Estatísticas


Foi publicado há dias o volume das Estatísticas da Educação relativo ao ano lectivo de 2012-13.

Até passou despercebido, porque há assuntos que andam muito mais quentes, mas foi impossível não reparar na mensagem básica que foi transmitida:

Ensino nacional perdeu quase 100 mil alunos

O sistema de ensino nacional perdeu quase 100 mil alunos entre os anos letivos de 2011/2012 e 2012/2013, segundo o Ministério da Educação, destacando-se o ensino básico, com menos 64.288 estudantes.

De acordo com os dados do relatório «Estatísticas da Educação 2012/2013», houve um total de 2.139.977 alunos inscritos, entre a educação pré-escolar, ensino básico, ensino secundário, ensino pós-secundário não superior e ensino superior.

Comparando com os dados do relatório relativo ao ano letivo 2011/2012, é possível constatar que há uma redução de 98.956 alunos entre os dois anos letivos, já que naquele ano letivo estiveram inscritos 2.238.933 alunos.

Estes dados incluem alunos matriculados/inscritos e adultos em atividades de educação e formação.

Entre os vários níveis de ensino, é no básico que a quebra é mais acentuada, passando de 1.157.811 em 2011/2012 para 1.093.523 em 2012/2013, o que representa menos 64.288 alunos.

Só lá muito mais para o fim da peça é que se pode ler que:

Olhando apenas para a educação e formação de jovens, a quebra é menos acentuada, passando de 1.710.075 no ano letivo 2011/2012 para 1.696.696 em 2012/2013, o que representa menos 13.379 estudantes.

Comecemos pelas partes giras… em primeiro lugar, ao usar-se a expressão “ensino nacional” mete-se tudo ao molho, sabendo-se que será lido algo mais parecido a “ensino público”; em segundo, estas estatísticas continuam a sofrer de velhos males… os dados ora aparecem sobre Portugal, ora apenas sobre o Continente, ora incluem o ensino privado, ora não incluem e temos nós de os calcular… quando pura e simplesmente os valores nuns quadros não batem certo com os de outros, apesar de se referirem à mesma realidade… é o caso do número de docentes do ensino público que num quadro geral têm um valor, mas quando se vai ao quadro do vínculo contratual já têm outro…

Mas, passemos ao que interessa. Quando se vão ver os números e se comparar com os de 2011-12 o que achamos?

Estat2013a

Os tais 100.000 que se perdem, têm uma distribuição muito assimétrica… na rede pública perdem-se 3% e na privada quase 10%.

Como já sabemos que estas conversas se destinam, em primeiro e último lugar, a justificar os cortes em decurso na rede pública de escolas e no número de professores, que tal vermos a evolução do número de docentes (do quadro e contratados) neste mesmo período?

Estat2013b

Como parece ser fácil perceber, em termos relativos, a redução de docentes foi quase o triplo da redução do número de alunos… sendo muito maior entre os contratados que desceram de 31.000 para menos de 22.000.

Mas isso não é notícia…

Só mesmo para terminar… a evolução do número de alunos e escolas da rede pública do 1º ciclo em Portugal Continental:

Estat2013c

Certamente, haverá quem diga que isto significa ganhos de eficiência do sistema

Eu não descreveria ou qualificaria assim a coisa

 

 

Em dez milhões, apuram-se 0,006%.

 Há que trabalhar.

De acordo com os números oficiais da FIFA, o William Carvalho fez 39 passes, falhando apenas 2 na segunda parte do jogo de ontem. Dá perto de 0,9 passes por minuto e um grau de precisão de 95%.

Tirando o Beto, o mais perto que outro jogador lá chega é o Ricardo Costa com 67 passes em 75 durante jogo e meio. A média de passes por minuto é muito mais baixa e a precisão de 89%.

No meio campo, o João Moutinho fez 126 passes certos em 146 durante os dois jogos, o que dá uma média de 0,8 passes, mas uma precisão de apenas 86%, o Raul Meireles fez 82 em 99 passes durante 159 minutos, o que dá uma precisão de 83%. Quanto ao Miguel Veloso andou pelos 86%, apesar de ter ido para defesa esquerdo, como segundo polivalente no lugar.

