Hipocrisias


Haveria mais umas coisas a acrescentar, mas fiquemo-nos assim:

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
Gabinete do Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar
Louvor n.º 119/2013
Através do Despacho n.° 135/2012, publicado no Diário da República, 2.a série, n.° 5 de 6 de janeiro de 2012, foi criado um grupo de trabalho com a missão de efetuar, a título gratuito, os estudos necessários para o apuramento do custo real dos alunos do ensino público por ano de escolaridade, tendo em vista a alteração do modelo de financiamento público aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo em regime de contrato de associação.
Para a constituição do grupo de trabalho foram designadas as seguintes individualidades: o Licenciado Pedro Manuel Cruz Roseta, que presidiu, o Doutor Alfredo Duarte Egídio dos Reis, a Doutora Cláudia Sofia Sarrico Ferreira da Silva e o Licenciado Luís Manuel Flores de Carvalho.
Colaboraram com o grupo os Licenciados Joaquim Santos, da Direção -Geral de Estatísticas da Educação e Ciência e João Matos, da Direção -Geral do Planeamento e Gestão Financeira, ambos do MEC e o Licenciado Miguel Seixas.
Cabe -me enaltecer e reconhecer o ilustre trabalho efetuado, louvando publicamente todos quantos nele participaram, pela seriedade, prontidão, espírito de missão, rigor e qualidade com que desempenharam a tarefa que lhes foi atribuída.
21 de janeiro de 2013. — O Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida.

Tenho evitado falar da aposentação precoce da fotogénica presidente da Câmara do município em que resido (sim, deve ser dos poucos boletins municipais em que vale a pena ter 32 fotos d@ edil) , aos 47 ou 48 anos (as fontes divergem), com perto de 2000 euros.

A razão porque evitei não passa pela fotogenia mas por causa da total hipocrisia do PCP nesta matéria, que remete o seu desacordo sobre este tipo de situações para uma posição tomada em 2005.

Ora… que eu me lembre… o presidente da câmara da Moita (concelho onde residi 33 anos e exerço a docência), ex-professor, pediu a sua aposentação aos 49 anos, antes das eleições de 2009, nos mesmos termos, vendo-a concedida milagrosamente no mês a seguir à sua reeleição (e em montante bem acima desta de Ana Teresa Vicente), sem que isso fosse conhecido na campanha eleitoral, e o PCP nem abriu pio, aliás porque o próprio presidente da Assembleia Municipal, também professor, fez exactamente a mesma coisa, só que com mais uns aninhos de vida e serviço.

Aliás, bastará falar nisto e o mafarrico vargas – outro aposentado precoce – aparecerá por aí a ofender-me abundantemente, não negando os factos mas usando do argumento burguês de “era legal e os outros também fizeram”, que é a justificação que eu ouço sempre que falo nisto com camaradas.

Vamos ser sinceros… anda tudo a tentar desenrascar-se no meio do desvario e, neste particular, as danças de cadeiras começam a ter os seus limites e obrigam a que, bem cedo, a velhice se acautele.

E eu acho bem, até poderei invejar. O que custa a aceitar é que se armem em reservas morais e éticas da sociedade. E tal como aqui os defendi das acusações parvas de despedimentos há coisa de uma semana, agora não tenho problemas em dizer que estas práticas só demonstram que o interesse individual se sobrepõe, sem rebuço, às proclamações do colectivo.

Forma e conteúdo ao nível do Ensino Básico, hesitando se atribua a um aluno do 9º ano. Já lhe assinalaram as falhas na sintaxe, mas o neo-realismo português suave do conteúdo é que me faz questionar se o pensamento e o imaginário ainda não estarão presos algures…

A menos que isto tenha sido escrito por um assessor e, nesse caso, por amor de qualquer santa, despeçam-no já.

Amigos,

Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente.

Já aqui estivemos antes. Já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos, já demos aos nossos filhos presentes menores porque não tínhamos como dar outros. Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.

A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.

A Laura e eu desejamos a todos umas Festas Felizes.

Um abraço,
Pedro.

AnitaCoelho

Mas é preciso deitar dinheiro!

Passos lamenta-se no Facebook

O primeiro-ministro escreveu no Facebook que “muitas famílias portuguesas não tiverem o Natal que mereciam”, sublinhando que os sacrifícios são por um “futuro melhor.”

O Passos é o escárnio da consciência!

Se o Passos é português eu quero ser espanhol!

O Passos é a vergonha da intelectualidade portuguesa!

O Passos é a meta da decadência mental!

E ainda há quem não core quando diz admirar o Passos!

E ainda há quem lhe estenda a mão!

E quem lhe lave a roupa!

E quem tenha dó do Passos!

No Público de hoje temos uma longa prosa de Maria de Lurdes Rodrigues (também disponível online) que até faria sentido, caso não tivesse sido ela a abrir todas as portas que o actual Governo está a escancarar.

