Discursos


… na maior parte das coisas, tendo ficado para os detalhes superficiais e menos relevantes o conflito e as reformas entre os governos que se sucederam nos últimos 20 anos ou mais.

Com muitos retoques na “operacionalização”, há muito que o poder político tem seguido políticas muito parecidas em diversos aspectos da “governança”.

Falta de compromisso só entre os mandantes e os que se querem dóceis executores. Entre a elite política, a divergência que se aparenta nos discursos em trono da “Escola Pública” raramente se traduziu em rupturas em políticas como a alegada “racionalização” da rede escolar, a opção por um modelo de gestão unipessoal e o desejo de domesticação dos docentes ao serviço do sucesso dos alunos, o progressivo alargamento da avaliação externa das escolas e alunos. Podemos concordar ou discordar, mas dificilmente poderemos achar que estas políticas mudaram na última década ou mesmo mais.

O que podemos discutir é como, com os constrangimentos de cada conjuntura, se desenhou a forma de atingir esses objectivos.

Compromisso não tem faltado. pelo menos entre quem manda. O problema tem sido comunicar com os zecos de uma forma civilizada, sem ser através da cadeia hierárquica, com o argumento de que as escolas não são dos professores, mas sim dos alunos e que a responsabilidade por definir as políticas é dos políticos.

Enquanto assim for, enquanto o debate e o compromisso ficarem apenas nos círculos habituais, nada mudará de essencial. O diálogo com as escolas passou a ser encarado como um diálogo apenas com as lideranças, sendo que o conselho de Escolas levou recentemente um belo corte, afunilando ainda mais a representação das diferenças. Enquanto esse diálogo não descer, de uma forma não centralista à moda soviética, às bases que devem concretizar as políticas, tudo avançará mais devagar ou nem sequer avançará.

Ahhhhhh…. o debate com os especialistas também é muito útil. Pois. Em especial para todos se reencontrarem, cumprimentarem, darem palmadinhas nas costas e redistribuírem os assentos pelas cadeiras.

Sou suspeito, pois há muito tempo considero que David Justino – goste-se ou não das suas ideias e eu desgosto de algumas – foi dos poucos ME, com Marçal Grilo, que estava preparado para o ser. O problema é saber até que ponto pode chegar agora como presidente do CNE, perante um Governo em profundo ataque de solipsismo.

Todos nós temos uma ideia do que pretendemos para a educação dos nossos filhos. Resta saber se o País tem uma ideia do que pretende para a educação das novas gerações. É esta dúvida que me leva a crer que há falta de sentido de futuro para a educação em Portugal.

Não faltam diagnósticos, não faltam medidas nem propostas, não faltam ideias nem concepções ideológicas, não faltam debates nem polémicas. Neste particular aspecto somos claramente excedentários.

O que nos falta é uma base de convergência sobre alguns objectivos a atingir e uma estratégia de longo prazo que não tem estado ao alcance da alternância política. Falta-nos cultura de compromisso que nos liberte da tensão do imediato e permita conferir continuidade e estabilidade às políticas estruturantes do sistema educativo.

… que este Presidente só tenha sido eleito agora, pois o anterior promulgou TODOS os diplomas que contribuíram para a degradação da situação das pessoas que fazem as escolas – alunos, funcionários, professores – pois a “Escola Pública” é uma abstracção, um conceito sem significado se não for povoado pelas pessoas concretas.

E promulgou TODAS as medidas que conduziram a uma profunda erosão das condições concretas de dignificação da Educação, a qual não apssa apenas por prédios novos para uma minoria de escolas.

É essencial criarmos as bases de uma cidadania mais esclarecida e mais informada. Nesse contexto, não só os governantes têm um especial dever de informação junto dos cidadãos, como a sociedade civil e a comunicação social devem ter consciência das suas responsabilidades.

A escola é o espaço de formação da cidadania republicana. É na escola que se concretiza, desde logo, o ideal republicano do sucesso pelo mérito e pelo trabalho.

A exigência e o rigor no ensino são, na sua essência, valores profundamente republicanos. O facilitismo na avaliação de alunos e docentes favorece o privilégio e acaba, de facto, por promover a desigualdade.

