Futurologia


Portugal deve fechar 2015 com almofada financeira de 10 mil milhões de euros

Lá como cá, 2015 será ano de eleições…

After a year of reshuffles and with a general election looming, what can teachers and education professionals expect from the new year? Our community share their views.

With the general election five months away, students share their political wishlists for the new year

Why 2015 might well be mankind’s happiest new year

… até o jogo acabar.

E a ver se, ao 6º jogo, finalmente uma equipa treinada por um português consegue marcar um golo. Na baliza certa, se não for pedir muito.

Passo a transcrever excertos de um ponto de situação feito por alguém que esteve no Congresso da APPI e que ouviu o director do IAVE:

Foi anunciado que em 2015 vai ser aplicado o PET no 9º ano (acho que o KEY passa para o 7º ano) e dentro de 5 anos aproximadamente o FCE Será aplicado no final do secundário.

(…)

Anunciou ainda que em Junho de 2015 vão oferecer gratuitamente aos professores os exames para os módulos 1, 2 & 3 do TKT, que é um exame de Cambridge para professores que avalia conhecimentos de metodologia.http://www.britishcouncil.pt/en/exam/cambridge/which/tkt.

Mas qualquer pessoa com um nível B1 (PET) pode fazer o TKT. É o certificado mais básico para professores. Muitas vezes, quem o faz são pessoas desempregados várias áreas para dar aulas no 1º ciclo. Ou seja qualquer pessoa com inglês ao nível do 9º ano pode fazer esse exame.

(…)

Segundo me foi dito,  o dinheiro dos certificados vai ser investido em Teacher Training e aposto que vai direitinho para Cambridge porque certamente o MEC vai ter que pagar os exames TKT dos professores.

Quanto aos problemas que se estão a verificar este ano, os professores são uns ingratos, segundo ele, porque não conseguem ver que ser Examinador de Cambridge é uma oportunidade excelente para desenvolvimento profissional e que em Portugal os professores só conseguem ver o “dark side of the moon”.

Também disse que se as coisas correrem mal este ano, os professores é que são os culpados por não quererem colaborar como deve ser para o bem dos alunos.

Resta acrescentar – digo eu – que a expansão deste sistema de testes e da respectiva certificação a pagantes deve ser uma das principais fontes de financiamento que o IAVE vai ter nos próximos tempos, mesmo que boa parte da verba sirva para pagar os exames TKT a Cambridge.

Ou seja, os alunos da escolaridade obrigatória que paguem a autonomia do IAVE a partir de testes obrigatórios que não contam para a sua nota.

 

Quem leu em devido tempo alguma da boa ficção científica do pós-Segunda Guerra Mundial com as suas projecções bio-políticas e bio-éticas (a referência óbvia é Philip K. Dick, mas não reneguemos Issac Asimov, Ray Bradbury, Clifford D. Simak, Poul Anderson, Philip José Farmer, o mais divertido Heinlein, o científico Arthur C. Clarke ou mesmo a ecologista Le Guin – e, sim, estou a deixar muitos de lado como o Stanislaw Lem) sabe que muitas das consequências do “progresso” podem ser regressivas.

E quem observar a História do mundo ocidental com um bocadinho de atenção não tem dificuldade em perceber que a partir dos anos 80 do século XX se instalou uma forte tensão entre a tendência para o alargamento dos direitos políticos, sociais e económicos dos indivíduos e para uma democratização do acesso aos benefícios do “progresso” e uma reacção destinada a conter essa mesma tendência, em nome dos encargos que ela acarreta.

Ao mesmo tempo que projectava os seus valores democráticos para o resto do mundo, o Ocidente dava início a um processo interno de regressão no combate às desigualdades e no acesso generalizado ao que de melhor pode ter o avanço científico e tecnológico para a Humanidade, se excluirmos os gadgets da equação.

Por isso, não nos entusiasmemos pois muito do que se anuncia como fazendo parte de uma aurora cantante destina-se a um nicho “de mercado” muito restrito.

As pernas biónicas do Pistorius convivem de muito perto com milhões que nem as vacinas essenciais ainda recebem.

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Visão, 9 de Janeiro de 2014

 

2014 : crise ou reprise ?

… aposenta o Estado e o declara coutada privada para os seus gamins.

Clicar na imagem para mais detalhes:

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Moreira e Pizarro assinam acordo de governo para o Porto

Entendimento pós-eleitoral, com atribuição de pelouros ao PS, garante exercício de mandato com maioria absoluta.

estima-se que o Benfas não perderá nenhuma final este ano…

… saem os resultados dos concursos de docentes mas… nos tempos que correm a fronteira entre informação credível, boato e wishfull thinking é a mais porosa se sempre.

