Eterno Retorno


A diferença – se é que há – é que antes mandavam os alunos fazer pesquisas para trabalhos na licenciatura que eles depois usavam nas suas teses de doutoramento ou provas de agregação. Quando não em obra publicada sem a devida referência ou agradecimento. Ou a troco de 3 em cada 10 euros ganhos. Ou 3 contos em cada 10, nos tempos dos contos. Assim os patronos alargavam a reputação e os discípulos ganhavam créditos no acesso a assistentes. E falo, aqui, apenas em prostituição intelectual, que acho mais indigna que a física.

Plágio alastra nas universidades portuguesas

Investigação da “Visão” revela que não são apenas os alunos que plagiam. Alguns professores também já foram apanhados. E há até quem faça teses a troco de alguns milhares de euros.

Ainda me lembro, em idos de 90, de uma proposta indecente ser feita bem à minha frente por um guru a um par de aspirantes, que aceitaram logo. A obra em causa sempre me recusei a comprá-la, por saber no que se baseava. Talvez por isso tenha poucas Histórias de Portugal completas.

Onde é que eu já vi isto?

Just like the old times… só falta o Plesidente.

Secretário de Estado da Educação inaugura nova escola em Almancil

Primeiro-ministro inaugura hoje dois centros escolares em Viseu

… deste modelo de ADD que não pudesse ter a assinatura de um… sei lá… Valter Lemos?

Já aqui no blogue se tinha noticiado a iniciativa de um grupo de professores contratados e desempregados fazerem um protesto a 10 de Setembro. Como em outros tempos, vêm daí os chefes da luta e marcam outra coisa parecida para 16 de Setembro. Pronto, são iniciativas complementares… a diversidade…

Hoje, sem grandes expectativas. Excepto para os próprios.

Recomeça a romaria.

Quotas para notas altas, o ponto mais sensível na avaliação de professores

Entre hoje e depois de amanhã passam pelo Ministério da Educação mais de uma dezena de sindicatos.

O tempo até ajudou, cobrindo o sol que calientava as peles em repouso nas praias deste ou doutro país tropical.

 

…  se achava, como muitos outros professores e os próprios sindicatos vão proclamando, que a proposta do ME de observação e avaliação das aulas por professores de outras escolas será inviável por falta de meios.

Concordei em parte, porque realmente é preciso compensar quem se desloca e dar-lhe condições para tal, em matéria de horário.

Mas que isso se ultrapassaria, assim houvesse vontade por parte dos potenciais observados. O que não há, a atender ao que se passou nestes ciclo avaliativo, quando era possível requerer um relator externo, quando faltasse internamente um professor do grupo disciplinar certo ou com a graduação desejável por lei para o ser ou.

Meios… com alguma boa vontade arranjavam-se. Se a média de avaliados por avaliador foi de 5-6 nestes dois anos, isso significaria que um professor que fosse observar 3 aulas (máximo) a 6 colegas por ano, teria de fazer 18 observações. Uma de 15 em 15 dias, mais coisa, menos coisa. Se fossem só duas aulas, ainda menos. Se lhe atribuíssem para esse efeito a maior parte da componente não-lectiva (que no caso de professores nos escalões mais elevados pode chegar a 8-10 horas, por exemplo) e o dispensassem de aulas de substituição e outras rotinas burocráticas, a coisa fazia-se.

Mas não há vontade. Porque, afinal, interpares é má, externa é má, híbrida é má, seca é má, molhada é má, húmida também. Quente, aquece demais, fria arrefece em excesso e morna nem aquece nem arrefece. O mesmo problema que um dia aqui já enunciei sobre metafóricas pilinhas – grandes doem, curtas não chegam, tamanho-padrão entediam.

Quanto aos meios… se quisessem até se arranjavam, não era fortuna nenhuma que inclinasse o orçamento. Acho que, assim sem fazer cálculos, só como número simbólico, 1% do buraco do BPN chegaria.

… pensar que será necessário reiniciar um processo, quando havia esperança de não ter de o fazer. Só que agora cercados de desconfiança por todos os lados, seja pelo incumprimento imediato de promessas, seja por sabermos que no passado tudo foi desbaratado por acordos. Mas agora, como a cor é outra, veremos certamente mais firmeza dos representantes de 70% dos professores (não sei como 60.000 são 70% de 140.000 ou mesmo 130.000 mas, that’s entertainment!).

Novo modelo de avaliação de professores só avança em 2012

Docentes denunciam “incumprimento das promessas” dos dois partidos e criticam a falta de esclarecimento sobre o futuro modelo a aplicar.

Ao contrário das expectativas dos docentes, o novo modelo de avaliação de desempenho dos professores só deverá avançar no início de 2012.

