Ética


Já viram se fossem cá aos arquivos do BPN, BPP e, já agora, a outros bancos ainda em funcionamento? Sabemos que os políticos são cidadãos que precisam de empréstimos como os outros, mas… depois… sei lá… acontecem coincidências à farta.

Presidente alemão pressionado a demitir-se

Christian Wulff reagiu mal a uma notícia sobre um empréstimo hipotecário pessoal e tentou abafar a história. Agora, tem os media em polvorosa.
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Pressão dos media para se demitir por causa de uma tentativa de encobrimento? Por cá processam-se os jornalistas que investigam essas coisas.

Parlamento é “escritório de representações”

O que fizemos da interrogação ética?

Paradoxalmente, quando tanto se fala de ética, até, de ética aplicada a determinados campos e profissões, cada vez mais nos vamos afastando da reflexão ética fundamental, reduzindo, quase, tudo a um conjunto de normas e deveres de organização e de convivência social – a uma moral de mínimos, no dizer de A. Cortina.

Também na escola isso vem acontecendo, a ética foi dando lugar à cidadania que parece, hoje, ocupar todo o espaço. É certo que esta questão é sempre difícil e problemática, sobretudo, em educação, onde a questão pedagógica (como se vão ensinar valores éticos?) assume um enorme relevo. O debate desenvolve-se, fundamentalmente, em torno de três posições: a dos que entendem que a escola não deve “ensinar” valores, substituindo-se às famílias; a dos que entendem que, a escola deve trabalhar, apenas, os valores democráticos, cívicos e sociais, já que a vida em sociedade nos impõe regras e normas de comportamento; e os que entendem que a escola não pode alhear-se dos valores éticos fundamentais do indivíduo – valores de todos os seres humanos – para que a perspectiva universalista da ética não se dilua, por entre os múltiplos relativismos.

A segunda posição é hoje largamente partilhada, pelo menos nas sociedades democráticas, onde se defende a inserção curricular (transversal ou disciplinar) de uma educação para a cidadania que englobe os direitos humanos, a paz, a segurança, o desenvolvimento…, a par de recomendações de organismos internacionais, como o Conselho da Europa, a ONU, UNESCO, Comissão Europeia…

Entendemos que, nesta concepção de cidadania, de algum modo, está ausente a ética, não porque ela não esteja suposta ou não constitua um pilar fundamental dos valores cívicos ou dos direitos humanos (que supõem, desde logo, uma ética universal), mas porque o enfoque e o debate das questões e dos problemas terminam, quando termina o espaço público, sendo a valorização ética remetida para a esfera do estritamente individual (com o argumento de que, na vida privada, cada um pode viver de acordo com a sua ideia de bem, a sua ideia de felicidade), não devendo por isso a escola intrometer-se naquilo que são os valores privados dos indivíduos.

Sem um campo de valores inquestionáveis, para lá do relativo e do cultural, presentes, também, no espaço público, não admira que se considere que tudo é igualmente válido ou até desnecessário, aparecendo franjas de indivíduos sem capacidade de distinguir o bem do mal, o correcto do incorrecto, de hierarquizar valores…, ou seja, sem capacidade de pensar eticamente sobre o que fazem. Nem se questionam, sequer. O que nos espera, enquanto sociedade, não pode ser animador. Aí estão os noticiários, a prová-lo.

A necessidade de adquirir consciência ética, parece, hoje, uma urgência, a dificuldade está em saber como fazê-lo. Não estou a propor que se “ensine” ética a partir de um qualquer manual ou que haja professores de ética, apenas, proponho o regresso à interrogação ética mais elementar, a uma atitude, a uma consciencialização, transversal às relações interpessoais, aos currículos e às práticas – basta para tal que, no enfoque da discussão, não se perca o indivíduo. Será demais dizer a uma criança ou a um jovem: “pensa lá sobre o que fazes, considerando a tua liberdade, a tua responsabilidade, o respeito que deves ao outro, tão livre como tu, e também as regras que as instituições nos impõem para que seja possível a justiça para todos”. Não parece demais, contudo, nesta proposta simples de reflexão/discussão (que tomo de Ricoeur) há uma ética universal, em que a liberdade, o respeito e a justiça compõem a intenção ética que é de todos os seres humanos

Maria Rosa Afonso, professora

Há um blogue onde não costumo fazer comentários que fez um ponto da situação sobre os concursos, adiantando números sobre as listas e referindo au passant que estavam disponíveis em blogues que nem nomeou (estão no Proflusos e no Blog DeAr Lindo).

Contra o que me é habitual, deixei lá dois comentários duros contra esta prática de vampirismo e ensimesmamento blogosférico (e depois o umbiguista sou eu…).

Um bocado depois, o post já tinha os links, mas os meus comentários tinham desaparecido. Deixei outro, que deve ser objecto de desaparecimento. Mas ao menos, avergonhou-se.