Não vale a pena disfarçar, foi durante o seu mandato como ministra da Educação que se criaram as condições objectivas para a maior parte do se está a passar agora, em especial na sanha incompreensível com que ofendeu toda uma classe devido a remoques com as coisas sindicais. Podemos dizer que os actuais governantes são mais ousados e escassos em pudor e no assalto feito ás escolas públicas mas… cara presidente da FLAD, a culpa original é sua, em virtude do prolongado esforço de demolição dos alicerces do edifício, e não adianta agora clamar que há fogo no buraco.

Ministro admite mais saídas de professores

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu, esta sexta-feira, que nos próximos anos deverá haver necessidade de menos professores, face à redução da taxa de natalidade.
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O argumento da natalidade é uma treta que serve de chapéu de chuva para ocultar muita outra coisa. Há evidente desonestidade intelectual nesta fundamentação que não explica outras medidas. E não há ramirílios que consigam esconder o que é óbvio, a continuação de uma atitude de desafeição e ostensiva degradação das condições laborais dos docentes.
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Aquela entrevista ao Sol sempre quis dizer o que lá estava, bem como os anúncios mais recentes sobre os ensinos duais, vocacionais e profissionais se relacionam com medidas destinadas a limpar mais uns 10-15% daqueles que fazem parte da profissão mai’linda e de que se afirmava contar com todos.

E não há que enganar. Agora o objectivo é empurrar o máximo de gente para a aposentação ou infernizar-lhes a vida, obrigando-os a andar de escola em escola, ou de centro de emprego em politécnico para se conseguirem horários completos.

O pior está para chegar, com políticas ainda mais activas e ostensivas para desvincular professores dos quadros do MEC, em especial os mais caros.

Vincular só se for em regime de total mobilidade e encravados para sempre no escalão de ingresso na profissão. Mão de obra a preço de saldo, com a permanente ameaça de existir um exército de desempregados à espera de um lugarzinho.

E ainda há palermas entusiasmados com as tretas do novo ciclo de avaliação…

(mas há que compreender que em tempos até um candidato à liderança do maior sindicato de professores alinhou em ser avaliador, por se sentir sem alternativa, portanto…)

… apenas fui avisando e o César Israel Paulo sabe bem das minhas reservas, de viva voz, desde o encontro das Caldas.

Associação dos professores contratados diz que estes foram “traídos” pelos sindicatos

O presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC), César Israel Paulo, afirmou esta quinta-feira que os docentes sem vínculo foram “traídos pelas federações sindicais” que negociaram com o Ministério da Educação e Ciência (MEC) o processo de vinculação extraordinária.

Os professores contratados têm sido carne para canhão em todos os aspectos e usados como pretexto apenas quando dá jeito, pelo que é hipócrita esperarem grandes adesões a iniciativas de quem não os respeita.

E acho magistral o cinismo de quem invoca a legalidade para justificar algo, exactamente quando está num processo negocial que pode alterar essa mesma lei, em virtude do carácter alegadamente extraordinário desta vinculação, concurso, palhaçada ou lá o que é.

Estivesse na comissão negocial alguém com interesse directo em alguma coisa e – como em outros tempos – tudo seria diferente.

Quando autarquias anti-troikistas recorrem aos dinheiros da troika (via Programa de Apoio à Economia Local) para regularizarem dividas. Na edição do SemMais que hoje vem com o Expresso fica demonstrado que aqui na margem sul há algo que eu já sabia, uma imensa hipocrisia política. Há os que não vão usar, os que estão a pensar nisso e os que já estão no rateio.

As derramadas por alguma blogosfera que há cerca de dois anos gozava com quem pedia a redução do número máximo de alunos por turma.

Quando os leio, o espasmo gástrico ainda é maior do que quando leio os que sinceramente acreditam no que são os seus erros. Porque estes, os abrantes anti-corporativos de outrora que agora citam que se desunham estudos e coisas assim, foram os primeiros a espezinhar a Escola a que chamam Pública. Como outros, que só queriam levar ao poder os que estão e lá mantê-los sem qualquer interesse directo na educação e usando os professores como trampolim, estes também oportunistas sem vergonha nenhuma.

Voltassem ao poder e trariam de volta quem começou tudo isto, se não em pessoa, pelo menos em espírito e ainda se armariam em progressistas.

ao passam de

Governo apela ao patriotismo dos médicos e sindicatos acusam ministro de “encenações mediáticas”

O ministro da Saúde pretendia reunir-se neste domingo com os dois sindicatos médicos para tentar evitar a greve marcada para a próxima quarta e quinta-feira, mas FNAM e SIM deixaram os representantes do Governo sozinhos.
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A vantagem das negociações com os profes é que há sempre alguém que já vai de caneta de estimação no bolso para assinar qualquer coisa. Apenas depende da cor…

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A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lançou hoje um abaixo-assinado por mais investimento na educação e decidiu enviar uma carta aos presidentes das assembleias municipais para os alertar para a constituição dos chamados mega agrupamentos escolares.

Conversa da treta… quando o 75/2008 foi aprovado deixaram quem protestava a fazê-lo quase sozinho(s) e ainda gozavam nas costas com os pareceres. Decidiram ganhar posições, aquelas que agora lutam por manter onde convém.

