Greve Geral


Até ao momento o resultado da sondagem de ontem é pouco animador. E não me chamem divisionista, porque eu até disse e votei que farei.

 

O início é muito claro.


Não é por concordar(mos) em tudo, obviamente. Mas porque há um pensamento claro e não enrolado.


A SIC redime-se depois de ter feito uma reportagem miserável na véspera da greve.
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Escolas do 1º ciclo do Porto abrem as cantinas nas férias de Natal.

há por aqui alguma matéria para pensar

O secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, fez várias apresentações ao longo do dia para explicar como funciona o sistema. A ideia foi mostrar que “os números da greve não são números do Governo, mas dos serviços” e que “o Governo não trabalha por palpite”.

Os dados apresentados mostram que os ministérios mais afectados pela greve foram o da Justiça (51,3), das Finanças (43,3), da Saúde (38,6) e da Educação (26,5 por cento), o que se traduziu no encerramento de mais de duas mil escolas, de vários tribunais e serviços de registo e notariado e de todas as repartições de Finanças. Nenhum centro de saúde fechou portas, garantiu o secretário de Estado, que fez questão de realçar que “a grande maioria dos trabalhadores não aderiu à greve e que a maioria dos serviços esteve de porta aberta”.

A ideia não é apontar dedos… é considerar se, a partir daqui, não será mais adequado promover lutas sectoriais estruturadas em torno das reivindicações específicas de cada sector, para além das salariais…

  • Do lado dos sindicatos um enorme e estrondoso sucesso com uma adesão de 3 milhões de trabalhadores e a paralisia do país.
  • Do lado do Governo um balanço vago, com níveis baixos no cômputo da administração pública e praticamente inexistentes no privado.

Estas visões são, como é habitual complementares. Os sindicatos contabilizam estruturas paradas e contam como grevistas todos os seus elementos, enquanto o governo vai em busca do número de presentes e ausentes nos locais de trabalho e conta como não-grevistas quem trabalha em regime de serviços mínimos.

O que é evidente: impacto forte em Lisboa e Porto e nos sectores dos transportes públicos, Saúde, Justiça e Educação, julgo que por esta ordem. Em termos de impacto simbólico e psicológico na população não me parece ter conseguido um choque sensível. Na classe política ainda menos, sendo notória a ausência de reacções de demasiada gente no prime-time noticioso. Nesta matéria tirando o previsível Francisco Lopes, só Fernando Nobre se manifestou de forma clara, ao aparecer de manhã na Autoeuropa. Alegre, preso de movimentos, parece que acordou com um tuíte e Cavaco Silva fez como nada se passasse, pois o OE é, em alargada medida, obra sua.

Agora resta analisar o que vem a seguir, o que mudará (se mudar) nos próximos tempos, sabendo-se que parte do OE na especialidade já foi votada ontem e sexta-feira não se adivinha qualquer volte-face de última hora.

Qual o caminho?

  • Desdobrar a greve geral em greves sectoriais fortes, invertendo a lógica normal de build-up?
  • Apostar fortemente na contestação jurídica às medidas mais vulneráveis, e gravosas para quem trabalha em funções públicas mas não só, deste OE?

Os sinais vindos do Parlamento são algo confusos, com alinhamentos de conveniência à medida das circunstâncias, apenas se percebendo que o PSD se abstém em quase tudo e o PS consegue fazer passar tudo o que mais lhe interessa à custa disso ou do apoio ocasional de um companheiro de estrada.

Para alguns este dia foi de picar o ponto em matéria de luta.

Na minha opinião, a verdadeira luta quase não começou…

Ou da falta dela, em busca dos efeitos mediáticos para consumo rápido?

O mistério dos números da greve

Nenhuma greve escapa à guerra dos números. A última greve geral – há 22 anos – foi disso exemplo: a adesão de 80 por cento apuradas pelos sindicatos transformou-se numa “greve parcialíssima” nas palavras do antigo primeiro-ministro, Cavaco Silva. Hoje, na hora de fazer as contas, não deverá ser muito diferente. Mas afinal o que muda nas contas dos empregadores e dos sindicatos para se chegarem a valores tão distintos?

Só espero que esta não dê os resultados da de 1988, ou seja, mais sete anos com o mesmo PM…

Um terço das escolas fecharam portas, segundo o Governo

A meio da tarde, a Secretaria de Estado da Administração Pública tinha informação de que 1730 escolas do ensino básico e secundário estiveram hoje encerradas, o que representa 33,3 por cento, ou um terço, do total de estabelecimentos existentes.

Mas a verdadeira dimensão da paralisação no sector da Educação só deverá ser conhecida mais tarde. A SEAP voltou a advertir que se espera que “os números respeitantes à greve na educação venham a aumentar” à medida que for sendo reportada qual a situação que se viveu hoje nas cerca de cinco mil escolas existentes. Antes das novas vagas de encerramentos, havia nove mil escolas, número que ainda consta das últimas estatísticas do Ministério da Educação.

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, das 1892 escolas existentes, 901 fecharam as portas.

