Finanças


O problema é que mesmo quem percebe de números, nem sempre acerta nas contas e nos métodos. Este é o relatório mais recente sobre o financiamento da educação pública nos EUA.

Embora clicando se aceda ao relatório completo, eu seleccionei dois singelos quadros para demonstrar como em 20 anos (incluindo administrações democratas e republicanas) o investimento por aluno duplicou e como a estrutura dos encargos com salários não é muito diferente da nossa.

Na pátria do liberalismo mais liberal.

Também é interessante para comparar as fontes de financiamento, entre o estado federal, os estados e as autoridades locais.

Claro que as emílias laranjas podem – na esteira da cegueira da festa do chá -contra-argumentar com a minha prática profissional, com o desempenho escolar da minha filha, com o tema do meu doutoramento, mas isso só revela nervosismo.

A antecipação das conclusões de um estudo alegadamente a ser feito para o MEC revela outra coisa: que as fugas de metano e o muro de silêncio são muito selectivos.

Se o ministro lesse blogues, ainda acreditaria que fossem relvices. Como não lê acredito que é apenas alguém que, com inside information, a usa de forma abusiva. O que, de certa forma, é a essência da relvice.

How Do We Calculate Per Pupil Expenditures? A Call for GAAP in Education

(…)

Determining per pupil expenditure relies on a series of decision rules that vary. Should states report current expenditure or total expenditure (which includes capital outlays and debt services)? Is expenditure the total revenue collected and disbursed to the public schools, or the amount that the district actually spent?

Perhaps most importantly, the method you use to calculate costs affects the final total. To highlight the discrepancies that can exist, I compiled three different calculations of per pupil expenditures from five large, well-known school districts (based off data from the Census Bureau Report). As you can see from the right-most column, the per-pupil expenditure varies widely depending on how cost is calculated.

2012-07-16-GAAPTable.JPG

This is not acceptable. What if we discovered that a private company had changed the way it calculated costs to overstate its return on investment? Remember Enron, anyone?

 

Ficam aqui as 31 páginas em pdf (acima de 7Mb, após esforço conjunto com o Livresco para converter e reduzir o ficheiro original): IGFconclusoes.

Como já escrevi, demonstra muitas das razões para as derrapagens, dá para perceber como se tornou um verdadeiro feudo mas coloca um pouco em perspectiva aquilo dos 400%.

Entretanto, já recebi luz verde para deixar aqui toda esta parte do relatório, mas ainda preciso de converter o bichinho que é grande e tem um formato esquisito para o WPress.

Ainda não li todo o documento mas há coisas que me parecem evidentes, para além do que tem sido divulgado de forma cirúrgica pelo MEC.

A Parque Escolar foi-se expandindo de forma algo descontrolada nas suas intervenções (e há uma altura em que parece que se atinge uma velocidade de cruzeiro, em que a PE dá a sensação de se ter tornado livre de qualquer controle externo), alargando as áreas de intervenção, aumentando encargos, cedendo eventualmente a pressões de agenda política. Mas… os números apresentados permitem contextualizar e relativizar bastante aquela do aumento de 400% nos encargos ou, no mínimo, percebe-se que a responsabilização não pode ser apenas administrativa.

E seria bom que a administração demissionária abrisse a boca sobre o que efectivamente se passou.

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Lendo as cerca de 30 páginas com 145 pontos de conclusões e as recomendações, fica-se principalmente com a sensação que os governos de Sócrates foram empurrando, empurrando, para mais e mais… acabando a administração por actuar como se tivesse mandato para ir gastando, gastando, desde que apresentasse obra utilizável para efeitos políticos.

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