Fracturas


Eu também já visitei um amigo em prisão preventiva e fui mesmo testemunha abonatória para que ele pudesse ficar em domiciliária para cuidar de uma sua parente com saúde instável. Mas não saí de lá a clamar a sua inocência aos quatro ventos, pois sinceramente achei que ele fizera asneira da grossa.

Aliás, acho que amizade é dar o apoio possível nos momentos maus a sério e não apenas quando se pensa que é tudo uma cabala.

Porto investiu 32 M€ na última década no parque escolar

A Câmara do Porto investiu, na última década, 32 milhões de euros na requalificação e manutenção do seu parque escolar, afirmou hoje o presidente da autarquia.

Autarquias do grande Porto cortam apoios a infantários

7500 crianças do pré-escolar perdem atividades, revela hoje o Jornal de Negócios. Os cortes orçamentais têm obrigado as principais Câmaras da Área Metropolitana do Porto a acabarem com as atividades extracurriculares nos infantários. Matosinhos é o exemplo mais recente.

SALTO À CORDA

O cordão
que nos abre
aos acres ventos de humidade e sombra,
a luva dura nos
abriga
ou é que nos enforca, nos afoga?
Mal saltamos à terra,
dela
nos soltam como às aves
da espécie das galinhas.
Mas o fantasma duma
linha cinza,
esse nos fecha os olhos
e diz: saltai à corda.
E é
questão então a de saber
se temos pés azuis
ou sangue negro e goma

que nos cape. O pé direito sobe,
oh, que vitória, no verdadeiro ar.

Mas que invisível fio
o puxa e traz à pequenez do outro?
Que terror
canaliza
cada comparação? De que margem,
de que maresia mesmo o cheiro
nos agrada?
Que pátria e que dolores?
Que malfeição?

(Um aceno
insular
habita o nosso olhar.
Uma pílula pink
dá-se ao dente que a
trinque.
E que ternura é esta,
rosa de sal, giesta,
serra aberta de
pinhas,
toque de campainhas?)

[Pedro Tamen]

O que vale mais? Meditar numa taverna,
ou prosternado na mesquita implorar o Céu?
Não sei se temos um Senhor,
nem que destino me reservou.

[Omar Khayyan]


Brasil-Portugal, nº 63, 1 de Setembro de 1901

Desde o início do ditoso ano de 2010 que o Ministério da Educação é uma entidade virtual, meramente cosmética, em tudo o que tenha a mínima implicação com a gestão financeira desta área da governação.

Resta à ministra a alegria com as «metas de aprendizagem» (que faz acreditar serem uma novidade…), ao SE Trocado da Mata andar pelo país numa de vendedor de ilusões e ao SE Ventura ter arranjado uns amigos novos para partilhar mágoas.

O resto é matéria do ministério da Finanças e não há que enganar: o terreno está a ser preparado para algo giro (o mais certo com a aplicação aos docentes das regras gerais da Função Pública) a arrancar o ano lectivo (para entreter as hostes até ao foguetório de inaugurações no dia 5 de Outubro) e depois para justificar novo congelamento nas progressões. Isso só para começar, que me parece vir aí coisa pior.

Do lado dos sindicatos, teremos uma multiplicação de iniciativas em trono da causa perdida da contabilização da avaliação para a graduação profissional. Haverá muitas notas e conferências de imprensa cada vez que for intentada nova acção ou algum epifenómeno tão irrelevante quanto os que existiram até agora nesta matéria. Bom… por sindicatos, entenda-se aqui a Fenprof que, bem ou mal, ainda existe, enquanto a FNE faz por parecer que existe, o SINDEP e o SPLIU surgem à tona d’água quando algum jornalista lhes faz uma pergunta, estando a restante dezena de agremiações sindicais entregues a uma existência de papel selado.

Quanto aos professores, estão entregues a si mesmos, num sistema que foi fragmentado e feudalizado em extremo, restando linhas de resistências locais e pouco mais. A luta neste momento é apenas por conseguir bolsas de oxigénio para ir respirando e esperar que nada corra tão mal quanto vai parecer que vai correr.

O alargamento (eleitoralista) da escolaridade para 12 anos é para ser feito sem custos adicionais, enquanto se esbajna dinheiro a rodos na ficção das Novas Oportunidades, pelo que esperem que o que venha a mudar seja para pior, ao contrário do que vos prometeram no rescaldo do acordo.

Quanto às vozes tresmalhadas irão ficando cada vez menos e mais cercadas por todos os lados, na tentativa dos actores pré-instalados eliminarem o ruído e reocuparem o espaço que esteve fugazmente perdido. Nesse aspecto, há uma confluência de interesses para se regressar à coreografia pré-2005. Restarão em maior sossego os encavalitados na luta, ou seja, aqueles que falam muito, mas arriscam nada, pois estão fora das escolas a tentar ganhar créditos para uma alternativa formalmente pacificadora, quando a actual clientela der lugar à nova.

Não sei bem se isto é um balanço da situação em matéria de Educação. Acho que não. Acho que é só uma pinceladela. A fazer um balanço a sério, seria uma obra muito mais ao negro. Sempre se poupava nas cores.

Sempre ficam aqui umas sugestões de leitura para colocar tudo em perspectiva histórica.

Já com isto concordo, porque é um fenómeno/problema social bem mais antigo, sem que nenhuma solução represssiva tenha conseguido mais do que nada.

Não concordo que a prostituição seja sempre uma escolha, mas quantas outras coisas o não são na vida pessoal e profissional de tanta gente. Ao menos que tenha as garantias que têm tantas outras actividades.

“Prostituição deve ser legal”

Alexandra Oliveira, investigadora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, doutorou-se com uma tese sobre a prostituição de rua no Porto, e defende que esta actividade deve ser regulada como qualquer outra profissão.

Ainda bem que é uma mulher investigadora a afirmá-lo. Quando sou eu, sou logo encarado com olhares próximos do punhal e uma reprovação moral evidente.

Esta sim é uma questão fracturante, tão fracturante que nem a esquerda a defende.