Fretes


 

barriga de aluguer dos oitavos passageiros ferozes

 

 

E na opinião publicada, incluindo com chancela académica?

E na pseudo-informação “especializada”?

E aparentada?

FMI quer mais reformas, consenso e salários mais baixos

Isto da parte de quem repetidamente falha cálculos e previsões, que lamentou os efeitos inesperados da austeridade e que era necessário uma nova fase nas políticas de reajustamento?

O frete, desculpem, artigo do Marques Mendes na Visão da 5ª feira passada sobre a liberdade de escolha não vale o papel em que está impresso e nem chega a uma folha.

Até porque o recadeiro do poder que está parece ter sido apanhado em contra-mão pela mais recente hesitação do próprio MEC que, quiçá, terá reparado que este tipo de negociatas fica mal mesmo a quem parece ter carreira feita.

E mais não digo.

… que agora parece especialmente destinada a saraivar os professores a todo o custo. O pretexto é mais um relatório de coiso, feito pelos seilásessão alguma coisa de jeito, pois têm falhado tudo o que é previsão.

A ancoragem interna nos borginhos e lobbys conexos que se passeiam e saracoteiam com escasso pudor e evidente lascívia pelos corredores dos ministérios é muito, muito forte.

Os factos passaram a ser empecilhos, perante a sedução da narrativa. Falseada.

A sério, não é com os métodos e rotinas do costume que isto se trava.

E tudo é servido de forma ainda mais insidiosa do que antes, porque o actual ministro sorri enquanto Roma arde.

Ou… nova divulgação da encomenda feita ao FMI servida a/por quem se coloca a jeito, mesmo depois de demonstrada a falsidade dos dados.
.
É uma espécie de segunda vaga de lavagem ao cérebro.

FMI atribui ineficiências na educação ao excesso de professores

Agora vejam lá a medida da encomenda:

Ainda neste estudo, os técnicos defendem que “reformas na educação podem ter um impacto potencialmente grande na eficiência e equidade”. Os técnicos frisam que apesar de Portugal gastar mais do que a média europeia com a educação, os resultados apresentados deixam a desejar, apontando por exemplo “as altas taxas de abandono escolar no ensino primário e secundário”, os resultados a ciências e matemáticas abaixo da média, entre outros.

Seria de espantar – caso não fosse natural – que o Jornal de Negócios continue a citar e tomar como bons os dados que já se demonstrou estarem desactualizados. Os encargos com a Educação estão abaixo da média da OCDE desde, pelo menos, 2011-12, enquanto os resultados passaram a estar ma média ou acima dela.

Mas… o Jornal de Negócios decide fazer tábua rasa disso e continuar a servir de eco.

Porque o faz? Não sei. Talvez… sobrevivência?

E agora vejam lá o final da encomenda:

Mas os técnicos do fundo sediado em Washington inovam nas recomendações, dizendo que “a consolidação orçamental pode ser o gatilho para um objectivo mais estrutural que não apenas as poupanças no curto prazo”. E neste sentido sugerem que a “rede de escolas podia estar mais racionalizada, dado que as escolas primárias estão a enfrentar uma quebra na procura (devido à demografia)”.

Por outro lado, prosseguem, “o ensino superior enfrenta uma procura crescente”. Além disso, consideram que “a educação profissional poderá ser ainda mais desenvolvida para melhor atender às necessidades do mercado de trabalho”.

O que parece que no Jornal de Negócios não leram foi aquela parte – ao que consta rasurada da primeira versão para esta do relatório em que se recomendava o fim de metade dos contratos de associação com escolas privadas.

Pois… o jornal é de matérias económicas e engole-se tudo o que apetece engolir.

E como o domingo está chuvoso mandei este post para o excelentíssimo senhor director, que muito admiro quando escreve sobre o que percebe, mas que, realmente, nada percebe de Educação e parece gerar preconceitos sobre os profes pelos ouvidos, não se dando ao trabalho sequer de buscar contraditório para a encomenda do Governo feita ao FMI e retocada a gosto.

Relatório do FMI teve “mão” do Governo

(…)

Houve mão do Governo no recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) com sugestões para o corte de quatro mil milhões de euros na despesa pública. É o próprio FMI que o confirma, em resposta a questões colocadas pela Renascença.

Ou o PR a funcionar como garante da estabilidade governamental, uma função que não parece estar consagrada na Constituição, enquanto esquece algumas das que estão, desde logo a do respeito pela dita cuja que alguns tanto abominam.

