Eterno Retorno


… ou então ter de prestar vassalagem para chegar lá. António Costa deve ter o PS numa bandeja, mais metade do Bloco como “plataforma” independente para cobrir os avanços da esquerda mais extrema, mas a mim, desconvence muito, pois eu acredito tanto na capacidade política de “inverter o rumo” dos ruistavartes e daniéisoliveiras como naquele outro que foi para deputado do PS só para desenvolver a sua agenda pessoal (falo do Vale de Almeida).

Neste caso, o objectivo que unirá esta “grande esquerda” será chegar lá. Em chegando, impor-se-á a real politik e a vitória de ter afastado a Direita do Poder, mesmo se continuarem a fazer praticamente o mesmo, mais ou menos uns pózinhos e uns centros de investigação reabilitados para a vida continuar sem sobressaltos.

Convenção de Costa com «saudades» das políticas de Sócrates e Guterres

Despacho n.º 9316-A/2014

E recomeça a andança, o que é uma chatice para o bronze de alguns que por estas alturas já costumam estar a banhos.

E malta do MEC marcou a ptoca com três dias úteis de antecedência, que é para mostrar toda a coragem que caracteriza a sua postura.

Professores de carreira “convidados” a faltar à vigilância das provas dos colegas

 

Aquilo do bés não parece grave – ninguém está preso.

 

Vou periodicamente à secção de Ciências Sociais ou de Educação de umas quantas livrarias menos mainstream e com uma oferta para além do que vende em 15 dias.

E o que lá encontro em matérias tão caras para os críticos do poder que está e tem estado na área da Educação?

Uma produção muito substancial – a quase totalidade sobre tais temáticas – sobre avaliação do desempenho, sucesso escolar, novas lideranças educativas, supervisão pedagógica, etc, etc, de investigadores e especialistas claramente posicionados no que consideramos ser a Esquerda (a filiação ou simpatia partidária de muit@s nem sequer é especial segredo) que, em centros de investigação até muito recentemente tiveram os mais diversos apoios institucionais para as suas investigações e consequentes publicações, têm ocupado a maior parte do seu tempo a explicar como se operacionalizam práticas que eu pensava que eles não consideravam adequadas.

Dificilmente se encontra um investigador/teorizador “de Direita” a dinamizar aquelas conferências e debates, com muitas comunicações que depois são vertidas para volumes em que aparecem muito palavras como “liderança”, “sucesso” ou “desigualdade(s)”.

Há ali gente para todas as estações, para todos os grupos de trabalho, para todas as estruturas de missão, para todos os observatórios.

E percebo que o actual MEC apenas é um desastrado aplicador de teses que outros conhecem muito melhor, sabem explicar e fundamentar muito melhor e que, à primeira esquina eleitoral, lá estarão – alguns deles de novo na mó de cima – a aprofundar ainda melhor o aprofundamento que temos vivido daquelas políticas que todos os políticos “responsáveis” – ou os que tanto anseiam por assim virem a ser vistos – estão “obrigados” a desenvolver.

Se alguém acredita que há esperança na alteração da maioria das políticas nucleares actualmente em decurso na área da Educação, é melhor não exibir a ingenuidade que tanto gostaram de criticar a outros há bem pouco tempo.

uroboros

Os lobbys e credos não deixam em paz a aliança que ajudaram a eleger, não com manifestações abertas de apoio mas com apoios bem mais sonantes.

A nova versão do guião para a reforma do Estado (GRE) é mais uma tentativa para entrar em caminhos sem fundamentação empírica e que já se demonstrou serem fórmulas ideais para as negociatas, a segregação social e o aumento das desigualdades no desempenho dos alunos, só porque algumas famílias querem que lhes financiemos todos os seus nichos assépticos e monocolores.

Não interessa que muito se baseie em falsidades que se apresentam como sendo coisas evidentes. Não são… são mentiras. Em nenhum momento qualquer ranking provou o que aqui se afirma:

RefEstado

O que acima fica escrito – apresentado na base portista-piresdelimista do “como é sabido” é uma rematada MENTIRA. Os “rankings educativos” não provam nada disto… provam é que as escolas privadas de topo de acesso restrito têm bons resultados e que as melhores escolas com contratos de associação e entrada seleccionada lutam com as melhores escolas públicas.

É MENTIRA (e eles sabem disso, não se trata de incompetência mas de desonestidade pura e dura) que os rankings demonstram é que se as escolas públicas pudessem fazer o que fazem outras – por exemplo, skimming educacional, deitando fora os “indesejáveis” para os casanovas&muñozes – provavelmente teriam tão bons ou melhores resultados do que as privadas.

Por outro lado, existe a insistência numa fórmula que já se sabe falhada, ou melhor, de “sucesso” apenas para aqueles que assim podem manter as suas práticas de segregação educacional com a chancela dos dinheiros do Estado, em nome de uma “liberdade” de que privam a maioria.

RefEstado1

É mesmo bom que se fiquem pelo “estudo” – e podem encomendá-lo a “especialistas” com duplo financiamento para servir os interesses de um senhor com o dinheiro de outro na base do cunhismo (esta é uma very private joke só ao acesso de quem sabe quem anda a sacar aqui para servir ali) – e que nem sequer entrem pelo anunciado gradualismo das experiências-piloto que – como é norma com esta malta – serão feitas exactamente para pagar os vícios daqueles que desde o início se querem privilegiar.

O “modelo de financiamento diferente” é uma falácia destinada a encobrir algo diverso, ou seja, um modelo diferente de atribuição de verbas em que um determinado e abençoado lobby veja aumentar a sua fatia do orçamento do MEC, mesmo depois daquela conversa toda anterior que está no documento sobre o declínio demográfico.

Porque não sei se repararam mas a quebra do número de alunos no 1º ciclo serve para justificar todos os cortes na rede pública, mas NUNCA na rede privada já subsidiodependente ou que quer completar os seus réditos com uns milhões retirados a esse abominável monstro que é o “Estado”.

Penso já ser evidente que isto deixou o campo ideológico para se tornar uma fenómeno puro e duro de negociata económica e de truque para obter vantagens materiais à custa de um sistema educativo fragmentado, desigual no mau sentido e em que os piores serão abandonados, enquanto se dão palmadinhas nas costas dos hifenados, acastelhanados e das consoantes geminadas.

 

Chegou o primeiro caixote deles. Onde antes caberiam uns 4 ou 5 vinham apenas 2 carregados de apêndices.

E depois lá vamos ter de preencher as grelhas de avaliação, para poupar trabalho a outros…

É que este ano acho que não vi nada de nada, excepto uns pedacitos dos filmes de animação.

Mas este fim de semana a melhor representação foi para aquele árbitro de Belém. O do campo de futebol, não o do costume.

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