorido ontem.

Aqui fica, para os observadores dos lepidópteros, sendo que estes, no caso presente, são de uma verticalidade assinalável.

Confesso que a utilização das pontas de feltro não me seduz, mas ela é que sabe…


Está por aqui inteira em ficheiro pdf, mas eu prefiro ir apresentando aos pedaços. Há para o final umas perguntas parvas que é melhor nem saber quem terá proposto. Na minha modesta opinião, é um conjunto de questões que coloca a maior parte das questões que podemos considerar incómodas e nada cordatas.

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Preâmbulo: Reconhecendo as alterações importantes que este acordo permite no tocante à ADD e à estruturação de uma carreira única, as questões que se colocam são as que se prendem com aspectos considerados negativos.

MN: (Pós-preâmbulo) Primeira nota: as respostas não se limitam a reflectir a minha opinião, pois esta foi construída no quadro de reflexão desenvolvido pelo Secretariado Nacional da FENPROF. Segunda nota: a FENPROF é a maior e mais representativa organização sindical dos docentes portugueses, daí ter responsabilidades acrescidas que, em todos os momentos, sabe honrar. Penúltima nota: Preocupo-me… reparei que “Governo” foi escrito com maiúscula e “sindicato” com minúscula… interrogo-me: será que 35 anos de democracia não resolveram estigmas criados pelos 48 anteriores… subconsciente, claro… Última notinha: está grande, mas convém ler tudo até ao fim…

1. Basta colocar os sindicatos em maratona negocial para eles assinarem um entendimento?

MN: Não! Para que haja acordo, é necessário um consenso mínimo no que respeita ao conteúdo e que o conjunto se considere globalmente positivo. Partimos sempre para a negociação com os objectivos máximos devidamente fixados; definimos um patamar a partir do qual se considera que o peso do positivo supera o do negativo; nesse patamar estabelecemos níveis: os que são aceitáveis e já permitem acordo e os que nem por isso; quando se chega ao nível do acordo há ainda gradações: absoluto, global, de princípios. Não sendo absoluto, tem aspectos críticos que se devem manifestar. Ora, chegados ao patamar positivo, atingir, dentro deste, um nível desejável e, a seguir, “puxar” até onde for possível, leva o seu tempo… muito, por vezes (neste momento, difícil é perceber quando se atingiu o ponto em que a corda parte). Não perceber, pode levar a que se perca tudo e a história das negociações está cheia de exemplos em que se perderam possíveis ganhos que seriam importantes para muita gente que luta e que da luta espera resultados. Quando não se alcançam, muitas vezes há desistências porque surge o desânimo e deixa de se acreditar…

2. Quem necessitava mais do acordo os sindicatos ou o Governo?

MN: Os professores! Entre muitos outros:

– Os mais de 20.000 que se sujeitariam a uma prova de ingresso eliminatória;

– Os mais de 100.000 que estagnariam na carreira em escalão intermédio, ainda que avaliados com Bom ou classificação superior (destes, já havia cerca de 40.000 impossibilitados de progredir);

– Os mais de 30.000 que não puderam concorrer e os muitos milhares que procuram a estabilidade com o ingresso num quadro (todos estes teriam de esperar até 2013 se, nesse momento, ainda existisse concurso e a selecção não tivesse sido transferida para a discricionariedade das escolas);

– Os milhares que teriam de se aposentar sem aceder ao novo índice de topo, apesar de se encontrarem no 340 há 14 ou 15 anos…

Provavelmente este acordo dá jeito ao Governo, por isso foi até onde nunca pensou ir… Seguramente seria muito mais cómodo, para a FENPROF, não o assinar, mas então das duas uma: ou deixava cair um conjunto de ganhos, pois não teria legitimidade para exigir que o Governo mantivesse (e não manteria) cedências importantes; ou, se soubesse que outros assinariam, assumir uma posição oportunista e ficar de fora… sinceramente, penso que, em tudo, devemos ser honestos, até na política…

3. Um bom acordo para os sindicatos só teria de assegurar o fim da divisão da carreira e que os “bons” professores chegariam ao topo?