Claro que estou a pressupor alguma promiscuidade entre quadros do mesmo partido obedientes ao ideal colectivo (líderes sindicais, presidentes de câmara, vereadores, alguns deles ex-professores, directores, etc) nesta matéria, mas prefiro que fique claro que acho esta uma enorme hipocrisia quando se sabe o que se anda a passar em tanto lado…

Chefias municipais escolhidas por concurso mas autarca é que decide

Quero supôr que quando diz isto

Manuel Alegre defendeu esta sexta-feira, no programa Avenida da Liberdade, na RTPi, que “as pessoas estão sem esperança” e que o facto do país ter ultrapassado a fasquia de um milhão de desempregados “é uma brutalidade”.

já resolveu isto

Em resultado da campanha eleitoral, e de acordo com a verba inscrita nas contas entregues ao Tribunal Constitucional, Manuel Alegre tem uma dívida a fornecedores no valor de 431 mil euros.

Sim, porque contribui para a brutalidade.

Veja como são fabricados os produtos da Apple na China

Um apresentador da ABC teve acesso exclusivo ao interior de uma linha de produção da Apple na China. Uma fábrica onde os trabalhadores dormem e trabalham seis dias por semana, e que assistiu, nos últimos anos, a uma série de 18 suicídios. Veja a reportagem da ABC, transmitida pela BBC.

O apresentador da ABC, Bill Weir, teve acesso exclusivo a uma fábrica da Foxconn, um dos maiores fornecedores de software da Apple, na China.

Ali, os trabalhadores vivem em dormitórios, com estranhos, e executam a mesma tarefa seis dias por semana.

Louis Koo, responsável da Foxconn, foi questionado sobre o tratamento dos empregados, e sobre uma série de 18 suicídios, nos últimos anos.

A malta quer lá saber. Podendo exibir-se com os zingarelhos em tudo o que é oportunidade, até podiam ser feitos de pele de focas-bebé que tanto se lhes dava.

Fiz? Uso.

Há um sector daquilo que tradicionalmente consideramos a Direita, caracterizada por um certo conservadorismo moral, valores católicos e uma extremada defesa do valor da vida quando se trata da relação entre sexo e procriação (para efeitos de condenação dos métodos anticoncepcionais e interrupção voluntária da gravidez) mas que depois acha que ela já não vale nada, se a pessoa tiver uma doença crónica e mais de 70 anos?

Arre, que em matéria de respeito pela vida humana mais vale o meu agnosticismo do que a beataria toda junta.

Ahhhh…. já sei… são uma nova direita liberal, sem crenças religiosas que não seja no Deus dos Mercados!

Governo não tem acordos para todos os docentes no estrangeiro

E os poucos que há não têm garantias de remuneração.

Vistos para Angola continuam a ser difíceis

Qual é o problema? Afinal, saber esperar é uma virtude.

Cambada de preguiçosos, estes profes… ide à descoberta, a salto, pela fronteira, em canoas, afinal não viram documentários sobre os boat-people? Não viram o êxodo de Cuba para Miami? Não tiveram hipótese de ver os empreendedores emigrantes magrebinos subsarianos a viver a Lampedusa?

É a conclusão que se tira ao ouvir conversas de café ou salão. Todos os governos que tomam medidas altamente impopulares foram eleitos por uma mais do que estreitíssima minoria de votantes. Nem falo daqueles cálculos que se fazem com a abstenção e tal.  Falo mesmo de pessoas concretas a votar neles ou nestes tipos/gajos.

Nunca votaram em Cavaco em 1987 (ou 1991), nunca votaram em Sócrates em 2005 (ou 2009) e agora não votaram em Passos Coelho (ninguém fala em Portas…).

Com jeitinho começam a recordar, com saudade, o engenheiro e a sua clique. Em quem, em devido tempo, também não tinham votado.

E, claro, há aquela maioria imensa que, agora, votou sempre nos outros. Os que não passaram dos 12-15%. Mas, hoje, são uma maioria.

Alberto João Jardim e Mário Nogueira na inauguração da sede do SPM, integrante da FENPROF.

E ainda há quem me critique os jantares…

AJJ apareceu sem convite? A inauguração não poderia ter sido feita fora do período da campanha eleitoral?

Os representantes do PND (cerca dos 2’00 e 2’35”) têm a sua razão…

Lamentável, diria eu.

Pais fazem colecta para pagar prémio que não ia chegar

Maioria das escolas arranjou apoios para premiar os melhores alunos

Juntas de freguesia, associações de pais, empresas e pessoas a título individual mobilizaram-se em peso para patrocinar os prémios escolares dos melhores alunos e a convicção dos presidentes das duas associações de dirigentes escolares é a de que uma maioria de escolas conseguiu reunir apoios alternativos aos do Ministério da Educação (ME).

Deveriam ter feito uma acção de formação qualquer sobre hipocrisia e insensibilidade para auto-financiamento, mas era melhor não convidarem ninguém do MEC como formadores.

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