Fabulário


E em inglês ele nem pausa.

FMI faz storytelling com Gaspar, que está entusiasmado

O FMI é multimédia: pegou no novo diretor do Departamento de Assuntos Fiscais e fez uma narrativa digital compostinha.

Notícia original com a narrativa digital:
.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates toma posse como novo membro do conselho geral da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, a 21 de fevereiro, às 11:00, disse hoje à agência Lusa o presidente daquele órgão, Paquete de Oliveira.

E chegou mesmo a constar que este é apenas o primeiro passo numa carreira cheia de dignitas académica.

O ex-deputado social-democrata reagiu, ao início da tarde, à notícia publicada hoje pelo Jornal de Notícias com o título “Fisco apanha Marques Mendes em venda ilegal de acções”, garantindo que, “ao contrário do que é insinuado […], nenhum facto me diz pessoalmente respeito”, pois “o contrato de venda de acções a que a notícia faz referência não respeita a qualquer transacção pessoal feita por mim”. 

O ex-ministro de Cavaco Silva esclarece que foi “gerente (e não sócio ou accionista) até há dois anos” da Isohidra e que o que está em causa “em toda esta matéria é uma interpretação jurídico-fiscal em torno do imposto aplicável a um determinado contrato”. Uma situação que o agora também comentador da SIC considera “corrente na relação do Fisco com os contribuintes e, particularmente, com as empresas”.

coynog

Em Vila Azul há meninos de famílias azuis claras e azuis escuras. Há mais, mas simplifiquemos.

Os meninos das mais escassas famílias azuis claras gostam de escolas azuis claras. São caras, mas dá para pagar os 4000 azures por ano, mas vale pela segurança, pelos tops e pela diferenciação, pois o direito de admissão é reservado.

Os meninos das mais numerosas famílias azuis escuras vão a uma escola gratuita, com menos pedigree, menos tops, mas em que todos podem entrar.

Nas famílias azuis claras, algumas pessoas muito inteligentes apareceram a dizer que é injusto não poderem ir todos para as escolas melhores e que deveria ser dado pelo Estado Liberal um cheque-brinde de 3000 azures, para que todos os meninos, claros e escuros, pudessem ter liberdade para escolher.

Os empreendedores das escolas azuis claras bateram palmas e subiram o prémio de entrada para 5000 azures por ano, devido à pressão da procura.

As famílias azuis claras não se importaram, pois com o cheque-brinde do Estado Liberal, ainda poupavam dinheiro, precisando apenas de juntar 2000 azures para continuarem diferenciadas.

As famílias azuis escuras viram-se um pouco sem saber o que fazer, pois os 2000 azures necessários para terem liberdade para escolher não estavam ao alcance de todas. Umas conseguiram e quiseram ir para escola azul clara e lá passaram pelo crivo, resultante da tal pressão da procura. Ficaram azuis assim-assim. Sentiram-se menos escuras, mas não o suficiente para serem claras.

As escuras ficaram mais escuras e continuaram nas escolas azuis escuras, cada vez mais abandonadas.

Nas escolas azuis claras, os empreendedores passaram a dormir muito mais descansados, com o suave e doce tilintar da cascata de azures do Estado Liberal. Em nome da Santa Liberdade.

.

Qualquer semelhança com um país real perto de si é mera coincidência. Mas há quem deseje que seja apenas uma questão de tempo, porque a porta já está entreaberta e oleada.

O gabinete do primeiro-ministro considerou, esta segunda-feira, “lamentáveis e totalmente infundadas” as suspeitas levantadas pelo PS em relação ao envolvimento do ministro Miguel Relvas no processo de privatização da TAP, lamentando ainda o comportamento “populista” dos socialistas nesta matéria.

“Os membros do Governo não mantêm qualquer tipo de relacionamento privilegiado ou outro, a título individual, com as entidades envolvidas naqueles processos, que são objeto de escrutínio rigoroso e de decisão colegial em sede própria, ou seja, em Conselho de Ministros. É precisamente nesse quadro que o Governo procede à avaliação de todas e cada uma das propostas, pautando sempre as suas decisões por critérios de escrupulosa observância da legalidade e do interesse nacional”, lê-se num comunicado do gabinete do primeiro-ministro enviado à Lusa.

Podem confessar-se.

Aviso desde já que não é um post sobre o amigo do mafarrico que aqui nos visita com regularidade.

