Eu Podia Fingir


Eu também já visitei um amigo em prisão preventiva e fui mesmo testemunha abonatória para que ele pudesse ficar em domiciliária para cuidar de uma sua parente com saúde instável. Mas não saí de lá a clamar a sua inocência aos quatro ventos, pois sinceramente achei que ele fizera asneira da grossa.

Aliás, acho que amizade é dar o apoio possível nos momentos maus a sério e não apenas quando se pensa que é tudo uma cabala.

E largam bitaites como se percebessem de algo mais do que aproveitar a inépcia do MEC para fazerem avançar o que estava encalhado (desregulação total da contratação de professores), com o beneplácito do vácuo presidencial.

Conseguem dizer que a bosta que fizeram foi a senhora do lado que fez.

Qualquer semelhança entre as declarações destes senhores e a realidade é mera e involuntária coincidência.

Os lobbys e credos não deixam em paz a aliança que ajudaram a eleger, não com manifestações abertas de apoio mas com apoios bem mais sonantes.

A nova versão do guião para a reforma do Estado (GRE) é mais uma tentativa para entrar em caminhos sem fundamentação empírica e que já se demonstrou serem fórmulas ideais para as negociatas, a segregação social e o aumento das desigualdades no desempenho dos alunos, só porque algumas famílias querem que lhes financiemos todos os seus nichos assépticos e monocolores.

Não interessa que muito se baseie em falsidades que se apresentam como sendo coisas evidentes. Não são… são mentiras. Em nenhum momento qualquer ranking provou o que aqui se afirma:

RefEstado

O que acima fica escrito – apresentado na base portista-piresdelimista do “como é sabido” é uma rematada MENTIRA. Os “rankings educativos” não provam nada disto… provam é que as escolas privadas de topo de acesso restrito têm bons resultados e que as melhores escolas com contratos de associação e entrada seleccionada lutam com as melhores escolas públicas.

É MENTIRA (e eles sabem disso, não se trata de incompetência mas de desonestidade pura e dura) que os rankings demonstram é que se as escolas públicas pudessem fazer o que fazem outras – por exemplo, skimming educacional, deitando fora os “indesejáveis” para os casanovas&muñozes – provavelmente teriam tão bons ou melhores resultados do que as privadas.

Por outro lado, existe a insistência numa fórmula que já se sabe falhada, ou melhor, de “sucesso” apenas para aqueles que assim podem manter as suas práticas de segregação educacional com a chancela dos dinheiros do Estado, em nome de uma “liberdade” de que privam a maioria.

RefEstado1

É mesmo bom que se fiquem pelo “estudo” – e podem encomendá-lo a “especialistas” com duplo financiamento para servir os interesses de um senhor com o dinheiro de outro na base do cunhismo (esta é uma very private joke só ao acesso de quem sabe quem anda a sacar aqui para servir ali) – e que nem sequer entrem pelo anunciado gradualismo das experiências-piloto que – como é norma com esta malta – serão feitas exactamente para pagar os vícios daqueles que desde o início se querem privilegiar.

O “modelo de financiamento diferente” é uma falácia destinada a encobrir algo diverso, ou seja, um modelo diferente de atribuição de verbas em que um determinado e abençoado lobby veja aumentar a sua fatia do orçamento do MEC, mesmo depois daquela conversa toda anterior que está no documento sobre o declínio demográfico.

Porque não sei se repararam mas a quebra do número de alunos no 1º ciclo serve para justificar todos os cortes na rede pública, mas NUNCA na rede privada já subsidiodependente ou que quer completar os seus réditos com uns milhões retirados a esse abominável monstro que é o “Estado”.

Penso já ser evidente que isto deixou o campo ideológico para se tornar uma fenómeno puro e duro de negociata económica e de truque para obter vantagens materiais à custa de um sistema educativo fragmentado, desigual no mau sentido e em que os piores serão abandonados, enquanto se dão palmadinhas nas costas dos hifenados, acastelhanados e das consoantes geminadas.

 

O sistema da publicação na base da quantidade, com “revisão científica” a pedido é uma enorme mistificação. Já dei com o mesmo autor a publicar fundamentalmente a mesma coisa em 4 ou 4 lados – mas internacionais –  mudando apenas ligeiramente o título ou arranjando um co-autor de outro país que acrescenta uns parágrafos sobre a sua realidade, parágrafos esses retirados de um artigo que também publicou algures com um outro parceiro.

E tudo isto entra no circuito das referências globais, das citações cruzadas, do enorme negócio académico da mediocridade intelectual.

