Implosão


A selecção de novos delegados regionais de educação está envolta em irregularidades. Depois de não ter sido publicitada como determina a lei, o i descobriu que um dos candidatos mora com o presidente do júri, José Alberto Moreira Duarte – que é também Director-Geral dos Estabelecimentos Escolares. Confrontado com esta informação, o ministério tutelado por Nuno Crato defendeu não existir “necessidade de ser reiniciado [o procedimento]” e assegurou que o candidato que partilha casa com o director-geral desistiu entretanto da sua candidatura.

Em declarações ao i, fonte oficial justificou a coincidência afirmando que o “presidente do júri não tem nem reside em Lisboa em casa própria” e que por isso “partilha alojamento enquanto deslocado da sua residência por força do exercício da sua função em Lisboa”.

De acordo com o Ministério da Educação, mesmo que o candidato Eduardo Fernandes não decidisse desistir após o contacto do i – na passada quinta-feira – não haveria impedimentos: “Não há qualquer ligação familiar ou que motive pedido de escusa entre o Sr. Director-Geral de Estabelecimentos Escolares enquanto presidente do júri colegial e qualquer candidato no processo concursal.”

Numa altura em que já era público o mal estar entre Nuno Crato e o secretário de Estado João Casanova de Almeida, devido à polémica da contratação de professores, acaba por sair o mais improvável elemento da equipa do Ministério da Educação. João Grancho, secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, pediu ontem a demissão invocando “motivos pessoais”. Ou seja: a acusação de ter plagiado vários académicos, numa apresentação sobre a “dimensão moral” dos professores, que fez em 2007.

Eis dois excertos de testemunhos a partir dos laboratórios de insanidade em que se tornaram as escolas, cortesia de um@ DGAE que continua a insistir no desvario:

(…)

A acrescer a esta barafunda, tenho horários inferiores a 8 horas que estão desde o dia 15 de setembro a aguardar colocação ou orientações sobre o que fazer. Estão dados como válidos pela DGEstE mas não foram processados pela DGAE nas três Reservas de Recrutamento nem podem ser (por enquanto) enviados para Contratação de Escola. O curioso é que nem sequer foram submetidos à RR, sendo que num dos grupos de recrutamento já nem há docentes do quadro por colocar.
Porquê este atraso? Pois não sei e na DGEstE, que os validam, também não sabem dar resposta pois a DGAE não os informa de nada. E às escolas a informação é a mesma.
***
(…)
A última da DGAE é andar a contactar os diretores das escolas que fizeram tudo direitinho (sim, aqueles que obedeceram às ordens e colocaram na BCE ofertas para todos os grupos de recrutamento que exisitam na escola) e intimá-los a colocar também ofertas para os restantes grupos de recrutamento, mesmo sabendo que será impossível abrir vagas para esses grupos… No nosso caso, tivemos que abrir potenciais “vagas” para Latim/Grego ou Ciências Agropecuárias… Perante a incredulidade do Diretor e de toda a Direção, que se estava a aperceber do conteúdo da conversa, a senhora, do outro lado insistia, que sim, que o Diretor tinha de obedecer à ordem de criar ofertas para esses grupos porque… (risota!) podia haver um aluno a pedir transferência para a nossa escola que precisasse de um professor daqueles grupos de recrutamento!

Esta gente não sabe que as turmas são homologadas superiormente, que as escolas já sabem os cursos/disciplinas que vão ter até ao final do ano e que se um aluno se pretende transferir para uma determinada escola que não tem, por exemplo, uma determinada disciplina a solução é escolher outra escola ou outra disciplina…

A gente precisa é de professores nas escolas e não de mais confusão e sobrecarga na já de si inoperante plataforma da DGAE. E os colegas que, mesmo assim, concorrem a muitas ofertas virtuais (que podem ou não concretizar-se ao longo do ano letivo), não precisam de mais “tralha” na plataforma.

 

Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido

O ministério está bem implodido e nós mal pagos.

Luísa Oliveira sai da Câmara para a Direção Geral da Administração Escolar

O que me mete impressão é isto, em tão pouco tempo:

Foi por concurso público que, entre 18 candidatos, Luísa Oliveira entrou para Diretora-Geral da Administração Escolar.

Há outras coisas, mas é esperar e ver para crer. Ou não.

Pelo que me dizem, agora foi a plataforma para as equipas da Educação para a Saúde carregarem os seus projectos que andou a crashar durante a manhã.

Estou farto de dizer que as bobines chinesas são fraquinhas…

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