MN: Para a FENPROF, um acordo teria sempre de garantir, à cabeça, que os bons professores chegariam ao topo, o que obrigaria à efectiva eliminação da divisão da carreira. Sendo obrigatório, um acordo não poderia esgotar-se nesse aspecto. Deste acordo resultam ganhos importantes para os docentes. Não tão elevados quanto o seu mérito profissional justificaria, é certo, mas extremamente relevantes num contexto (que não é só nacional) de enorme complexidade nos planos político, social e económico. Eu diria que foram obtidos em verdadeiro contra-ciclo, o que os torna ainda mais importantes.

Mesmo em relação à ADD, não sendo este o modelo que a FENPROF defende, alguns dos aspectos que o tornam mais negativo são exteriores ao modelo. Por exemplo, as quotas ou a periodicidade apertada (anual em todos os sectores, excepto nos professores) resultam de um quadro legal superior (Lei da Assembleia da República) que não poderá ser mudada por Decreto-Lei; igualmente, o actual regime de gestão das escolas transforma o Conselho Pedagógico em “coutada” do director e esse é outro problema, não o facto de a avaliação se desenvolver naquele âmbito. São problemas acrescidos, que eu diria não serem menores quando comparados com a estrutura do modelo em si.

4. O acordo assinado constitui uma traição às expectativas dos professores mais empenhados na luta durante os últimos 4 anos? Concretamente os professores dos antigos 7º e 8º escalões?

MN: Os professores mais empenhados na luta são, por natureza, informados, esclarecidos e capazes não apenas de pensar, mas de reflectir… esses sabem que vivemos um momento de grande ataque a quem trabalha.

– Sabem – porque foram contra e lutaram – que existe um Código de Trabalho e um Regime de Vínculos, Carreiras e Remunerações, impostos pelo Governo, que destroem carreiras, transformam vínculos definitivos em contratos de trabalho, reduzem salários e eliminam direitos;

– Sabem que na Administração Pública (AP), em todos os sectores, excepto, agora, nos professores, as carreiras se organizam por categorias;

– Sabem que na AP, em todos os sectores, excepto, agora, nos professores, um trabalhador classificado com Bom (correspondente a “Adequado”) não atinge o topo da carreira (na melhor hipótese demoraria 50 anos, podendo chegar aos 200 anos) e que mesmo com “Relevante” (o nosso Muito Bom, sujeito a quotas) demorará entre 30 e 40 anos;

– Sabem que, ao contrário da restante AP, os professores logo que reúnam os requisitos para progredir, progredirão sem necessitar de autorização do director;

– Sabem que não deixámos que questionassem os nossos vínculos e que não passaram (quando tentaram) nem passarão a contrato de trabalho (só se nos distrairmos);

– Sabem que, enquanto em toda a AP, só um número reduzido de técnicos superiores (assessores principais) atingirá o correspondente ao seu índice 370, todos os professores o atingirão desde que avaliados com Bom;

– Sabem que na AP a avaliação é anual e o principal instrumento de avaliação é a “boa vontade do dirigente máximo do serviço” não havendo órgãos colectivos a intervir na avaliação;

– Sabem tudo isso aqueles que lutam conscientemente… e são a maioria.

Já em relação aos colegas que se encontram nos antigos 7.º e 8.º escalões o que sabemos?! Sabemos que, devido ao “ECD do ME”, que é o que vigora, 15.426 docentes do antigo 7.º e 9.305 do antigo 8.º (portanto, 24.731 no total) estavam impedidos de concorrer e que apenas os 5.731 do antigo 8.º, que eram titulares, tinham essa garantia (e mesmo estes agora chegarão ao índice 370, não em 18, mas em 12 anos). Se a este desbloqueamento se chamasse traição, o que teria feiro a FENPROF caso, irresponsavelmente, optasse (por interesses, decerto menos claros) por manter bloqueada a carreira destes professores?!

5. A data de 2013 não será curta de mais para garantir um fluxo normal na carreira? Para muitos professores antes dessa data não conseguirão superar os 5º e 7º escalões?

MN: Se chegar ao fim, 2013 é quando termina a actual Legislatura. Como tal, o Governo não assumiria um compromisso que fosse para além desse ano e pretendia, até, cingir-se ao ano 2010. Foi o mais que poderíamos ter chegado, por razões óbvias, mas conseguimos, ainda, que ficasse previsto que qualquer alteração só após negociação sindical. Recordo que o actual ECD durou 4 meses e o anterior 2 anos. Mas parece-me que há uma contradição na pergunta: se isto fosse realmente mau, 2013 mereceria ser criticado por excesso e não por defeito. É assim ou estarei enganado?

