Gostei De Escrever Isto


IMG_2647IMG_2645

… são só 5 páginas que sinto meio perdidas no meio do resto, mesmo se me deram bastante gozo a escrever.

O VELHO DO RESTELO, PIONEIRO DA ANTIGLOBALIZAÇÃO

Amanhã faço feriado.

DIGITAL CAMERA

… está faiscante no Notícias Magazine.

IMG_1109

Afinal, ele existe…

Esta é uma hora decisiva, não podemos vacilar

… saíram de lá, esbaforidos e falando sem parar, três especialistas em Educação. Um doutorado lá por fora, outro pós-graduado cá por dentro. O terceiro é especializado por causa do instituto do cunhado. Da família Cunha.

Inventar ainda hoje algo para amanhã, não confiar em colegas.

Não estou a falar do fenómeno das pessoas lindonas e gostosas por tudo e nada. No outro dia acho que uma senhora com 112 anos, uma desdentadura digna de Guiness (livro ou cerveja) e um bigode à cossaco recebia elogios qual Ava sem Adão.

Mas não é isso que aqui me ocupa.

Ocupa-me o facto de, sem ter mexido um dedo, me ter visto metido numa série de grupos de professores em luta por isto e aquilo. E vocês sabem o quanto não me pelo por uma luta. Mas tudo bem, desde que seja virtual aceito-me minimamente gregário. O que me espantou foi a profusão de declarações de vitória e de vamo-nos a eles e de não desistimos nunca, que me fez quase pensar estar num balneário de equipa de futebol, felizmente sem a parte dos odores e tudo o mais. A menos que seja feminina. A equipa.

Mas é verdade. Acho que é o local ideal para um tipo do Sporting estar, mesmo em tempo de pré-época. O problema é que anda por lá sempre uma espécie de Luís Filipe Vieira a incitar a tudo e mais alguma coisa. E eu não aprecio muito ser incitado.

Isso e notar que quem há uns anos gozava com a superficialidade dos blogues agora promove estas coisas, em forma de bem preparado sucedâneo espontâneo.

A vida dá destas voltas. A luta também.

Agora até já prometem plataformas. Só espero que se lembrem de colocar água na piscina antes de atirarem os laikes, que são coisas frágeis e resistem mal ao impacto com a realidade.

As metas curriculares de Português (quando será que as shôtôras do Secundário e Superior aprendem que no Básico o nome da disciplina é Língua Portuguesa?) estão aí e, para minha alegria pessoal e de tantos outros docentes, fazem os possíveis por terraplanar pelo menos dois anos de trabalho feito na planificação do novo programa, em especial na anualização dos seus conteúdos e na programação das actividades a desenvolver nos diversos ciclos de escolaridade.

Não me vou demorar muito a explicar como, desde 2009/10, os docentes de Língua Portuguesa andaram em formação sobre o novo programa e tiveram como função semanal ou quinzenal reunirem-se, planificarem, produzirem materiais, etc, etc, com base nesse programa, nas metas anteriormente definidas e em não sei quantos documentos orientadores ou auxiliares. Ainda este ano lectivo cada docente de Língua Portuguesa tinha (ou devia ter) um bloco de 90 minutos da sua CNL para esse efeito, durante a qual se deviam reunir, em grupo disciplinar ou em reunião alargada de dois ciclos, para trabalhar, partilhar materiais, etc, etc.

Percebemos agora que, graças ao esforçado esforço de esforçados especialistas, aquilo que foi feito pode ir, em grande parte, para o raio que me quebre os miolos, pois o que vem nas metas vai ser «fortemente recomendado» para o próximo ano lectivo e obrigatório no seguinte.

Pela parte que me toca, é simples… se já ficava apenas com o meu pior olho (o esquerdo, claro, o das 6 dioptrias) atento a estas papeladas do novo programa e coiso, agora acho que só deixarei o olho que é cego a observar esta nova documentação.

Desculpem lá, qualquer coisinha, mas ide gozar com o vosso próprio trabalho, ‘tá bem?

Agradeço toda a sorte que me desejaram, lembrei-me enquanto enfrentava corajosamente as garras tenebrosas do mostrengo.

Só dessa feita é que seria canja. E foi.

Ainda aproveitei para visitar uns amigos; logo vou colocar uma ligação para eles.

Obrigado.

Este é daqueles temas que muita gente que frequenta o blogue achará despropositado. Eu sei disso e muitas vezes evito. Mas a custo, porque há sempre aquela faceta que me puxa a veia e o teclado para a alcova e há coisas que são absolutamente sublimes na sua corriqueira e desprezível mundanidade.

Eu concretizo.