O Governo não divulgou ainda dados discriminados sobre a adesão. Refere apenas que nesta nova contagem provisória foi apurado que 38.939 trabalhadores do sector da educação estão em greve. Não se sabe quantos são professores e quantos pertencem aos quadros do pessoal auxiliar. Como já aconteceu em greves anteriores, para a percentagem de adesões não serão contados os docentes que leccionam nas escolas que hoje estiveram encerradas. Com base nas informações que tem vindo a receber do Ministério da Educação, a SEAP frisa que as escolas fecharam porque o número de funcionários que se apresentou ao serviço era insuficiente para garantir o seu funcionamento.

Como é norma, Governo e sindicatos não coincidem. A Federação Nacional de Professores, naquele que será o último balanço que apresenta hoje, avança com uma adesão dos professores na ordem dos 75 por cento. Segundo a Fenprof encerraram portas mais de 80 por cento dos estabelecimentos escolares. “Este é um sinal muito importante que os professores dão de indignação e de não resignação face ao que o Governo está a fazer”, afirma-se numa nota enviada às redacções.

“Mais de três milhões” em greve, garantem CGTP e UGT

Em conferência de imprensa conjunta entre a CGTP e a UGT, Manuel Carvalho da Silva e João Proença reafirmaram os princípios da greve e garantiram a participação de “mais de três milhões de trabalhadores” da função pública e do sector privado no protesto.

Estive na escola a cumprir o horário, embora sem aulas, por falta de auxiliares que garantam condições de segurança na escola:.Pelo que espreito na televisão a adesão parece forte na zona em redor de Lisboa, embora o funcionamento dos centros comerciais baralhe tudo.

(c) Antero Valério

Que cada um viva o seu dia em Liberdade, de acordo com a sua consciência.

Ou seja, gostaria que a atitude geral fosse a antítese disto:

Quem não faz greve não tem princípios, é cobardolas e dá aulas porque enfim…não é professor.

Porque, não fazendo, respeito muito quem faz, com raríssimas excepções, sendo uma delas quem os outros 364 dias do ano se mantém de cabeça baixa e só a levanta quando a maioria a encobre e a outra (excepção) quem, no dia 25, estiver a preencher grelhas de evidências

No meu caso pessoal, que me desculpem os puristas, na minha modesta opinião, o mais fácil seria fazer a greve. Não a fazer, algo que  para mim é um imperativo assumido por razões políticas e pessoais desde que foi convocada , é uma opção impopular e talvez inesperada, mas só para quem menos me conheça. Só que a assumo.

Mas isso não implica que adjective de forma colorida e elabore juízos de valor sobre quem opta de outro modo.

 

Sejam LIVRES!

2711:

Greve geral

A Cidade do Sossego:

Greve geral

Aldeia Olímpica:

Da greve geral

Educar em Português:

Em véspera de dia de greve…

Nau da Bolha:

GREVE GERAL

Pela Positiva:

GREVE GERAL

Praça do Bocage:

Greve geral e sindicalismo

Simplifique:

Sou contra Greve Geral de 24 de Novembro de 2010, mas a favor daquilo que contesta

Recolha do Livresco.

A greve, as afirmações que me irritam e os professores

Neste momento há duas atitudes em relação à greve que me estão a irritar. Uma é esta nova forma de estar contra mas.., ou seja, “eu sou a favor da greve mas não faço”. De tão egocêntrica (porque hoje estou em grave na adjectivação), nem me apetece comentá-la. A segunda é um argumento-chavão que surge sempre nestas alturas e que é geralmente utilizado por quem não faz  greves e a quem falta alguma cultura política e que é “Eles não querem é trabalhar”.

Pergunto eu: qual é a pessoa que trabalha e que vai fazer greve, descontando UM DIA de ordenado, para poder simplesmente ficar sem fazer nada? Até porque quem diz que “eles não querem é trabalhar” são os mesmos que dizem “eles não fazem nada”. Então, mais vale continuar a não fazer nada no local de trabalho pois pelo menos sempre se recebe o ordenado, não?

 

Agora quanto aos professores: nenhum professor no seu perfeito juízo faz greve por fazer, até porque a lei confere-nos o direito de pedir um dia de férias por mês e sai-nos bem mais barato…. Há quem não faça greve por convicção (poucos e eu já fui uma delas), há quem não faça por oportunismo (muitos, pois não querem perder um dia de ordenado, se a escola fechar têm uma borla sem custos, esperam que a luta dos outros depois lhes traga alguns benefícios também…), por indiferença e conformismo (demasiados, na minha modesta opinião). E ainda há os baldas (que continuam a existir) e que NUNCA tomam nenhuma atitude tão extrema como fazer uma greve, até porque convém-lhes não chamar a atenção enquanto vão passando “por entre os pingos da chuva”).