6. Será correcto que só ao fim de 12 anos de serviço um professor possa desempenhar cargos de responsabilidade na escola?

MN: Eu completaria: excepcionalmente, isso é possível ao fim de 8 anos. O problema aqui é o princípio: deverá ou não, para o desempenho de cargos de avaliação, gestão da formação e supervisão pedagógica existir um tempo mínimo de experiência? Ultrapassada esta questão, que é a principal, discutirmos se são 6, 8, 12 ou quaisquer outros é daquelas que não tem fim porque não há lógica que recomende critérios…

(Continua… são 30 perguntas…)

… quase a rebentar no Topo da Carreira. Eu sei que o exclusivo não é meu, mas não resisto a colocar, desde já, o título:

A PROPÓSITO DO ACORDO DA FENPROF COM O M.E., AS RESPOSTAS POSSÍVEIS, MESMO ÀS PERGUNTAS IMPOSSÍVEIS

O secretário de Estado da Educação Trocado da Mata não é uma ficção do Portal do Governo. Hoje foi visto no âmbito de uma digressão ministerial pelo All-Garve.

Ando a rebuscar os meus velhos cd’s, disquetes, etc, na tentativa de encontrar uma série de textos que fui produzindo e deixando de lado ao longo dos anos.

Entre várias coisas que já tinha perdido a esperança de encontrar está o trabalho que fiz com a Maria João Pinto (acho que passou aqui há dias num comentário) há dez anos com a minha Direcção de Turma. Foi no meu ano de profissionalização e serviu como experiência quase extrema de trabalho com uma turma a priori muito problemática em termos de aprendizagens pelos casos de NEE que integrava, mas que acabou por correr muito bem.

Curiosamente ou não, a partir desse ano (1999/2000) passei a trabalhar quase sempre com turmas deste tipo, formal ou informalmente de currículos alternativos ou adaptados ou etc.

Este texto (TurmaDT), que não corresponde propriamente a um artigo mas mais a um relatório, serviu de base para algumas apresentações públicas durante oa no de 2000, uma delas no Instituto Piaget em Almada e outra em Peniche, numa iniciativa da CERCI local se não estou em erro.

Já lá vai mais de uma dezena de anos que escrevi este estudo (QHOM2), de que nem sei se esta é a versão final, pois já dei cabo de 3 computadores e vários discos rígidos desde então. À época o objectivo era fazer parte de um volume de uma ambiciosa obra colectiva sobre a História do Quotidiano em Portugal que nunca chegou a ser publicada, mesmo se a editora em causa me pagou rigorosamente os artigos produzidos (num total de sete, de que nãoa cho rasto de alguns)

Sei que fiz uma revisão há coisa de uma mão-cheia de anos quando me deram a entender que talvez pudesse ser publicado como artigo numa revista de gender studies, mas como o tema da revista é principalmente feminino, nada se concretizou. Mais recentemente disponibilizei-o a uma jornalista que abordou o tema na revista dominical do Público.

Porque este blogue também era para isso aqui fica a introdução do artigo e o texto completo no link mais acima, onde estão disponíveis as referências bibliográficas que se notam restritas ao final da década de 90.

AS FACES DE ADÃO:

A Construção da Masculinidade Contemporânea em Portugal

O tema da masculinidade contemporânea, dos seus valores, das suas rotinas e dos seus atributos, tem vindo a estar afastado da investigação histórica e sociológica, permanecendo um quase exclusivo do domínio da Antropologia. Focando basicamente as comunidades humanas ditas “primitivas” e os seus rituais de iniciação e passagem à idade adulta, a antropologia anglo-saxónica produziu um amplo espectro de leituras que não teve, de forma alguma, equivalente comparável no campo da produção historiográfica. As razões para esta atitude radicaram na crença largamente espalhada, e longamente interiorizada como correcta, de que as definições e manifestações históricas da masculinidade constituem um dado adquirido, que tornaria redundante qualquer tipo de abordagem. A elaboração da História ao longo dos séculos seria uma longa descrição da construção/experiência da História no masculino que se pretendia passar como a história da Humanidade. A “voz dos homens” contra o “silêncio das mulheres” na História tem vindo a ser a teoria das enérgicas análises feministas que surgiriam em defesa da Mulher, enquanto sujeito invisível de um passado reconstituído de forma parcial e quase exclusivamente masculina. Assim, ao defender-se o direito à diferença para a vivência feminina da História, o Homem passou a ser definido pela negativa, como contraponto, esboçando-se a traço grosso os atributos dessa masculinidade repressora.