O ex-presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, é agora uma figura controversa, mas que fez um trajecto de sucesso durante décadas. Pelos vistos, todos sabiam que o homem era o que é, mas só agora passou a incomodar. E passou a incomodar por motivos que parecem ser justos (a confirmar-se a faceta de agressivo predador), mas também por outros que só lembrariam a maternas e moralistas figuras bragantinas (os seus hábitos sexuais).

Vejamos o caso recente de uma entrevista na Vanity Fair espanhola de um casal proprietário de um bordel belga e que a Lux desta semana reproduz no essencial com o conteúdo da peça online com o título “Mi orgia con Dominique Straus Kahn”.

Resumindo e baralhando o homem teve relações sexuais quatro vezes com uma profissional de sexo durante meia hora, tendo usado para isso Viagra e sendo feito o pagamento de 500 euros pelo serviço prestado, acrescentando-se que a “festa sexual” terá durado hora e meia.

Ora, caramba que isto é triste.

É triste, antes de mais, porque mesmo um tipo de origens humildes e suburbanas, com escassa (para não dizer, apenas por vergonha, nula) experiência em bordéis europeus quanto eu tem de uma “orgia” uma ideia bem mais alargada do que meia hora de sexo pago com uma rapariga.

E é triste porque tudo me parece consensual e do foro privado do homem e do resto dos participantes a começar pela rapariga que “estava bem“, de acordo com a notícia.

Perante um não-caso destes, que a mim parece delicioso pela irrelevância (acho bem pior se foi verdade a investida sobre a funcionária do hotel norte-americano), acho que só existem alguns aspectos que convém esclarecer:

  • Numa perspectiva de esquerda, espero que a rapariga tenha, pelo menos em algum momento, tido a possibilidade de estar por cima, de modo a demonstrar que uma assalariada e trabalhadora precária pode dominar um representante do capitalismo neoliberal global. Consta que não foi bem assim, o que entristece a minha faceta esquerdista.
  • Numa perspectiva de direita, preocupa-me a questão da liberdade de escolha, pois não sei se estiveram garantidos todos os mecanismos de mercado necessários para que DSK pudesse fazer a melhor escolha e se lhe foi possível fazer alguma prospecção que permitisse aferir da melhor oferta qualidade/preço. Porque 500 euros por meia hora ou pouco mais, embora não sejam o topo da tabela para serviços deste tipo no mundo cosmopolita de DSK e afins, ainda implicam que o serviço tenha um certo nível. E preocupa-me ainda se houve alguma fuga ao fisco, pois sabemos como as finanças dos países europeus não podem perdoar uma evasão flagrante à declaração de rendimentos deste tipo.
  • Por outro lado, apraz-me perceber que alguém com os meios económicos de DSK tenha recorrido aos serviços de um bordel Low Cost, adaptando-se, portanto, aos tempos de crise que vivemos e não tendo preferido um bordel de luxo com tarefas bem mais elevadas.
  • Por fim, a minha compreensão para a postura da sua esposa, que continua a apoiar DSK e percebe-se porquê. Enquanto o homem anda a chatear profissionais do sexo, não a chateará a ela, para mais com cavalgadas alimentadas a Viagra que devem ser psicologicamente muito difíceis de suportar.

E pronto. Que a eurodeputada portuguesa Ana Gomes considere que DSK deveria estar num hospital a ser tratado é uma ideia por demais generosa, pois sabemos o quanto enfermeiras devidamente (des)fardadas são estimulantes para certos perfis fetichistas de homens de mais de meia idade (e não só).

Já agora, façam lá o favor de ler, no mínimo, os escritos de Catherine Millet sobre as suas experiências sexuais no mundo da elite política e cultural francesa (aqui e aqui, sendo que pelo menos o primeiro  tem edição nacional), a ver se percebem que isto são amendoins em comparação com…

Pequeno prefácio para a obra que compila os editoriais de João Ruivo para o jornal Ensino-Magazine, regularmente reproduzidos aqui no blogue.

Terminados os quase 20.000 caracteres em que, num voo rasante, se interpretam os anos mais recentes da Educação em Portugal que os textos do autor escalpelizam com um outro nível de reflexão e análise.

Publicação prevista para breve.

Apeteceu-me. Tenho aqui uma horita que dá para encher e então vou relembrar coisas com mais de 15 anos, algumas perto de 30.

