Gula


 

Ich spüre die Anwesenheit des Saftes!

 

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… há o resultado da entrega dos país a criançolas políticas, a engenhocas, coelhones, a relvas, macedos e a alguns bem intencionados que não encheriam o Inferno, mas seriam capazes de o merecer.

Porque são os seus erros, pelos quais nunca são devidamente responsabilizados embora ergam a accountability como arma contra os outros, que levaram ao desperdício de milhares de milhões de apoios comunitários, ou melhor, à sua canalização de um modo que só aumentou as desigualdades e enriqueceu uma minoria de instalados à mesa do Orçamento (e não falo dos funcionários públicos que ganham 1000 ou 2000 euros por mês, que isso são casquinhas de amendoim para alguns).

Escolas têm cada vez mais alunos mal alimentados a quem ajudar

Chegam sem a refeição da manhã, rondam sistematicamente o bar, mas nada compram. As escolas identificam assim cada vez mais alunos com carências alimentares, aos quais procuram dar resposta, apesar de os seus orçamentos também estarem em crise.

Socialismo andante.

Não, não é com os políticos. Nem com o Dom Sebastião, coma tudo ou não.

A afinidade evidente entre as personalidades de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues foi um dos traços marcantes do período 2005-09. Ambos demonstram uma atitude mitómana acerca de si mesmos, aparentam uma firmeza própria de quem se sente iluminado(a) e predestinado(a) para papéis redentores e de impulso de transformação social. O balanço da obra governativa de ambos, se ainda não está totalmente à vista de todos (a miopia mental é a pior),  estará a médio prazo, quando se perceber o que nos afundou ao virar do milénio.

Em ambos os casos é notória a forma como se representam a si mesmos, reescrevendo o passado com eliminação de qualquer contraditório incómodo, e projectando de si uma importância sem qualquer fundamento factual.

Poderia continuar com vários parágrafos sobre este tema fascinante e mórbido, mas prefiro passar já para o parágrafo final do inesperado (será que foi picada pela música dos Deolinda?) texto que hoje fez publicar no Expresso com o título Estudar para ser livre.

Vamos lá ser sinceros: a geração (política) de Maria de Lurdes Rodrigues não foi, nem é, nada do que ela descreve e muito menos ela, no plano individual. Até 2005 (não) sabemos o que ela (não) foi. Anarquista de segunda linha sem um pensamento próprio que não irradiasse do mentor, tornou-se ministra por indicação de um amigo dessas mesmas águas de uma certa elite intelectual libertária que se adaptou bem à disciplina do capitalismo de Estado.

A partir de 2005 foi o que lhe disseram para ser e acabou por acreditar ser obra mesmo sua, a encomenda que lhe depositaram nos braços. Cumpriu de forma estóica e obstinada, recebendo a tença final de um cargo dourado vitalício. Aceito que sinta que a sua missão foi cumprida e esteja contentinha consigo mesma. Deveria ficar assim e deixar-nos em paz.

O seu percurso é exemplar, mesmo se mais curto, dessa sua geração que apanhou o 25 de Abril a entrar na idade adulta, desfrutou de alguns anos de tripa-forra contestatária e evoluiu para o mainstream académico (o empresarial, ou político), levando consigo um simulacro de convicções, uma enorme voracidade pelo exercício do poder e uma capacidade ímpar para se adaptar aos interesses de cada momento. Uma espécie de solanas.

A geração de MLR (nascida em 1956) não construiu a democracia, apenas colheu os seus frutos. A geração de MLR é a verdadeira geração grisalha que beneficiou das conquistas de Abril, delas tem usufruído em pleno desde que se apropriou do aparelho de Estado para se reproduzir nos seus vários patamares, gabinetes e corredores, deixando para os que vêm a seguir os destrossos [sic, é mesmo assim que os quero grafar] da carne tenra que souberam comer antes que esturricasse. Mais importante, souberam acautelar-se para um futuro que se encarregaram de negar aos outros. Clamam-se pela igualdade e equidade, mas destruíram-na. Dizem que promoveram a qualificação e o mérito, mas em troca ofereceram nada.

A geração de MLR é aquela que, alimentada pela ideologia anti-poder dos anos 60, mal deitou mão ao poder, nunca dele se separou, mesmo quando é ocasionalmente obrigada a ficar mais discreta. Quando incomodam, vão para Londres, Paris, Nova Iorque, fazer estágios de cosmopolitismo, enquanto não ensaiam um regresso. Nesse aspecto, a constelação PS é particularmente pródiga (vejam-se os carrilhos, os cravinhos, os ferros). Quando se portam bem, são encaminhados para as empresas, institutos ou fundações onde os interesses do Estado ou do próprio País são usurpados por cliques e facções.

Aconselharia o decoro que MLR se aquietasse um pouco ou, pelo menos, que não projectasse de si e para si (e para a sua geração) um papel que não existe ou, a existir, que nos transformou em cinzas.

Poderão existir o(a)s que acham que este é um texto ditado por uma animosidade pessoal. Não é, porque desconheço a pessoa. Apenas conheço a persona. E dessa, efectivamente, não gosto absolutamente nada, porque representa muito do que me entristece num país saqueado por aqueles que outrora escrevinhavam contra os saqueadores anteriores.

Também podia ser para o “pombinho”, mas a ideia era mesmo o arroz de pombo.

Parque Escolar entrega projectos a colegas de administradora

A empresa Parque Escolar adjudicou, sem concurso, projectos de arquitectura para a remodelação de 13 escolas secundárias a sete colaboradores de um dos membros do seu conselho de administração. O alerta consta da documentação entregue recentemente na Assembleia da República por um grupo de arquitectos que, este ano, lançou uma petição contra a prática de contratação seguida por aquela empresa pública.