Resta saber se são fontes credíveis como da outra vez…

Resposta breve (2000 caracteres) dada a uma questão sobre os desafios que se colocam aos professores num tempo de incerteza social e progresso tecnológico:

O senso comum e as tendências mais recentes apontam para a necessidade do professor se relacionar de forma cada vez mais estreita com os meios tecnológicos para tornar o seu acto de ensinar mais eficaz e capaz de atingir os alunos, cada vez dotados mais precocemente de ferramentas para a pesquisa e obtenção de informação.

No entanto, por ser pletórica, produzida em massa e distribuída sem um critérios fácil de identificação de autenticidade ou fiabilidade, essa informação necessita ser filtrada, organizada, articulada e sintetizada para que seja possível obter aprendizagens significativas.

Isso significa que, de uma forma que não acho paradoxal com o progresso da técnica, os professores necessitam reforçar a dimensão humana e específica da sua função. No sentido em que devem ser cada vez mais capazes de dominar os conhecimentos que devem transmitir e de dotar os seus alunos com as ferramentas críticas indispensáveis para organizar as suas aprendizagens em meios extra-escolares.

Ao contrário das tendências que defendem a formação de professores generalistas, mais especializados em meios técnicos de difusão de informação do que nos saberes disciplinares tradicionais, eu considero essencial que os professores do futuro sejam profundos especialistas nas suas áreas disciplinares de docência e na capacidade de transmitirem conhecimento de uma forma mais eficaz do que a televisão, a internet ou quaisquer novos meios que venham a surgir.

Desde os primórdios do processo educativo é essencial o papel do “mestre” na condução dos seus “discípulos” na descoberta de um conhecimento cada vez mais vasto, desorganizado e com versões concorrentes que só o desenvolvimento do espírito crítico, de análise, selecção e síntese pode tornar útil para além da mera replicação.

Num tempo em que a inovação parece depender mais dos aspectos técnicos do que dos humanos, a verdade é que estes são essenciais para evitar que o mecanicismo, a massificação e  despersonalização do acto educativo e a mera replicação acrítica da informação substituam o ensino personalizado, a criatividade e a capacidade para inovar a partir do conhecimento acumulado.

O que vou escrever é, de forma resumida, algo que se sabe há algum tempo e nem é novidade especial. Não resulta sequer do que ouvi ontem, embora incorpore alguns dos elementos ali disponibilizados. Como os meus colegas de painel assumiram a liberdade de serem reproduzidas as suas declarações pela comunicação social, julgo não estar a cometer qualquer inconfidência, pois em alguns jornais apareceram declarações claras no sentido do que vou (d)escrever.

Então vamos lá…

… o argumento/pretexto é a liberdade. E é algo poderoso que é feio negar ou contrariar. Passamos por estatistas, centralistas, quiçá soviéticos. Mas isso é apenas até ao momento em que se contra-argumenta e se demonstra que o gigantismo que vão assumindo as unidades de gestão e o centralismo dos pólos de decisão numa hierarquia rígida, baseada em nomeação e obediência, são factores de muito maior rigidez, controle e opressão do que aquilo que antes existia.

Mas concentremo-nos no caderno de encargos, que penso ser possível sintetizar da seguinte forma, de acordo com a minha leitura de não prosélito:

  • Concentração da rede escolar com um menor número de núcleos centrais, por forma a cada unidade de gestão abranger um maior número de “escolas” e alunos, por forma a permitir economias de escala.
  • Reforço do poder dos directores sobre a gestão das escolas e em particular dos seus recursos humanos, seja da contratação como da distribuição de serviço.
  • Estabilização financeira dos encargos, com a redução das progressões salariais dos funcionários (e por funcionários incluo pessoal docente e não docente), horizontalizando a carreira, não no sentido de ter um horizonte mas sim de ficar na horizontal durante a maior parte possível do tempo.

Deste caminho já foi cumprida a primeira etapa; a segunda depende de acertos relativamente fáceis de fazer e a terceira é aquela que ainda depara com alguns obstáculos, embora o congelamento da carreira tenha cumprido, de forma transitória, alguns propósitos que se pretendem aprofundar futuramente, com revisão do ECD ou aplicação de legislação colateral.

A eventual revisão do ECD, no sentido da indiferenciação da carreira docente, será objecto da coreografia negocial habitual, com diversas encenações e uma assinatura final por 5 a 7 sindicatos, com quem se adivinha a legitimar politicamente a coisa.