É num contexto de exigência que se distingue o mérito e o talento, que se recompensa o esforço e o empenho em saber mais. A defesa da qualidade do ensino, a busca da excelência e o reconhecimento do papel insubstituível dos professores correspondem a princípios essenciais de um civismo mais esclarecido, mais informado, mais amadurecido.

Numa República, a escola é o mais importante instrumento de mobilidade social. É através do saber e do conhecimento, avaliados objetivamente, que se combate a tendência para perpetuar desigualdades fundadas nas origens sociais de cada um. Se o ensino perder critérios de exigência e rigor, serão penalizados, em primeira linha, os alunos de mais baixos recursos, aqueles que só através da educação e do mérito podem progredir na sua vida escolar e, mais tarde, na sua atividade profissional.

No entanto, o saber e o conhecimento não podem ser encarados apenas como um meio de promoção social ou como um fator de empregabilidade. Se o mérito escolar promove, indiscutivelmente, o sucesso profissional, a sua importância vai muito para além de uma visão meramente instrumental do conhecimento, da ciência, da cultura.

Na verdade, a cultura tem um valor intrínseco enquanto forma de enriquecimento espiritual de cada um. Daí, em particular, a importância de valorizarmos o conhecimento da nossa História, de salvaguardarmos o património que herdámos do passado, de cumprirmos um dever de memória perante as gerações que nos precederam.

Numa democracia, a memória coletiva, justamente porque é coletiva, constitui um património de todos. Numa República, a História não é monopólio de ninguém. A História é uma narrativa aberta, que todos são chamados a estudar e conhecer.

Quanto à História e à Memória Colectiva, por defeito de ofício, cá estaremos para fazer o devido balanço desta década. E da anterior.

Seria a melhor escolha desde sempre.

… mas na TSF alguém (não ouvi o nome, por isso não adjectivo…) dizer que tinha sido espontâneo, sem teleponto, e por isso mesmo ter sido algo falhado, por se ter perdido em algumas passagens e ter escasseado em coerência formal.

Não sei se o brilhante analista em causa (repito, não ouvi o nome e não reconheci a voz) sabe que os melhores discursos espontâneos dão imenso trabalho a preparar e que os mais coerentes formalmente dão muito trabalho a parecer espontâneos.

Não me lembro de muita gente capaz de aliar a espontaneidade da apresentação, aliada a alguma emoção, a uma coerência formal acima de críticas e certamente que A. J. Seguro não está, sequer, numa lista secundária de espera para tal proeza.

Mas também começa a chatear aquela malta que critica tudo e mais alguma coisa, em especial quando, enquanto comentadores, gagueja na fonética, tropeça na sintaxe e redondeia o conteúdo até ficarmos sem perceber exactamente o que querem.

Digam-me que político actual consegue fazer isso tudo sem ter engolido uma k7 em pequenino e eu dou-lhes um ramo de alvíssaras fresquinhas.

… para o blogue do Parlamento Global (já está):

Um Discurso Indigno de um PM

Entre as 18.30 e as 18.50 de hoje, dia 7 de Abril de 2013, assistimos a um espectáculo que, de forma contida, só consigo classificar como vergonhoso.

Porque um PM que tem um ministro das Finanças incapaz de elaborar um orçamento de acordo com as leis do país e que errou previsões sobre previsões, que perdeu o seu braço direito na sequência de uma vulgar aldrabice académica que considerou um não-assunto, demonstrou três coisas absolutamente impensáveis em alguém que quer governar um país com um mínimo de dignidade:

  • Uma completa incapacidade para lidar com as regras de um Estado de Direito com destaque para a separação de poderes, só lhe faltando evocar a imagem das “forças de bloqueio” criada por um outro PM com os mesmos problemas. A forma como atacou de modo desabrido o Tribunal Constitucional seria impensável em qualquer outro país com um mínimo de tradição democrática.
  • Um espírito vingativo sobre os funcionários do próprio Estado, em particular, considerando-os mera “despesa” e não um activo do país e sobre os portugueses, em geral, ao ameaça-los com a privação de serviços públicos ainda mais essenciais num período de fortíssima crise social e económica, enquanto continua a manter fora das suas críticas e dos sacrifícios exigidos pela austeridade os grandes grupos de interesses que continuam a sorver imensos recursos financeiros públicos através de negócios ruinosos para o Estado.
  • Uma reverência incompreensível em relação à “imagem externa” do seu governo (que falaciosamente apresenta como sendo “do país”), sacrificando a vida concreta dos cidadãos do seu país a essa mirífica imagem, vergando-se logo à partida às antecipadas  imposições exteriores e abdicando de ser a primeira defesa aqueles cidadãos nas negociações com os credores externos.

