Dimensão Das Turmas


… que se vão generalizando por aí, será que a Confap vai reagir com algo mais do que um comunicado e umas parições em noticiários para completar a quota e manter a coreografia?

Como encarregado de educação tenho representantes tão curiosos e sazonais como enquanto professor…

Via Diane Ravitch (e Luiz Carvalho no FB):

Agradecendo a referência ao Fernando Nabais:

Why small is beautiful when it comes to class sizes

OCDE defende que mais alunos por turma “piora” educação

Portugal aumentou o tempo de estudo, mas foi também o estado-membro europeu da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o número de alunos por turma mais subiu, disse hoje um responsável da organização, em Bruxelas.

“Portugal investiu muito em dar mais tempo de estudo aos alunos”, disse o director adjunto para a Educação da OCDE, Andreas Schleicher. “Mas o aumento do número de alunos por turma piora o nível da educação e Portugal foi o que mais cresceu”, salientou, no entanto.

Por outro lado, a organização volta a indicar que, em 2010, os professores portugueses auferiam salários superiores a outros trabalhadores licenciados, mas alerta que esta situação “deverá alterar-se em 2012 devido às medidas de austeridade, incluindo cortes salariais no sector público”.

O que é fácil verificar com estes dados é que a dimensão média das turmas com que os professores portugueses trabalham está dentro da média geral (se excluirmos o Chile, a China e outros países orientais) e que o chavão do ratio alunos/professor não tem sustentação na realidade da sala de aula.

A seguir aos quadros uma explicação teórica sobre o assunto no Education at a Glance 2012 (pp. 440-441 da obra).

Class size and student-teacher ratios are much-discussed aspects of education and, along with students’ total instruction time (see Indicator D1), teachers’ average working time (see Indicator D4), and the division of teachers’ time between teaching and other duties, are among the determinants of the size of countries’ teaching force. Together with teachers’ salaries (see Indicator D3) and the age distribution of teachers (see Indicator D5), class size and student‑teacher ratios also have a considerable impact on the level of current expenditure on education (see Indicators B6 and B7).
Smaller classes are often perceived as allowing teachers to focus more on the needs of individual students and reducing the amount of class time needed to deal with disruptions. Yet, while there is some evidence that smaller classes may benefit specific groups of students, such as those from disadvantaged backgrounds (Krueger, 2002), overall the evidence of the effects of differences in class size on student performance is weak. There is more evidence to support a positive relationship between smaller class size and aspects of teachers’ working conditions and outcomes (e.g. allowing for greater flexibility for innovation in the classroom, improved teacher morale and job satisfaction) (Hattie, 2009; OECD, 2009).

É mesmo isso que se está a passar agora, entre nós… muito moral, muita satisfação…

Que estabelecem e quantificam a relação entre o aumento do nº de alunos por turma e a diminuição do sucesso…

O estudo é oficial, promovido pelo ME francês e publicado em 2006, em tempos de Jacques Chirac…

Sei que Nuno Crato não lê blogues sobre Educação, mas fico na esperança de já ser considerado generalista ou, em alternativa, que um dos assessores tenha o cuidado de fazer o clipping! :evil:

L’impact de la taille des classes sur la réussite scolaire dans les écoles, collèges et lycées français. Estimations à partir du panel primaire 1997 et du panel secondaire 1995

Agradeço a referência à Isabel Correia.

Criei no portal do Governo um movimento que reivindica a fixação em vinte o número máximo de alunos numa turma. O mesmo foi aprovado. A partir de agora é tentar conseguir o máximo de seguidores possível, para que o assunto seja tratado junto do Primeiro-Ministro. Só o que tiver maior número de seguidores terá esse privilégio. Há que dar visibilidade, pelo que peço a todos que divulguem e que votem em http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1384. No máximo, o sítio pede um registo gratuito e que apenas solicita nome e endereço de correio electrónico.
Peço que espalhem o máximo possível pelas redes sociais e pelos vossos contactos de correio electrónico. Sublinho que não faço isto por mim, mas sim por todos. Não procuro protagonismo, apenas quero combater com as armas que temos à mão.
O texto do movimento ficou curto, havia limite no número de caracteres e não deu para mais.

Carlos Miguel Santos

Sim, tem a data de domingo, 20 de Maio. Na DREN, mais do que acabar com os feriados, acaba-se com tudo o que seja dia de descanso. João Grancho revela-se ditoso troikiano

Documento completo: ConsTurmas_rede_escolar_Of_Circ_03_12.