Não se percebe bem este tipo de publicações do CCAP, com o mês de Julho a decorrer e o processo de ADD a concluir o ciclo avaliativo.

Pode ser uma coisa muito boa, mas é tardia. Os abusos e atropelos já fizeram demasiadas vítimas e mancharam tudo.

Clicar na imagem para aceder. Obrigado ao Arlindo pela referência.

… queria aqui deixar expresso o meu orgulho por pertencer ao Conselho de Turma que hoje esteve quase duas horas a analisar a situação de uma dezena de alunos com um nível de envolvimento e preocupação à prova de todas as críticas que se fazem injustamente à forma como os professores encaram os chumbos dos alunos.

Há quem não entenda que, em muitos casos, somos nós que tomamos decisões complicadas em relação a crianças e jovens cujos contextos familiares deixam em situação de grande desprotecção e que isso provoca um desgaste emocional enorme. Há lições de ética e deontologia que, mesmo quando encaradas com base em perspectivas diferentes sobre os casos concretos, servem para sentirmos que, afinal, ainda existem laços de solidariedade e sanidade entre nós que resistem a estes tempos de erosão moral na vida pública.

Não sei se algum dele(a)s passa por aqui, pois já chega aturarem-me no quotidiano, mas se passarem… sabem do que estou a falar.

Com contratações destas, o PSD enterra-se…

Se há algo básico que até eu sei é que a vida partidária, mesmo vivida como independente, exige um grau mínimo de autodisciplina e solidariedade. Embora com graus de fidelização diversos, conforme as forças partidárias, há que ter um mínimo de sentido de colectivo, quando se aceitam projectos e desafios (a conversa da treta para ambição) em equipa. Se é apenas para satisfazer projectos de poder pessoal, mais vale assumirem-nos a solo e não entalar os incautos.

Fernando Nobre foi lançado às feras pelos soaristas para entalar Alegre (hoje no DN vem uma notícia em que metade dos ministros do PS votou em Nobre e não no candidato oficial do PS), pelo que isto só se percebe como uma forma sua de tirar desforço. MAs não se percebe de quem.

Fernando Nobre: Se não for nomeado presidente da AR “renuncio imediatamente”

Is ‘ethical wealth’ a contradiction?

Can the accumulation of personal wealth be a positive force in the world? Or is the good that can be done by rich individuals outweighed by the negative effects that extreme disparities of wealth have on society?

Encontrei na net a documentação enviada pelo Ministério das Finanças à Comissão de Trabalhadores da INCM a propósito dos anunciados cortes salariais.

Um dos documentos (cf. pg 10 do pdf) é um projecto de diploma legal em que num artigo se pode ler o seguinte:

i) O disposto no presente artigo prevalece sobre todas as disposições legais, gerais ou especiais, e convencionais contrárias, sendo directa e imediatamente aplicável aos titulares dos cargos e demais pessoal de seguida identificado:

A sério que não sabia que bastava enunciar num qualquer diploma que ele se sobrepõe a qualquer outro para isso ser assim mesmo.

Penso mesmo que este é um enorme avanço na área da Teoria Jurídica: num diploma enuncia-se que ele prevalece sobre tudo o que tiver sido legislado antes, da Constituição da República ao regulamento do meu condomínio, em contrário.

E já está.

Basta sacudir as mãos, antes de as limpar à parede…

Não será isto típico de um estado em que a democracia, mesmo em termos formais, está amputada? Onde arranjamos um Paulo Rangel quando ele era de novo necessário?

Excerto de um caso de hate mail:

Não tenho culpa que morras de inveja de quem teve a coragem de arriscar, largar a segurança de um lugar no quadro de uma escola secundária a 100 metros de casa em troca de uma carreira que tu invejas e nunca terás porque preferes a segurançazinha da tua escolinha básica à porta de casa.
No fundo, és um injustiçado. Um homem tão inteligente e tão culto, doutorado em ciências da educação, na especialidade de história da educação e que tem de passar o resto da vida a vomitar inveja e frustrações num blogue e a dar aulas pelo baixo preço de 1700 euros por mês.
Desgraçado país este que trata tão mal os seus génios. Aos medíocres, paga 3000 líquidos euros por mês. Aos génios, obriga-os a sobreviverem com apenas 1700 euros. É muito injusto.

Ex-presidente do Porto de Lisboa faz consultoria para a Mota Engil

Manuel Frasquilho, que assinou acordo do terminal de Alcântara, fez consultoria para a Mota Engil através de empresa do genro.

Governador civil terá dito: «Quando é necessário mentir, tenho que mentir»

(…)

Numa pergunta dirigida ao MAI, a que a Lusa teve acesso, o parlamentar social-democrata refere que as declarações de Jaime Estorninho terão sido proferidas durante uma palestra, promovida por uma escola profissional, sobre «Ética Profissional».

«Perante a presença de alunos, professores e outros oradores, com um tema que visava reflectir sobre princípios e valores, efectuou o senhor governador uma breve intervenção, mas com conteúdo não compatível com o seu estatuto e responsabilidade», lê-se no texto enviado ao MAI.