E aviso que é um post com um certo ciúme social à mistura, porque perdi a fama da sonseria há muito, muito tempo, ali pelas saídas da adolescência, que o proveito nunca tive muito.

Este é um desabafo sobre o sonso enquanto criatura que povoa as nossas vidas e quotidianos, que se cruza connosco todos os dias, de sorriso afivelado e imbecilidade sempre pronta a arrepiar-nos.

É sobre os sonsos que, em quantidade variável, povoam uma sala de professores como povoavam em tempos a nossa sala de aula enquanto alunos, assim como povoam qualquer local de trabalho ou espaço social. Os sonsos estão omnipresentes na nossa vida.

O sonso é aquela criatura que nunca fez nada do que fez ou, em tendo feito e sendo possível prová-lo, fez sem intenção, pois nunca tinha pensado nisso e muito menos que o que fez, faz ou fará, pode ter consequências, chatear, ofender, ser coisa de carácter duvidoso.

O sonso pode ser estúpido, mas em regra não o é. É alguém que se safa muito bem com as sacanices de terceira ordem que pratica com a descontracção própria da esperteza saloia que o habita, sacanices essas que são daquelas que moem, mesmo se não partem ossos. Está mais paredes-meias com o coitadinho, que a maior parte das pessoas acaba por achar mal confrontar, pois até é bom rapaz. O sonso é, também em regra, bem aceite e compreendido por muita gente que o rodeia e até protege, que acha mal que se diga que o sonso é sonso, mesmo quando admitem que o é. Mas, como também é visto como coitadinho, não devemos perturbá-lo.

O sonso é, pois, uma espécie protegida em diversos ecossistemas sociais onde exista muita gente com bom íntimo, bom coração e virtudes caritativas que em mim escasseiam ao ponto da nulidade.

Confesso, devido à minha natureza que alguns dizem sanguínea, outros dizem própria de um sangue de barata, o sonso chateia-me sobremaneira e chateia-me tanto mais quanto acabe por me auto-censurar na vontade de o desancar e acabar por ficar eu mal visto como um bruto incorrigível.

Por isso, há casos de sonsos que aturo ou vou aturando há anos. Não muitos, alguns apenas, mas que chegam para me fazer levantar o nevoeiro numa manhã ensolarada. E vou ou fui aturando por respeito a quem me diz, olha lá, ele é sonso e faz isso, mas é sem má intenção, coitadinho, nem percebe bem. Faz sem querer.

Mas o rai’s parta é que faz e eu, como já disse, duvido que seja tão estúpido como às vezes o querem fazer passar.

E o sonso quando confrontado, mesmo que de forma mínima, reage sempre com aquele ar de castor supreendido, arqueando muito as sobrancelhas como um desenho animado japonês ou um calimero injustiçado (caso os calimeros tivessem sobrancelhas debaixo da casquinha do ovo).

Pelo que, nos últimos tempos, decidi iniciar uma espécie de campanha unipessoal anti-sonso.

E por esses dias que se foram passando fiz um par de raides, confesso que ainda algo desajeitados pois não consegui varrer por completo o complexo de culpa que me inculcaram há anos em nome da defesa dos sonsos como espécie a proteger da agressão, no sentido de limpar alguns sonsos do meu horizonte visual quotidiano, assim a ver se mudam de passeio quando vamos em trajectórias potencialmente concordantes.

Ainda não deu para avaliar todos os efeitos, mas pelo menos já me fez ficar um pouco melhor comigo mesmo e quero mesmo acreditar que me reduziu os níveis de secreção de cortisol. A sério. É como se, por fim, tivesse começado a ver o fim a uma praga de brotoeja comichosa.

Era um pequeno prazer que me andava a negar a mim mesmo, sem vantagem outra que não fosse evitar este ou aquele olhar reprovador e a confirmação da minha discutível civilidade. Quando a efeitos negativos, a acumulação da exposição regular à sonsice ou sonseria estava claramente a afectar-me o brilho da cútis e a ensombrecer-me o olhar.

Agora posso dizer: há uma boa parte de mim que sorri com vontade quando vejo certos sonsos acelerar o passo para evitarem cruzar-se comigo. E as manhãs sorrirão sempre ensolaradas na minha direcção, mesmo quando os dias se convencerem que o Outono chegou.

Nuninho – Ó Márinho, pá, assina lá e acabemos com isto. Tu partes para outras lutas e eu fico com isto despachado.

