Educação Física


… então… estamos falados.

Ou não.

👿

Caros colegas de Educação Física.

Estou a frequentar o curso de formação especializada em Educação Especial no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração. No âmbito da unidade curricular de Projeto, surge este trabalho de investigação com a seguinte temática: “Educação Física e Inclusão do Deficiente Mental”. Para o sucesso desta investigação, solicito a sua preciosa colaboração, preenchendo o questionário, clicando no link seguinte.

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?fromEmail=true&formkey=dHA4VXlxc1F0SG8tekNXR0I4ZHhJekE6MQ

Agradeço desde já a sua colaboração.

Sérgio Leite

P.S. Caso considere pertinente reenvie o questionário para colegas puderem colaborar.

Obrigado.

CARTA ABERTA AO SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA, A PROPÓSITO DA NOVA MATRIZ CURRICULAR EM EDUCAÇÃO FÍSICA E DA NÃO CONTABILIZAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO OBTIDA NA DISCIPLINA PARA APURAMENTO DA MÉDIA FINAL NO ENSINO SECUNDÁRIO

Permita-me, Senhor Ministro, manifestar a minha profunda discordância e indignação face ao estatuto de menoridade conferido à Educação Física, em resultado da publicação do Decreto- Lei nº 139/2012 de 5 de Julho que estabelece os princípios orientadores da organização e da gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário. No seu preâmbulo é possível encontrar alguns dos fundamentos que, neste momento, atormentam a vida das escolas, pelas consequências na preparação dos horários, designadamente a componente letiva e que se expressam no seguinte:

– “O princípio da flexibilidade na organização das actividades”;

– “Às medidas adotadas e que passam, essencialmente por um aumento da autonomia das escolas na gestão do currículo”;

– “A redução da dispersão curricular concretiza-se no reforço de disciplinas fundamentais, tais como o Português, a Matemática, a História, a Geografia, a Fisico-Química, as Ciências Naturais e a promoção do Inglês”;

– “ Adicionalmente, na área das Expressões, reafirma-se um reforço da identidade disciplinar”.

Em primeiro lugar, importa contextualizar o problema, sobretudo porque os docentes que se encontram efetivamente nas escolas sentem, no quotidiano, o verdadeiro sentido da flexibilidade e o significado da autonomia. É neste quadro de autonomia que as escolas têm liberdade de organizar os tempos letivos, na unidade mais conveniente desde que respeitem as cargas horárias totais de cada disciplina. Todavia, as novas matrizes curriculares e a diferenciação da carga horária letiva, encerram em si, constrangimentos geradores de desigualdades e mesmo injustiças, face às especificidades dos agrupamentos de Escolas, com reflexos no plano do ensino e aprendizagem e na empregabilidade da classe docente.

No que concerne à especificidade da área disciplinar da Educação Física, torna-se evidente o seu estatuto de menoridade. A primeira questão a levantar situa-se no plano da decisão política e do domínio ideológico, pese embora a legitimidade democrática, não se vislumbra fundamentação no plano concetual e científico para sustentar a criação de uma nova componente do currículo – Expressões e Tecnologias, no 3º Ciclo do Ensino Básico, integrando a Educação Física, a Educação Visual, TIC e Oferta de Escola, sendo-lhe atribuída uma carga horária global, a gerir pela própria Escola, tornando esta medida arbitrária. Também no ensino secundário, a contabilização de tempos mínimos de 150 minutos para cada ano de escolaridade (10º,11º e 12º ano) em oposição aos habituais 180 minutos pode resultar em perda de horários para algumas escolas e num défice de 30 minutos semanais para os alunos. A simples organização dos tempos letivos em períodos de 45 ou 50 minutos, pode traduzir-se em prejuízos evidentes. Assim, a título de exemplo, tendo por base a minha Escola – a opção pelos tempos letivos de 45 minutos em vez de 50 minutos, evitou uma perda de 1800 minutos, no conjunto dos horários relativos à disciplina de Educação Física, aproximadamente.

A segunda questão prende-se com a não contabilização da classificação obtida na disciplina para apuramento da média final no ensino secundário. Esta medida, senhor ministro pode representar um retrocesso de 17 anos e carece de justificação. Porquê esta decisão? Tanto mais que se inicia um novo ciclo de escolaridade obrigatória, até ao 12º ano, e a mensagem que vai passar para os alunos do 10º ano é que há uma disciplina que não é considerada em paridade com as outras, cumprindo uma missão recreativa.