Em tempos de licenciatura em História na FCSH, fiz a cadeira de Matemática para as Ciências Sociais e Humanas e depois a opção de Demografia Histórica. Era responsável pelas cadeiras J. Manuel Nazareth, mas leccionava-a efectivamente a assistente, a sempre simpática drª Maria Luís Rocha Pinto (com a presença ocasional de uma então muito jovem Maria João Valente Rosa). Aprendi o essencial daquilo que agora se faz com folhas de cálculo (na altura quanto muito falava-se no dbase) e os conceitos fundamentais da coisa com uma avaliação a contento, mas não propriamente excepcional (18 e 16, que partilhei com vários colegas).

Entretanto fui publicando pouca coisa na área, mas sempre que possível com recurso a fontes estatísticas.

Mais tarde, já nos anos 90, no mestrado em História Contemporânea, tive um semestre de Metodologia para a História Económica com a Professora Ana Bela Nunes da Faculdade de Economia da Nova, porque na leva anterior os mestrandos se tinham entendido com dificuldade com o Professor Jaime Reis, pois achavam a cadeira muito difícil de acompanhar. E com a Profª Ana Bela Nunes também, para desespero dela quando nos via completamente aos papéis ao fim de 20 minutos de aula. O pessoal perdia-se nas regressões e contrafactuais com alguma facilidade, mas tinha vergonha e calava-se, acenava e fingia que. Com o feitiozinho da treta que na altura tinha ainda com mais viço, eu perdia a paciência e perguntava o que era aquela variável delta não sei quê em que eu me perdera. No final, numa avaliação informal, foi-nos dito que se fossemos alunos de um mestrado de Economia teríamos 2 medíocres e o resto (uns 10) seriam maus. Eu, juntamente com o já falecido Fernando Figueiredo fazíamos o duo de medíocres. Curiosamente ou não, éramos trânsfugas interessados em História das Mentalidades, ele nos rituais mortuários e nos cemitérios, eu no quotidiano feminino. Os futuros historiadores económicos eram os outros. Talvez se perceba porque, em muitos casos, prescindo de comprar certas obras.

Nada de grave se na dezena restante não estivessem, como referi, futuros (presentes!) vultos da historiografia com cargos de responsabilidade na Academia. E, se estendessemos a lista para o tal mestrado anterior, teríamos uma boa meia dúzia de personalidades com distintas responsabilidades nas lides académicas, comemorativas, editoriais e etc.

Nada de grave, afinal, se alguns dos actuais aprendizes de demógrafos-feiticeiros não tivessem passado por cursos e instituições onde pontificam os tais vultos. Que de métodos estatísticos e análise de fontes desse tipo percebem muito pouco. Mas adiante. Pode ser que tenham aprendido com bons professores e não aqueles.

Mas voltando às memórias de um tempo passado em que eu tinha mesmo mau feitio.

Ainda nesse mestrado, tive um dia um desaguisado bastante azedo na apresentação de um trabalho meu sobre a evolução do custo de vida e dos salários nas primeiras décadas do século XX. Para o fazer foi necessário recorrer a duas séries de dados sobre preços e salários, uma com origem no Boletim do Trabalho Industrial e outra já com base nos dados do recém-criado INE. Cito isto de memória, mas acho que ainda tenho algures, roídas pelos bichinhos do papel durante 18 anos, as tabelas então feitas na folha de cálculo do MSWorks (lembram-se?). As duas séries eram pouco compatíveis, porque os índices tinham bases diversas e o melhor que se podia fazer – sem regressões a partir da série do INE, porque aquilo era um simples trabalho de seminário – era sobrepor as duas séries nos anos em que coincidiam e criar um terceiro índice que compatibilizasse as duas séries.

Trabalho feito – burro, porque bastaria ter usado uma das séries e carregado no botão de automático com conclusões compatíveis com as da tese do responsável pelo seminário – e apresentado, sou completamente trucidado pela personalidade em ascensão meteórica porque não devia ter estendido a série, deveria ter tratado apenas uma ou outra (sendo que a colagem incidia no período crítico da Ditadura Militar e chegada de Salazar ao Min. Finanças) e não ter ousado fazer o que ele e os que ele conhecia já tinham feito.

E então confirmei que, para muita gente, os números e os métodos estatísticos são meros pretextos para justificar selectivamente certas teses e não para se fazer uma aproximação ao conhecimento da realidade, tal como ela possa ser mensurável, sempre com a devida contextualização.

Portanto, quando agora me aparecem os discípulos desses vultos maiores e menores a pregar a Estatística e a Demografia como fundamento para as suas posições ideológicas, posições essas que antecedem em muito os dados que apresentam, fico sempre com um sorriso e uma desconfiança enorme. Quer pela substância, quer pela forma como as coisas surgem, subitamente, no discurso político.

E dificilmente me sinto intimidado se enviam 3 ou 4 vagas de ataque ou contra-ataque.É deixai-los pousar.