Os anos 70, em especial nos países anglo-saxónicos, experimentaram o nascimento e proliferação dos chamados Feminist Studies que, com a sua crescente aceitação académica procuraram apresentar-se de forma menos activista, se transmutaram gradualmente em Women’s Studies ou Gender Studies, e se foram divulgando pelas principais historiografias europeias. As últimas décadas permitiram a consolidação deste campo de investigação nas ciências sociais e humanas, a nível europeu e mundial, recuperando para a existência histórica e para a “visibilidade”, aquela grande minoria que é a população feminina. Desta forma, se procurou combater a injustiça que durante décadas ou mesmo séculos sacrificou o papel da Mulher na Sociedade e na História, apresentada como sujeito menor, discriminado na vivência quotidiana e no tratamento que sobre ele os investigadores sociais e historiadores dedicaram, reduzindo-a a estereótipos.

O avanço da investigação sobre a experiência histórica feminina (e já não tanto feminista), justificou, há já uma década, os primeiros esforços de história global (Anderson e Zinsser 1990 e Duby e Perrot 1992), e tem vindo a ocupar um número crescente de trabalhos e investigadores, em acelerado esforço de reabilitação de uma injustiça secular. Verificamos, contudo, que até há bem pouco, isso acarretou uma consequência negativa simétrica da anteriormente criticada. Ou seja, o sujeito dominador, opressor e responsável pela discriminação – o Homem -, passou ele próprio a ser objecto do tratamento que antes dispensava ao universo feminino: agora é ele que, em muitos estudos sobre a Mulher, surge definido pelo esboço, pela redução caricatural e arquetípica.

Recuperaram-se parcialmente, com diversos graus de aprofundamento e sistematização, as experiências femininas do acesso à educação, dos rituais envolvendo a sua juventude, de entrada no mercado de trabalho, da vida familiar e conjugal, da maternidade, do ciclo de vida biológico feminino, etc, etc; foi dado especial destaque à sua intervenção cívica e política e à sua participação em movimentos de carácter sindical e de contestação social, enquanto menor relevância mereciam outros temas como as expectativas sociais perante o nascimento de elementos do sexo feminino, o envelhecimento ou mesmo a preparação para a morte (áreas mais circunscritas ao domínio da Antropologia Social). Em falta ficaram os estudos simétricos para o caso masculino. Os exemplos em contrário constituem aquelas excepções que, pelo seu isolamento, acentuam ainda mais o seu desenquadramento das tendências dominantes do momento. É o caso de trabalhos percursores como algumas tentativas de história da  paternidade  em  França (Delumeau e Roche 1990) e nos E.U.A (Griswold 1993), resposta a esforço com uma década de avanço para a maternidade (Knibiehler e Fouquet 1980).

No entanto, a partir de meados dos anos 80, com um claro reforço na última década do século XX, começou a surgir uma vaga, com epicentro essencialmente nos E.U.A., de estudos sobre os fundamentos da masculinidade tradicional que, finalmente, pareceu começar a ser posta em causa, quer na sequência das críticas exteriores como de uma reformulação interna dos valores masculinos (vejam-se, entre outros, Cornell 1995, Horrocks 1994, McInnes 1998, Messner 1997 ou Segal 1990). Resultado de mutações visíveis em diversos campos da cultura, mais ou menos popular, como o cinema, as séries televisiva, a publicidade, em que a representação do Homem começa a adquirir contornos e atributos diversos dos tradicionalmente associados à masculinidade, de onde ressalta uma fragilização da sua imagem e, em simultâneo, uma sua abertura a valores e rotinas a que anteriormente se mostrava avesso e empurrava para o domínio exclusivo da Mulher. Ao ponto de alguém perguntar o que quererão os homens, na abertura de um pequeno estudo-guia em torno das leituras possíveis sobre a “crise de identidade masculina”  nos nossos dias (Shweder 1994).

