Dual O Tanas!


O logro do “ensino dual”

Tem sido notada a insistência com que o actual Ministro da Educação vem anunciando o “ensino dual” alemão como modelo inspirador para a reforma (mais uma!) do ensino profissional em Portugal. O sistema dual é uma modalidade de ensino bem sucedida na Alemanha, envolvendo e corresponsabilizando escolas profissionais e empresas na formação de jovens em contexto de trabalho para um total de 350 profissões. Sucede que, se nos detivermos a analisar as principais características deste sistema e o compararmos com a realidade económica, social e educativa do nosso país, se torna evidente a desadequação do modelo à realidade portuguesa, pelo que se teme de imediato estar perante mais uma reforma feita em cima do joelho ou, não sei se pior ainda, uma cortina de fumo para outras intenções ainda não reveladas.

A primeira constatação óbvia a fazer é a de que o ensino dual constitui uma opção facultativa e apenas para alunos que tenham cumprido a escolaridade obrigatória, que na Alemanha é, em regra, de 10 anos. Não é, como por cá se tem sugerido pretender implementar, uma saída mais ou menos compulsiva para alunos do ensino básico com historial de insucesso ou inadaptação na escola regular.

Outra diferença significativa é o facto de estas formações, que duram em média 3 anos, serem remuneradas. Embora a maioria receba bastante menos, há formandos que chegam a ganhar cerca de 1000 euros mensais, pagos pela empresa onde recebem formação. Isto cria um envolvimento completamente diferente do que temos tido no ensino profissional português, onde os estágios em regra não são remunerados, sendo até muitas vezes encarados pelas empresas como um favor que prestam às escolas. Seguindo a lógica de uma nossa ex-ministra, de que “quem paga, manda”, são também as empresas alemãs que seleccionam os seus formandos, de acordo com os seus próprios critérios, em vez de ficarem à espera, como cá, daqueles que a escola resolva enviar-lhes. Mas é daqui que resulta também o sucesso do sistema: as empresas, que escolheram e investiram nos seus formandos, têm interesse em obter retorno desse investimento, pelo que, no final do curso, a maioria destes consegue emprego na empresa em que se formou.

Contudo esta lógica gera também alguns resultados aparentemente inesperados: grande parte dos alunos do ensino dual, e a maioria dos que conseguem as vagas mais ambicionadas, são alunos que frequentaram percursos escolares mais exigentes e orientados para o prosseguimento de estudos, mas que por uma ou outra razão preferiram esta via de empregabilidade mais rápida.

Concluindo, diria que não estou a ver o ministro Crato a querer aguentar nas escolas, até aos 16 ou 18 anos, os jovens que não querem estudar, para depois os encaminhar para algo vagamente semelhante ao ensino dual alemão. Também não vislumbro empresas portuguesas com a cultura empresarial, a dimensão e a vocação necessárias para facultar estágios ou formações remuneradas como o fazem as empresas alemãs. Por cá, e como bem sabemos, sem o subsidiozito a fundo perdido a olear a máquina, esta tende a parar rapidamente, se é que alguma vez chega a arrancar.

Dito isto, creio ainda assim que o interesse do governo do sistema educativo germânico é genuíno, e se o ensino dual é sobretudo propaganda e fogo de vista, outros aspectos haverá que lhe interessará, ainda mais, copiar. Será o caso, parece-me, da profunda segmentação entre percursos educativos que a maioria dos estados alemães faz a partir do 5º ano, com escolas específicas para alunos bons, médios e fracos, pelas quais os alunos a são distribuídos em função dos resultados escolares. É por aqui que estará talvez o busílis da questão, e eventualmente se descobrirá, um dia destes, para que irá servir a oportuna ressurreição do “exame da 4ª classe”…

Para saber mais:

Educação: O Sistema Dual Alemão

Dual education system

Organisation of Vocational Upper Secondary Education

António Duarte

Esta invenção que parece muito “natural” e “lógica”, numa escolaridade de 12 anos faz pouco sentido e, até com base nos cálculos disponíveis representa a solução mais cara para combater o insucesso e abandono escolar neste ciclo de escolaridade.

Embora acredite que seja a solução ideal para ti@s que desgostem de dar aulas à malta das classes perigosas. E para os encarregados de educação que não queiram os seus filhos muito miscigenados socialmente.

