Direita/Esquerda


… e alguns lapsos de cronologia e ênfase, mas, no global, um interessante contributo para um candidato a governo-sombra.

Pensar a Educação à Esquerda

No fundo, é um regresso ao guterrismo educacional, com as suas vantagens (desagrado pelo conflito só pelo gosto de mostrar firmeza, a Educação como prioridade orçamental) e equívocos (a relação culpabilizada com a avaliação e o discurso redondo acerca da igualdade, o tal eduquês, mas agora menos evidente).

Enfim… já li coisas piores.

Falta o resto.

The right’s fear of education: What I learned as a (former) conservative military man

Why are Republicans constantly bashing college these days? I was one of them — and the answer may surprise you.

Assim é que se ergue uma carreira, pois ficam sempre as sementes de simpatia para todo o tipo de tenças num futuro próximo ou distante.

A dez dias do congresso do PS que elegerá António Costa como líder, o eurodeputado Francisco Assis deixa pistas sobre a intervenção que fará do púlpito do Parque das Nações: “Se houver necessidade de um governo de coligação (…) terá de ser à direita”. Numa entrevista ao Observador, Assis é questionado sobre quem seria o parceiro ideal dessa coligação e a resposta é direta: “O Partido Social-Democrata”. O CDS fica de fora? “Apesar de todo o respeito que tenho pelo CDS-PP, é inquestionável que há uma maior proximidade ideológica entre o PS e o PSD, do que há com o CDS-PP”, justificou o deputado europeu.

Ainda assim, Francisco Assis admitiu nesta conversa com Maria João Avillez que a sua posição “nem sempre é muito popular, nem muito compreendida” no PS, mas defende que “se ninguém tiver maioria absoluta é desejável que exista uma coligação [à direita] (…) para garantir a devida estabilidade política”, porque não vê “francamente como é que se possa fazer uma coligação à esquerda”.

Mas que direita? Uma que não seja liderada, preferencialmente, por Pedro Passos Coelho. “À direita dir-me-ão alguns: com quem e em que termos? Se o PS ganhar as eleições, à direita vai haver mudanças e essas mudanças facilitarão entendimentos”, reforçou o socialista, referindo-se a uma eventual liderança de Rui Rio. Aliás, esta posição já tinha sido assumida pelo antigo ministro socialista Augusto Santos Silva, em entrevista ao Observador

Embora seja bem verdade que a Europa parece ter-se tornado quase um wet dream (político) da Tatcher.

 

… do que a boa imprensa nos quer fazer crer. Dos que são nomeados, apenas Mexia vai para além do que qualquer tatcherinho de há 30 anos iria.

Talvez porque seja o único que não pensa por uma cartilha única. Agora o Lomba, o Pereira Coutinho, o Raposo, o Tavares,  (por ordem decrescente de relevância) apenas repetem o que já lemos em tantos sítios há tantas décadas que um tipo fica entediado ao fim de dois parágrafos. Dos curtos.

Bem podem fazer retrospectivas históricas a legitimar-se que um tipo ainda ronca mais facilmente quando entram pelo território do liberalismo oitocentista, que aprenderam em segunda mão do Pulido Valente, do Rui Ramos, da Filomena Mónica e, nos dias bons, da Fátima Bonifácio.

Mas são óptimos a vitimizar-se como se fossem proscritos da comunicação social quando estão por todo o lado. Raposo diz que é por ser bom. Até posso concordar. Mas está longe de ser muito bom.

Muito bom é Mexia.

E mesmo muito bom é estar abaixo de um Miguel Esteves Cardoso em dia mediano.

Os intelectuais de direita estão a sair do armário

Quanto ao resto… têm razão numa coisa… a imprensa também está cheia de “intelectuais de esquerda” da geração deles que não valem um feijão bichado.

Mas têm todos ainda outra coisa em comum… mal chegam lá, tornam-se primadonas e nem se pense que se pode aplicar a eles o que eles aplicavam a outros.

Passam a sentir-se acima de…

E por muito que exibam indumentária informal e se afirmem meritocratas, a verdade é que raramente fizeram mais do que dizer como se faz. Fazer, nunca fizeram.

Mas são óptimos a aconselhar, a ser consultados ou assessorar.

 

Nothing Left

The long, slow surrender of American liberals

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

Mas todos eles – com a possível honrosa ressalva do André Freire – pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que “as eleições se ganham ao centro”.

Ora… nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

Qual a maior diferença?

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

O Tó Zé não percebeu isso.

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar “estruturante” da esquerda pequenina.

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou “ao centro” porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos “esquerdistas”.

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

Página seguinte »