O discurso do actual PM foi vingativo e chantagista para aqueles que deveria servir e representar na tal situação de “emergência nacional” que diz existir, apesar de repetidamente ter anunciado o seu fim. O discurso foi indigno de um PM, pois desrespeita o funcionamento democrático mais básico, desgosta dos funcionários do aparelho de Estado que deveria motivar e mobilizar e desiste da defesa dos cidadãos de um país já bastante maltratado pela incompetência governamental.

Vários opinadores vão aplaudir a alegada refundação do Estado.

Na SICN, José Gomes Ferreira recupera o relatório do FMI… balha-nos nossassenhora!!! Ainda não percebeu que aquilo está tudo martelado e manipulado? Ou está a fingir que não sabe?

Um discurso bastante confrangedor e cobarde, pois desloca a culpa apenas para os outros.

Resta saber quem, no governo e fora dele, o acompanha nesta tentativa de suicídio colectivo.

E até que ponto é admissível um PM que se vinga em quem pode quando as coisas não lhe correm de feição. Um PM que defende mais os interesses externos do que os dos cidadãos portugueses.

Eu bem disse que isto ia acabar em vingança.

Proposta do João Tavares:

O Sr. Presidente da Assembleia Nacional, às 15 horas e 20 minutos, declarou aberta a sessão, em nome de S. Ex.ª o Sr. Presidente da República. Depois, o Sr. Dr. José Alberto dos Reis leu a mensagem que S. Ex.ª o Chefe do Estado dirigiu à Assembleia Nacional, e que é do teor seguinte:

Ao Sr. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA NACIONAL:

São excepcionais mas não deixam de ser animadoras as circunstâncias em que me dirijo à Assembleia Nacional depois de tantas vicissitudes da República.

Em quase todo o período decorrido de Outubro de 1910 a Maio de 1926 as divisões e lutas internas, que aliás vinham já de longe mas se enraizaram e intensificaram no novo regime, agravavam cada vez mais a situação de Portugal. O espírito de facção, de intolerância, de anarquia, começando mal-avisadamente por ferir as crenças dos portugueses, tornara instável a chefia do Estado, minara a força dos Governos, desordenara a administração, desorientara a economia e tendia a arruinar a Nação, arriscando perigosamente o seu destino. (…)

Constituíu-se então a Ditadura Nacional (e verdadeiramente nacional pela sua ideologia, pelos seus processos e pelos seus objectivos), que, firmando-se contra todas as reacções inimigas no mesmo sistema de apoios em que se originaram, abriu, com novos processos de governação e outro direito constitucional, uma era de verdadeira renascença na história pátria.

Ocupando por dever o primeiro posto do Estado quase desde os primeiros dias da Ditadura, posso assinalar – e faço-o com júbilo – que Portugal, mercê do trabalho dos Governos e da leal dedicação da força armada, mercê do patriotismo e espírito de sacrifício do seu povo, lançou, através das dificuldades herdadas e das que lhe advieram pela crise de todo o mundo desde 1930, as bases da reconstrução nacional. A estabilidade da Presidência da República, a força do Governo, a segurança interna, a confiança pública, a formação de forte consciência nacional – garantias essenciais da ordem e do trabalho na paz – são conquistas definitivamente asseguradas.

(…)

A obra de ressurgimento material e moral do Estado e da Nação exigida pelo atraso e abatimento gerais foi traçada com a largueza compatível com os recursos e ainda assim empreendida com tão vigoroso impulso como não se havia ainda presenciado em tão curto lapso de tempo. Estão bem cimentados os alicerces e, adiantados ou completados os estudos que em vários campos se ordenaram, ver-se-á como mais rapidamente ainda sobem os muros da construção na esfera da assistência, da justiça, da instrução, das obras públicas, das comunicações, do comércio e da agricultura, a que dão consistência e estímulo a ordem das finanças e o equilíbrio do Tesouro.