O novo milénio está a ser ainda mais demolidor para Portugal do que se esperava. A erosão completa da transparência e dos valores que devem nortear a gestão da coisa pública  apenas agrava o que já seria uma gravíssima crise económica, transformando-a numa evidente crise de regime. E não é de crescimento…

O assalto ao poder e aos negócios do estado pelos boys and girls tem sido avassalador e certas oposições gritam, gritam, mas recebem umas prendas de quando emvez para se calarem.

E há prendas para todas as cores, com nomeações e negócios feitos a dedo para neutralizar certos focos mais aguerridos de contestação.

E, no seu remanso protegido, passa a viver-se numa aparência balofa de um confronto democrático, irremdiavelmente esvaziado de conteúdo e significado.

E isto é mesmo uma manifestação do recorrente discurso fatalista e decadentista de Portugal, porque é assim que vamos vivendo, salvo fugazes momentos de acalmia ou euforia passageiras.

O negócio em torno da Parque Escolar é sintomático do nosso modelo de desenvolvimento baseado em obras públicas: criação de franjas de trabalho pouco qualificado e mal remunerado e recolha da nata do negócio por uma elite de amigos.

Daí a facilidade em Sócrates e Jardim se entenderem.

Estes seis ficaram por cerca de 25 êrus. Porreiro, pá! Até me deixarem reformar deve dar tempo para ler tudo.

Não é nada que não se saiba e não atinge apenas Presidentes de Câmara, mas igualmente vereadores e Presidentes de Assembleias Municipais. E em alguns casos gente muito activa no aparelho dos respectivos partidos que até já passou de forma quase sempre cinzenta e anónima por outras cadeirinhas do poder existente, sendo que esse poder é de todas as cores. E na maior parte dos casos aproveitaram todos os bónus previstos ou previsíveis em todos os regimes excepcionais da lei. Mas é sempre tudo legal, eu sei.

De acordo com estes dados, entre os aposentados cerca de 40% até estão abaixo dos 55 anos e eu sei, de conhecimento directo, dos que assim ficaram livres da carga do trabalho, antes mesmo dos 50 anos.

Por isso, poderá ser que com a municipalização dos serviços educativos – que entre nós será um triste simulacro de uma efectiva territorialização das políticas educativas – os professores possam aprender algumas estratégias de sobrevivência. Ou então, graças à maneira hábil como muitos souberam aproveitar-se de todas as reentrâncias das leis, ficaremos na chamada camisa de onze varas porque eles já a sabem toda e não gostam de partilhar a boa vida.

Porque isto não é demagogia, mas pura e simples observação dos factos: não há notícia de Presidente de Câmara com um par de mandatos que não tenha ficado acomodado para o resto da vida, seja num cargo qualquer numa espécie de empresa (inter)municipal, num organismo intermédio do Estado ou (os que ainda não se safaram, previsivelmente numa estrutura decorrente da disfarçada regionalização administrativa do país.

Demagogia é, isso sim, alguns destes senhores aparecerem a reclamar competências sobre um sector acerca do qual pouco conhecem ou já se esqueceram (sim há Presidentes que já foram professores) e que apenas querem ter sob a sua alçada para melhor estenderem os tentáculos dos polvos partidários locais e exigirem obediências variadas.

Há excepções, claro que há excepções e conheço até algumas, mas são isso mesmo, excepções.

Quanto à polémica em torno da exclusão dos professores da presidência do Conselho Geral, futuro órgão máximo das escolas, Maria de Lurdes Rodrigues afirma que essa decisão foi uma resposta aos pedidos dos conselhos executivos.

“Foi uma solicitação das escolas para que não haja duas caras e dois rostos a representar a escola na sua dimensão mais pedagógica”, explicou.

De acordo com a responsável, o facto de um professor presidir ao Conselho Executivo e outro à Assembleia da Escola, o que acontece actualmente, “provoca situações de conflito e a impossibilidade de uma gestão quotidiana tranquila”. (Público)

Isto é pasmoso.
Afinal foram os futuros candidatos a Directores que não quiseram concorrência’
E que tal, para os hermeneutas que encontram no Conselho Geral e Direcção Executiva os órgãos (separados) de direcção e gestão, que a Ministra afirme que esses cargos são os de «dimensão mais pedagógica»?

Tudo isto é demasiado risível.

Autarquias aceitam novos poderes

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) já emitiu um parecer globalmente favorável à transferência para as câmaras da gestão, construção, gestão e manutenção das escolas do Ensino Básico. Falta apenas acertar alguns pormenores com o Governo para que o decreto vá a Conselho de Ministros, o que acontecerá até ao fim do mês.
A vertente do ensino é a mais significativa de um megapacote descentralizador que o Governo discute há um ano com a ANMP e que abrange também a Acção Social, Saúde, Ambiente e Ordenamento do Território. Em Junho passado, a ANMP aprovou em congresso o teor genérico da proposta do Governo. Faltavam negociar as questões de fundo de cada área. O acordo final sobre o ensino básico está agora por dias.
“A ANMP está disponível para receber novas competências”, garantiu, ao JN, o vice-presidente da ANMP, Rui Solheiro, referindo que a vertente do Ensino Básico até é aquela que as autarquias “melhor podem executar”, devido à experiência que já possuem, desde 1998, ao nível da rede de escolas pré-primárias e primárias.

Agora estou profundamente expectante contra o parecer da Confap.
Deixem-me adivinhar: também é a favor.
É cá um feeling, sem fundamento, obviamente.

Nota: Dou de barato a imprecisão cronológica quanto à transferência de competências sobre as escolas do 1º CEB. Afinal, numa grande perspectiva cósmica, o que faz mais uma ou menos uma década?

Outros detalhes interessantes quanto a esta matéria no DN.