Estou Velho Para Isto


Sim e eu nem gosto muito disso, mas resulta daquela irritação que nos fica instalada debaixo da pele quando em poucos dias temos um PR a condecorar um autarca com contas ilegais anos a fio, um PM a mentir publicamente sobre assuntos internacionais e a tratar governantes com tanta legitimidade como a dele como se fossem salteadores (quando no seu governo há muito pior) e um líder da oposição, enquanto autarca, a limpar as dívidas fiscais de um clube de futebol com milhões de sócios, simpatizantes, adeptos e eleitores à moda do terceiro mundo (se fosse do benfica diria o mesmo, assim como se fosse o sporting a ter um perdão público deste tamanho em período pré-eleitoral).

Quando se sente que as saídas começam a ficar bloqueadas pela lama que escorre de todos os lados e vai submergindo um país que tem muitos defeitos, é verdade, mas que nem sempre merece esta corja que o domina e consegue reproduzir-se, mesmo se com outras cores e formatos. E com a qual as “alternativas” possíveis entram em consenso estratégico, mal se lhes prometa um tgv a passar no quintal com mais-valias no imbiliário ou uns lugares de destaque em conferências de imprensa para avançarem.

E quando se vê com toda a clareza que uma das medidas mais destruidoras da unidade nacional em termos de governação na área social é aprovada a seis meses de eleições, com uma discussão opaca, feita em circuito fechado e beneficiando do colaboracionismo voraz de uns quantos autarcas que nada apresentaram que demonstre serem capazes de gerir a rede escolar, de centros de saúde e ainda a segurança social. E nem vale a pena falarem em legitimidade democrática porque quando foram eleitos não se sabia de nada disto e ninguém votou para isto lá nos seus concelhos.

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Sou daqueles tempos de antanho em que se acreditava que a verdade acaba sempre por se saber e que as mentiras têm a perna curta e acabam sempre por tropeçar em si mesmas.

Dito isto, tenho algum desprezo pelos queixinhas que, não sendo capazes de demonstrar a sua razão, vão a correr chamar os matulões em sua defesa para intimidar o resto dos colegas que brincam no recreio.

Por matulões, pode entender-se a IGEC ou os Tribunais, que assim perdem o seu tempo com idiotices.

E um tipo ainda tem de testemunhar…

Tivesse eu mau feitio e não fosse a alma santa que sou e também lhe mandava polícia para a porta da escola.

Mas não consigo ser assim tão parvo.

 

 

dos dois lados das grades

 

 

em que momentos da sua carreira, foi Hélder de Sousa avaliado com uma qualquer prova que permitisse conhecer as suas capacidades e competências?

(…) a classe docente quer considerar-se à parte destas exigências, que são comuns às profissões mais qualificadas? É que se quer, de certa forma pode ser até uma forma de desqualificação.

Porque isto é tudo muito interessante, mas quem certificou o senhor Iavé como avaliador-mor do reino? Ou como sabemos nós que quem elabora e classifica estas provas têm competência para tal?

Porque a mim quer parecer que quem mais clama pelo rigor, pela cultura da perfeição é exactamente quem fez carreiras sem que seja perceptível a que avaliação foi sujeito. Porque uma coisa é ter cargos, outra ter sido avaliado por mais do que a fidelidade aos senhores que passam.

Vamos lá a tentar saber… que provas fez Hélder de Sousa, quem o avaliou, quem foram os júris das suas provas?

Porque isto de mandar fazer, quase todos sabem mandar. Fazer é que é o caraças…

O senhor até pode ser o mais competente entre os competentes no reino de Iavé, mas a verdade é que o seu trajecto académico e profissional é… aquilo que é e não mais do que isso.

E percebemos o quanto a coisa é curta quando lemos tiradas como estas, cheias de ausências de detalhes específicos ou conhecimentos concretos.

As provas são semelhantes, não há aqui nenhuma invenção. Agora os modelos são todos diferentes. As provas normalmente têm uma componente comum e outra específica, mas desconheço em pormenor se são classificadas separadamente. Sei, por exemplo, que as linhas de corte entre o ser aprovado e não aprovado são variadas. Nuns casos são mais exigentes, noutros menos.