O plano é evidente e, repito, não é novo:

  • Aumentar a componente lectiva para 25 horas (de 50 ou 60 minutos?) num total de 40, limitar reduções dessa componente, reduzir o número de escalões para uns 5 ou 6 no máximo, alargando a sua duração, fazendo desaparecer os do “topo”, seja o 10º no qual ninguém está, seja do actual 9º de onde se vão aposentando cada vez mais colegas. O ideal nesta perspectiva seria um leque salarial entre os actuais índices 188 (ou 205) e o 299. Ou, em termos simplistas 6 escalões do índice 200 ao 300.
  • Ao mesmo tempo, fragmentar os concursos, atomizando-os localmente e deixando aos directores o poder de – com regras amplas de opacidade variável – recrutar quem bem entenderem para os seus projectos. Devido ao excesso da oferta, sub-emprego e imensa precariedade laboral actual, haverá uma bolsa de recrutamento abundante parta o novo lumpen docente.
  • Com a saída de muitos professores por aposentação e o estrangulamento das admissões, assim como graças ao argumento de sermos professores do (tera) agrupamento, o corpo docente é reduzido e torna-se mais maleável para deslocações pelos vários estabelecimentos da unidade de gestão. O objectivo, como no tempo da privatização das empresas públicas, é baixar os custos de funcionamento e fazer um downsizing agressivo dos encargos com a mão de obra para tornar a exploração do negócio mais atractiva para a iniciativa privada.
  • Com o aumento desmesurado das unidades de gestão e a complexificação da gestão, os actuais directores, em especial os que ainda resistirem à investida, serão progressivamente substituídos à medida que os mandatos se forem esgotando por uma gestão profissionalizada, eventualmente disponibilizada por grupos de tipo empresarial exteriores à lógica corporativa dos professores (esta é uma expressão não ouvida ontem, mas que circula amiúde pelos think tanks). Os orçamentos passarão a ser definidos a partir de uma quantia-padrão com ajustamentos caso a caso, com a liberdade de gerar lucros que poderão ficar à disposição da gestão.

Tudo isto será aplaudido por muita gente entendida e significará uma vitória da liberdade, da concorrência, da escolha.

Mas eu sublinho o meu argumento de sempre: liberdade pura há na selva e os predadores são os que mais a apreciam. E em sociedade a liberdade sem informação é uma ilusão.

Mas nada disto tem fundamentação empírica segura, sendo muito mais os indicadores inversos.

Aliás… já sabemos que – por efeito paradoxal e perverso – alguns destes mecanismos geram maior desigualdade, extremando desempenhos, acentuando clivagens e fenómenos de segregação.

A esse respeito, leiam com atenção este estudo do Banco de Portugal e as suas conclusões, que terminam assim:

Existe alguma evidência de que as escolas tenderão a agravar a desigualdade no desempenho nas regiões mais desenvolvidas, e o oposto nas regiões menos desenvolvidas. Entre outros fatores, estes resultados podem estar relacionados com uma maior oferta de escolas, no primeiro caso, e com o impacto de programas que visam apoiar os estudantes provenientes de zonas socialmente problemáticas, no segundo.

A minha prospectiva para 2013:

A Educação em 2013: Concentração e Distância

… o plano principal não era o co-pagamento, mas sim a repartição do bolo do orçamento do MEC por algumas coutadas, por via de uma maior privatização do que agora é o ensino com gestão pública.

Esse objectivo ainda está em decurso, com escassa fundamentação empírica e muito voluntarismo dos interessados, uns com maior sinceridade, outros por pura ganância.

Só que há um detalhe a entravar um maior interesse… estender a rede de alguns grupos privados, com meios próprios ou alheios, implica uma de duas coisas, que urge solucionar enquanto há Governo:

  • Alargar a rede de estabelecimentos, no caso do alargamento dos contratos de associação, e o tempo é de vacas magras para apoios e isenções para a construção de novos equipamentos. Pelo que agrada assumir a gestão das escolas públicas já existentes, muito em especial as Secundárias intervencionadas, que dispõem de bons equipamentos e são bem mais atractivas do que as esquecidas Básicas 2/3. Para além de que são propriedade da Parque Escolar… e talvez já se perceba porque não foi extinta… e são ideais para o tal Ensino Dual, o mais caro de acordo com os estudos que servirão de base para os contratos… Perceberam agora?
  • Ter de aguentar com aqueles malvados dos professores da rede pública, muito habituados a direitos laborais e privilégios diversos, no caso da gestão de estabelecimentos públicos por gestores ou grupos privados. Pelo que há que embaratecer os custos de produção, o que significa, no caso da Educação, baixar os custos com os salários e cortar as hipóteses de progressão. Para além de alargar os mecanismos de domesticação da autonomia real dos professores. É o que está em curso com o empurrar dos professores mais caros para a aposentação e a redução de efectivos de modo a tornar mais atractiva (alguém dirá racional, mas…) a tal gestão privada.

Resumindo, lembrem-se do que se passou com as empresas públicas sempre que as quiseram privatizar ou aceitar privados na sua administração…

Escolas prevêem ficar com sete mil horários zero

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