Educação: Governo dos Açores anuncia redução do número de alunos por turma em todos os níveis de ensino

Estamos a falar do PS, certo?

Do PS-Açores pelo qual foi eleito o deputado Fagundes Duarte que por aqui fazia parte da Comissão de Educação do Parlamento e se opôs à redução do número máximo de alunos por turma, certo?

Crato justifica aumento dos alunos por turma
Ministro da Educação esteve no programa «Política Mesmo» na TVI24

O ministro da Educação, Nuno Crato esteve, esta quarta-feira à noite, no programa «Política mesmo» na TVI24 e reconheceu que o número de alunos, por turma, vai ser aumentado.

O governante diz que não há razões pedagógicas que digam que 30 alunos «é mau». Sem avançar um número limite de estudantes, Nuno Crato assumiu um «máximo de 30».

Esta argumentação é fraquinha, fraquinha.

O que é uma razão pedagógica?

Será que não é uma razão pedagógica afirmar que, com 24 alunos na sala de aula, existe uma maior possibilidade de participação de cada aluno na aula, de ter mais atenção por parte do professor, do que com 30?

Por esta ordem de ideias que razão pedagógica existe para dizer que dois professores em vez de um a dar uma aula «é mau».

Também não há razões pedagógicas que digam (isto sempre pressupondo que as razões pedagógicas falam por si) que escolas mais pequenas e uma gestão pedagógica de proximidade «é mau». Aliás, que razões pedagógicas dizem que ter mega-agrupamentos com 4000 alunos «é bom»? E que departamentos curriculares com muitas dezenas de docentes, com um Conselho Pedagógico a funcionar algures «é bom»?

Entende-se que Nuno Crato ensaie um estilo português suave para fazer passar de forma quase pacífica uma medida sem sustentação empírica, mas não espera, por certo, que qualquer pessoa minimamente informada e conhecedora da realidade das escolas engula a coisa.

Já agora… onde está a liberdade de escolha nesta matéria?

… que eu ouvi e vi dizerem que não há relação entre o número de alunos por turma e os níveis de sucesso?

É que há dois anos algumas destas avantesmas, quando passei pela segunda e última vez pela Comissão de Educação (presidida por quem? por quem?), disseram os maiores disparates quando o Miguel Reis, eu e outros fomos lá tentar que o número máximo de alunos por turma e professor fosse reduzido.

Agora já acham outra coisa?

Eu já na altura achava que 28 era um número excessivo mas umas senhoras deputadas, com ar mal encarado e atitude mal educada de quem só olha de viés, disseram o contrário… perante outros silêncios seráficos…

PS pede nova audição de Nuno Crato sobre aumento de número de alunos por turma

Petição defende redução de número de alunos por turma e professor para combater insucesso e indisciplina

Agora as posições dos partidos, à época:

BE e PCP não têm dúvidas: há anos defendem a medida. Para o CDS-PP a redução do número de alunos por turma também é essencial para um ensino personalizado e, por isso, “se virmos que o Governo ou Ministério da Educação (ME) não actuam, admitimos apresentar uma iniciativa sobre a matéria”, adiantou ao JN, José Manuel Rodrigues. O PSD é o mais hesitante – o vice-presidente da bancada referiu, apenas, que o partido “ainda não tem posição fechada” quanto à petição do Movimento Escola Pública; enquanto Emídio Guerreiro, coordenador da Educação do grupo parlamentar, retorquiu, de forma evasiva, “vamos ver, vamos ver, tudo a seu tempo”.

Já sabemos, a troika e tal levaram as convicções a alguns… e no caso do CDS a Educação ficou entregue aos sóifertes, portanto… nada a esperar de coerência.

Ainda sobre a petição e sobre quem teve de dar a cara por ela em algumas ocasiões, para além do Miguel Reis, principal dinamizador da iniciativa,  recordo-me bem que os albinos nogueiras signatários nunca apareceram (puderam, não entram numa sala de aula a doer desde os tempos da maria cachucha), que na conferência de imprensa de apresentação, quer na ida à Comissão de Educação aturar os disparates de umas deputadas do PS e as encolhas dos do PSD.

No Expresso vem uma peça sobre o facto de muitas salas por essas escolas fora não terem capacidade para 30 alunos. É verdade e é tanto mais verdade em diversas escolas intervencionadas durante a Festa decretada por Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues.