Revistas científicas publicaram 120 artigos gerados por computador

A denúncia partiu de um cientista francês, Cyril Labbé, que analisou esses artigos publicados nas revistas Springer e IEEE. Os artigos foram ou vão ser removidos.

A Nature diz que são mais de 120 artigos, publicados entre 2008 e 2013, gerados automaticamente por um programa chamado SCIgen, do MIT.

Este programa foi criado em 2005 para mostrar, precisamente, que algumas revistas académicas publicam estudos sem fundamento.

O investigador que fez a denúncia critica não só os pseudo-autores como quem faz a avaliação prévia.

Do artigo original da Nature:

How to create a nonsense paper

Labbé developed a way to automatically detect manuscripts composed by a piece of software called SCIgen, which randomly combines strings of words to produce fake computer-science papers. SCIgen was invented in 2005 by researchers at the Massachusetts Institute of Technology (MIT) in Cambridge to prove that conferences would accept meaningless papers — and, as they put it, “to maximize amusement” (see ‘Computer conference welcomes gobbledegook paper’). A related program generates random physics manuscript titles on the satirical website arXiv vs. snarXiv. SCIgen is free to download and use, and it is unclear how many people have done so, or for what purposes. SCIgen’s output has occasionally popped up at conferences, when researchers have submitted nonsense papers and then revealed the trick.

(…)

A long history of fakes

Labbé is no stranger to fake studies. In April 2010, he used SCIgen to generate 102 fake papers by a fictional author called Ike Antkare [see pdf]. Labbé showed how easy it was to add these fake papers to the Google Scholar database, boosting Ike Antkare’s h-index, a measure of published output, to 94 — at the time, making Antkare the world’s 21st most highly cited scientist. Last year, researchers at the University of Granada, Spain, added to Labbé’s work, boosting their own citation scores in Google Scholar by uploading six fake papers with long lists to their own previous work2.

Labbé says that the latest discovery is merely one symptom of a “spamming war started at the heart of science” in which researchers feel pressured to rush out papers to publish as much as possible.

There is a long history of journalists and researchers getting spoof papers accepted in conferences or by journals to reveal weaknesses in academic quality controls — from a fake paper published by physicist Alan Sokal of New York University in the journal Social Text in 1996, to a sting operation by US reporter John Bohannon published in Science in 2013, in which he got more than 150 open-access journals to accept a deliberately flawed study for publication.

Não espreitaram em mais lado nenhum?

Embora a estes anos de distância só consigam, quase por certo, encontrar poeira.

Pub24Jan14b

Público, 24 de Janeiro de 2014

… que se revela tão familiar com o nome carinhoso pelo qual era conhecido Mandela na África do Sul, entre os seus apoiantes. Fazem-me lembrar aqueloutros que tanto falam do “Zeca” como se tivessem privado com ele em vida.

… daquela conversa do “se os colegas fizeram, merecem ser classificados”. É uma variação dos argumentos da treta que algumas pessoas usaram, por convicção ou oportunismo, para vigiar as provas dos alunos em dia de greve.

Farto de tretas.

Entretanto, o MEC, para além de se vangloriar com os milhares que obedeceram ao chamamento ratificado pela teoria de manter todas as oportunidades em aberto, qualifica implicitamente de indigna a classe docente ao dizer que está a tomar medidas para a sua “dignificação”, quando na prática dá a entender que os professores não sabem as matérias que ensinam.

Só se dignifica o que precisa de dignidade e, neste momento, se algo é indigno na profissão docente é a forma como é tratada pelo Governo e pelo actual MEC, cada vez mais um mero boneco falante ao mando dos rosalinos.

Pela parte que me toca julgo ter mais conhecimentos de História do que o actual MEC tem de Economia, que é a sua área original de formação em idos de 70, quando tudo era muito mais “digno”, com licenciaturas tiradas de braço no ar por parte de muitos daqueles ramirílios que agora querem examinar os professores contratados.

Portaria que obriga professores a exames sai “em breve”
Nuno Crato enquadrou este diploma num “processo global” que o ministério está a adoptar “com vista à dignificação da profissão docente”. Para o governante, este processo “tem várias peças”, uma das quais a portaria que “sairá em breve” e que tornará obrigatório exames a Matemática e Português no acesso à universidade de futuros professores de 1.º ciclo, 2.º ciclos e educadores de infância. Outras das peças deste processo passam pela “revisão das habilitações para a docência”, projecto de decreto de lei que “reforça na formação dos futuros professores as áreas científicas que vão leccionar”. “Para um professor de Português, são necessárias mais horas de formação em Português, para um professor de Geografia são necessárias mais horas de formação em Geografia, e por aí adiante”, explicou Crato.