As questões que se pretendem levantar nestas páginas são, em suma, as que se relacionam com o significado, no concreto, do “ser-se homem” (macho dominador, insensível, defensor acérrimo dos seus privilégios e ser intrinsecamente não igualitário, na visão mais radical do feminismo contemporâneo) no século XIX, na sociedade ocidental. Que atributos definiam a masculinidade?  As meras, embora estruturais, questões de ordem biológica, ou algo mais?  Que sinais exteriores definiam o modelo masculino dominante e como evoluíram até ao início do século XX?  Que espaços se podiam considerar característica e exclusivamente masculinos?  Quais os seus rituais específicos, como se entrava para o universo masculino adulto?  Quais as suas diversões, os seus hábitos de leitura? Como se deveria processar o seu relacionamento com o sexo oposto? Quais os valores que conscientemente assumiam em oposição, contraposição ou sobreposição aos do universo feminino? Que ameaças sentiram à sua identidade?

Curiosamente, apesar das aparências, tudo isto continua por responder.

b7sapres1

“BRANCA E OS 7 SURDOS ”
 
A história animada/desenhada inteiramente em Língua Gestual Portuguesa(LGP) para crianças SURDAS, criada,escrita,ilustrada,desenhada e realizada pelo Prof. FRANCISCO GOULÃO (Surdo/Deaf) – Portugal.
 
Visitar/Clique aqui:
 
http://branca7surdos.weebly.com

O-Deserto-da-Educacao-020-2009

(c) Luís Cruz Guerreiro e Paulo Guinote

Xotores, aqui está desejada  pré-publicação do 5.º Capítulo do romance pirata-salseiro Lai da “Maria Campos”, com o título “Façam o Favor de Ser Felizes!”, para ler nas entrelinhas e travar algumas amarguras e arrepios de quem anda a ler essa tal de novela “A ministra”.

Aproveito para dedicar este capítulo ao nosso Grande Raul Solnado, numa singela e atrasada homenagem a esse Xor Actor, que, ele é que sim, desejava que toda a gente fizesse favor de ser feliz…

Pré Publicação

Façam o Favor de Ser Felizes!

(Romance Lai)

Quinto Capítulo

Amanhecia em tons róseos. Eram agora visíveis os resultados da tempestade perfeita da noite.

O oceano impusera a sua salgada e absoluta maioria, destruindo a vida outrora alegre que preenchia os rochedos. As suas ondas arrogantes e sujas nada mais haviam deixado do que uma escura orla de detritos deprimentes, trazidos do alto mar. Era uma autêntica colecção de lixos dos cargueiros internacionais.

Na praia, penosamente, uma gaivota arrastava, com esperança ingénua, um naco de peixe descarnado e podre – nojenta e vã promessa de melhor sustento — lembrando um docente a quem acenaram com um dúbio concurso de professor titular.

No céu agora limpo, alguns farrapos de nuvens, simulando humildade, aguardavam por melhor ocasião para voltar a reunir-se e ameaçar a Terra. Maria Prado reparou, feliz, que essas nuvens estavam talvez seguras de que juntas conseguiriam avançar. Avançar com os seus futuros projectos de alagar e afogar, em enxurrada tirânica, tudo o que havia ousado sobreviver.

A brisa suave da madrugada provocou um calafrio a Maria, que tentou organizar as suas memórias algo confusas da véspera. Embrulhou-se melhor no pano que arranjara para cobrir a nudez do seu corpo escultural e cinquentenário: a toalha que cobria uma das mesas do consultório do Professor Xicatinga, uma capulana de alegre colorido.

Lembrava-se agora, como que saindo de um nevoeiro confuso, do momento em que o Professor, essa monumental figura afro-descendente, a convidara a aceder à sala que usava como consultório. Era um ambiente envolvente e de penumbra, povoado por aromas almiscarados e agri-doces que, de imediato, provocaram a aceleração das sempre prontas palpitações de Maria.