A minha decisão de fazer greve custou-me “horrores”, “engoli paletes de sapos”, porque estou francamente farta dos sindicatos e de como subordinam as “lutas” às suas agendas políticas, porque não tem sentido nenhum convocar uma greve para depois da aprovação do orçamento, porque fico verde só de pensar no dinheiro que o estado vai pôr ao bolso à minha pala. Mas decidi que faço greve porque não há-de ser por mim que o  virá a ouvir dizer que afinal as pessoas até concordam e aceitam estas políticas, porque quero que para os meus alunos e para os EEs fique bem patente a minha discordância e revolta com esta situação e porque quero continuar a andar de cabeça bem erguida sem ter contribuído com um pingo que seja para abalizar esta cambada de “Dantas” que se apoderou do país.

Ana Mendes da Silva, professora

Adesão de 85% custaria ao País 519,6 milhões de euros

Tenho a impressão que se lançasse os búzios para cima de uma quadrícula com números teria um cálculo tão rigoroso quanto este.

Este mail é um mail de ARGUMENTAÇÃO PELA GREVE e passo a explicar:
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1) Se há grupo profissional que tem sido espezinhado, comprometido, espremido até ao tutano, é o nosso, na condição de contratadas.
Fomos moeda de troca em todas as negociações, todos os acordos, todas as políticas ministeriais e sindicais para implementar uma série de coisas,entre as quais, a mais abusiva de todas para o nosso lado: a ADD.
De facto, ainda somos os únicos(as), em 4 ou 5 anos que isto já leva, a termos consquências gravosas nas nossas vidas por causa da ADD.
Esperemos para ver se não vamos continuar a ser o grupo mais penalizado.
E se os sindicatos nos fizeram a folha, numa lógica de controlo de danos colaterais, sacrificando uma vida (que somos nós contratados) pela vida da maioria (os quadros), o Governo esfregou as mãos de contente pqteve aqui a sua porta de entrada na classe inteira.
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2) Por outro lado, ganharemos pouco, é certo. Mas nem podem vir a ganhar mais.  Pq poedriamos manter o índice, mas sermos aumentadas, não é?
Se algum dos congelamentos nos topos da carreira fossem redistribuídos cá em baixo, por exemplo…
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3) Mas, os motoristas da CP, da stcp, dos barcos no Barreiro , os trabalhadores desqualificados camarários, as funcionárias das nossas escolas,um quase “sub-mundo” da função pública que ganha 500 euros, ganha menos do que nós…. estará na linha da frente desta greve.
Há quadros médios técnicos na FP que ganham menos de 1000 euros com 20 ou mais anos de serviço: os admnistrativos- eu sei pq tenho uma amiga que é do Ministério da Agricultura e a realidade é essa.
Ou seja, há quem ainda ganhe menos e vá fazer  a greve. qual a nossa autoridade moral perante isto?
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4) Conjugando isto tudo,  pensando que esta greve foi convocada à esquerda e à direita, que tem âmbito nacional, e que cada um de vós faz parte do grupo da FP que mais foi violado nos últimos 5 anos, pergunto:em nome do quê não farão greve?
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5) É um dia em que o Todo e o Colectivo está acima do Individual. Em que o sacrifício é de todos em função de cada um e em função do futuro. É UMA MENSAGEM AO GOVERNO.
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6) Quanto mais o país parar, melhor Sócrates perceberá que isto não é uma greve sindical pura ou corporativa. È uma greve nova, pq ps, psd, cds, pcp, be, toda a base eleitoral do país a vai fazer. É uma greve social, o que é algo histórico, eu diria.
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7) E, verdade seja dita, ainda temos a liberdade e o direito à greve sem complicvações.
Quantos e quantos do sector privado não adeririam a esta greve não fosse o MEDO das entidades patronais?
Então tb temos o dever de o usar por todos esses que não têm como se manifestar.
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ps: quem me conhece bem sabe que estou num conflito interno por estar de baixa e esta abranger o dia da greve.
Já equacionei voltar na quarta mas não trabalhar. Isso faria com que eu interrompesse o atestado, e, neste caso, depois de andar há 2 dias a matutar nisto, arrogo-me o “luxo” de manter o atestado porque, enfim… porque sim.
Apesar do atestado, eu “estarei em greve” na quarta.
Mas ainda vou telefonar para a secretaria para saber se há hipótese de me descontarem o dia como de greve, apesar do atestado.
Com amizade,
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M.

Não vou analisar os resultados, apenas assumir o que há pouco fiz, não sei se com a explicação mais clara do mundo, em declarações a uma jornalista: não irei fazer greve. Poderia elaborar agora, mas acho que já expliquei porquê em várias ocasiões. As menores não serão o facto de, de acordo com quem a convoca, ela não ser contra o Governo e já ter sido declarado pelos líderes das centrais sindicais que é melhor o OE aprovado do que não. Perante isso, acho que não tenho grandes motivos para demonstrar num dia que estou desagradado com o governo e a governação. Até hoje acho que já passaram 326 dias deste ano em que o tenho claramente demonstrado.

Este post não se destina a suscitar nova controvérsia em centenas de comentários, até porque gostaria que guardassem energias para o acompanhamento do Prós & Contras de logo à noite, onde tenho imensa curiosidade sobre a argumentação que irá ser usada pelos diversos protagonistas em relação à redução salarial prevista no OE.

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