(…)  Crêem os responsáveis pela suprema direcção do Estado que está ali na essência, e salva uma ou outra realização de pormenor, o programa de direito político, social, económico, familiar, individual, assente na realidade de algumas verdades supremas, nas tradições pátrias, nos factos indestrutíveis do nosso tempo, nas esperanças que legitimamente podem alimentar os que hão-de garantir a Portugal a existência independente, o progresso material e moral e a sua especial feição histórica de um dos mais expressivos factores da civilização humana. Basta que se desentranhem em leis e enformem efectivamente os actos da vida nacional os princípios consubstanciados naqueles documentos.

Com esse sentido profundo do renascimento nacional se realizaram logo alguns dos maiores actos que logicamente se deviam colocar no ponto de partida (…).

Seguindo por todos estes caminhos, Portugal tem ao mesmo tempo afirmado o seu cuidado em conservar e desenvolver no exterior a posição derivada da sua autonomia financeira, dar eficiência e sentido aos laços da antiga aliança com a Inglaterra, manter boas relações de amizade com todos os povos e activar a sua cooperação com os outros Estados na organização da paz. A elevação simultânea da sua política interna e das suas atitudes internacionais trouxe ao País, fora das fronteiras, uma situação apreciável. Teria sido vão procurar conquistá-la sem a resolução aqui dentro dos problemas fundamentais da administração pública e da vida política, como seria vão intentar desenvolvê-la sem prestígio e sem esforço das nossas condições de existência e dos nossos meios de defesa. Mas não há dúvida de que as posições conquistadas, designadamente na Sociedade das Nações, auguram influência cada vez mais lata do nosso País na política internacional.

(…)

Se há síntese que possa definir os objectivos que a Ditadura Nacional tomou para si e quer confiar à perseverança e continuidade da sucessão constitucional – é a existência de uma governação forte, ao mesmo tempo tradicionalista e progressiva, capaz de imprimir à vida nacional a direcção superior, e dotada de autoridade eficaz na concorrência das funções políticas, sociais e económicas das colectividades e dos cidadãos. Verificado que, assegurada ela, vem tudo o mais por acréscimo, é dever de todos trabalhar na medida do possível por não atentar contra essa fecunda realidade, garantia suprema de uma política tendente a fazer Portugal próspero e forte.

(…)

11 de Janeiro de 1935. – O Presidente da República, ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA.

 

Nacionalizar a banca, já nacionalizaram… só que apenas os prejuízos.

Recolha do Livresco:

  • A Cinco Tons:

Salvemo-nos dos economistas e do economês!

  • Closer:

Quando os cravos já não são mais os mesmos.

  • D”Sul:

O SAPATO ENGRAXADO COM SOLA ROTA.

  • Eu-Calipto:

Descavacado Silva

  • O ClariNet:

Cavaco quer todos a fazer a propaganda do governo

  • Psicanálises:

Há quanto tempo anda a dizer isto ou parecido? *

  • Quinta Emenda:

DISCURSO FALHADO

  • Reflexos de Mim:

Um suplemento de cálcio… ou como quem erra é quem devia fazer tudo bem

Desde quando prémios individuais, mesmo que internacionais, ou classificações do património podem servir como motor de uma Nação?

Embora este estado de irrealidade colectiva seja um traço bem identificado por Eduardo Lourenço, é sempre de pasmar como, de novo, se inscreveu de forma total na sociedade…

Senhora Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Passadas mais de três décadas sobre o 25 de abril, os Portugueses são de novo chamados a explicar Portugal ao mundo e a valorizar o que temos de bom nos mais variados domínios.

Nas circunstâncias atuais, as exportações, o turismo e o investimento privado produtivo constituem os principais elementos capazes de contribuir positivamente para a recuperação económica e para a criação de emprego.

É sabido que os níveis das exportações e do investimento privado dependem de uma multiplicidade de fatores. Hoje, quero concentrar-me num deles, geralmente pouco referido: a imagem e credibilidade de Portugal no estrangeiro.

