Ganância


Em entrevista ao jornalista da Antena 1 Nuno Rodrigues, Rodrigo Queiroz e Melo reconhece que ao ser necessário um visto prévio do Tribunal de Contas, por causa do volume das verbas em causa, era de prever algum atraso, mas não o que acabou por acontecer.

Rodrigo Queiroz e Melo admite vir a pedir juros de mora ao Estado pelo atraso na resolução deste problema. Em causa estão, pelas contas do responsável, cerca de 3,8 milhões de euros.

A estratégia do actual desgoverno é já bastante clara, até porque se as eleições estiverem lixadas não haverá mais tempo para fazer a obra.

A ideia é vingar o PREC, tirar completo desforço de todos aqueles que se considera terem sido beneficiados ali por meados dos anos 70 e em alguns momentos posteriores e reconduzir Portugal a uma situação de penúria ou pelintrice a fazer lembrar os tempos saudosos em que só alguns podiam gabar-se de ser “algo” e em que eram ainda mais fácil distinguirem-se da arraia-miúda.

Em termos de serviços públicos começa a verificar-se uma degradação assinalável em virtude do desinvestimento financeiro, da não actualização de alguns meios técnicos (excepto no caso do fisco) e da activa hostilização dos meios humanos para que se afastem ou aceitem a precarização e proletarização sem grandes protestos.

Se sempre foi esse o plano e apenas andámos algum tempo enganados?

É possível (há malta que tanto grita fogo que, de quando em vez até acerta), mas também é possível que a coisa se tenha descontrolado com um excesso de hubris do séquito de Passos Coelho, daquele relvettes e borginhos muito liberais que querem um Estado magro desde que lhes paguem para serem gestores públicos e poderem desmembrar e privatizar as empresas que poderiam ser lucrativas no sector público ou desde que os contratem como consultores de coisa nenhuma.

Já assistimos a isto na Inglaterra dos anos 80 com a mamã espiritual destes rodriguinhos e insurgentes afins de economia de algibeira, a firme e hirta Margareta. Recuperar daqueles danos foi complicado e nunca foi conseguido por completo. E por cá é o que se pretende.

Com um PS entalado entre o complexo de ser “responsável” e a deriva socrática, que tarda em apresentar alternativas ou em ir além da crítica contra aquilo que iniciou, o país precisaria de uma “terceira via”, de uma alternativa à esquerda, que não fosse aprisionada pelos egos imensos de gente que precisa ser vizir em lugar de qualquer vizir e ter uma plataforma ou movimento em que esteja na fila da frente, fazendo lembrar uma velha passagem de A Vida de Brian.

Mas voltemos ao início… o anti-PREC acelerou muito para além de qualquer troika e este ano de 2015 – apesar de todas as cortinas de fumo da propaganda – será o ano da demolição do que foi sendo construído durante as últimas décadas e está a ser feito de um modo que pretende ser mais ou menos irreversível.

Os danos na Segurança Social, no funcionamento da Educação e da Saúde já são bem evidentes, mas o pior, mesmo o pior, ainda está reservado para este ano, com a cumplicidade de grande parte de um poder local que acede a tudo em troca de um envelope financeiro.

Para quem possa achar que o pior já passou, eu diria que o pior está ainda para vir, porque há menos de nove meses para concluir o que terá sido pensado para dois mandatos.

Empresas de mediação imobiliária defendem manutenção do programa de vistos gold

Depois de tudo o que sabemos – e que eles já sabiam há bastante tempo – percebe-se melhor que apenas queriam mais um pote para lamberem o mel e nos deixarem a pagá-lo.

É, realmente, muito interessante recordar todos aqueles que defenderem essa medida, ainda muito recentemente, e questionarmo-nos sobre o porquê…

A ânsia de poder de certas pessoas parece cegá-las para o facto de a sua credibilidade não depender deste ou aquele parecer mais ou menos manhoso.

Passa por não se apresentarem perante os outros como lapas agarradas a toda e qualquer forma de poder que lhes passa perto das mãos.

Pub24Jan14

Público, 24 de Janeiro de 2014

Educação, ciência e economia: um ministro pouco sábio

O que falta dizer é que esta investida de Pires de Lima sobre a Educação mais não é do que a maneira de deitar a mão a verbas destinadas a formação profissional que ele quer canalizar “da forma certa” enquanto Nuno Crato se deixa ficar, com o barrete até aos pés numa versão benigna das coisas.

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