Mas sobre isso já escrevo em seguida, depois de ir ali beber um moscatel premiado, porque estou a ficar com um friozinho digital.

A [Maria], é uma aluna assídua e pontual.

Nossassenhora que até dói. Mas é da esfera do muntabom. Não há transversalidade da língua que aguente.

E há mais, porque  se fosse só a abrir ainda se acreditava ser titica de mosca.

Aviso desde já que não é um post sobre o amigo do mafarrico que aqui nos visita com regularidade.

E aviso que é um post com um certo ciúme social à mistura, porque perdi a fama da sonseria há muito, muito tempo, ali pelas saídas da adolescência, que o proveito nunca tive muito.

Este é um desabafo sobre o sonso enquanto criatura que povoa as nossas vidas e quotidianos, que se cruza connosco todos os dias, de sorriso afivelado e imbecilidade sempre pronta a arrepiar-nos.

É sobre os sonsos que, em quantidade variável, povoam uma sala de professores como povoavam em tempos a nossa sala de aula enquanto alunos, assim como povoam qualquer local de trabalho ou espaço social. Os sonsos estão omnipresentes na nossa vida.

O sonso é aquela criatura que nunca fez nada do que fez ou, em tendo feito e sendo possível prová-lo, fez sem intenção, pois nunca tinha pensado nisso e muito menos que o que fez, faz ou fará, pode ter consequências, chatear, ofender, ser coisa de carácter duvidoso.

O sonso pode ser estúpido, mas em regra não o é. É alguém que se safa muito bem com as sacanices de terceira ordem que pratica com a descontracção própria da esperteza saloia que o habita, sacanices essas que são daquelas que moem, mesmo se não partem ossos. Está mais paredes-meias com o coitadinho, que a maior parte das pessoas acaba por achar mal confrontar, pois até é bom rapaz. O sonso é, também em regra, bem aceite e compreendido por muita gente que o rodeia e até protege, que acha mal que se diga que o sonso é sonso, mesmo quando admitem que o é. Mas, como também é visto como coitadinho, não devemos perturbá-lo.

O sonso é, pois, uma espécie protegida em diversos ecossistemas sociais onde exista muita gente com bom íntimo, bom coração e virtudes caritativas que em mim escasseiam ao ponto da nulidade.

Confesso, devido à minha natureza que alguns dizem sanguínea, outros dizem própria de um sangue de barata, o sonso chateia-me sobremaneira e chateia-me tanto mais quanto acabe por me auto-censurar na vontade de o desancar e acabar por ficar eu mal visto como um bruto incorrigível.

Por isso, há casos de sonsos que aturo ou vou aturando há anos. Não muitos, alguns apenas, mas que chegam para me fazer levantar o nevoeiro numa manhã ensolarada. E vou ou fui aturando por respeito a quem me diz, olha lá, ele é sonso e faz isso, mas é sem má intenção, coitadinho, nem percebe bem. Faz sem querer.

Mas o rai’s parta é que faz e eu, como já disse, duvido que seja tão estúpido como às vezes o querem fazer passar.

E o sonso quando confrontado, mesmo que de forma mínima, reage sempre com aquele ar de castor supreendido, arqueando muito as sobrancelhas como um desenho animado japonês ou um calimero injustiçado (caso os calimeros tivessem sobrancelhas debaixo da casquinha do ovo).

Pelo que, nos últimos tempos, decidi iniciar uma espécie de campanha unipessoal anti-sonso.

E por esses dias que se foram passando fiz um par de raides, confesso que ainda algo desajeitados pois não consegui varrer por completo o complexo de culpa que me inculcaram há anos em nome da defesa dos sonsos como espécie a proteger da agressão, no sentido de limpar alguns sonsos do meu horizonte visual quotidiano, assim a ver se mudam de passeio quando vamos em trajectórias potencialmente concordantes.

Ainda não deu para avaliar todos os efeitos, mas pelo menos já me fez ficar um pouco melhor comigo mesmo e quero mesmo acreditar que me reduziu os níveis de secreção de cortisol. A sério. É como se, por fim, tivesse começado a ver o fim a uma praga de brotoeja comichosa.

Era um pequeno prazer que me andava a negar a mim mesmo, sem vantagem outra que não fosse evitar este ou aquele olhar reprovador e a confirmação da minha discutível civilidade. Quando a efeitos negativos, a acumulação da exposição regular à sonsice ou sonseria estava claramente a afectar-me o brilho da cútis e a ensombrecer-me o olhar.