Podem dizer o que quiserem, mas… destina-se a criar um nicho de clientelismo com verbas a ser partilhadas pelas entidades formadoras… externas…

Legislação que permite acesso ao ensino profissional no 6.º ano quase pronta

Vá lá que alguém estava lá alguém com bom senso…

“O que foi hoje aqui revelado não é garantidamente o melhor caminho”, alertou Augusto Pascoal, contestando a hipótese de os alunos poderem seguir para uma via profissional logo no 6.º ano.

Em declarações à Lusa, Augusto Pascoal lembrou o caso alemão para explicar os seus receios: “Na Alemanha, são as escolas que decidem se os alunos devem continuar no ensino regular ou se devem seguir para o profissional. A decisão é feita com base nas notas e os pais não têm direito a escolher ou orientar o percurso dos seus filhos. Quem decide é a escola”.

O diretor pedagógico do INESETE é um defensor do ensino profissional a partir do 9.º ano, como acontece atualmente em Portugal. “Quando os alunos têm insucesso escolar, o ensino profissional é uma escolha que os pode motivar e fazer acreditar que são capazes. Mas ser uma opção logo no 6.º ano é perigoso porque poderá criar segregação de alunos”, alertou.

Uma posição partilhada pela presidente do CNE, Ana Maria Bettencourt, que teme uma “seleção precoce”.

Em declarações à Lusa, a presidente do CNE recordou recomendações internacionais que defendem um ensino regular, igual para todos, até ao 9.º ano. “O CNE também defende o ensino regular até ao 9.º ano. É um sistema mais equitativo. Fazer uma separação precoce de alunos é recuar em termos de equidade”.

Ministro da Economia afirma que mais de metade dos alunos já está no sistema dual de aprendizagem

Vamos lá então a perceber… se o sistema dual está numa experiência-piloto com uma dúzia de escolas… como é que…?

A menos que…

… isto tudo seja uma treta pois, como se estava a perceber, tudo o que até aqui era Profissional, CEF, etc, vai ser incorporado como dual.

E não era preciso aquele folclore de idas e vindas à Alemanha, a menos que seja para a tia Ângela obrigar a Autoeuropa, a Siemens, etc, a oferecer estágios a uns quantos tugas e depois fazerem-se uns brilharetes mediáticos com a coisa.

 

O ensino dual alemão é uma maravilha e pode ser importado com ganhos entre nós?

Quiçá…

Em especial se evitarmos (o que é difícil porque os empresários já mandaram dizer que não é exequível o que o MEC quer), coisas como estas:

DualAlemanha2

Mais de metade dos participantes nestes anos (cerca de 60% em 2006) frequentavam escolas vocacionais que não permitiam certificação das aprendizagens ou então não tinham qualquer contrato de estágio.

Ou seja:

The current transition system is both inefficient and costly
Current arrangements to take care of students at risk of leaving the system with very poor qualifications are problem-ridden. The transition system has been characterised by stakeholders as being not a system but a ‘jungle’, with a confusing variety of isolated measures that too often fail to lead to successful outcomes.
On average, transition participants attend 1.3 programmes and spend a total of almost 17 months in the transition system. Often transition system programmes do not lead to a full qualification. Relatively few of those exiting a transition measure immediately begin a training course leading to a full qualification (Beicht, 2009). Only a third find an apprenticeship place and many become unemployed (Baethge, Solga and Wieck, 2007).

O estudo tem 2 anos e é da amada OCDE.

O desperdício? Mais de 2 mil milhões de euros por ano, ou seja metade do anunciado buraco do nosso Estado Social. 5800 euros de custo por aluno (bem acima do nosso) sem qualquer garantia de entrada no mercado de trabalho qualificado.

Os ramirílios contam-nos isso nos seus blogues e na propaganda enviada para a comunicação social?

Claro que não!

A mentira e o engano tornaram-se a sua forma natural de estar.

A informação chegou-me há um par de dias por sms amigo.

A propagando em torno do ensino dual alemão proclama o baixo nível de desemprego dos alunos que terminam essa modalidade de ensino.

Parece é que se esqueceram que os níveis de sucesso no dual alemão são baixinhos e que quem não o completa, por ter outras saídas cortadas, vai alimentar um avultado desemprego não qualificado.

Mas a mentira tornou-se o modo de vida dos ramirílios.

Não me digam que os ramirílios do grupo de trabalho dual-vocacional não pensaram nisso?

Empresários consideram inviável proposta de Crato para pagamento de estágios

Da peça da Visão de hoje  sobre o ensino dual, aquele que está a ser experimentado em segredo, mal se sabendo onde e como.