O deputado do PSD Cristóvão Crespo questionou esta sexta-feira o Ministério da Administração Interna (MAI) sobre uma declaração do governador civil de Portalegre, Jaime Estorninho, em que este terá afirmado que «quando é necessário mentir tenho que mentir».

É o que se depreende da forma como Zeinal Bava fala aos deputados sobre os cash-flows e demais fluidos financeiros da PT. Aquilo é 1,3 ou 1,5 biliões de euros para aqui, aquilo são 750 milhões para ali.

Estou esmagado pela importância da PT e do seu administrador. E acho que a forma como alude, de modo sobranceiro, à ignorância dos deputados sobre as technicalities do processo de decisão numa empresa remete directamente para um antigo episódio protagonizado por Belmiro de Azevedo.

E tem muito de precoce arrogância. Ou então é a consciência da baixa valia (da carteira) dos deputados.

Este homem é bom. Não recebe lições de ninguém, porque a PT está co(i)tada na bolsa de Nova Iorque.

(As empresas do Madoff trabalhavam onde?)

Clicar na imagem para aceder ao artigo.

Em Inglês Técnico: Five Core Propositions do National Board for Professional Teaching Standards:

1

Proposition 1: Teachers are Committed to Students and Their Learning

  • NBCTs are dedicated to making knowledge accessible to all students. They believe all students can learn.
  • They treat students equitably. They recognize the individual differences that distinguish their students from one another and they take account for these differences in their practice.
  • NBCTs understand how students develop and learn.
  • They respect the cultural and family differences students bring to their classroom.
  • They are concerned with their students’ self-concept, their motivation and the effects of learning on peer relationships.
  • NBCTs are also concerned with the development of character and civic responsibility.
2

Proposition 2: Teachers Know the Subjects They Teach and How to Teach Those Subjects to Students.

  • NBCTs have mastery over the subject(s) they teach. They have a deep understanding of the history, structure and real-world applications of the subject.
  • They have skill and experience in teaching it, and they are very familiar with the skills gaps and preconceptions students may bring to the subject.
  • They are able to use diverse instructional strategies to teach for understanding.
3

Proposition 3: Teachers are Responsible for Managing and Monitoring Student Learning.

  • NBCTs deliver effective instruction. They move fluently through a range of instructional techniques, keeping students motivated, engaged and focused.
  • They know how to engage students to ensure a disciplined learning environment, and how to organize instruction to meet instructional goals.
  • NBCTs know how to assess the progress of individual students as well as the class as a whole.
  • They use multiple methods for measuring student growth and understanding, and they can clearly explain student performance to parents.
4

Proposition 4: Teachers Think Systematically about Their Practice and Learn from Experience.

  • NBCTs model what it means to be an educated person – they read, they question, they create and they are willing to try new things.
  • They are familiar with learning theories and instructional strategies and stay abreast of current issues in American education.
  • They critically examine their practice on a regular basis to deepen knowledge, expand their repertoire of skills, and incorporate new findings into their practice.
5

Proposition 5: Teachers are Members of Learning Communities.

  • NBCTs collaborate with others to improve student learning.
  • They are leaders and actively know how to seek and build partnerships with community groups and businesses.
  • They work with other professionals on instructional policy, curriculum development and staff development.
  • They can evaluate school progress and the allocation of resources in order to meet state and local education objectives.
  • They know how to work collaboratively with parents to engage them productively in the work of the school.

Tudo mais explicadinho aqui.

Na área académica e educacional, disponíveis no Center for the Study of Ethics in the Professions.

Por entre umas actas sortidas, meio atrasadas, por acabar e dois testes por fazer até amanhã, mais uma turma de fichas de trabalho por corrigir, ainda é necessário haver tempo para umas (re)leituras destinadas a preparar um compromisso aprazado para 4º feira sobre a auto-regulação na actividade docente.

Já sei que a ideia provoca urticária a muita gente, desde o Estado que nem quer ouvir falar disso aos sindicatos que consideram sacrilégio tudo o que lhes escape ao controlo directo.

Não estou a apelar à criação de uma ordem dos professores, pois esse é um trabalho moroso e que carece de uma disponibilidade que não tenho, mas apenas a assinalar a evidência da necessidade da classe docente se reorganizar internamente numa perspectiva de regulação da sua própria prática profissional, sem que isso esteja ao serviço de vaidades individuais ou de facção.

Porque ao continuarmos como estamos, continuaremos a ser pasto para experimentações de engenharia socioprofissional e para sermos regulados de fora. Parece que ainda há quem não entenda que não é no âmbito de um estatuto de carreira, mesmo no capítulo de direitos e deveres, ou num estatuto disciplinar para os funcionários públicos que deve estar a definição das regras éticas e deontológicas de uma profissão.

Vou tentar participar. Se possível com comunicação.

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