Já se percebeu que, um dia, sabemos lá quando, quando escrever um prefácio aos seus discursos ou novo volume de memórias, ficaremos a conhecer todas as reservas com que fez tudo isto, como quando assinou de cruz todos os desmandos do engenheiro.

Afinal, a rainha de Inglaterra não era o PGR…

Exp15Dez12

Expresso, 15 de Dezembro de 2012

 

43% dos funcionários públicos trabalham na educação, ciência e cultura, 4 em cada 10 funcionários trabalham na educação?

Até pode ser que sim, mas acho que as contratações televisivas com dinheiro público equivalem a muitas dezenas de zecos.

Será estratégia defensiva para manter os lugares confortáveis na RTP?

não salvem o idiota

Eu Relato, Tu Delatas, Ele Deleta, Não Desata Nem Acta

Ferro, Ferro E Mais Ferro, É Tudo Lata

vitalomaior

Público, 10 de Março de 2009

Eu até poderia comentar, sublinhando a continuidade do pensamento vital desde os anos 70 nesta matéria. Ou seja, que a educação das crianças é uma tarefa do Estado, o Grande Nivelador. Mas depois ele ainda considera isso um ataque baixo e ignóbil a toda a sua majestade pessoal.

E por aqui se nota que o núcleo duro do Partido de Sócrates vai erguer a Educação como campo de batalha privilegiado por ser aquele que, atingindo as famílias de uma forma mais amplaalgo ressoa aqui de outros tempos – pode ser eleitoralmente mais compensador. Por isso mesmo é aquele onde qualquer combate que se trave deve ser feito com maior tacto e atenção às questões da opinião pública.

Porque tudo valerá como arma e argumento na caça ao voto.

Quanto aos argumentos de VM nesta matéria são os da propaganda A a Z do ME. Nada mais.

mlrdn1-22nov08

Eu acho um razoável despudor político-jornalístico esta peça de Fernanda Câncio no DN de hoje sobre Maria de Lurdes Rodrigues. E escrevo-o sem problemas nenhuns em receber alguma daquelas farpas anavalhadas que a jornalista em causa gosta de lançar sobre quem a critica, em especial na blogosfera, blogosfera de que se soube servir, em tempos, com verrina bem ácida, mas quando lhe convém passou a olhar de soslaio.

Só que este retrato, nesta data, com este tipo de prosa, tresanda a um aroma de putrefacção. O aparelho instalado pelo Governo/PS no grupo JN/DN foi posto em movimento e procura reagir de todas as maneiras em defesa da sua ministra, que neste momento só não é um cadáver político ambulante para meia dúzia de interessados em usá-la como mártir oportuna.

Pior, só mesmo a confissão da própria que ainda tem como seus, os ideais anarquistas como «filosofia e sistema de valores». Ou melhor, a acreditar pelo estado em que está a deixar a Educação, julgo que até é capaz de ter razão: a anarquia está prestes a ficar instalada.

mlr3dn-22-11-08

(o meu agradecimento ao Fernando Oliveira pelas digitalizações oportunas)

Olhem-me lá estas e estes jovens a opinar sobre o que manifestamente não percebem:

JS acusa sindicatos de instrumentalizar professores

Toda a peça que se ssegue a este título revela atéque ponto um frete quando é feito com escassa informação e nulo saber acaba por cair no mais absoluto ridículo.

Nem vale muito a pena analisar o conteúdo do comunicado da JS, organização de aviário de políticos para o Parlamento Europeu, precocemente envelhecidos, que durante todo um mandato não soube produzir uma ideia – UMA que fosse – sobre o sector da Educação, antes se preocupando em avançar e recuaqr em torno de questões fracturantes lá pelo bairro deles. Pior só mesmo o Camilo Lourenço ou o bio-Miranda do Blasfémias que posta mesmo só para chamar as atenções, sem saber ao que anda.

O que eu gostava mesmo é que a Juventude Socialista servisse para mais do que para sair a terreiro três vezes em cada mandato em que o PS está no Governo para fazer prova de vida com uma proposta parlamentar qualquer destinada a catapultar o seu líder para um qualquer lugar agradável na nomenklatura do Poder ou para fazer este tipo de favores a pedido.

Quanto a instrumentalização, a atitude da JS é o mais límpido exemplo.

