FMI


O fim da Educação como a conhecemos… and I don’t feel fine!

Versão 2.0 e depurada, para breve, na edição em papel.

Ontem disse que era coisa para ser feita num mês, em regime pouco intensivo.

Fui injusto. As 11 páginas sobre Educação faziam-se num fim de semana.

Continuo curioso acerca do custo disto. Seis investigdores contratados como se fossem uma equipa do FMI para que alguns opinadores ancorados em alguma imprensa especializada em previsões falhadas possa dizer que agora é que é, o FMI está aí em força a dar as tácticas.

É mentira.

O estudo foi encomendado e as conclusões foram prévias à demonstração. Na área da Educação isso é por demais visível, tamanha a truncagem dos dados. Concordo com Manuel Carvalho quando diz que os ministros não se podem desresponsabilizar dos disparates sectoriais que lá estão.

Porque se tão minguado estudo (quando por aí há tantos, por exemplo, sobre a Segurança Social com documentação bem mais ampla) foi estudo em permanentes consultas com os membros do Governo, há quem só se possa desculpar, dizendo que delegou as coisas nos secretários.

No caso de Nuno Crato, as suas declarações públicas foram um renovado desastre , que o ar de embaraçado sorriso não conseguiu esconder.

O que apareceu no relatório foi a encomenda de um sector que vai (do)minando o MEC, com a paciência de quem espera por muitos, muitos milhões.

Poderia desenvolver mais o tema das encomendas e dos estudos que andaram e andam a ser feitos, aqui e ali, por quem e para quê, mas… guardemos isso para o crunch time.

Cujas conclusões são conhecidas bem antes dos tempos, como se percebeu pelos comentadores destacados para este blogue.

Entrámos numa zona muito perigosa da manipulação da informação.

Seria responsabilidade de alguma comunicação social abandonar a função de eco e exercer a tal de 4º poder… de informar e não propagandear.

A sério… esperava coisa melhor do Jornal de Negócios e de Pedro Santos Guerreiro. Por exemplo… informar-nos sobre quando foi feito este estudo, quanto custou… como se processou a encomenda…

O estudo é mau, senhor secretário de Estado adjunto, é mau. É mau não apenas porque foi encomendado para atingir certos objectivos, mas porque o faz com evidente incompetência.

Vejamos este naco:

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Embora não seja claro… se os autores reportam o número de alunos dos níveis de ensino “não-terciário”, julgo ser justo pensar que estão a falar de professores dos mesmos níveis de ensino.

Vimos no quadro inserido no post anterior que o MEC indica ter ao seu serviço 128.945 professores. Sejamos generosos. Vamos lá colocar 130.000 para comodidade e redondez do número.

Então temos 1 professor por cada português em idade activa? Portantosssss, shôtôre, deixa cá ver, 130.000 vezes 25 dá a modos que 3.250.000 portugueses em “working age”, ou seja, “idade activa” para os investigadores tipo-FMI.

Só que… raios, raios, raios… não bate certo!

De acordo com os dados oficiais… a população activa em Portugal situa-se nos 5.587.300 individuos. Os dados do censo de 2011 usados pela Pordata davam um pouco menos, mas mesmo assim mais de 5,5 milhões.

Uma diferença irrisória… apenas 2,25 milhões de tugas… um desvio daqueles de fazer inveja a uma PPP… ou obra pública contratada a amigos.

Phosga-se… c’a ganda erro!!!

E pagaram por esta… turd?

Se há coisa deliciosa nestes estudos é a forma como se rendilham os dados e se fazem os seus contornos.

Eu exemplifico com a questão dos rácios alunos/professor, que anda a excitar o Ramiro, mas apenas porque ele tem problemas básicos de enquadramento com a Aritmética.

Diz ele que em Portugal há 8 alunos por professor nos Ensinos Básico e Secundário (vamos lá ver se depois não muda o post e diz que se enganou…) e que é o estudo do FMI que diz isso.

Ora bem, entre FMI e Ramiro, venha Maomé e escolha o toucinho.

No estudo tipo-FMI temos o seguinte quadro:

FMI6

Só que estes números não batem certo com est’outro quadro que aparece um pouquinho antes:

FMI5Então é assim… para o ano usado no 1º quadro (2010), há 1.567.677alunos nos ensinos “primário” e “secundário” (supõe-se que este inclui a partir do 5º ano, mas a terminologia é de curioso e leigo no assunto) e os professores são 144.615, O rácio dá 10,8 e nunca o da ramirice, nem o do estudo tipo-FMI.

O pior é que falam em full-time teaching staff e no total de professores estão, como é óbvio, muitos com horários incompletos…

Mas há dados mais recentes, de 2011, em que – maravilha das maravilhas estatísticas – houve exactamente 140.000 professores, nem um a mais ou menos, coisa linda de morrer. E 1.536.339 alunos. O que dá um rácio de 11 alunos por professor (15,5 no “primário” e 9,4 no “secundário”).