Xicatinga convidou-a a sentar-se a uma mesa redonda de camilha, presidida por uma enorme bola de cristal e por velas fumegantes. O magnífico Professor preparava-se para consultar o redondo cristal, quando Maria Prado lhe implorou, com veemência:

— Não, Professor. Prefiro que me lance os Búzios. Os tais Búzios Tecnológicos…

O vidente acedeu, sorrindo com todos os alvos dentes e providenciou uma cesta repleta de búzios em tons castanhos, raiados e brilhantes. Depois de misteriosas rezas, lançou-os sobre a mesa e sobrevoou-os com a sua mão descomunal e coberta de anéis de ouro. Ia a começar a falar quando Maria, num impulso de curiosidade, lhe agarrou a mão e o interrompeu:

— Professor, desculpe! Mas diga-me apenas: o que faz estes búzios serem “Tecnológicos”, como dizia o seu anúncio?…

Xicatinga, de início surpreendido e algo ofendido, abriu de novo o seu amplo sorriso e, muito calmamente explicou:

— Ora… são “tecnológicos” porque são… búzios de plástico.

Ainda mal Maria tivera tempo de assimilar a resposta, quando o ilustre negro acrescentou:

— … de plástico… reciclado!

De imediato prosseguiu o seu labor divinatório, centrando-se nos búzios espalhados sobre a mesa.

–Vejo, vejo… uma figura masculina a surgir na sua vida! – Começou.

— Uma fig.. um homem… diga-me: esse homem tem barba?! – interrompeu Maria, mais uma vez, os olhos brilhando.

O professor, circunspecto, ergueu uma sobrancelha e respondeu, secamente:

— Poderá ter barba, como qualquer homem, mas neste esse não é o seu principal atributo!

— De certeza, Professor? É que eu…

— Os búzios tecnológicos não mentem, Dona Maria! – enfadou-se o mago. — Este homem está mais perto de si do que pode pensar!

Maria teve o princípio de uma revelação estranha. Os fumos das velas e das misturas perfumadas começavam a surtir efeito nos seus sentidos, de forma cada vez mais concentrada.

Antes que ela tivesse tempo de interpretar as palavras daquele Apolo africano, Maria viu a sua mão envolvida pelos dedos fortes e anelados de Xicatinga. Antes que ela pudesse reagir, o feiticeiro gigante arrancava a sua própria túnica, apresentando à nossa lasciva heroína o seu tronco divinamente esculpido, qual estátua de ébano brilhante. Antes que Maria pudesse sair do seu torpor, já Xicatinga lançava as suas descomunais manápulas através da mesa, agarrando-a pelos ombros e chegando-a a si, por sobre a mesa (derrubando búzios e apagando velas e quase pondo em perigo a bola de cristal).

O que aconteceu daí para a frente confundia-se agora na memória de Maria, tendo apenas presente que mergulhara numa espiral escura e intensa de sensualidade exótica.

(Xotores: como já foi dito aqui, o romance original da Maria Campos é Lai em todo o estilo, fazendo, em várias páginas, descrições desavergonhadas e quase pornográficas das partes mais picantes, como compete a um romance moderno que quer vender bem e agradar a moças, moços e senhoras de “mioleira” axibangada e ultra-romântica. Os Xotores revisores da Primária e eu próprio, defendendo o bom senso e os bons costumes, optámos assim por eliminar desta versão final toda essa “piratice lasciviada”, atendendo a um blogue que é dos 7 aos 77 anos. Para mais que o que a Maria Prado faz na sua intimidade não nos interessa sobremaneira!)

Enquanto Maria Xicatinga, sua nova conquista, se entregavam aos seus jogos florais dos sentidos, Leonardo Gualter andava numa roda-viva, entre as suas duas fontes de rendimento.

Na lavandaria “Bolhas de Sabão”, tentava acalmar os funcionários, que julgavam ameaçados os postos de trabalho. Na verdade, Gualter admitira recentemente uns estagiários para agradar a amigos e agora, para além de agrafarem etiquetas às encomendas, pouco restava para dar que fazer a estes novos empregados. Leonardo teve então de lhes prometer cargos dirigentes na Padaria, para onde seriam transferidos assim que aí desenvolvesse um procedimento concursal para chefes de Padaria. Os rapazes pareceram ficar mais satisfeitos, mas só depois de o nosso empresário lhes jurar com solenidade que não teriam muitos afazeres e que teriam subchefes para os orientar nessas lideranças para os quais não se sentiam tecnicamente preparados.