Quanto aos sindicatos e aos professores, deveria ficar bem esclarecido o seguinte: no momento actual são os sindicatos que andam a reboque dos professores, tentando não perder o comboio. Personalizar na Plataforma, na Fenprof ou em Mário Nogueira as críticas visando abater umas árvores para acalmar o incêndio, apenas revela até que ponto se desconhece que é toda a floresta que está em chamas.

E é absolutamente caricato acusar os sindicatos de não representar os professores, mas apenas alguns e depois querer que todos obedeçam a um Entendimento que não assinaram. Eu até lhe dei o benefício da dúvida inicial, mas apenas o encarei sempre como «trégua», assim como a larga maioria dos docents. Como se viu ainda no passado sábado. E nem vale a pena virem do ME com filmagens a querer fazer crer que aquilo eram «famílias», como é possível que seja a futura investida da propaganda ministerial.

Para além das declarações da protagonista, a entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues ao Expresso é ainda notável ainda pela forma como é conduzida pelos entrevistadores, que se limitam a estender um tapete rosado para que a Ministra da Educação surja como uma justiceira reformista, objecto de uma contestação de rua movida por uma cambada de malandros, os docentes.

As 8ª e 9ª perguntas colocadas a MLR contêm em si todo um programa interpretativo e um juízo de intenções sobre os actos dos professores. Basta ler:

Como podemos ter confiança num sistema de ensino onde a quase totalidade dos professores não quer ser avaliada?

e

Esperava que os professores respondessem à exigência de serem avaliados com uma “manif” de 100.000 professores?

Repare-se que, em duas penadas, os entrevistadores dão como adquirido, sem o demonstrarem ou se fundamentarem em algo mais do que preconceitos pessoais (várias vezes alardeados por Henrique Monteiro nas suas colunas de opinião) que:

  • O sistema de ensino não merece confiança porque os professores não querem ser avaliados.
  • A «quase totalidade» dos docentes não quer ser avaliada.
  • A manifestação de 8 de Março foi motivada apenas pela recusa da avaliação.

Quando a desonestidade intelectual da pergunta é tamanha, à resposta nem é requerido que se esforce, como acontece com as declarações que se seguem de MLR.

Mas estes entrevistadores são os mesmos que, de tanta vontade de apresentar MLR como uma espécie de Pasionaria, não hesitam na primeira página e depois no texto em escrever que ela «foi o rosto da primeira grande manifestação contra o Governo».

Claro que a frase está mal construída, porque MLR não foi o rosto de nenhuma manifestação (pelos menos desde início dos anos 90, quando iniciou a rota de afastamento do ideário anarquista), mas sim o seu alvo preferencial.

Colocá-la como frontwoman da Marcha da Indignação só poderia ocorrer a espíritos muito planantes ou então a quem usa a Língua Portuguesa como se de um empecilho se tratasse.

Porque não deixaram que fosse o Comendador Marques de Correia a lavrar a prosa?

Claro que podemos acreditar que nada disto é a propaganda a funcionar ao milímetro, com a conivência (activa ou ingénua) de alguns órgãos de comunicação social.

Esta semana José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, dois dos cenhos mais franzidos do Governo e duas das personalidades menos capazes de admitirem um erro que seja naquilo que fazem, decidiram mostrar o seu lado «humano», para usar o lugar-comum.

Sócrates na RTP, Milu no Expresso.

A entrevista do Primeiro nem me dei ao trabalho de ver. Detesto políticos em campanha eleitoral quase tanto como Medina Carreira.

Quanto à nossa sempre querida Maria de Lurdes, por dever do ofício, decidi ver/ler a entrevista conduzida por um trio de jornalistas do Expresso, encabeçado pelo respectivo director, Henrique Monteiro de seu nome, homem de obra consolidada na área da análise educativa. A acompanhá-los esteve o fotógrafo Tiago Miranda, autor de algumas das fotos mais perturbadoras para a minha psique nas últimas décadas de vida. Se ele ler estas linhas, quero confirmar que isto é um elogio. Perturbador, mas é. Porque foi um trabalho mais que árduo. Esperamos agora pelas fotos que nos venham a revelar todo o esplendor erótico de uma Manuela Ferreira Leite ou uma Isabel pires de Lima. Para não falar no lado libidinoso de um Bernardino Soares ou mesmo da deriva sensual de um Ângelo Correia

Desde logo é interessante o timing da entrevista, feita na terça-feira para publicação no sábado, após a divulgação dos resultados dos exames do Ensino Secundário que se traduziram, em especial em Matemática, em enorme níveis de sucesso.