É certo que a Educação Física, para o ME, não entra no pacote das disciplinas fundamentais, o espaço é reduzido para “guarida” de tantas disciplinas, e ainda por cima o peso da Matemática e da Língua Portuguesa (Português) é cada vez mais acentuado. Percebe-se, por isso, as razões da discriminação negativa para a área disciplinar da Educação Física, mas não podemos concordar. Para mim, para a comunidade científica, para as universidades, para as associações de profissionais, designadamente SPEF e CNAPEF, para os profissionais da saúde, para os Diretores das Escolas, para as Associações de Pais e Encarregados de Educação, para os docentes em cada escola e para a esmagadora maioria dos alunos, a área da educação física, da atividade física e do desporto escolar, continuará a ser fundamental para a vida da Escola e da comunidade educativa. Por isso, em conformidade com o estatuto formativo e educativo e face à sua especificidade e singularidade, somos obrigados a relembrar que nenhuma outra disciplina do currículo nacional, no quadro do sistema educativo e no contexto da escola, pode substituir a EF na educação e formação das nossas crianças e jovens, de modo tão significativo, porque:

–  É elemento estruturante da formação integral e pluridimensional do indivíduo, envolvendo domínios e conteúdos diversificados;

– Permite o desenvolvimento de competências diversificadas, pessoais, sociais, afetivas e cognitivas;

– Constitui um sinal de saúde e bem-estar, não só pela possibilidade de transmitir valores e ideais com enfoque nos estilos de vida ativos e saudáveis como, também, no combate à obesidade e sobrepeso entre a população infanto-juvenil;

– Facilita o acesso às práticas físicas e desportivas, oportunidade única para muitos milhares de jovens em idade escolar;

– É factor de realização de projetos, favorecendo aparecimento e desenvolvimento de dinâmicas organizacionais e associativas numa perspetiva de formação para a vida;

–  É espaço privilegiado de inclusão para as populações escolares, de combate ao racismo e à xenofobia;

– Combate o abandono e o insucesso escolar.

Em síntese, Senhor Ministro, aceite a esta minha posição, talvez corporativa, carregada de indignação e desconforto, mas cheia de preocupações e receios, face ao momento que vivemos no interior da Escola Pública. Aqui, a Educação Física vê-se reduzida a uma missão recreativa, sem efeitos na avaliação, facto que constitui um pesado constrangimento para o futuro. Apesar de tudo, queremos acreditar que os múltiplos e valiosos objetivos que aqui figuram serão atendidos. Os problemas não são eternos e têm sempre uma solução.

20 de Julho de 2012

Docente de Educação Física do Quadro de Nomeação Definitiva da Escola Secundária c/ 3º Ciclo de Ferreira Dias – Agualva (Sintra)

Manuel Pina

Aqui: Moçãoaprovada_2012 EF.

Plano de Acção: PlanAcaoFinalEF.

Aquilo da nota de Educação Física no Secundário… vai fazer efeitos só daqui a uns anos…

A verdade é que a fórmula da classificação para acesso à Universidade é que deveria ser mudada, não criando discriminações disciplinares específicas. Os alunos deveriam poder optar por deixar de fora a pior nota, fosse ela qual fosse.

Caro Paulo:

Sem outro intuito que não seja o de clarificar os conceitos de professor de ginástica e de professor de Educação Física (gerados pelo post, “Educação Física e Matrizes Curriculares – Tomada de Posição de Professores Catedráticos”,  publicada no seu blogue,  em 29 do mês passado), pedia-lhe que publicasse este meu post saído no blogue “De Rerum Natura”. Por ele se verá, também,  que esta discussão foi anteriormente despoletada por uma intervenção da antiga ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues que deve estar deleitada e feliz por ver ter tantos apoiantes da sua “tese”. Um abraço grato.

Rui

Quando uma “boutade” se torna numa piada de mau gosto

“Pode-se asnear nos tratamentos; mas na gramática gira mais fino”

(Camilo Castelo Branco, 1825-1890).

Acabo de assistir à intervenção, na passada quinta-feira, registada em vídeo, da ex- ministra da Educação, do XVII Governo Constitucional, Maria de Lurdes Rodrigues, sobre “A Educação em Portugal”.

