Gave


… e basta enunciar a independência para ela se materializar, pois a Lei é o Verbo e o Verbo cria a Realidade.

Fica aqui (DecLei102de2013) o acto de nascimento da agência independente de avaliação que apenas se esquece de explicar como serão recrutados os novos profissionais completamente independentes do instituto ou como, só por mero acto legislativo, os anteriores perdem o manto de mácula e se adquirem uma pureza nunca vista.

Como é costume, legisla-se a orgânica complexa, mas esquecem-se os procedimentos concretos.

O IAVE é independente e puro na sua missão, enquanto o GAVE aparentemente era dependente e duvidos.

Entretanto, quando é que podemos começar a contar o ano zero para construir uma qualquer série de dados sobre a avaliação que sirva para alguma coisa?

… mas nunca retroactivamente para quem está no 12º ano e só agora descobre a novidade.

O rigor não passa por isto. O rigor passa por informar atempadamente os interessados das condições em que vão trabalhar e só depois exigir um desempenho a propósito.

Assim é tudo um enorme circo, em que ninguém pode estar seguro seja do que for.

Informa-se os professores, os alunos, os encarregados de educação e o público em geral que, de acordo com a Portaria n.º 243/2012, de 10 de agosto, conforme expresso no n.º 5 do art.º 13.º – «Os exames finais nacionais realizam-se nos termos definidos no n.º 3 do artigo 29.º do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, e incidem sobre os programas e metas curriculares relativos à totalidade dos anos de escolaridade em que a disciplina é lecionada».

Com a alteração legislativa atrás referida, os exames nacionais das disciplinas de Português (639), Matemática A (635), História A (623) e Desenho A (706), a realizar em 2013, têm por referência os programas dos 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade.

Hélder Sousa, director do GAVE deu uma entrevista ao Expresso onde afirma coisas perfeitamente correctas (que só faz sentido estabelecer comparações ao longo do tempo quando as amostras são significativas), mas outras absolutamente incompreensíveis, porque completamente contraditórias. Atente-se nesta parte:

Muitos interlocutores consideram que as provas estão bem feitas se os resultados forem semelhantes de um ano para o outro, Este raciocínio assenta numa premissa errada – a de que não há evolução do conhecimento. Mas também é verdade que entre 2007 e 2009, em alguns casos, houve uma inflação descontrolada dos resultados. O mais mediático foi o da Matemática A, em 2008, que deu um salto de quase quatro valores.

Houve interferência política?

Teoricamente sim. Ninguém acredita que os alunos melhoram assim tanto. Mas eu nunca senti interferência, com o Governo anterior ou com este. Se aligeirarmos a exigência, porque isso pode ser interessante para as estatísticas e para resolver o problema do insucesso, vamos ter críticas do ensino e dos empregadores dizendo que os alunos chegam sem preparação superior. (…)

Diz que nunca sentiu interferência do Ministério. Mas houve orientações este ano para eliminar perguntas muito fáceis.

Face a este período recente de inflação das notas houve necessidade de fazer ajustamentos em alguns casos. A sociedade percebe que temos de ser exigentes. Mas não foram bruscos.

Só serei eu a achar que ou há aqui candura em excesso ou apenas uma enorme desorientação em declarações que se desmentem a si mesmas? Acoli admite-se-se que existiu o que se desmente aqui, enquanto lá se diz que aconteceu o que acolá se diz não se ter sentido?

Em tempo útil:

Recebido esta tarde… Será que um GAVE autonomizado funcionará melhor?

Caras e Caros Colegas,

Acabei de receber o Documento GAVE com alguns esclarecimentos relativos à classificação da Prova de História da Cultura e das Artes (código 724), 1ª fase.

Agradeço que verifiquem se têm algum caso em que necessitem de alterar as vossas classificações. Se necessitarem de solicitar algum esclarecimento podem fazê-lo, por esta via, até amanhã Sábado, dia 30 do corrente, ao final da noite.

Mais informo os colegas, porque tem havido algumas dúvidas em agrupamentos de exame, que a entrega das provas é na 2ª feira, dia 2 de julho, da parte da tarde.

(…)

Anexo: DOC GAVE 2012 _HCA_724_1F-1.

Na página 4 lê-se:

– Em curso: Autonomização do Gabinete de Avaliação Educacional. Prevê-se que o GAVE se torne uma entidade autónoma e independente, com competência na avaliação externa da aprendizagem dos alunos, a partir de janeiro de 2013.

O que significa isto, em termos concretos?

O que significa que o GAVE se vai tornar autónomo e independente? Que implicações tem, em termos orgânicos e da constituição dos seus recursos humanos? O que vai mudar? O corpo de autores de provas/exames vai ser permanente, mesmo se com alguns consultores externos? Vai ser descolonizado de grupos de pressão (do tipo, ontem APM, hoje SPM) ou de redes de amizades pessoais?

Vai ser possível acreditar numa estabilidade dos critérios de produção de exames? seja na estrutura, seja no grau de exigência?

A sério, o que vai mudar?

Stultorum infinitus est numerus.