O modelo de avaliação que toda a oposição ao Governo de Sócrates tentou travar durante a última semana da anterior legislatura, “está em vigor e só termina em Dezembro deste ano”, esclarece o vice-presidente da Fenprof, António Nabarrete. Assim, “só no início no próximo ano os professores vão ter um novo modelo de avaliação”, após as negociações que decorrem entre os sindicatos e o ministério, frisa ao Diário Económico. No entanto, o sindicato que representa cerca de 70% dos professores, defende que é “preferível negociar com calma o novo modelo, do que fazer tudo à pressa para Setembro”.

Para além disso, a Fenprof está agora atenta aos próximos passos do novo ministro, Nuno Crato, e espera “que se cumpram as promessas do PSD e do CDS e que a avaliação passe a ser feita de quatro em quatro anos”.

Mas, os professores que tinham “a esperança” de arrancar no próximo ano lectivo já com um novo modelo de avaliação, sentem já “incumprimento das promessas feitas pelos dois partidos” do Governo, sublinha o professor e autor do blogue “A Educação do Meu Umbigo”, Paulo Guinote.

 

O problema português não é de fácil resolução. Pode dizer-se que o que há feito até agora é parcela do muito que necessita de ser realizado nos anos mais próximos. A considerável melhoria no domínio do crédito e finanças nacionais constitue já hoje base séria e segura para a concepção e execução de planos que, por sua vez, levem ao gradual melhoramento das condições de vida material da população portuguesa. Essa melhoria, absolutamente necessária, e que terá como consequência modificação profunda nos hábitos da grande massa rural que constitue a Nação, será derivada essencialmente do aumento de produção e consumo de cousas produzidas ou susceptíveis de serem produzidas em Portugal.

E estes dois problemas – a produção e o consumo – estão longe de ter solução, mesmo aproximada. Pondo de parte a dispersão e anarquia de esforços e os enormes prejuízos que acarreta para todos – os que produzem, os que distribuem e os que consomem; não discutindo neste lugar os métodos a aplicar para disciplinar a economia nacional com o objectivo de a tornar mais equilibrada e de maior rendimento, e olhando apenas o fundo da grande massa de unidades humanas que constituem a Nação, chega-se a melancólicas conclusões sôbre o seu futuro.

Maria de Lurdes Rodrigues está de volta às páginas do Expresso com uma prosa em defesa das Novas oportunidades, juntando-se à troika maravilhosa que forma com Valter Lemos e Luís Capucha, uma troika que vê nas NO o instrumento de promoção e mobilidade social que mais ninguém vê, acusando de preconceituosos todos aqueles que não concordam em considerar que certificação é equivalente a efectiva qualificação. Na verdade, e basta ouvi-los ou lê-los em moderada quantidade, para perceber que o mais fundo preconceito é deles contra aqueles que apelidam de elitistas só porque defendem que uma certificação a sério passa por uma qualificação séria.

Mas vejamos a peça escrita por MLR, antes de desmontar os seus três paupérrimos argumentos:

  • MLR afirma que «o nosso futuro colectivo depende da melhoria da qualificação de todos os portugueses». Correcto. isso deveria ser assim. Mas não tem sido. Uma coisa é frequentar cursos de formação profissional que levem ao aumento de qualificações e à melhoria do desempenho profissional dos alunos/formandos, tornando-os capazes de fazer outras coisas ou mais coisas ou fazer melhor aquelas que já fazem. Chegar a um CNO, contar uma história de vida e poucos meses depois sair de lá com um certificado do 9º ou 12º ano é uma coisa completamente diferente. É apenas um mecanismo de produção estatísticas de adultos escolarizados. As pessoas sentem-se bem com o seu certificado, não o nego, e isso é interessante, mas tão só. A verdade é que o seu grau de empregabilidade continua o mesmo e, em muitos casos, apenas poderão ter aprendido a usar melhor um computador e um processador de text. é coisa escassa para tanto milhão gasto em propaganda.
  • MLR afirma que «a avaliação externa do programa Novas Oportunidades é mais exigente do que a de outros segmentos do sistema de ensino e formação». Isto é divertido e atinge mesmo o sublime, vindo de quem foi ME e afirmou ter colocado o rigor e a avaliação desse sistema de ensino como uma das suas prioridades, apresentando-as como conquistas suas. A verdade, porém, é que MLR sabe que em matéria de seriedade da avaliação o seu mandato foi um desastre e, nesse contexto, a pseudo-avaliação externa das NO não destoa demasiado. Isto mesmo sem apontarmos a dedo que os estudos de avaliação de alguns aspectos das NO são feitos com amostras e metodologias ao nível de uma licenciatura bolonhesa e entregues sempre a ramos mais ou menos próximos da sua família político-ideológica pós-esquerdista, convertida ao pragmatismo do subsídio fácil.
  • Por fim, MLR declara que «processos de reconhecimento de competências escolares e profissionais existem há muito e em muitos países». Correcto. E risível, só de ler. É verdade. Mas também é verdade dizer que só por existir coisa do mesmo tipo num lado não a torna semelhante à que existe em outro. Ou seja, começar a fazer telemóveis na Patagónia aos centos e milhares não torna esses telemóveis equivalentes a um Nokia topo de gama. É preciso tempo para desenvolver a qualidade. Não basta fazer muitos se forem maus. Convirá menos, mas bons.