Na “Padaria Jeitosa”, por seu lado, continuava com os contestatários do costume, para mais que estava agora a tentar implementar uma nova modalidade de fabrico: a confecção de refeições “Take Away” na panificadora, para aproveitar ao máximo toda aquela força braçal e o calor dos fornos. Os padeiros protestavam: como poderiam de um momento para o outro fazer esse tipo de trabalho?

Com prontidão, Arlindo Paterno, que andava por ali, como costume, nos seus eternos tempos de lazer, veio em seu auxílio com a sua voz esganiçada e os seus perdigotos:

— Vamos a ver: um padeiro, no fundo, é um Cozinheiro. Por isso deve estar preparado para cozinhar qualquer tipo de coisa!

Leonardo aplaudiu a afirmação com gosto. Aquela frase, dita por um cliente, –e, lembremos, ele próprio insistia em classificar os clientes como os verdadeiros “donos da padaria”— dava-lhe uma inesperada legitimidade para aplicar todos os seus novos regulamentos, pese embora não ter a mínima ideia do que os OUTROS clientes pensavam sobre o assunto.

Encaminhou de pronto Arlindo Paterno ao seu gabinete, fechou a porta atrás de si e foi procurar o seu livro de cheques na escrivaninha.

– Quanto quer receber por mês para eu contar com o seu excelente apoio, Sr. Paterno?

Não esperando pela resposta nem pelos perdigotos do espantado Arlindo, Gualter preencheu e entregou de imediato um gordo primeiro cheque ao felizardo pai de onze filhos.

Na praia, Maria contemplava a madrugada, sonhadora. Deixara Xicatinga a roncar poderosamente e arrancara uma das capulanas que servia de toalha às mesas, para se cobrir. Saíra de manso para o areal e agora os seus pensamentos voavam pela recordação dos longos minutos das últimas horas passadas.

De súbito, porém, uma sombra escura interrompeu, literalmente, as suas gratas divagações. Primeiro ao fundo da praia, depois mais perto, horripilantemente mais perto! Uma velhota, vestida de negro, com Xaile também preto e desbotado, apanhava bocados de madeira de entre os detritos, talvez em busca de lenha para a lareira.

Ao passar por Maria, que já se sentia agoniada, a velha lançou um olhar pálido e azul à nossa consultora, numa simplicidade melancólica que fez com que Maria sentisse um arrepio a perpassar pela espinha. Maria viu naquela velha mulher, algo que há muito julgara ter conseguido esquecer: aquela velha lembrava-lhe a sua avó, na distante aldeia serrana da sua infância! Também ela a colher ramos secos para lenha, debruçando-se devagar e pacientemente sobre os seus achados.

Maria desejou ter ali um leque para se refrescar, ansiou fugir de imediato para longe daquelas memórias, estas penosas. Sentia agora nas sensíveis narinas o cheiro a vacas, o cheiro a lenha ardida na casa de pedra, o odor intenso a velhice e a trabalho no campo da sua avó. Viu passar, aterrada, diante dos seus olhos actualmente maquilhados, a sua própria imagem, de bibe e descalça, a ajudar a avó nos campos e lida da casa. A acarretar lenha, baldes de forragem, jarros de água limpa…

A velha da praia pareceu sorrir-lhe e então Maria não aguentou mais: soltou um olhar de fúria à frágil mulher, como que lançando letal dardo, dominou um entrecortado gritinho de asco, deu meia volta, agarrada à sua manta colorida e marchou para a casa de Xicatinga.

Velhas como aquelas tinham de morrer! Aldeias como aquelas tinham de ser arrasadas, escolas encerradas, agriculturas suspensas, casas modernamente reconstruídas e vacas, galinhas e outros habitantes recambiados para populosos centros urbanos, centros escolares, centros de re-educação, aviários e matadouros, sei lá! qualquer coisa que  lhe fizesse esquecer essa simplória e humilhante vida passada que ela tão meticulosamente julgara ter já enterrado!