Márinho – Não posso, pá. Não me perdoavam, com as quotas não posso.

Nuninho – Mas tu com a Isabelinha assinaste e agora estás armado em esquisito.

Márinho – Pois assinei, mas ela dava beijinhos quando eu chegava, era amiga e os tempos eram outros. Tu és um malandro da Direita Neoliberal e Global.

Nuninho – Não sou nada. Assina lá, tu sabes que chegámos a acordo em quase tudo.As quotas são por causa dos tipos que também não me deixam fazer os exames e as aulas assistidas à malta toda. Achas que ando feliz?

Márinho – Eu entendo-te, como te entendo, mas não posso, os tipos dos blogues, aqueles enteados de uma madrasta, nunca mais se calavam e lá se ia a minha aura de lutador. Já me chegou o que disseram da outra vez.

Nuninho  – Mas concordámos em quase tudo, mais simples e a fingir só mesmo aquele inquérito do Joãzinho D.

Márinho  – Então fazemos assim: mandas fazer uma acta em que se diz que nós conseguimos conquistar quase tudo, menos as quotas e que por isso não assinámos.

Nuninho  – Tu és brilhante, pá. Eu fico com um acordo com o Joãozinho, um quase-acordo contigo e tu ficas como o lutador intransigente e acabamos com esta fita de uma vez por todas.

Márinho  – Combinado. Eu anuncio as conquistas e a acta e tu fazes aquele papel que sempre fizeram os outros quando eu me negava a assinar. E vamos tratar de coisas mais importantes. Por exemplo, os márinhos que não contrataste e cujos direitos me fazem cair lágrimas em bica sempre que me lembro que é preciso fazer uma arruada desconcentrada.

Nuninho – Brilhante. Eu já posso dedicar-me a fazer tudo aquilo que queria, tirando tudo o que não posso por causa da falta de dinheiro e tu podes ir lutar contra a Globalização Neoliberal e ajudar a Manelinho. Ele já está cansado, era tempo de seres tu o chefe dos manelinhos, tens melhor voz e és um tipo porreiro. Que saudades dos tempos em que eu também era dessas coisas.

Márinho – Isto parece-me ser o início de uma bela amizade. Vou gostar de discordar de ti, como discordava do Eduardo e do Guilherme e do Augusto. Não és a Isabel, mas com mais umas rondas eu esqueço-me dos beijinhos.

Nuninho – Vai em paz e vamos lá ver se os márinhos se calam, diz-lhes que há lutas maiores do que a coerência e o respeito por si mesmos. Diz-lhes que devem é ter medo de ficar sem a brincadeira.

Márinho – E é bem verdade. Sorte a daqueles malandros que me têm como maior representante. Sem mim, não eram nada.

Nuninho – Amén. Amanhã já mando fazer a acta e depois tu dizes onde queres colocar as reticências.

Joãozinho D – Joãzinho amigo, eu preciso dizer aos outros joõezinhos que eles podem ficar ricos em tempo útil.

Joãozinho C. – Amigo Joãozinho, vou já fazer uma lei, a dizer que podem ficar ricos em tempo útil, até final de 2011.

Joãozinho D. – Então até final de 2011 fica decidido que eles podem ficar ricos em tempo útil. Posso anunciar isso.

Joãozinho C .– Sim, podes anunciar que até final de 2011 em faço uma lei a dizer que os joõezinhos podem ficar ricos em tempo útil.

Joãozinho D. – Mas eles podem começar mesmo a ficar ricos ou só fazes a lei?

Joãozinho C. – Só faço a lei. Depois, logo se vê o resto. Se quiseres também faço uma lei, a dizer que todos podem deixar de pagar impostos, até final de 2011. Até final de 2011 faço a lei, mas é só a dizer que podem e que ficam à espera de uma portaria a dizer quando podem mesmo.

Joãozinho D. – A sério? E achas que eles acreditam?

Joãozinho C. – Se estás aqui a negociar em nome deles e se vamos apresentar a coisa como sendo representativa de todos os joõezinhos até são capazes de acreditar que há um Coelhinho de Natal a colocar ovos de ouro no sapatinho em pleno Verão.

Enviada pelo Mário Silva.