Quanto a correr durante os jogos, só o Nani aparece nas primeiras dezenas de jogadores do top desta categoria, com mais de 20 km em 2 jogos.

 

 

 

Em especial para os futuros candidatos ao Ensino Superior.

Dados e Estatísticas de Cursos Superiores

Agradecendo a referência ao M. Rodrigues.

Hum!, o vice-ministério para a suprema felicidade social resulta!

Venezuela reduz pobreza para 19,6% e desemprego para 5,6% 

 

… mas…

… quer dizer que trabalhar na estatística ainda não compensa?

Sei que há uma recente edição nacional deste clássico com mais de 50 anos, da Gradiva, com um prefácio com mais páginas do que devia e um preço que é o triplo do que paguei por esta edição muito mais maneirinha.

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Mais alguém a fazer um trabalho que o MEC parece incapaz de disponibilizar:

Estatísticas – LISTA DEFINITIVA DE ORDENAÇÃO – Concurso Docentes 2013/2014

… não com base nos alunos que abandonaram, mas a partir das inscrições no IEFP. Pelo menos foi o que uma especialista nacional da maior nomeada uma vez me disse, criticando-me com forte acrimónia para não dizer pior, quando declarei numa reunião que as estatísticas oficiais do abandono escolar no Ensino Básico são uma piedosa ficção.

Pub22Jul13

Público, 22 de Julho de 2013

… as estatísticas do Umbigo no Sitemeter. Restam apenas as da última semana. Bah….

já consolidou quantas turmas – porque é perigoso falar-se em número de alunos – que permanecem sem professores e estão a andar por aí ao deus-dará?

Actos contra a honra e o bom nome das pessoas estão a aumentar nas escolas

Os actos contra a honra e o bom nome das pessoas têm estado a aumentar nas escolas do ensino básico e secundário, revelam os dados sobre segurança no meio escolar ontem divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência.

(…)

Só 11% dos mais de mil agrupamentos participaram ocorrências. No ano anterior tinham sido 8,5%. As escolas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto continuam a ter o maior número de casos participados.

Acho absolutamente inadmissível que se continue a verificar este baixíssimo nível de participação de ocorrências (e a qualidade de algumas participações é aterradora) e que, por exemplo, em matéria de inspecções às escolas e avaliação dos órgãos de gestão se finja que não se sabe que tantas vezes se ocultam dados para simular paraísos artificiais.

Para quando um bocadinho de coragem nesta matéria?

Há sempre um detalhe que os apologistas dos rácios tipo-OCDE (é verdade, para quando a retomada pelo actual Governo dessa prática gira dos Governos anteriores?) se esquecem sempre.

Se os alunos diminuíram à farta e os professores aumentaram a rodos, então é de esperar que existam turmas mais pequenas, certo? Porque os alunos estão, dessa forma, mais divididos por turmas mais pequenas, certo?

Seria essa a lógica.

Mas… infelizmente não é assim.

De acordo com a própria OCDE a evolução da dimensão das turmas foi a seguinte entre 2000 e 2009:

Se atentarem nos quadros, mesmo quem tenha poucas sinapses funcionais, percebe que Portugal está na média da amostra e que não houve especial evolução na dimensão das turmas.

Isto deveria fazer os defensores dos rácios pensar na razão porque isso acontece.

As principais são simples e já me cansei de as repetir:

  • Muitos professores asseguram nas escolas muitas horas de funções que não a docência, devido à falta de outro pessoal qualificado.
  • Aumentou o número de disciplinas e de horas no currículo e, logicamente, isso acarreta que sejam necessários mais professores mesmo que o número de alunos não aumente. E os Conselhos de Turma, no 3º CEB e Secundário, aumentaram por isso mesmo E, já agora, seria útil perceber-se que a criação de algumas dessas disciplinas não foi decretada pelos próprios professores.

Quem quiser analisar a coisa com mais atenção, pode espreitar o ficheiro em Excel que o Maurício me enviou: Average class size in primary education (2000, 2009).

Quando se apresentam quadros com linhas dramaticamente divergentes entre o número de alunos e professores seria interessante que se fizesse a seguinte interrogação: e porque não se reflecte nada disso nas salas de aula?