Não foi sem espanto que um ainda estremunhado Xicatinga a viu partir quase sem um adeus, recusando rudemente o seu convite a partilhar com ele um pequeno-almoço afro-descendente de croissants com geleia de manga, canela e piri-piri.

Mal chegou a casa, Maria deparou com a carrinha de uma loja de móveis à sua porta. Ela quase havia esquecido: traziam o biombo que Leonardo Gualter a convencera a comprar. Ele queria que Maria tivesse optado por um opaco, estilo Regência (“Para te esconderes de vez em quando e acicatares o mistério, Maria!”, sugerira ele), mas ela, do alto da sua sensualidade feminil, optara por um semi-transparente, em acrílico decorado, para nunca privar os seus masculinos admiradores da sua ousada silhueta. Agora, já lhe apetecia recambiá-lo, de tão irritada que se sentia, mas estava pago e lá foi abrindo a porta e indicando aos transportadores impacientes o caminho para o lugar escolhido, um dos recantos do seu multi-decorado quarto.

Depois de enxotar os carregadores com uma parca gorjeta e uma resmungadela, fechando atrás de si a porta de casa, Maria preparou-se para tomar um chá de cidreira, engolir uns comprimidos e ir deitar-se com uma enervante dor de cabeça.

Porém, mal se dirigia à cozinha, escutou o toque da campainha, longo e perfurante de tímpanos.

Quem seria? Gualter tinha ordens expressas para não a incomodar nos dias próximos… Lembrou-se que talvez fosse a nova empregada doméstica que requisitara à Agência. Que maçada! Logo agora! Não esperava resposta pronta tão cedo. Com um nervoso miudinho a percorrer-lhe o corpo e o tailleur, voltou à porta de entrada e abriu-a com vigor.

Olhou em frente. Não via ninguém. Fechou-a, cada vez mais furibunda. A campainha voltou a tocar com persistência e ouviu também um forte rufar de dedos na porta.

– Então?! Já vou! Mas que…

Abriu a porta de novo, pareceu-lhe não estar ninguém, ia fechá-la de vez quando uma voz roufenha e de “poucos amigos” irrompeu:

– Atão não me atendes, estúpida cabra?

Baixou os olhos e deu então com um rapazito enfezado e ranhoso, com cabelo espetado e mal cortado,de dedo a esgadanhar o interior do nariz e uma estranha capa negra e melada. O miúdo retomou, antes que Maria pudesse recuperar da surpresa:

— Coméqué, velha estúpida?! Deixas-me entrar ou não?

— Quem és tu, rapazinho? Como te atreves a…

— Tchhhh! Pouca letra, sopeira! Posso dar uma volta pela “Xungaria” do teu jardim ou não, energúmena? A “porra” da bola caiu para aqui, acho eu…

-Olha aqui, miúdo…! – Tentou Maria, indignada.

-. Olháqui nada, sua anormal ! Eu chamo-me Dark! DarK “S” !

– Pois, seu menino malcriado, fique sabendo…

O garoto deu pulos de fúria:

– Dark “S”, sua anormal! Dark “ÉSSE”, sua burra feiosa com falta de “gaijo” desde o tempo do escudo!!!! Dark “S” é o inimigo mortal do Homem-Aranha, sua vaca ignorante !

Numa janela defronte, uma cabeça de mulher envergonhada assomou a uma janela:

– Tu já andas a incomodar os vizinhos, Armando?! Deixa essa senhora em paz! Desculpe, minha senhora, mudámo-nos hoje para este bairro e ele já anda a causar mais sarilhos! Temos de andar itinerantes devido às suas tropelias! Vem já para dentro, Armando Maria!

Maria Prado olhou então o garoto de frente, recuperando o sangue frio.Com olhar cínico e biselado, um sorriso melífluo, comentou:

– Hmmm… também és Maria? Armando Maria, não é, miúdo?

O rapaz saltitou mais uma vez, sacudindo a capa de super-antiherói, cada vez mais corado:

Dark “S”, sua gorda velha!!! DARK SSS!!!

“Trás!”. Antes que ele tivesse mais tempo de dar largas à sua fúria, o estalo aplicado por Maria no  pequeno rosto ranhoso fez-se escutar em todo o bairro, ecoando largamente no silêncio daquele dormente final de manhã.

© Controleiro da Xibanguice

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(c) Francisco Goulão

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