Lusófona, a omnipresente

A Escola de Comércio de Lisboa, instituição de ensino não superior, integra o projeto-piloto da via profissionalizante acarinhado por Nuno Crato. Mais: a diretora daquela escola, Piedade Pereira, faz parte do Grupo de Trabalho criado pelo Ministério da Educação para coordenar a experiência.

A presença daquele grupo no projeto é surpreendente, se atentarmos a que, em outubro, uma auditoria da Inspeção-Geral da Educação (IGE), feita à Lusófona, reprovou o seu sistema de creditação da experiência e formação profissional. Em 2009, a IGE já lhe apontara falhas acompanhadas de recomendações, que não foram cumpridas. O gabinete do ministro recusou-se a comentar o caso.

Mas o que interessa tudo isto se tivermos o resultado desejado para a experiência acarinhada?

Se atentarmos a este modelo de experiência-piloto em meia dúzia de escolas para expansão num ou dois anos a todo o país não é difícil reconhecer a marca d’água do voluntarismo benaventista.

Com uma diferença: na altura não escondiam as escolas participantes do conhecimento público.

Quem diria que Crato acabaria com práticas destas a fazer o que sempre criticou?

O Público traz hoje um longo dossier sobre o ensino dual e a aparente impossibilidade de existir um tecido empresarial capaz de formar 100.000 jovens de acordo com o modelo importado da Alemanha.

Em defesa do modelo, surge um artigo de opinião de João Paulo Oliveira, gestor. O título é “Será que 1,4 milhões de pessoas estão erradas?” remetendo para a soma de todos os alunos do ensino profissional na Alemanha.

Ora… se há argumento que dificilmente possa ser usado por este governo em tal matéria será este, pois foi sua bandeira a crítica às Novas Oportunidades por ser um programa que apostava só na quantidade dos formados e não na qualidade da formação. Se existe um programa que propagandeia bacalhau a pataco, não admira que acorra muita gente. Não é por aí que lá chegamos.

Por isso, não chega apontar o sucesso da iniciativa algures, apontando os seus números como trunfo. Interessa saber se existem condições entre nós para o replicar. Ora… parece bem que não como se demonstra nas peças informativas. Desde logo porque o próprio MEC ainda não parece ter decidido se este modelo dual (ou vocacional ou lá como se vai chamando a cada semana que passa…) é para aplicar aos alunos repetentes logo a partir dos 12-13 anos, se apenas no Ensino Secundário.

Eu sei que o cronista em causa não é do MEC, mas… é bom que a argumentação do dual à força nãop passe por essa vereda estreita.

A montagem é da SIC e não de um qualquer brincalhão.

Quem fala assim não é gago?

Alguns entusiastas do sistema dual alemão (e das suas réplicas) usam uma lógica curiosa… afirmam eles, como aqui, que nos países onde há sistema dual há menos desemprego jovem. E atribuem esse menor desemprego ao modelo educativo.

Ao que parece, não lhes ocorre que há menos desemprego jovem porque há uma economia que gera emprego e absorve a mão de obra existente, sendo o sistema dual uma eventual ferramenta útil para alguns empregadores mas não a ferramenta de criação de emprego.

Se não existirem empresas dinâmicas e empregadoras até podem instituir o sistema trilateral que… não dá.

Isto é uma total inversão da lógica e da causalidade.

Se, por exemplo, existissem cursos de técnicos de naves espaciais em Portugal, isso não produziria emprego jovem. Apenas se existissem indústrias desse tipo.

O ministro da Educação reiterou hoje o compromisso do Governo com o desenvolvimento do sistema dual de ensino. E, para isso, foi assinado um memorando de cooperação com a Alemanha, que permitirá o intercâmbio de formadores e de estudantes entre os dois países.

(…)

Nuno Crato acrescentou que, neste momento, o Governo está a trabalhar com uma rede de escolas profissionais de referência e que quer também envolver o ensino politécnico. E deixou um apelo: “Apelo às empresas portuguesas e aos parceiros sociais para que manifestem espírito de abertura e colaboração estreita neste projecto”.

O ministro defendeu que é preciso uma “espécie de contrato social”, para fazer com que “a história de sucesso na Alemanha e noutros países seja também a de Portugal”.

O Ensino Dual é alemão, é bom.

… afinal o MEC já não precisa de todos, apesar da vinculação, digo, do concurso extraordinário, os professores mai’lindos?

Professores com horário zero poderão ser contratados para o sistema dual

O ministro da Economia garantiu hoje no Parlamento que os professores com horário zero poderão ser contratados para o sistema dual.

Ando há uns tempos a avisar para esta armadilha estendida pelos borginhos e ramirílios

Não falo por falar.