Gastronomia


Não basta ter, aquilo não passa de uma calculatrix.

(cliquem…e lambuzem-se…)

Eles já andem aí, em matilhas de inquisitores, vais ficar a saber que virão pela calada, silenciosos como os ladrões. Forçarão a porta da tua casa e violarão o teu sossego. Porque eles são a autoridade, não poderás desejar sequer a autoridade. Colocar-te-ão questões do foro íntimo, troarão dichotes, não respeitarão nem a tua propriedade nem a tua escolha. Serás empurrado, pontapeado, já és criminoso e eles os executores; já estavas condenado, ou porque alguém te delatou, ou porque lhes apeteceu que sejas exemplo e pagues, que pagues com a vergonha e com a carteira.

Coitado, pensaste que os enganavas e às leis que eles fazem à tua revelia! Até votaste neles, imbecil! Agora pagas! Agora nem o teu filho recém-nascido vais poder fazer baptizar, embora tivesses encontrado um padre compreensivo e dois cristais de sal te ficassem por uma fortuna no mercado negro – alguém que terá ido, muito à sucapa, até junto do mar. Terá sido ele que te denunciou? Ou a madrinha? Como pudeste confiar em tanta gente? Agora estás tramado, vão-te enviar para as novas oportunidades, será o teu descrédito final!

Mas antes farão com que chores, nem te digo como, e ligar-te-ão à máquina-infalível, ao Cloretógrafo de Sodiómetro, e verterão nela o sal do teu sofrimento de quereres ser liberto. É uma máquina que não funciona, por isso é infalível – magalhónica, de um azul fripó  todo de cheiro a estrume rosado – já estavas condenado por não esconderes de todos o teu electrodoméstico de fazer pão, agravado por não dissimulares devidamente o forno a lenha. Duas penas!

És um mau exemplo para a sociedade socialista, irás ser destruído!

Pensavas almejar a sindicóide, os da vitória do sal só para eles?

 

Também podia ser para o “pombinho”, mas a ideia era mesmo o arroz de pombo.