A conclusão, sumária, instrumental, do artigo de MLR em defesa do aparelho certificador que ajudou a criar e que tem servido evidentes objectivos eleitoralistas (como quase toda a herança da sua passagem pelo ME…) está ao nível do artigo, sendo tautológica e indemonstrável. No fundo afirma que a prática das NO é boa porque a ideia-base é boa.é o mesmo que dizer que o meu puré de batata esturricado é bom, porque comer faz bem.

Porque MLR (a)parece (a) ser mais uma das vozes preocupadas com uma avaliação externa a sério da iniciativa é que não se percebe. Se a coisa é tão boa e permite «superar o défice de qualificação da população ativa e contribui, por essa via, para a modernização social e económica do país», certamente isso será demonstrado em estudo que analise a situação dos formandos certificados, antes e depois (um ano, dois anos) da certificação, ao nível da situação laboral e remuneração salarial. Certamente se provará essa imensa mobilidade socioprofissional da população envolvida e os ganhos que tiveram com o papelinho distribuído em sessão privada ou filmada para a campanha.

Quem me desculpem os mais ofendidos com o meu elitismo, mas acho que quem não teme a avaliação e tanto criticou outros por alegadamente a temerem, fica numa situação curiosa quando se opõe à avaliação, em tempo útil, da sua obra.

Até porque MLR já está em prateleira dourada vitalícia, as potenciais consequências de uma avaliação negativa seriam apenas simbólicas. Ou está preocupada que a direcção da ANQ ainda não tenha tido tempo para fazer tudo o que pretendia?

… apareceu?

… e os 48 milhões de “aéreos”?

Cabras vão prevenir incêndios florestais [Agosto de 2010]

Já perceberam agora o que foi fazer o engenheiro à Alemanha?

Actualização anual do PEC garante défice de 2% em 2013

O Governo anunciou as principais linhas de orientação da actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento, antecipando esta apresentação «para que não haja a mínima dúvida sobre a determinação» de Portugal em reduzir o défice orçamental para 4,6% em 2011, afirmou o Primeiro-Ministro José Sócrates em Bruxelas à chegada para as cimeiras da UE sobre a margem Sul do Mediterrâneo e da área do euro. O Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, apresentou a actualização do PEC, que inclui a redução da despesa em pelo menos 5,3 pontos percentuais do PIB em 2011, e de 2,4 p.p. nos dois anos seguintes. No conjunto dos próximos três anos, o crescimento da receita será cerca de metade da redução da despesa.

A antecipação das linhas de orientação do PEC destina-se a «reforçar a posição de Portugal» na cimeira da área do euro, garantindo a continuação da redução do défice: «A execução orçamental está a correr bem – para não dizer muito bem -, em Janeiro e Fevereiro», recordou o PM.

Sindicatos, Inc.

Rafael Bordalo Pinheiro, Pontos nos II, nº 139, 1 de Janeiro de 1888

Brasil-Portugal, nº 63, 1 de Setembro de 1901

Sempre que surgem rankings voltamos ao mesmo ponto da discussão de sempre: se são úteis ou não, se o ensino público é melhor do que o privado, se, se, se…

De forma curta: os rankings são úteis, em especial quando devidamente trabalhados, sem erros e com a inclusão de ponderações. Mas entre nada ter e ter dados em bruto, prefiro ter algo com que trabalhar.

Quanto ao ensino privado, por uma vez Isabel Alçada tem razão, as escolas públicas têm mecanismos muito incipientes de selecção dos alunos e quase todos informais. No seu conjunto, seria muito estranho que o ensino privado não tivesse um melhor desempenho, pois segue regras que, em muitos aspectos, seriam impensáveis numa escola pública sem que os pais albinos aparecessem aos gritos na comunicação social.

Outra para limpar os espanhóis do  ministério e os franceses dos sindicatos.

« Página anteriorPágina seguinte »