O secretário de Estado adjunto Carlos Moedas pode achar que isto está bem feito.

Mas não está.

Foi feito à pressa, de forma distraída, com as partes a serem coladas conforme a mensagem desejada.

Aliás para 2012 avança-se um número abaixo dos 129.000 professores e para 2013 de 117.000. Mesmo que os alunos tenham diminuído para 1.400.000 (gosto de manter aquela harmonia baseada no nº 14 relativa ao º de docentes em 2011) ficamos com um rácio de 12 alunos por professor.

Ou seja, nada bate certo com nada e nem sequer ainda estamos a falar em substância… apenas na forma de apresentar os dados.

Que estão todos bichados.

Quanto custou ao erário público esta treta?

«Uma coisa é o relatório do FMI, outra coisa é o que se diz que é o relatório do FMI e outra coisa ainda é o que o Governo vai fazer», afirmou Nuno Crato.

E o que diz o relatório?

FMI3

Mas há pior… porque há um falseamento objectivo dos dados disponíveis acerca dos custos por turma,a pagando-se os dados mais recentes, com os ajustamentos resultantes dos cortes salariais pós 2009:

FMI4

A última frase é uma objectiva falsidade, novamente, pois as escolas TEIP recebem financiamentos específicos.

Mas tem um aspecto claro: o modelo GPS é o desejado.

Carlos Moedas elogiou o documento, considerando que é muito bem feito, e disse que envolveu consultas ao Governo.

Também concordo que Carlos Moedas o ache bem feito, embora não me pareça em Trebuchet.

Por bem feito, entendo que quer dizer que coloca no corpo do texto o que interessa, disfarçando umas coisitas em nota de rodapé para que não se diga que não está lá.

Falo pela área da Educação, que é aquela em que me é fácil detectar as manigâncias e que sei ser uma área bastante fraca do secretário de Estado adjunto.

Mesmo que se trunquem, distorçam ou eliminem dados conhecidos e disponíveis:

FMI2Neste parágrafo estão contidas diversas distorções da verdade e omissões que deveriam fazer corar os autores da encomenda de que eu gostaria de saber o custo por investigador.

Vejamos… são usados os dados do estudo do Tribunal de Contas na sua versão mais agradável a certos interesses, omitindo-se os dados mais incómodos do estudo feito pelo próprio MEC (os 70.000 euros de custo médio por turma nos 2º e 3º ciclos nas escolas públicas contra os 85.000 pagos aos privados).

EstudoA

Se a este estratagema argumentativo juntarmos o conteúdo de alguns comentários espalhados neste blogue (mas não só) pela brigada ramirília, percebe-se bem que estas conclusões foram definidas à partida, nem que os dados tivesse que ser martelados.

Na falta de legitimação nos estudos internos, optou-se por encomendar lá fora as conclusões adequadas, para apresentar como legitimação de políticas previamente definidas, mesmo que os factos desmintam a sua bondade e mesmo que a fundamentação empírica seja falseada.

Sim, este é um estudo tipo-FMI, como em tempos tivemos estudos tipo-OCDE.

Meras encomendas destinadas a provar o que se pretende.

Acho muito importante saber quanto custou isto por investigador. Aposto que custou mais do que o que o Estado gasta por aluno ao longo de todo um ano lectivo.

E, garanto-vos, isto faz-se num mês, no horário da tarde, com intervalo para um café, sem forçar o ritmo.

O Arlindo já o divulgou e também está aqui (Relatorio-do-FMI-sobre-Portugal-Como-cortar-despesas-e-onde-Janeiro-de-2013) para descarga.

A principal curiosidade é ter entre os autores o director geral de uma fundação ligada ao PSOE.

Acessoriamente, o facto de ser um relatório divertida e adequadamente desactualizado na informação relativa à Educação, a ponto de ser legítimo inquirir se é incompetência ou má fé. Os números usados para comparações internacionais referem-se, em regra a 2009 e 2010, quanto a número de professores, remunerações, estrutura da despesa, etc, etc. Mas, divertida e curiosamente, estão actualizados a final de 2012 quando se trata da desagregação dos números sobre pessoal docente e não docente (quadro 6.1), com dados indisponíveis para outros trabalhos.

FMI1

Os números já são outros bem diferentes em diversos casos, resultantes de cortes diversos e reduções variadas. Para além, disso é interessante como retomam muitos dos aspectos da argumentação socrática, combatida por este ministro da Educação, pelo PSD e por tanta outra gente que devia encomendar o alcatrão e as penas. Sendo uma encomenda do Governo, estranha-se que não tenham sido usados os dados já disponíveis para 2012 sobre a estrutura do orçamento do MEC.