Era uma vez um grupo de meninos, de uma aldeia distante, de um país distante, pobrezinhos e com poucos meios para lerem, apesar da vontade. Havia só uma pequena livraria, gerida da forma possível, com os meios possíveis, onde os deixavam ir e espreitar os livros, por vezes comprar algum com o dinheiro possível, mas onde podiam ir desfolhando alguns dos outros.

Um dia apareceram uns senhores que lhes disseram que, a partir desse momento, poderiam ir visitar qualquer livraria do mundo, as melhores das melhores, que tinham ali um cheque que lhes permitiria comprar os livros que sempre quiseram.

Mas as tais livrarias ficavam em terras por vezes distantes, muito distantes e o cheque só servia para comprar os livros e as famílias – a quem os senhores disseram que agora já eram livres para escolher as livrarias para os seus filhos visitarem – mal tinham dinheiro para tratar da sua vida e muito menos tempo para os levar a essas livrarias.

Mas como a vontade e a imaginação movem montanhas, lá conseguiram arranjar esse dinheiro-extra e um dia partiram em busca de uma dessas livrarias afamadas, uma não muito distante. Os meninos (e meninas) iam felizes pois poderia ir comprar alguns livros que apenas tinham imaginado ser possível. Todos com o seu cheque na mão.

E lá chegaram e  lá foram à tal livraria. Só que… estava cheia e a não dava para entrar mais ninguém. Afinal a livraria er amesmo boa e conhecida e havia famílias de meninos das redondezas que já estavam lá e outros, mais distantes, cujos pais tinham dinheiro para fazer a viagem todos os dias.

E os nossos meninos ficaram à porta, mostrando o cheque, sem saber o que fazer. O senhor da livraria, sugeriu-lhes que procurassem outra, não muito distante, que se esforçassem um pouco mais.

E foram… acreditando que a liberdade de escolherem a livraria era verdadeira. Mas na outra a que chegaram o senhor  também não os deixou entrar. explicou-lhes que também era livre. Livre de escolher quem entrava na sua livraria e eles tinham apenas aquele cheque. E havia meninos que tinham tanto como aquele cheque e muito mais, pelo que ele podia vender os livros mais caros. A quem quisesse. Era a sua liberdade.

E os meninos do tal aldeia distante foram obrigados a perceber… a liberdade… que quando existe tem muitas faces e nem todas agradáveis. Eles tinham acreditado e agradecido muito aos senhores aquele cheque, que lhes teria permitido escolher a livraria que mais desejassem. Mas… os mesmos senhores também tinham dado a liberdade aos senhores das livrarias para escolherem os seus clientes. E estes também sentiram ter o direito de ser livres para ser prósperos e empreendedores.

E os meninos da aldeia regressaram à sua velha livraria. Onde não precisavam do seu cheque, pois o dono dela os conhecia e, mesmo quando não havia com que pagar, os deixava ler e aprenderem a ser. Livres também. Por dentro. E aprenderem que a liberdade falada é diferente da liberdade praticada.

O anti-midas, tudo em que toca fica igual a ele.

o disposto na constituição

Não é apenas a servida e alimentada pelo ME. É aquela que resulta do triste espectáculo de quem é vocalmente muito agressivo contra tudo e mais alguma coisa, mas depois – quando lhe colocam a função de relator nas mãos – não a recusam e elaboram longos relambórios a demonstrar discordância ou – li há bocado e não queria acreditar – salvaguarda.

Acho da mais básica incoerência clamar pela demissão de tudo e mais alguma coisa ao longo dos tempos, gargantear coragens diversas, fazer ameaças de quase agressão física, mas depois salvaguardar-se e fazer o que lhe(s) mandam. Há quem não consiga dizer NÃO quando está em jogo um certo nível de vaidade. É como o vegetariano que come carne, mas com declaração de objecção de consciência. É lamentável. Mas cada um dorme com a sua consciência.

A farsa da ADD passa tanto ou mais por aqui, quanto pelos corredores do ME.

Et tu, Octavius?

Our Cat Enters Heaven

Our cat was raptured up to heaven. He’d never liked heights, so he tried to sink his claws into whatever invisible snake, giant hand, or eagle was causing him to rise in this manner, but he had no luck.

When he got to heaven, it was a large field. There were a lot of little pink things running around that he thought at first were mice. Then he saw God sitting in a tree. Angels were flying here and there with their fluttering white wings; they were making sounds like doves. Every once in a while God would reach out with its large furry paw and snatch one of them out of the air and crunch it up. The ground under the tree was littered with bitten-off angel wings.

