Estou Xim?


Muito pensei eu no título a dar a este post. Mas desde a manhã que fazê-lo é um imperativo categórico da minha consciência. Porque há sempre horizontes novos que se abrem perante nós ao constatarmos toda a riqueza de conhecimentos que transmitimos e competências que desenvolvemos ao longo de uma aula.

Eu sei que a turma é de PCA, mas o aluno em causa nem está sinalizado com problemas transcendentais. E até é bem comportando e está sozinho numa mesa. Eu sei que é um 5º ano e que só tiveram quatro anos de aulas (salvo uma ou outra repetência) para aprender a copiar coisas de um quadro, sendo essas coisas o sumário e umas linhas de apontamentos sobre a acentuação e a classificação das palavras de acordo com a sílaba tónica.

Como se percebe, coisas paredes-meias com a caça ao gato de Schrödinger em matéria de complexidade conceptual e prática.

E não vale a pena dizer que o profe não deu atenção ao aluno, porque o sacana do profe até andou sempre por ali a cirandar na esperança… E o raisparta do profe até tentou várias estratégias, a começar pela sensibilização para a necessidade do aluno perceber que se começa a escrever pela frente e não pelo (re)verso da folha. Se possível sobre as linhas traçadas no papel. Já agora, seguindo a ordem do que estava no quadro (não-interactivo, deve ter sido por isso!), da esquerda para a direita e de cima para baixo, a menos que invoque genealogia sino-nipónica ou convicção e confissão muçulmana, que eu respeito isso tudo e até muito mais.

Eu garanto que o energúmeno selectivo, conservador e tradicionalista do profe tentou todos os ângulos de abordagem para que este jovem de 10 (ou 11?) anos conseguisse registar qualquer coisa para seu próprio benefício no que deveria ser um caderno, antes de lhe ser distribuída uma ficha de trabalho para exercitar a motricidade fina ao sublinhar as sílabas tónicas de umas quantas palavras e a coordenação óculo-manual ao preencher com as ditas palavras um quadro já repartido em rectângulos para arrumar as agudas, graves e esdrúxulas.

Tudo coisa de exigência ao nível do salto encarpado com dupla pirueta atrás em direcção à pissina.

Mas a verdade, a ridente verdade, é que ao descair da aula para o toque, feita a ronda dos cadernos diários – esse anacronismo da escola dita napoleónica e não lúdica – o balanço era este, não sabendo eu o que destacar com maior fluorescência, se a grafia a lembrar o aramaico transversal, se a estética avant-garde do vazio contestatário em conflito com a disciplina autoritária do magister chato (je, of course!).

Enfim… é a vida, sendo que a vida nos próximos dias vai ser a do exercício da cópia e caligrafia, uma meta de aprendizagem que eu decidi definir para o primeiro período, na falta de conseguir algo mais.

Na blogosfera fenprofiana mais destacada entrei directamente para a classificação de perturbado e ordinário, portento gelatinoso da coerência e Frei Tomás.

Eu acho que a perturbação e o incómodo estão algures, mas essa é a minha perturbada opinião, que optou por não preencher a ficha insinuada.

No meio disto tudo, apenas percebi que o Miguel Pinto desconhece que as funções de director de turma e outras não decorrem do ECD assinado e acordado há uns meses, mas que precedem em muito o próprio ECD dos anos 90.

Malta nova…

… de que me ando a fazer a qualquer coisa decente: hoje, ao início da manhã, cortei o cabelo ao fim de uns 5 meses em que a minha tonsura foi sendo rodeada de uma desgrenha de fazer inveja a qualquer neo-hippie.

Advogado de Armando Vara não aceita divulgação de conversas privadas

Serei só eu a achar que os operacionais estão a tentar livrar-se, enquanto no topo o clima vai aquecendo?

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