Falcatruas Das Boas


Um exemplo para todos aqueles que exaltam as excelsas qualidades daquele “sistema”.

O tatcherismo foi impoluto, como sabemos e se algum mal existiu foi para proteger todo o bem que andava a ser feito ao “povo”.

Apetecia-me fazer agora aqui um lista dos moralistas locais, conservadores, dizem eles, em matéria de costumes e liberais em coisas sociais e económicas.

Rede pedófila no Governo britânico nos anos de 1980 foi encoberta

Antigo ministro de Margaret Thatcher diz que, na época, foi mais importante “proteger o sistema” do que denunciar os crimes e proteger as vítimas.

Um antigo ministro britânico, Norman Tebbit, admitiu que a rede de pedofilia que existia na década de 1980 em Westminster, a sede do Governo britânico, poderá ter sido encoberta para “proteger o sistema”.

Tibbet, que foi ministro de Margaret Thatcher (chefe do Governo entre 1989 e 1990), esteve na BBC1 para comentar a mais recente notícia sobre os escândalos sexuais no Reino Unido — o desaparecimento, dos arquivos oficiais, de pastas relativas aos casos. Ontem, soube-se que outro ficheiro com 114 pastas também desapareceu do arquivo do Ministério do Interior.

Desemprego diminuiu? Formadora fala em dados viciados

O Fafe já me contou como, em tempos, já era assim.

Os lobbys e credos não deixam em paz a aliança que ajudaram a eleger, não com manifestações abertas de apoio mas com apoios bem mais sonantes.

A nova versão do guião para a reforma do Estado (GRE) é mais uma tentativa para entrar em caminhos sem fundamentação empírica e que já se demonstrou serem fórmulas ideais para as negociatas, a segregação social e o aumento das desigualdades no desempenho dos alunos, só porque algumas famílias querem que lhes financiemos todos os seus nichos assépticos e monocolores.

Não interessa que muito se baseie em falsidades que se apresentam como sendo coisas evidentes. Não são… são mentiras. Em nenhum momento qualquer ranking provou o que aqui se afirma:

RefEstado

O que acima fica escrito – apresentado na base portista-piresdelimista do “como é sabido” é uma rematada MENTIRA. Os “rankings educativos” não provam nada disto… provam é que as escolas privadas de topo de acesso restrito têm bons resultados e que as melhores escolas com contratos de associação e entrada seleccionada lutam com as melhores escolas públicas.

É MENTIRA (e eles sabem disso, não se trata de incompetência mas de desonestidade pura e dura) que os rankings demonstram é que se as escolas públicas pudessem fazer o que fazem outras – por exemplo, skimming educacional, deitando fora os “indesejáveis” para os casanovas&muñozes – provavelmente teriam tão bons ou melhores resultados do que as privadas.

Por outro lado, existe a insistência numa fórmula que já se sabe falhada, ou melhor, de “sucesso” apenas para aqueles que assim podem manter as suas práticas de segregação educacional com a chancela dos dinheiros do Estado, em nome de uma “liberdade” de que privam a maioria.

RefEstado1

É mesmo bom que se fiquem pelo “estudo” – e podem encomendá-lo a “especialistas” com duplo financiamento para servir os interesses de um senhor com o dinheiro de outro na base do cunhismo (esta é uma very private joke só ao acesso de quem sabe quem anda a sacar aqui para servir ali) – e que nem sequer entrem pelo anunciado gradualismo das experiências-piloto que – como é norma com esta malta – serão feitas exactamente para pagar os vícios daqueles que desde o início se querem privilegiar.

O “modelo de financiamento diferente” é uma falácia destinada a encobrir algo diverso, ou seja, um modelo diferente de atribuição de verbas em que um determinado e abençoado lobby veja aumentar a sua fatia do orçamento do MEC, mesmo depois daquela conversa toda anterior que está no documento sobre o declínio demográfico.

Porque não sei se repararam mas a quebra do número de alunos no 1º ciclo serve para justificar todos os cortes na rede pública, mas NUNCA na rede privada já subsidiodependente ou que quer completar os seus réditos com uns milhões retirados a esse abominável monstro que é o “Estado”.

Penso já ser evidente que isto deixou o campo ideológico para se tornar uma fenómeno puro e duro de negociata económica e de truque para obter vantagens materiais à custa de um sistema educativo fragmentado, desigual no mau sentido e em que os piores serão abandonados, enquanto se dão palmadinhas nas costas dos hifenados, acastelhanados e das consoantes geminadas.

 

… porque cá até robalo à vara se escapa.

DOJ: ‘There Is No Such Thing As Too Big To Jail’

Há gente tão apressada a ir buscar exemplos aos States e nunca se lembra dos que são mesmo bons…

Poderia desenvolver bastante o tema, mas prefiro não ir por caminhos muito complicados – mas por demais conhecidos, incluindo pelos decisores políticos que estão e estiveram no MEC – acerca da relação entre a produção do lucro na base da produção de sucesso a peso.

O estudo original encontra-se a partir daqui e dá base empírica a algumas evidências que quase todos nós conhecemos.

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(…)

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Expresso, 3 de Maio de 2014

Como vai sendo costume, é penoso e mesmo deprimente do ponto de vista intelectual ler as declarações de Queiroz e Mello sempre que se descobrem as falcatruas do lobby que representa. Quando se tenta tapar o sol com o cabo da peneira…

Qual o maior problema?

É que este governo está polvilhado de gente que vem destes meios e práticas e que neles não encontra qualquer mal, antes achando que é a forma natural de ter “sucesso” na vida.

A diferença é que agora querem que o Estado pague por completo a mistificação, em vez de serem os papás.

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