Provas “semelhantes”, modelos “diferentes”… linhas de corte “variadas”… nuns casos “mais exigentes, noutros menos”.

Phosga-se, pá… isso até eu seria capaz de dizer e não percebo nada do assunto.

 

HienaSão os do costume (aqui e aqui), fingem que a prova foi aplicada aos professores que estão a leccionar e não a aspirantes que muito poucas aulas deram. Escamoteiam que estes candidatos profissionalizados à docência são o produto dos cursos criados ou certificados pelos seus ídolos no MEC (ou será que não foram, na sua larga maioria, formados já à bolonhesa neste milénio?) e que dificilmente se pode considerar que são os que estão a ensinar “os nossos filhos” nas escolas (que eles indicam ser sempre as públicas, pois não sabemos o que resultaria de uma PACC aplicada no ensino privado).

Eu poderia adjectivar estes senhores, mas eles sabem bem o que penso deles e da sua postura de arrogância pseudo senatorial num caso ou, no outro, de “investigador” que nada fez até ao momento que justifique a atitude de condescendência para com toda uma classe profissional que ele parasita nas suas diatribes.

Os textos que escrevem não ofendem apenas aqueles que fizeram a prova, pois são feitos de modo a lançar publicamente dúvidas sobre todos os professores. É esse o seu objectivo, voluntário, recorrente.

Podem dizer que não e até argumentar que “eu até tenho muitos amigos professores” ou “tenho professores na família”, mas já sabemos que nesses casos são todos bons, excepto uns conhecidos deles da Faculdade que eram idiotas e foram para professores. E também temos sempre aqueles exemplos dos alemães do pós-guerra que até tinham imensos amigos judeus nos anos 30.

É tudo treta, da mais rasteirinha.

Em nenhum momento eu produzi aqui um texto sobre “os (maus) jornalistas” ou “os (maus) investigadores” só por este ou aquele palerma ser um lamentável exemplo para o jornalismo ou a investigação. O chuveirinho de lama que esta gente com rosto produz procura achincalhar todos os professores e, repito, é algo deliberado e nascido de um preconceito de “linhagem” pacóvia como a prova que exaltam e não sei se saberiam fazer.

Quero lá saber se depois tuítam pelas costas ou produzem anátemas nas suas tertúlias sobre mim e a minha “arrogância” como já aconteceu com outras luminárias de alguma comunicação social de “opinião” (as câncios, as rolos duartes, os queriduchos de um lado, os insurgentes e blasfemos do outro). A verdade é que me sinto realmente muito superior, exactamente por ser professor, a esta cambada de desocupados, que vive das conexões e conhecimentos e muito raramente das verdadeiras capacidades ou competências. E não tenho dúvidas que milhares e milhares de professores são imensamente superiores do ponto de vista intelectual e ético a quem sobre eles opina na base do achismo ou da investigação por encomenda.

Porque a melhoria dos resultados dos alunos portugueses é facilmente mensurável, enquanto o declínio de outras actividades é bem evidente.

… assim como acho inaceitável que ele tenha conseguido uma certificação profissional de nível superior, apesar de tais falhas.

Para quando um exame aos formadores de professores, em especial àqueles que tanto criticam a qualidade dos que ajudaram a formar?

Porque coragem, coragem mesmo, seria passar uma esfregona em muitos departamentos que fazem formação de professores com gente completamente alheada da realidade das escolas, que avalia em piloto automático e que seria interessante perceber se conseguiriam fazer esta mesma PACC sem chumbar de forma bem mais retumbante.

Mas… basta ver a pressa em aprovar cursos de formação/especialização para o novo grupo de recrutamento 120 para se perceber que a cadeia alimentar permanece, no essencial, intocada e intocável.

(já agora, só mesmo um detalhe venenoso… descobrir a entrada USB para colocar uma pen não deveria ser uma competência de um quadro superior do MEC para a área das estatísticas e coisas assim?)

Não obrigado, salvo muito honrosas excepções e sessões quase desertas.

Numa década, cinco milhões de espectadores desapareceram dos cinemas portugueses