Mas para isso é preciso andar cá e não em consultas pelo Dubai… ou a olhar apenas para números, estudar variáveis e desconhecer completamente o que elas representam na vida real.

 

 

Para dados demográficos:

Para dados sobre a Educação:

Para a papinha toda feita:

 

 

Apeteceu-me. Tenho aqui uma horita que dá para encher e então vou relembrar coisas com mais de 15 anos, algumas perto de 30.

Em tempos de licenciatura em História na FCSH, fiz a cadeira de Matemática para as Ciências Sociais e Humanas e depois a opção de Demografia Histórica. Era responsável pelas cadeiras J. Manuel Nazareth, mas leccionava-a efectivamente a assistente, a sempre simpática drª Maria Luís Rocha Pinto (com a presença ocasional de uma então muito jovem Maria João Valente Rosa). Aprendi o essencial daquilo que agora se faz com folhas de cálculo (na altura quanto muito falava-se no dbase) e os conceitos fundamentais da coisa com uma avaliação a contento, mas não propriamente excepcional (18 e 16, que partilhei com vários colegas).

Entretanto fui publicando pouca coisa na área, mas sempre que possível com recurso a fontes estatísticas.

Mais tarde, já nos anos 90, no mestrado em História Contemporânea, tive um semestre de Metodologia para a História Económica com a Professora Ana Bela Nunes da Faculdade de Economia da Nova, porque na leva anterior os mestrandos se tinham entendido com dificuldade com o Professor Jaime Reis, pois achavam a cadeira muito difícil de acompanhar. E com a Profª Ana Bela Nunes também, para desespero dela quando nos via completamente aos papéis ao fim de 20 minutos de aula. O pessoal perdia-se nas regressões e contrafactuais com alguma facilidade, mas tinha vergonha e calava-se, acenava e fingia que. Com o feitiozinho da treta que na altura tinha ainda com mais viço, eu perdia a paciência e perguntava o que era aquela variável delta não sei quê em que eu me perdera. No final, numa avaliação informal, foi-nos dito que se fossemos alunos de um mestrado de Economia teríamos 2 medíocres e o resto (uns 10) seriam maus. Eu, juntamente com o já falecido Fernando Figueiredo fazíamos o duo de medíocres. Curiosamente ou não, éramos trânsfugas interessados em História das Mentalidades, ele nos rituais mortuários e nos cemitérios, eu no quotidiano feminino. Os futuros historiadores económicos eram os outros. Talvez se perceba porque, em muitos casos, prescindo de comprar certas obras.

Nada de grave se na dezena restante não estivessem, como referi, futuros (presentes!) vultos da historiografia com cargos de responsabilidade na Academia. E, se estendessemos a lista para o tal mestrado anterior, teríamos uma boa meia dúzia de personalidades com distintas responsabilidades nas lides académicas, comemorativas, editoriais e etc.

Nada de grave, afinal, se alguns dos actuais aprendizes de demógrafos-feiticeiros não tivessem passado por cursos e instituições onde pontificam os tais vultos. Que de métodos estatísticos e análise de fontes desse tipo percebem muito pouco. Mas adiante. Pode ser que tenham aprendido com bons professores e não aqueles.

Mas voltando às memórias de um tempo passado em que eu tinha mesmo mau feitio.

Ainda nesse mestrado, tive um dia um desaguisado bastante azedo na apresentação de um trabalho meu sobre a evolução do custo de vida e dos salários nas primeiras décadas do século XX. Para o fazer foi necessário recorrer a duas séries de dados sobre preços e salários, uma com origem no Boletim do Trabalho Industrial e outra já com base nos dados do recém-criado INE. Cito isto de memória, mas acho que ainda tenho algures, roídas pelos bichinhos do papel durante 18 anos, as tabelas então feitas na folha de cálculo do MSWorks (lembram-se?). As duas séries eram pouco compatíveis, porque os índices tinham bases diversas e o melhor que se podia fazer – sem regressões a partir da série do INE, porque aquilo era um simples trabalho de seminário – era sobrepor as duas séries nos anos em que coincidiam e criar um terceiro índice que compatibilizasse as duas séries.