Neste sentido, todos os Portugueses, e não apenas os agentes políticos, têm o dever de mostrar ao mundo o valor do seu País. Neste dia 25 de abril, a minha intervenção nesta cerimónia tem um objetivo preciso e uma razão prática: exortar os nossos concidadãos a corrigir a falta de informação ou até a desinformação que subsiste no estrangeiro sobre o País que somos. Se o fizermos com sucesso, contribuiremos para melhorar as condições de crescimento da nossa economia e de criação de emprego.

Através de uma perceção externa fidedigna e positiva de Portugal, conseguiremos vender mais bens e serviços produzidos no País e a melhores preços, seremos capazes de atrair mais investimento externo, obter financiamento no exterior a taxas mais favoráveis.

Conseguiremos fortalecer o turismo, captar remessas dos emigrantes, afirmar as instituições científicas e os investigadores portugueses nas redes internacionais de conhecimento e de inovação.

Sabe-se, desde há muito, que a imagem de um País é um fator essencial para o seu sucesso. Fornecer um retrato realista e positivo de Portugal é um objetivo nacional, que deve mobilizar empresários e trabalhadores, as elites da ciência, das artes e da cultura, os agentes políticos e sociais e as comunidades da diáspora.

À semelhança do que ocorreu há quase quarenta anos, temos todos o dever de mostrar que somos um país credível e com potencialidades que tantas vezes são ignoradas.

Muito se tem dito e escrito no estrangeiro sobre o nosso País que não tem a mínima correspondência com a realidade.

(…)

O cartão pré-pago para telemóveis e o sistema automático de portagens, a Via Verde, inovações disseminadas mundialmente, tiveram origem em empresas portuguesas.

No âmbito da Cultura, é preciso que o mundo saiba que a língua portuguesa é falada por mais de 250 milhões de cidadãos de oito países, situados em quatro continentes, e de uma Região Autónoma da República Popular da China. O português é a terceira língua europeia em termos de falantes e um dos idiomas em maior expansão em todo o mundo. A língua portuguesa não é um património do passado, que tende a regredir no confronto com outros idiomas. Pelo contrário: a língua portuguesa é uma comunidade de futuro. Basta referir que, na rede Twitter, o português é a terceira língua mais utilizada.

Temos sinais de memória espalhados pelo mundo fora. Vinte e quatro bens de origem portuguesa estão classificados pela UNESCO como Património da Humanidade. E, o que é mais um motivo de orgulho, esse património não se concentra num só país nem sequer num só continente. Há marcas portuguesas reconhecidas pela UNESCO em países como o Brasil, o Uruguai, a Índia, Cabo Verde, Moçambique, a Malásia, o Sri Lanka ou em Macau, na China.

Recentemente, o fado foi designado Património Imaterial da Humanidade. Trata-se de um reconhecimento efetivo do valor da nossa contribuição para o progresso cultural dos povos.

Em muitos domínios, os portugueses são premiados internacionalmente. Dois dos nossos arquitetos foram galardoados com o Prémio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura. Nas artes plásticas, na moda, nas indústrias criativas, o talento dos portugueses é admirado. A artista Joana Vasconcelos irá mostrar a sua obra no Palácio e nos Jardins de Versalhes, uma distinção rara que apenas é atribuída aos que já possuem um estatuto artístico e criativo de nível internacional. A par disso, vários dos comissários de artes plásticas portugueses ocupam altos cargos em alguns dos melhores museus do mundo, desde o Museu de Arte Moderna, de Nova Iorque, passando pelo Jeu de Paume, em Paris, ou proximamente, o Museu Rainha Sofia, em Madrid.

(…)

Somos conhecidos, desde há muitos séculos, como construtores de pontes entre países e culturas, como artífices de consensos. Esta característica levou-nos, uma vez mais, a ser eleitos para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, desta feita para o biénio 2011-2012, vencendo a disputa a outros países de maior dimensão.

Vários portugueses desempenham atualmente funções internacionais de grande relevo, como é o caso do Presidente da Comissão Europeia, do Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e do Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações e Enviado Especial para a Luta Contra a Tuberculose.