Agora posso dizer: há uma boa parte de mim que sorri com vontade quando vejo certos sonsos acelerar o passo para evitarem cruzar-se comigo. E as manhãs sorrirão sempre ensolaradas na minha direcção, mesmo quando os dias se convencerem que o Outono chegou.

Não elimina a questão das quotas para a progressão (imposição do SIADAP; etc, etc). Deixa muito por explicar. Precisa de aprofundamento sério de muitas questões. Não é fácil mas também não é tarefa hercúlea. Quem resolveu tudo num dia até ao início da madrugada consegue isto em menos de uma mão-cheia de reuniões de trabalho e não de conversa fiada, beijinhos e telepizzas.  A menos que tenham outra agenda a cumprir.

Quanto a mim, tanto se me faz. Esta ou outra, pessoalmente, nem me amorna, sem me desarrefece.

Nem na antiga nem na nova pretendo que me considerem munta bom ou xalente e muito menos tenho interesse em avaliar terceiros.

Uma coisa eu conclui da leitura dos comentários em posts anteriores: a partir das cinco da tarde de hoje deu-se uma enorme conversão de professores à avaliação interpares da própria escola. Coisa equivalente em dimensão à benzedura ordenada por D. Manuel no Terreiro do Paço que criou milhares e milhares de cristãos-novos.

A sério: acho que há gente – e agora acredito piamente que serão muito mais do que os que o assumem a descobertoque já se ambientou muito bem a esta ADD e aos RAA copy/paste feitos com base naquele livrinho que circula em pdf pela net.

Felizmente na sondagem lá mais em baixo, a maioria dos cerca de 330 votos recolhidos até este momento está na expectativa, que é a atitude certa.

Quanto à gritaria: aconteceria sempre, já é reflexo. Já é modo de vida.

Pacheco Pereira começou um dos projectos de que mais gosta: fazer aquilo que critica aos outros e disparar forte e feio sobre toda e qualquer liderança do PSD que não o designe como eminência intelectual.

Em abono da verdade, diz algumas coisas certas, apenas se esquecendo que o próprio não tem currículo imaculado.

Há quem reaja, de forma mais ou menos ofendida, mas a realidade é o que é: muito blogues funcionam como alavancas a vários níveis para os seus escribas, coisa que se nota com grande facilidade para todos os lados do espectro político e não apenas ao nível do Centrão.

De um post de Pedro Picoito no Cachimbo, retiro uma parte que a Ana Silva me enviou por corresponder ao que penso da figura em causa, não por me ter cruzado com ele em disputa menor, mas porque entre nós temos protagonistas com uma assinalável falta de qualidade, civilidade e tanta outra coisa, que se elevam bem alto muito cedo na “Carreira” e depois ficam a zanzar por aí à espera de encosto (e são dos que criticam o encostanço ao Estado e dizem-se liberais) a qualquer coisa do Estado, como a administração da CGD:

Uma coisa é um blogue que nasceu com o objectivo prioritário de fazer campanha por Passos, como o Albergue Espanhol, em que o Professor-Doutor-Ó-Meu-Deus Nogueira Leite até escrevia sob pseudónimo para melhor insultar os adversários do passismo, por sinal o tipo de práticas que a direita blogosférica sempre criticou no Corporações. (Lembram-se da Maria João Câncio Marques? Fariam bem em lembrar-se: o nome diz tudo.)

Nos comentários assinala-se uma coisa que me pareceu sempre evidente em muitos textos de Nogueira Leite: a necessidade de beneficiar de mais horas de aulas de Língua Portuguesa, ao nível do 2º ciclo do Ensino Básico, tamanhos os atropelos à sintaxe. Árduo deve ser o trabalho dos revisores/editores dos livros a que ele emprestou o nome para a capa.

… e fingindo não ler, na base da hipocrisia enviesada?

Podia, mas não era a mesma coisa e o espaço, ademais, já está ocupado e bem ocupado.


Ramiro Marques não adjectivado, claro e conciso:

prof ramiro marques says:

11 de Julho de 2011 17:31

Exato, Wegie.
Escrita adjetivada e encriptada é na chafarica do lado. Própria para excitar e chamar a turba ao combate. Aqui, prezo a escrita limpa, clara, concisa, rápida.

Vou ser mesmo mauzinho: os pensamentos, mais do que os escritos, são tão rápidos que nem poisam…

Mas tem razão: chafarica, turba e combate não são adjectivos.

Uma dúvida: 100.000 seriam uma turba? E 120.000, um turbilhão?

Mas só contra o PS, certo?

Alguma orientação, em tempos de incerteza, precisa-se… Sem o PS no Governo, meu Deus, quanta colherada fora da canja.

Página seguinte »