Our cat went politely over to the tree.

Meow, said our cat.

Meow, said God. Actually it was more like a roar.

I always thought you were a cat, said our cat, but I wasn’t sure.

In heaven all things are revealed, said God. This is the form in which I choose to appear to you.

I’m glad you aren’t a dog, said our cat. Do you think I could have my testicles back?

Of course, said God. They’re over behind that bush.

Our cat was very pleased. Thank you, he said to God.

God was washing its elegant long whiskers. De rien, said God.

Would it be possible for me to help you catch some of those angels? said our cat.

You never liked heights, said God, stretching itself out along the branch, in the sunlight. I forgot to say there was sunlight.

True, said our cat. I never did. There were a few disconcerting episodes he preferred to forget. Well, how about some of those mice?

They aren’t mice, said God. But catch as many as you like. Don’t kill them right away. Make them suffer.

You mean, play with them? said our cat. I used to get in trouble for that.

It’s a question of semantics, said God. You won’t get in trouble for that here.

Our cat chose to ignore this remark, as he did not know what “semantics” was. He did not intend to make a fool of himself. If they aren’t mice, what are they? he said. Already he’d pounced on one. He held it down under his paw. It was kicking, and uttering tiny shrieks.

They’re the souls of human beings who have been bad on Earth, said God, half-closing its yellowy-green eyes. Now if you don’t mind, it’s time for my nap.

What are they doing in heaven, then? said our cat.

Our heaven is their hell, said God. I like a balanced universe.

Margaret Atwood, The Tent

O vídeo com leitura pela autora está aqui.


… ou seja, eis sexta-feira treze. Neste dia dá azar atropelar um sócras? Dá, para esse sócras.

And tólque aboutit animóre…

Fenprof antevê “consequências desastrosas” com medidas para reduzir despesa nas escolas

Já eu antevejo que amanhã, em amanhecendo ensolarado, é capaz de não chover muito ou quase nada, a menos que faça sol na eira e enchuvisque no nabal… ou em inglês técnico sane in da eire end reine in da nabeile…

A velhinha e a cabaça

Era uma vez uma velhinha que vivia sozinha numa pequena casa junto a um bosque onde ela gostava muito de passear.
Um dia quando ia para o casamento da sua filha teve que atravessar todo o bosque a pé.
Ia ela a apreciar o passeio quando encontrou uma raposa, que lhe disse:
– Vou-te comer, velhinha.
– Não faças isso agora – respondeu a velhinha – é que eu vou ao casamento da minha filha, quando voltar venho mais gordinha.
E a raposa deixou-a continuar o seu caminho.
Um pouco mais à frente encontrou um grande lobo.
– Não passas aqui sem que eu te coma – disse o lobo.
A velhinha respondeu:
– Agora não, eu vou ao casamento da minha filha e vou voltar mais gordinha.
E o lobo também a deixou ir embora.
No casamento da filha a velhinha divertiu-se muito e comeu muito também.
Quando já estava para ir embora e voltar para casa, lembrou-se do lobo e da raposa que estavam à espera dela. Então contou a história à filha e ficaram as duas a pensar numa forma para a velhinha voltar para casa sem ser vista.
Foram então à procura de alguma coisa onde a velhinha se pudesse esconder, experimentaram vários objectos, panelas, barris, e então encontraram uma grande cabaça onde ela cabia e conseguia espreitar para poder ver.
No caminho de volta para casa a velhinha ia rodando a cabaça.
Quando passou pelo lobo ele perguntou:
– Viste por aí uma velhinha?
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação – respondeu-lhe a velhinha.
E continuou o seu caminho escondida dentro da cabaça.
Já ia um pouco mais descansada por ter conseguido enganar o lobo, quando a raposa se pôs no seu caminho.
– Viste por aí uma velhinha? – perguntou-lhe a raposa.
A velhinha respondeu:
– Nem velhinha nem velhão, roda cabacinha, roda cabação.
Pouco depois chegou a casa em segurança, bateu com a cabaça numa grande pedra que estava perto da porta e saiu de lá de dentro.
A velhinha continuou a dar os seus passeios, mas noutro sítio do bosque para não se cruzar novamente com o lobo e a raposa e eles ainda hoje continuam à espera que a velhinha volte do casamento da filha.

Página seguinte »