Bagão Félix diz que Sócrates foi mal-educado com Cavaco

Adeus cooperação institucional. Cavaco abre hostilidades a Sócrates

Análise: A magistratura activa começou

Imprensa espanhola destaca discurso “catastrofista” de Cavaco Silva

Até a opinião dos castelhanos conta…

A hermenêutica das profundezas do discurso presidencial – incluindo as habituais alfinetadas inconsequentes na política económica e financeira do Governo, o apelo à malfadada estabilidade, um mal disfarçado apelo a um bloco central informal e demais coisa importantes – fica para a boa blogosfera e opinadores pagos da imprensa.

Para as coisas supérfluas estou cá eu. Portanto, é assim: eu acho que o presidente e cidadão Aníbal Cavaco Silva está com aqueles que irão para a Avenida da Liberdade no próximo sábado.

Basta ler o discurso da tomada de posse (ouvi-lo é muito chato, por causa…) para o novo mandato.

Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. Os Portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz.

(…)

O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.

(…)

É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.

Seria extremamente positivo que os jovens se assumissem como protagonistas da mudança, participando de forma construtiva, e que as instituições da nossa democracia manifestassem abertura para receber o seu contributo. A geração mais jovem deve ser vista como parte da solução dos nossos problemas.

Bem… pode ser que estas passagens sejam só para dar a aparência de que o Presidente é alguém que escuta a sociedade civil e, dessa forma, funcionar como amortecedor, ao dar a sensação a todos que está com eles.

Mas, isso não seria de esperar em alguém que tanto apela à seriedade.

Portanto, em coerência, será de esperá-lo Avenida abaixo ou acima, é conforme.

Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.

Sonhem mais alto, acreditem na esperança de um tempo melhor. Acreditem em Portugal, porque esta é a vossa terra. É aqui que temos de construir um País à altura das nossas ambições. Estou certo de que, todos juntos, iremos vencer.

Mas depois começou um pouco a perder-se, metendo-se pela História como se ela fosse ciência exacta e ela não o é, nem em relação ao que se passou, quanto mais em relação ao que por aí vem.

Se o regime monárquico, como disse o seu último chefe de governo, suscitava a indiferença do povo, porque durou tão pouco tempo a Primeira República? Se tinham ideais tão elevados, porque se deixaram os políticos republicanos enredar em conflitos e divisões que acabaram por conduzir o país para uma ditadura?

A resposta terá de ser dada pelos historiadores. Mas é sabido que a instabilidade da Primeira República se ficou a dever, entre outros factores, à ausência de um elemento fundamental: a cultura da responsabilidade.

É pacífica a conclusão de que a República foi um regime atravessado por querelas e lutas que pouco diziam ao comum dos Portugueses. Lutas que eram perfeitamente secundárias face aos problemas que o País tinha de enfrentar: o analfabetismo e a pobreza, o atraso económico, as desigualdades, a dependência do exterior, a entrada na Grande Guerra, o desequilíbrio das contas públicas.

O essencial não é a discussão e a luta dos políticos. Há cem anos, como hoje, o essencial é a vida concreta das pessoas.

Em primeiro lugar, a resposta dada pelos historiadores varia muito, segundo as suas circunstâncias particulares, conforme se seja Rollo/Rosas (uma improvável dupla de especialistas na I República) ou Ramos (incensado por quem de História não percebe e ali entrevê um Sebastião possível, se e quando o actual falhar). Cada um vê os factos objectivos pelas suas lentes e serve um cardápio de interpretações enviesadas para o seu lado.

Claro que é tentador fazer paralelismos entre o final da I República e o período actual, mas isso é ignorar que a primeira das Repúblicas caiu tal como caíra a Monarquia, sem que quase ninguém a defendesse e por acção de um núcleo de militares que de forma insistente a vinham atacado desde os tempos do sidonismo.

Ora, neste momento, em Portugal, o regime não está em perigo porque, embora a maioria esteja indiferente, ainda há muita gente que vive do regime e dos seus privilégios, pelo que o defenderá com unhas e dentes, mesmo se defunto. Pelo menos até 2013 para sorver o que ainda há e depois uns anos para cobrir as pegadas e apagar as impressões digitais.