Trabalho feito – burro, porque bastaria ter usado uma das séries e carregado no botão de automático com conclusões compatíveis com as da tese do responsável pelo seminário – e apresentado, sou completamente trucidado pela personalidade em ascensão meteórica porque não devia ter estendido a série, deveria ter tratado apenas uma ou outra (sendo que a colagem incidia no período crítico da Ditadura Militar e chegada de Salazar ao Min. Finanças) e não ter ousado fazer o que ele e os que ele conhecia já tinham feito.

E então confirmei que, para muita gente, os números e os métodos estatísticos são meros pretextos para justificar selectivamente certas teses e não para se fazer uma aproximação ao conhecimento da realidade, tal como ela possa ser mensurável, sempre com a devida contextualização.

Portanto, quando agora me aparecem os discípulos desses vultos maiores e menores a pregar a Estatística e a Demografia como fundamento para as suas posições ideológicas, posições essas que antecedem em muito os dados que apresentam, fico sempre com um sorriso e uma desconfiança enorme. Quer pela substância, quer pela forma como as coisas surgem, subitamente, no discurso político.

E dificilmente me sinto intimidado se enviam 3 ou 4 vagas de ataque ou contra-ataque.É deixai-los pousar.

Mas sobre isso já escrevo em seguida, depois de ir ali beber um moscatel premiado, porque estou a ficar com um friozinho digital.

A guarda avançada de Sócrates na blogosfera googlava antes de ter acesso privilegiado (consta, de acordo com o Pacheco Pereira e os insurgentes, por exemplo, que eu não vi nada!) a dados oficiais só de acesso fácil aos governantes e seus auxiliares.

A guarda avançada de Passos Coelho/Relvas prefere pordatar, fazer uns gráficos e pouco mais. Deveria, digo eu, procurar vias para misi@r, ou seja, explorar o manancial imenso de dados que o ME(C) recolhe a partir das escolas com regularidade semanal, mensal ou conforme.

Se o fizessem poderiam contextualizar números absolutos, tendências e rácios para não ficarem tão iguais aos seus antecessores do Partido de Sócrates.

Se o fizessem, quando estabelecem comparações de longa tendência (e até parece que descobriram a pólvora quando fazem algo que se aprendia no primeiro período do 1º ano do meu curso e eu licenciei-me em História) poderiam tentar entendê-las e não apenas enunciá-las.

Comparar o número de professores e o rácio alunos/professor entre os anos 60, 70 ou mesmo 80 e os actuais faz esquecer, mesmo quando se encontram designados como “em exercício” que seria importante perceber quantos, em cada período desempenhavam as seguintes funções que antes não existiam ou eram muito mais incipientes:

Estruturas político-administrativas do MEC.

  • Equipas de Educação Especial para apoio a alunos com NEE que antes estavam em instituições separadas das escolas.
  • Bibliotecas Escolares que antes funcionavam apenas com funcionários.
  • Desporto Escolar, que não existia.
  • Gabinetes e equipas diversas que asseguram “valências” antes inexistentes nas escolas como o PTE.

E nem falo de muito outro trabalho, que não implica horas lectivas, como toda a papelada que antes era assegurada pelas secretarias e agora são os professores a fazer.

Porque isto de alinhar números é muito interessante, em especial quando sabemos o que eles significam.

E isso não se consegue apenas pordatando. Mexam os vossos cordelinhos e pressionem para que a imensa mole de dados do(a) MISI@ se torne público, sem filtragens selectivas pois a PORDATA funciona apenas a partir do que se conhece, mas estava disperso em publicações. É muito útil mas ainda tem limitações.

É a diferença entre um trabalho de licenciatura e estudos de investigação não bolonhesa.

Norte e Centro continuam a ser as regiões com menos chumbos

A percentagem de alunos do ensino básico e secundário que chumbou no ano lectivo de 2009/2010 continua a ser menor no Norte e Centro e maior nas regiões autónomas e na zona de Lisboa. Os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam a existência de fortes disparidades regionais no que respeita ao sucesso escolar dos alunos.

Porque desmonta a coreografia estatística em torno da greve de ontem:

Greve: contabilização das adesões e dos efeitos

Isto equivale a um professor por 12,5 alunos. E apenas professores a tempo inteiro.

Disponível aqui, que eu não gosto de enunciar sem demonstrar.

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