São ainda curiosas as partes em que, se fizermos as contas, os números de uns quadros não batem certos com os rácios apresentados em outros (mais de 1,5 milhões de alunos a dividir por 130.000 professores no “primário” e “secundário” dificilmente dão um rácio de 8-9 alunos por professor, mas pode ser falha de bateria na máquina de calcular). Claro que depois falam nisso numa disfarçada nota de rodapé (nº 59).

Já as considerações sobre diversos aspectos abandonam o território da análise técnica para se colocarem no campo do combate ideológico.

70. Portugal’s education system remains overstaffed and relatively inefficient byinternational standards.
As of September 2012, the MEC employed one out of 25working-age Portuguese as teachers. With 1.5 million (non-tertiary) students in the system,there are 8 students per educator (including teachers performing non-teaching functions). The result is that the cost of paying teachers dominates education spending to a larger degree thanin other OECD countries (Table 6.2). Even a mildly ambitious education sector reform that would bring student–teacher ratios closer to the prevailing EU averages for primary andsecondary education (Table 6.3) would imply that 50–60,000 staff (teachers and non-teachers) would have to be cut.

71.Prevailing rigidities in the education system further aggravate the overstaffing problem.

There is limited autonomy at the school level; notably, schools do not control thehiring of teachers—their largest expense. Teachers can apply to move schools every four years, and compete for available slots on the basis of seniority. Under the system, it is not themore qualified teachers who get redeployed to a position of their choice, but the more senior ones. As a result, schools have little control over their budget or their faculty: schools indesirable locations are forced to absorb more senior teachers with higher salaries and lower teaching-hour requirements.
.
E depois há as mentiras absolutamente evidentes:
72. To date, downsizing measures have not targeted the lowest performing or mosthighly-paid teachers
Portugal’s public sector employment guarantee precludes the layingoff of the tenured teachers, and virtually all the 6,500 reduction in permanent staff over the past two years resulted from attrition, with tenured teachers taking retirement. With some exceptions of voluntary separations, the remaining departures (8,300) were fixed-termcontract teachers who did not have their contracts renewed.

FMI pede travão à austeridade na Europa

Mmmmmmm…. há mentirosinhos de rabinho na boca pela costa…

FMI avisa que mais austeridade pode fazer implodir o país e o governo

O estado do país é como um baralho de cartas, um pouco mais de vento e poderá fazer cair todo o castelo. Pelo menos é assim que o Fundo Monetário Internacional olha para os próximos tempos.
E defende que mais austeridade só aumentará a tempestade no país: quer económica, quer social ou política.

Na última revisão ao Memorando de entendimento, o FMI avisa que, apesar de o programa estar a ser cumprido, há quatro riscos que poderão pôr em causa todo o trabalho. Primeiro, os peritos internacionais dizem que a recessão pode ser maior que o esperado. O ajustamento da economia vai tomando forma e o ambiente externo, “possivelmente mais fraco”, vai intervindo nas contas nacionais através, por exemplo, da redução do consumo. Em segundo lugar, o FMI lembra a missão quase impossível do governo: “A pura dimensão do ajustamento aumenta os riscos de implementação”, escrevem os peritos. Ou seja, são muitas medidas ao mesmo tempo e sobre vários assuntos.

O Pedrinho, o Miguelinho e o Vitorzinho andam a fugir com o rabinho a umas palmatoadas bem assentes, que deveriam ser o castigo básico para quem se esconde atrás dos outros quando diz bacoradas.

Berlusconi burlesque

FIRST Greece. Next Italy? Troubled euro-zone countries get bail-out money with conditions and strict monitoring by the International Monetary Fund (IMF). But at the G20 summit that concluded in Cannes today, the troubled euro zone got no more money (more on this in my next post), and Italy was placed under IMF monitoring.

Though yields on its bonds have soared alarmingly, Italy has not had to seek a bail-out (not yet anyway). And in an attempt to ensure it does not succumb, bringing down the euro with it, it has been placed under a special preventive regime—placed on probation to ensure it implements the many promises it made to carry out reforms designed to promote growth and balance the budget by 2013.

(continua)

Bom dia,

Mais material informativo se lhe interessar consultar e divulgar, desta vez um documentário bem conseguido, produzido por gregos, sobre as crises da dívida, disponível gratuitamente online. Legendado em Francês e Inglês.

E por piada (se o humor for negro), informações sobre a idade de reforma e pensões dos funcionários do FMI.

Cumprimentos,

Duarte G.

Página 19:

Address early school leaving and improve the quality of secondary education and vocational education and training, with a view to raise the quality of human capital and facilitate labour market matching.