Por outro lado, nem em Portugal nos últimos 150 anos vivemos qualquer mudança de regime com base em movimentações de massas, nem temos neste momento qualquer massa crítica de militares para encenar um novo 1820, 1910, 1926 ou 1974. Nem sequer um 1817 ou 1891 ou…

Somos um país que não está em situação de se repetir porque, pelo menos por enquanto, os retóricos apaixonados são isso mesmo e tão só (quanto muito escrevemos em blogues e por vezes em jornais…) e as forças armadas se civilizaram no duplo sentido do termo.

Há que ter calma e apre(e)nder o país. Isso mesmo, falta apre(e)nder o país. Como em muitas outras coisas há também aqui uma enorme falta de cheiro de balneário que a conversa de esplanada não substitui.

Não há perigo/esperança de mudança de regime, porque a força e o ânimo ainda estão mais do lado dos agarrados aos cadeirões. E por agarrados aos cadeirões refiro-me aos dois lados do par dançante…

Só se vierem de fora arrancá-los de lá…

Começou bem:

Cem anos passaram sobre o dia em que, neste mesmo local, foi proclamada a República.

O passar do tempo permite-nos hoje olhar para a Primeira República com serenidade e distanciamento, avaliando objectivamente o seu legado.

A revolução triunfante de 5 de Outubro de 1910 despertou um país adormecido. O regime anterior dava sinais de cansaço e mostrara-se incapaz de encontrar soluções viáveis para o impasse em que o País mergulhara. Assim o reconheceu, de algum modo, o chefe do governo caído a 5 de Outubro ao afirmar: «vi que a luta era impossível. A monarquia estava cercada de republicanos e indiferentes».

É a conjugação perversa dessas duas realidades que tantas vezes abala os alicerces de um regime: de um lado, a indiferença do povo; do outro, a incapacidade dos agentes políticos para encontrar soluções ajustadas às necessidades concretas do país.

Servir o país. Essa é a essência do patriotismo republicano. Por isso, diria que comemorar a República corresponde, acima de tudo, a saber servir Portugal.

Muito se exige dos que governam uma República democrática. Desde logo, é seu dever evitar que os cidadãos encarem com indiferença a acção dos agentes políticos ou se alheiem dos destinos do regime em que vivem. É fundamental que a classe política, pela força do exemplo, dê aos Portugueses motivos para acreditarem na sua República.

No caso presente, a República está rodeada de encostados (e não, não são os funcionariozecos públicos que esses pagam sempre as favas enão fazem as grandes negociatas), encavalitados e indiferentes, exactamente porque os agentes políticos não encontram soluções para as necessidades concretas do nosso país e muito menos nos inspiram confiança que as conseguirão encontrar.

Aliás, se há algo que começa a ser consensuial é que a política já não é sinónimo de classe.

[dizer não é o mesmo que fazer]

Afinal parece que está tudo mal…

Intervenção de Mário Nogueira na concentração dos professores na Av. 5 de Outubro

“Estamos aqui hoje, em Lisboa, para nos manifestarmos contra o PEC, mas não só! Estamos também por tudo o que na Educação tem acontecido ou, para ser mais exacto, pelo que não tem acontecido e deveria. E não aconteceu por decisão política do Governo, por impacto dos PECs e do Orçamento de Estado, neste caso, por iniciativa do Governo e apoio do PSD, por incapacidade técnica ou incompetência política dos governantes da Educação”, afirmou Mário Nogueira, na tribuna improvisada da concentração na Av. 5 de Outubro, ao princípio da tarde deste sábado, 29 de Maio. Após a intervenção do Secretário Geral da FENPROF os milhares de professores e educadores presentes seguiram para o Marquês de Pombal, a fim de se incorporarem na grande manifestação da CGTP-IN.

(Continua…)

A mim quer-me parecer que existe a noção de que as conquistas do acordo estão à curta distância de um decreto-lei a suspender tudo.

A minha dúvida é se será a 1 de Junho ou Julho deste ano ou a 1 de Janeiro de 2011.

Depois não adianta aderir à teoria da mudança do mundo em três semanas, após meses de adormecimento voluntário.

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