Como é sabido, para começar uma intervenção oratória nada melhor de uma piada inicial para desanuviar um ambiente a que o semblante carregado da oradora não ajuda. Quiçá por esse facto, face à sua acção altamente polémica como antiga titular da pasta da Educação dessa técnica se utilizou ela na sua prelecção – em elogio à sua acção ministerial (ora, como nos legaram os latinos, “laus in ore proprio vilescit”) – ao começar por esclarecer a assembleia “não ser (e cito-a, ipsis verbis) o Senhor Professor Carlos Fiolhaisprofessor de ginástica”. Isto é, como se a estatura deste ilustre homem da Ciência e catedrático da vetusta Universidade de Coimbra não fosse sobejamente conhecida e reconhecida para dispensar um esclarecimento desnecessário, impróprio e, sobretudo, deselegante para terceiros.

Desta forma, na sua tentativa infeliz de ser graciosa para “agarrar a plateia” fez-se ela autora de uma graçola que deixaria de o ser se tivesse optado por se referir à sua própria condição e exemplo de antiga professora primária, diplomada por uma escola média, numa altura em que desde o dealbar da década de 40 os professores de Educação Física (e não de“ginástica” em deselegância comparável a chamar boticários aos actuais farmacêuticos) passaram a ser formados por uma escola superior oficial não universitária (INEF, actualmente Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa), a exemplo de outros quatro prestigiados e prestigiantes cursos superiores não universitários:Arquitectura, Escola do Exército (actual Academia Militar), Escola Naval e Escola Superior Colonial. Mas mesmo já em anos anteriores, tinha existido uma escola superior privada para a formação de professores de Educação Física a funcionar na Sociedade Portuguesa de Geografia. Acresce que estes exemplos, atrás citados, encontram raízes, por exemplo, nas antigas escolas médicas e cirúrgicas de Lisboa e do Porto antes da criação das universidades destas duas cidades em 1911.

Mas talvez esta actual professora universitária de Sociologia possa beneficiar da leitura de um excerto de um texto que o Professor António Manuel Baptista, catedrático de Física, produziu na imprensa acerca dos títulos académicos porque, segundo ele, “muitos dos títulos actuais servem apenas para que lhes pendurem pesos leves intelectuais que usam para polir com eles as suas pequenas vaidades não aceitando a tremenda responsabilidade que a associação com os títulos impõe” (“Professor, para que te quero?”, Semanário, 17/11/84).

E prossegue o autor do referido artigo: “Como se sabe, em nosso tempo, onde insultamos a democratização pela mediocratização de tudo [proféticas palavras estas para o caminho que a Educação viria a seguir com as Novas Oportunidades], em vez de honrarmos osuniversitários formados em Educação Física com o título apropriado, pegamos no título de professor e colocamo-lo nas camisolas de ginástica e desporto o que bem visto é uma solução à portuguesa de usar a beca ou toca como fato de treino”.

Assim, não pode deixar de ser lamentado ter havido, em nossos dias, uma antiga ministra da Educação incapaz de distinguir o titulo profissional de professor de Educação Física da prática exercida por antigos praticantes de ginástica (os chamados “professores de ginástica”) seus antecessores como foram os barbeiros dos actuais e muito prestigiados médicos-cirurgiões. Mas nada disto teria importância se, como escreveu Eça, a prática da vida não tivesse por única direcção a conveniência não havendo princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Mas porque assim foi (e continua a ser) a justificação para o facto de eu dar relevância a uma simples” boutade talvez não merecedora de um post não se desse o caso de continuarmos a viver numa época e numa sociedade em que as conveniências justificam os meios e as deselegâncias. E em que as Novas Oportunidades, menina dos olhos de Maria de Lurdes Rodrigues, toleram, e defendem mesmo, os pontapés na gramática e a ignorância devidamente certificada e equiparada a exigentes diplomas do 12.º ano do ensino secundário com o simples e falacioso intuito estatístico de somar parcelas em que é um erro crasso misturar maçãs com pêras, como se dizia no meu tempo de aluno de uma exigente 4.ª classe da antiga escola primária. E Maria de Lurdes Rodrigues tinha a obrigação de o saber melhor do que ninguém como antiga professora do ensino primário, actual 1.º ciclo do ensino básico!

 Rui Baptista, 15 de Outubro de 2011

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