Página 23:

4.10. The Government will continue action to tackle low education attainment and early school leaving and to improve the quality of secondary education and vocational education and training, with a view to increase efficiency in the education sector, raise the quality of human capital and facilitate labour market matching. To this purpose, the Government will:
i. Set up an analysis, monitoring, assessment and reporting system in order to accurately evaluate the results and impacts of education and training policies, notably plans already implemented (notably concerning cost saving measures, vocational education and training and policies to improve school results and contain early school leaving). [Q4-2011]
ii. Present of an action plan to improve the quality of secondary education services including via: (i) the generalization of trust agreements between the Government and public schools, establishing wide autonomy, a simple formula-based funding framework comprising performance evolution criteria, and accountability; (ii) a simple result-oriented financing framework for professional and private schools in association agreements based on fixed per-class funding plus incentives linked to performance criteria; (iv) a reinforced supervisory role of the General Inspectorate. [Q1-2012]
iii. Present an action plan aimed at (i) ensuring the quality, attractiveness and labour market relevance of vocational education and training through partnerships with companies or other stakeholders; (ii) enhancing career guidance mechanisms for prospective students in vocational educational training. [Q1-2012]

Lamento, mas concordo bastante com as partes que destaquei. Só tenho uma reserva: isto deveria ser implementado, desenvolvido e monitorizado por técnicos externos. Se lá colocarem ou mantiverem capuchas e derivados vão continuar a vender escaraminhão escrofuloso por lebre de primeira qualidade.

O que é essencial: a qualidade da formação, não a quantidade de certificados.

Página 3:

1.8.Reduce costs in the area of education, with the aim of saving EUR 195 million by rationalising the school network by creating school clusters; lowering staff needs, centralising procurement; and reducing and rationalising transfers to private schools in association agreements.

É parecido com o que temos por aí, mas parece-me que com um ritmo menos acelerado. Para os desatentos, parece-me que estes senhores não são muito adeptos da transferência de verbas para o sector privado. Mas posso ser eu que percebi mal o que está escrito 👿 .

Mas se percebi bem, isto reparte o mal pelas aldeias, é menos brutal do que o governo fez no último OE, enquanto retira ao PSD as pretensões de maior privatização do sector. Eu bem tenho andado a dizer que o peso do privado entre nós está longe de ser residual ou pequeno de acordo com os padrões europeus.

1.8.Reduce costs in the area of education, with the aim of saving EUR 195 million by rationalising the school network by creating school clusters; lowering staff needs, centralising procurement; and reducing and rationalising transfers to private schools in association agreements.

Não é preciso tanta coisa para conseguir essa poupança… A 12 milhões de euros por obra, basta parar menos de 20 negociatas da parque escolar.

Amigos para a vida… vale a pena esperar pelo 1’20”.

… porque, sendo assim, depois podem dizer que há indemnizações a pagar e é melhor continuar… como nas PPP.

Obras escolares esperam pela ‘troika’

PEC IV comprometia-se a recalendarizar projectos escolares. Finanças deram luz verde, mas obras continuam.

O PEC IV entregue pelo Governo em Bruxelas tinha um compromisso: já em 2011 haveria uma “revisão do calendário de construção de equipamentos escolares”, com o objectivo de poupar verbas do orçamento. Mas a intenção ficou no papel, pois a ordem, para já, é para avançar com o que está definido, aguardando-se se o programa da troika passa também pela suspensão ou travagem de obras no parque escolar.

Repito o que já escrevi: em muitas escolas esperaram-se anos, décadas, por um pavilhão decente e laboratórios funcionais. Não por painéis e instalações de ar condicionado que não se podem usar devido aos encargos que acarretam e custos da manutenção.

Isto faz lembrar o tipo que ganha o totoloto e depois gasta quase tudo num Ferrari e fica sem dinheiro para o levar à revisão e mal consegue comprar gasolina para ele andar.

Acho que ouvi um dos senhores dizer que, quando tivessem algo a dizer, o diriam. Não mandariam dizer por…

FMI quer subsídio de Natal pago em títulos do Tesouro

Os técnicos da ‘troika’ consideram que as medidas de consolidação do PEC IV estão mal avaliadas e exigem mais austeridade.

O impacto das medidas de austeridade previstas no PEC IV foi sobrestimado pelo Governo. Esta é a conclusão a que chegaram os técnicos da ‘troika’ que estão em Portugal a avaliar as contas do País para depois negociar um pacote de ajuda. E perante os buracos encontrados, o Diário Económico sabe que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Europeia admitem avançar com medidas mais duras do que o inicialmente previsto estando já em cima da mesa a necessidade de o pagamento dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos passar a ser feito em títulos do Tesouro.

FMI: subsídio de Natal ficou de fora

Troika reuniu com UGT e abordou questões sobre o subsídio de desemprego, um dos pontos em que podem existir cortes.

António, Expresso, 17 de Março de 1984

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