Falta De Tintins E Spirous


Esta notícia não explica, mas Alberto João Jardim anda a fazer a ronda das missas dominicais par explicar aos madeirenses as tropelias que fez ao longo das décadas. Hoje foi mais uma. Como em outros domingos.

A argumentação é a de um irmão mais velho de Sócrates e, no fundo, a mesma dos marimba boys que do PS ao Bloco partilham esta visão de desenvolvimento:

“Não tinha, em consciência, o direito de deixar de aproveitar dinheiros de graça”, declarou, esclarecendo que o aproveitamento dos fundos europeus obrigou a ter a comparticipação regional pelo que, também neste caso, teve de recorrer à banca.

E o desplante é equivalente, ao acusar os outros de um falhanço de que é um dos mais destacados obreiros:

“Ouviram-me, ao longo destes anos, dizer que o regime político português ia falhar, a prova que eu tinha razão está aqui, neste momento Portugal está sob administração estrangeira”, observou.

O interessante é que o PSD nacional tenta ignorar este facto, assim como encobrir que o sorvedouro de dinheiros públicos que é o BPN se deve a gente muito ligada – e não em cargos periféricos – ao partido laranja, estando para saber até que pontos houve vasos comunicantes. É muito estranho que um governo armado em tão rigoroso na gestão dos dinheiros públicos que regateia algumas centenas de euros a desempregados e aposentados e dezenas em taxas a doentes se preste a meter milhão após milhão no affair BPN.

A menos que exista receio quanto a todas as ramificações do caso e não existam salpicos incómodos deste género. Que por cá não há jornal que persiga verdadeiramente… como o fez o Mediapart.

A sondagem ainda está a funcionar, mas as opiniões são claras:

Assim como é mentira que um diploma publicado em 5 de Abril no DR e necessariamente preparado e impresso antes possa ter sido promulgado pelo PR e referendado pelo PM nesse mesmo dia.

Neste caso uma mentira de Estado evidente, acerca da qual poderemos esperar pela explicação num futuro volume de memórias ou discursos de Aníbal Cavaco Silva que, pelos vistos, só se incomoda se as coisas forem escondidas dele e não daqueles de quem é (teórico) representante.

 

A recente entrevista de Passos Coelho à Renascença é uma espécie de desmentido relativamente à entrevista dada, há muito poucos dias, à TVI.

Nessa entrevista disse que não podia garantir que não existissem medidas adicionais de austeridade, mas quatro dias depois afirma que os subsídios retirados à Função Pública durante dois anos, afinal serão retirados durante três e retomados de forma apenas gradual.

Obviamente, isto significa que mentiu na passada sexta-feira pois nada de relevante aconteceu desde lá, excepção feita a uma conferência de imprensa de uns senhores europeus que terão avaliado aquilo que nesse dia o primeiro-ministro já sabia que eles teriam visto. O que sabia há quatro dias era o que sabe agora, excepto os resultados do futebol do fim de semana e mais alguns detalhes da via quotidiana.

E obviamente isto significa que mentiu em diversas outras ocasiões, assim como outros elementos do seu governo, a começar pelo ministro das Finanças.

Não sei se este tipo de mentira, evidente, pública, muito dificilmente spinável ou relvável, se enquadra naquilo que o Presidente da República considera ser motivo para uma quebra de confiança entre o Governo e os cidadãos que, em eleições, escolheram maioritariamente os partidos que o formam.

O desrespeito por promessas eleitorais é já comum, mas neste caso temos declarações dignas dos maus velhos tempos de Sócrates, em que depois de domingo se desdiz o que se garantiu antes de domingo.

A decorrer tudo como é habitual, o Presidente da República destacar-se-á pela omissão, por uma qualquer declaração dificilmente compreensível a anos-luz do momento certo escreverá como tudo isto o incomodou, mas nada fez de concreto.

Por muito menos, Sampaio defenestrou Santana, o má moeda.

Cavaco Silva, não.

Cavaco Silva não comenta agora, o que há meses considerou uma violação da equidade fiscal. Falta de coragem política e talvez algo mais.

A verdade é que Passos Coelho se tem revelado um primeiro-ministro que, embora com menor habilidade e menos lata, retorce os factos e as expectativas como convém a cada momento específico.

Resumindo: mente e tudo nos faz crer que mente sabendo que o está a fazer, que não é algo involuntário, fruto de azares circunstanciais.

Sei que haverá aqueles que irão afirmar que as coisas são assim porque sempre assim seriam. Que quem teve alguma esperança numa mudança ética na conduta dos principais responsáveis políticos era ingénuo. Tudo bem, eu não me importo nada de demonstrar publicamente a evolução do que penso e sinto.


(imagem encontrada aqui)

A partir de certa altura (sendo que essa altura já passou) já não se sai pelo próprio pé, mas sim empurrado.

Álvaro excluído das reuniões com comissário europeu

Olli Rehn vem a Portugal. Reúne-se com parceiros sociais, com o governador do banco de Portugal, com deputados, com o Governosó não se reúne mesmo com o ministro da Economia.

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