Fórmulas Mágicas


O mal está feito… agora, é divertida a forma encontrada para encontrar a solução, ou não. Acho mais que anda tudo no “ou não”. Com razão ou sem ela.

Compensar alunos sim, mas sem mais aulas por semana e fora das pausas lectivas

Por uns motivos ou por outros, docentes e especialistas nas áreas da Psicologia e da Educação consideram que não há maneira de resolver de forma completamente adequada os problemas provocados pelo atraso na colocação dos professores. Falam em soluções “menos más” e em “contenção de danos” e rejeitam uma overdose de aulas extra.

Claro que há soluções… o que neste momento não existe é boa vontade, embora exista muita prepotência a aparecer por aí.

Mas, pronto, eu não sou matemático, só que alguém enviou a demonstração para o Arlindo.

A coisa é bicuda, mas a insistência em atribuir posições relativas entre 0 e 20 está errada, em especial no que se refere à graduação profissional.

Podem ensinar isso na disciplinas de estatísticas aprofundadas das Universidades, naquela coisa dos multicritérios, mas neste caso não se pode aplicar.

… porque atribuir zero à graduação mais baixa, implica que toda a gente com menos de 9,5 seja excluída do concurso.

É mais simples (e mais óbvio) atribuir apenas o valor 20 ao valor máximo e fazer a conversão proporcional a partir daí, não atribuindo esse zero a ninguém, por ser injusto e implicar a exclusão de inúmeros candidatos (todos os que tenham menos de 47,5% do valor máximo, bastando haver um candidato com uma graduação de 40 valores para um com 19 ser excluído com base na lei dos concursos) sem que exista razão para isso.

E explica: “Verificando-se que uma das escalas (a relativa à graduação profissional) é aberta (porque não tem limite superior) e a outra é fechada (sempre entre 0 e 20), a única solução é procurar, no universo de todos os professores concorrentes, quais os valores máximo e mínimo de graduação profissional; tomar o valor mínimo de graduação profissional para zero da escala e o valor máximo como 20; converter proporcionalmente as notas graduação profissional de todos os professores para esta nova escala de 0 e 20; e, finalmente, calcular a média aritmética (com estas harmonizações) das notas da graduação profissional e da avaliação curricular”.

Já concordo com isto:

Não vejo, por isso, que razões possa ter o MEC para não a divulgar, assim como não entendo a demora na reelaboração das listas – com computadores isto resolve-se numa hora”, afirmou Jorge Buescu, frisando que a matéria “faz parte de um bem estabelecido ramo da Matemática e Teoria da Decisão, a Análise Multicritério, desenvolvido precisamente para concursos em que é necessário ponderar vários critérios”.

O problema mesmo é o tal critério de exclusão abaixo dos 9,5 valores. Acho que a minha solução leva a menos exclusões de acordo com a lei.

Claro que o raio da lei pode ser alterada…

Ainda quanto à BCE, a conversão das duas escalas a 20 não pode ser feita com o primeiro a ter 20 e o último a ter 0…Isso parece-me ridículo.

O Arlindo critica essa opção, mas também me parece que não opta pela solução óbvia… que é a passagem das percentagem para uma escala de valores, mesmo se isso implica a perda de pequenas diferenciações, se não for feita até, pelo menos às centésimas.

A fórmula que o Arlindo apresenta como possível de ser usada pelo MEC – 50%GP + AC (0 a 20) – em que GP é a graduação profissional e AC é a avaliação curricular está, de novo, errada.

Em qualquer dos casos, deveria ser feita a conversão do valor (da GP e da AC) a uma escala de 20, em que o valor mais alto corresponde a 20, aplicando-se depois uma regra de três simples.

Imaginemos que o mais graduado tem 29 pontos, aos quais correspondem os tais 20 “valores”. Um candidato com 23 pontos de GP passa a ter 15,86 “valores” (23×20/29). Um candidato com 17 pontos na GP passa a ter 11,72 (17×20/29).

No caso da AC, mesmo que calculada em termos de percentagem, pode fazer-se o mesmo. Os 100% valem 20 pontos… os 80% valerão 16 valores (80×20/100)… 65% equivalerão a 13 valores… os eventuais 43% transformar-se-ão em 8,6 valores (43×20/100).

E depois somam-se os dois valores e temos o valor final. Não é necessário fazer uma nova divisão por 2. Mas se for feita, também não vem mal ao mundo e ajuda quem só percebe uma ordenação até 20.

A mim parece simples, como a regra. Mas eu sou de História, teoricamente não percebo nada disto.

 

Ainda estou para perceber para que foi preciso tanto tempo, quando isto era coisa para se resolver numa manhã ou tarde.

EXp27Set14

Expresso, 27 de Setembro de 2014 (parte final do artigo sobre a falta de informação do MEC quanto aos professores que faltam nas escolas)

João Casanova de Almeida contou que a DGAE – da qual o director, Mário Agostinho Pereira, se demitiu na passada semana, na sequência desta polémica – “esteve durante todo o fim-de-semana a trabalhar” para resolver a questão das listas dos professores que foram ordenados com base num “erro” matemático. Segundo Casanova de Almeida, depois de “detectada a incorrecção”, os serviços vão apresentar uma “solução” para a “reformulação” das listas. “Vamos ter uma informação detalhada para podermos tomar as decisões”, afirmou. Mas essa solução ainda não existe: “Ainda não temos nenhuma informação na nossa posse sobre a solução, de qualquer modo o senhor ministro já garantiu que nenhum dos professores que está colocado será prejudicado.” Segundo Casanova de Almeida, este processo afecta cerca de 1% dos professores que as escolas necessitam.

E se depois, em vez de 1% forem 10%, ou 25%? Porque basta mudar um professor de posição e todos os que restantes mudam de posição relativa, mas para perceber isso deve ser necessário um pós-doc em Computação Avançada para Totós.

(já pensaram refazer aos cálculos e as listas manualmente? é capaz de ser mais…. fiável?)

… na harmonização com a melhor fórmula para encarar que amanhã é segunda feira e tenho uma resma de tempos lectivos…

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