 

 

 

como toda a gente sabe.

 

 

 

  • Quem contesta a realização de uma prova não se queixa de estarem previstos poucos locais para a realizar.
  • Quem contesta a classificação de uma prova não regateia o pagamento dessa mesma classificação.

Estou a ver mal as coisas?

Foi enviado para o mail de uma escola da capital que recentemente apareceu nas notícias um pedido de esclarecimento, assinado por “G”, com indicação de ser a resposta dirigida para o mail deste blogue, copmo se fosse eu o autor de tal pedido.

Quem o fez usou o mail falso sender@shareaholic.com, o que revela a baixeza de métodos de algumas criaturas que respiram, têm forma humana, mas pertencem a um reino completamente diverso de seres vivos, entre a lesma e o escorpião.

Pessoalmente, chega-me escrever isto, mas tenho a sensação que a coisa ainda vai acabar nas “autoridades competentes”.

“Financial Irresponsibility and Incompetence”: Louisiana Superintendent John White Perfectly Describes School Voucher Program

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School vouchers: A pathway toward fraud and abuse of taxpayer dollars

 

THE GREAT SCHOOL VOUCHER FRAUD

… alegando a ligação às empresas…

Formação em contexto do trabalho dispara nos profissionais

Governo quer aumentar de forma significativa o tempo destinado à formação em contexto de trabalho.

… para tentar que o homem das cervejas chegue a ministro?

Em tempos as birras eram por causa do Nobre Guedes… que sempre tinha um ar mais de flâneur

Paulo Portas apela aos professores para não fazerem greve aos exames.

Emociona-me este defensor dos direitos das famílias.

Quanto ao brio dos professores, caro homónimo, desculpa lá, mas é melhor ficar calado.

… por causa de vagas negativas, horários-zero e coisas afins.

Parece que, afinal, há mais maneiras de fazer listas graduadas do que de cozinhar bacalhau.

Já há uns tempos aqui deixei algumas pistas para equívocos muito comuns, mas parece que há gente, nos mais variados níveis da administração escolar, que ou não fazem ideia das leis ou acham que a sua aplicação é conforme.

Há quem tenha perdido completamente o sentido (será que alguma vez o teve?) da decência no combate público e político com antagonistas de escassa monta.

É óbvio que não é coisa nova. Apenas foi duro saber, no concreto e com rosto, quem também foi sujeito a estas práticas de tipo subterrâneo.

Há pouco falava com um amigo que tem passado por coisas que eu também passei e ainda ocasionalmente passo às mãos de escurinhos a sério, daqueles que andam pelas sombras a lançar lama em quem tem a coragem de sair à rua com a cabeça erguida e sem ter contas a prestar a hierarquias e obediências.

A sensação de nojo, que depois se transforma em enjoo e desagua em pena por esta gente que não poupa ninguém, só poupando na honestidade, é a mesma e é bom partilhá-la fora do estreito círculo que é obrigado a suportar isto.

É verdade que só aguenta quem tem convicções e não anda a olhar para recibos de ordenado.

… em prol do generoso exclusivo servido a gosto. Acontece… no caso da Educação o relatório tem falhas óbvias, mas no JNegócios não há pessoal com conhecimentos técnicos na área. Limitaram-se a reproduzir o que queriam que reproduzissem. Fizeram de eco antes do eco. É pena.

Concordo que o relatório deve ser discutido, mas… em primeiro lugar há que verificar se o que lá está é uma descrição rigorosa daquilo com que temos de lidar.

Este editorial não está online mas neste momento os jornais já foram vendidos, incluindo o exemplar do Livresco, que me mandou a digitalização:

Editorial_J_Negócios

Jornal de Negócios, 9 de Janeiro de 2013

… num ano em que até tenho o horário contado ao minuto.

VencDez11VencDez12

E 6000 euros em relação a 2010, ou seja 20% do meu rendimento.

VencDez10

Nesta caixa de mail tenho os recibos até 2007, quando recebi mais 2400 euros ao longo do ano do que em 2012.

E convosco, como foi?

Claro que sei que há quem ache que isto é muito dinheiro para trabalho qualificado que não se faz na base das equivalências de m€rd@, mas de medíocres anda este mundo cheio.

… fazer posts que implicam pesquisa, recolha e tratamento de dados, sem ser apenas copy/paste. E logo em Agosto quando a luta profissional vai a bronzes que o ano foi muito árduo.