Mas pela alegria estampada no rosto, MLR já teria conhecimento da boa nova na 3ª feira.

A entrevista publicada, propriamente dita, não é longa. Uma trintena de perguntas, algumas delas com respostas muito curtas. nem se percebe bem a dimensão da comitiva enviada pelo jornal. A menos que seja política do órgão mandar o director acompanhar os mais jovens, para lhes iluminar o caminho.

Mesmo com uma foto larga, caberia bem numa única página do jornal. Só que esticando e multiplicando as imagens deu para ocupar as centrais no Expresso com destaque no centro da primeira página.

Estranhar-se-ia tamanha generosidade de espaço não se soubesse que por aquelas bandas existe um certo e determinado carinho pela Ministra, ao ponto do questionário ser quase tão incómodo como o choque de um mosquito contra um comboio.

O seu conteúdo e a sua iconografia, apesar de tudo, são suficientemente sumarentos para ocuparem aqui um merecido espaço durante boa parte deste fim de semana.

Na página 26 do Expresso deste fim de semana aprece esta espécie de press-release assinado pelo jornalista João Ramos que transcreve com bastante rigor aquilo que o ME quer que se saiba sobre o maravilhoso novo mundo tecnológico que vai invadir as escolas até… 2010, claro.

Interessante a ausência de qualquer tipo de contraditório ou mesmo de afirmatório por parte de alguém vagamente ligada ao funcionamento do sistema de ensino no terreno. Podiam, pelo menos, ter ouvido alguém do Conselho de Escolas e não apenas declarações do coordenador do Plano Tecnológico da Educação.

Mas que fazer… o Expresso vai-nos habituando a uma peça deste tipo todas as semanas ou, quando há escassez, de 15 em 15 dias.

Vejamos como se estabelece um guião de questões neutrais, imparciais e em que nada se nota qualquer «interferência» da admiração declarada pelo entrevistador pela entrevistada.

Questionando sobre as consequências da avaliação para os professores:

– E os professores não têm consequências tão gravosas, pois não?

Sobre a forma como decorreram as negociações pré-entendimento e as pressões exercidas sobre os representantes sindicais::

– A chantagem, em suma, foi apenas esse alerta?

– Quis avisá-los que iam mesmo ser prejudicados?

Agora a fase albina-nova-paradimática da entrevista, ainda a propósito da avaliação e tal:

– É um novo paradigma?

– Era o tal paradigma de que falava?

– Esse paradigma foi alimentado politicamente durante muitos anos e deixaram os professores funcionar completamente à solta, não acha?

.
Agora sobre o processo legislativo na área da Educação:

– Não foram os sindicatos que determinaram durante anos toda a legislação produzida neste Ministério?

Sobre a qualidade dos docentes, que no curto entendimento de ARF apenas têm três hipóteses, duas delas negativas:

– Falando da qualidade dos professores. O ponto máximo de mobilização dos professores, na manifestação de 8 de Março, foi a avaliação. Muitos professores terão medo da avaliação? Qual é, em sua opinião, a qualidade média dos professores? É boa, medíocre ou má?

E isto continua por ali abaixo, sendo notável como uma grande parte das perguntas começa com uma fórmula próxima de «Não acha que…?», claramente a convidar a aquiescência da entrevistada para exercer o seu direito ao chicoteamento público dos professores, aparente motivo maior desta espécie de entrevista.

A certa altura julgo que, já retemperada pela ingestão de bolachinhas de digestão fácil, com bastantes fibras, mas nutritivas, é a própria Ministra que tenta colocar o bom jornalista num caminho menos «à solta» e quase parece «adorável» por comparação com o afã de ARF em enterrar por completo toda a classe docente, os sindicatos e respectivas famílias ascendentes, laterais, colaterais e descendentes.

Sinceramente, e ainda há quem diga que este mundo da comunicação social é para levar a sério. Isto é o mesmo que colocar o Luís Filipe Vieira a fazer uma análise crítica do desempenho de um árbitro que acabou de marcar dois penaltys contra o Sporting e outros dois contra o Porto no intervalo dos respectivos jogos.

Haja paciência e valha-nos que o CM é um órgão de comunicação privado.

Por inaudita comparação, antes a Judite de Sousa a grande-entrevistar o Fernando Seara.

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