Por isso é que há blogues que fazem a vida apenas com bocas e achismos e, depois, gozam com a malta dos leitões, só porque somos dos que andam a fazer o que os inteligentes e iluminados não gostam (não sabem?) fazer.

Quando comecei a andar nisto, tentei explicar que a defesa dos professores perante a opinião pública não se pode fazer apenas com chavões, ofensas pessoais e, resumindo, conversa de café, célula ou centro de trabalho. Ou só na rua. Ou só à mesa.

Há que demonstrar as coisas. Não chega todos os anos, todos os meses, todas as semanas, escolher um número com muitos zeros e atirá-lo ao ar. Mesmo se têm gente com tempo para fazer os cálculos a sério.

Para fazer diferente é preciso trabalho. Que muita gente preguiçosa não está para fazer, sendo muito mais giro gozar com quem faz. Sim, esta boca tem destinatários e estão quase todos acantonados nas franjas da blogosfera ortodoxa ou que, afirmando-se não ortodoxa, aposta tudo na convergência.

Se eu podia fingir que não dava por nada? Podia, mas não era a mesma coisa e não estaria a ser sincero com os meus princípios de actuação… mesmo em férias…

😉

Não ficou enterrada com os governos Sócrates a estratégia de justificar investidas contra os direitos laborais dos docentes com a redução do número de alunos a frequentar o sistema de ensino público.

No Correio da Manhã temos mais um desses exercícios:

Meio milhão de alunos a menos

Na última década, as escolas perderam quase meio milhão de alunos, entre o Pré-escolar e o Ensino Básico e Secundário. A diferença entre o número de alunos nos anos lectivos 2002/03 (1 807 522) e 2011/12 (1 321 174) é de 486 348, o que representa uma redução de 26,9 por cento. Esta realidade não deve ser dissociada do decréscimo de nascimentos no País.

Com números podemos fazer coisas maravilhosas, incluindo ignorar todas as restantes variáveis. Contam-se os alunos e, se houve uma redução de quase 27%, então o número de professores deveria seguir a mesma evolução!

Certo?

Errado!

A cada ano temos uma nova revoada desta argumentação da treta que ignora coisas tão simples como o facto de ter aumentado a oferta de disciplinas (e de áreas disciplinares) neste período, de se incluir nestes números professores que desempenham cada vez mais outras funções nas escolas que não as lectivas e, para não me estender mais, o facto de existirem outros números, curiosos, que seria interessante explicar antes de avançar por um caminho único e linear de argumentação.

Vejamos…

Para começar… seria possível contextualizar tudo com a redução de professores dos quadros, devidos às aposentações nos últimos anos?Dá trabalho?

Nem sequer há estatísticas oficiais, é isso?

Ora bem… podemos usar pelo menos os indicadores duma recente publicação sobre o Perfil do Docente (2010-2011).

E o que lá achamos, entre outras coisas?

Que, apesar da citada redução do número de alunos, foi necessário um crescente número de professores contratados no sistema…

Se tivermos em conta que o número total de docentes em exercício diminuiu de 146.040 em 200-01 para 140.684 em 2010-11 (e a redução não foi mais sensível devido ao alargamento da rede do ensino pré-escolar), é fácil perceber que a redução do número de professores do quadro foi substancial (nesse ano eram menos de 110.000), mas foi necessário recorrer a quase 36.000 professores contratados.

Como se explica isso para os teorizadores da necessidade (por razões demográficas) de reduzir o número de professores?

Há algo que não bate certo… reduzem-se os alunos, mas é necessário um crescente número de professores contratados!?

Como explicar que em Julho de 2012 se tivessem sinalizado quase 15.000 docentes sem componente lectiva com tantos contratados em exercício?

Não haverá uma péssima gestão de recursos humanos e quadros mal dimensionados?

Se a quebra foi tão pronunciada nos alunos como é que os tais rácios alunos/professor não revelam isso? Se só no 3º ciclo e secundário se verifica alguma quebra, mas nunca na proporção de quase 27%?

Como é que são explicáveis estes números pelos que gostam de usar apenas duas variáveis e um cálculo muito básico?

Como é possível terem sido empurrados para concorrer a DACL até 13 de Julho tantos milhares de professores, nas circunstância apontadas?

E, já agora, alguém informou os ditos teorizadores (e os seus ecos na comunicação social) que o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos implica uma alteração na tendência detectada até ao ano passado?

Ou será que dá muito trabalho fazer as coisas com um pouco de seriedade?

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