Por terem sido desenhadas segundo padrões externos, são muitas as salas desenhadas para 20, quanto muito 24 alunos. Com turmas como as que já funcionam a 26 e 28 o resultado é sobrelotação evidente. Quando se fala em 28 alunos, fala-se apenas em parte das salas e não em todas aquelas que, em regra, têm de ser usadas. E em muitas escolas de 2ª ou 3ª divisão (as não intervencionadas, ou seja, a esmagadora maioria das EB23, a verdade é que há muitas salas com capacidade para apenas 18-20 alunos). Mais, só se fizermos filas corridas como no refeitório dos recrutas num qualquer quartel.

A foto que se segue é de uma das salas de uma escola intervencionada em que uma turma de 24 já implica que parte dos alunos fiquem de frente para a porta e com o quadro lá longe, de viés.

Eu sei que no Burkina Faso, Quénia ou Nepal as condições são piores mas, afinal, trata-se de uma das escolas do futuro, com tudo o que se pode ter de melhor para não estarem desactualizadas e sem condições ao fim de poucos anos nas palavras da actual presidente da FLAD.

A verdade é que… já rebentam pelas costuras e a culpa deve ser partilhada, embora a maior quota parte do disparate, neste caso, deva ser assacada a quem quer meter 30 alunos em salas nas quais não existem condições físicas para tal, e manos que os alunos fossem japoneses ou de Singapura, daqueles que nem mexem os olhinhos.

Já agora… será que nos TEIP onde já agora metem 26 ou 28 por sala, apesar do limite ser inferior, vão passar a colocar mais 30, em duas camadas, com os NEE de permeio?

5.4 – As turmas que integrem crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente, e cujo programa educativo individual assim o determine, são constituídas por 20 alunos, no máximo, não podendo incluir mais de 2 alunos nestas condições.

É que consta que há por aí, mesmo em escolas TEIP, turmas com mais de 25 alunos, tenham ou não alunos com NEE e com CEI.

Por consta entenda-se que se ouve falar. Tal como com as brujas eu não acredito, mas…

Já sei que há estudos que não encontram relação directa entre dimensão das turmas e nível de sucesso. Mas… já repararam em que países se encaixotam os alunos em turmas imensas e outros aspectos ligados a essas mesmas sociedades…

Podemos sempre ser abusivos na leitura dos dados e, não sublinhando apenas os aspectos de auto-disciplina, destacar os fenómenos de despersonalização do ensino e frustração dos jovens, culminando tantas vezes em depressão e algo mais…

MEGA-TURMAS OU A MICRO-VISÃO DE UMA POLÍTICA EDUCATIVA

 

Como eu e tantos outros temos salientado, o factor que pode elevar efectivamente a nossa Educação para os patamares superiores que todos desejamos é a qualidade das aprendizagens.

Quem tenha experiência, sobretudo experiência reflexiva, de ensino, decerto já chegou à conclusão que é extremamente difícil conseguir sucesso escolar sustentado – aquele que constitui o corolário “natural” da qualidade do processo ensino/aprendizagem – com turmas muito numerosas (acima dos 17/18 alunos).

Com a projectada medida de aumentar o nº de alunos por turma – na continuidade da desastrosa “lógica mega” em vigor -, de extracção essencialmente economicista, hipoteca-se em larga medida a possibilidade de a nossa Educação dar o indispensável salto qualitativo.

O discurso cratiano da propalada “exigência” e do “rigor”, que acompanhou a introdução de mais exames no sistema, mostra agora bem qual é o seu real valor e até onde vai o alcance daquela medida.

Sem uma aposta séria e decidida na melhoria do processo ensino/aprendizagem – que não é compatível com mega-turmas -, os exames arriscam-se a não ser mais do que um mero álibi para tentar iludir ou desviar as atenções do que é fundamental.

 

E digo isto tanto mais à vontade quanto já manifestei em múltiplas ocasiões e das mais variadas formas a minha concordância com exames no final de cada ciclo. Simplesmente, não confundo meios e instrumentos - estatuto que convém aos exames – com os verdadeiros fins que um ensino sério e digno deve visar.

Mega-turmas, mega-agrupamentos, examocracia: outros tantos termos que pontuam uma política educativa que se mostra incoerente, hesitante e que, com esta orientação, dificilmente conseguirá alcançar resultados qualitativos de registo, que a poderiam demarcar, decisiva e desejavelmente, do calamitoso consulado socratino.

Farpas

Via Ad Duo:

5.3 – As turmas dos 5.º ao 12.º anos de escolaridade são constituídas por um número mínimo de 26 alunos e um máximo de 30 alunos.
5.5. Nos 7.º e 8.º anos de escolaridade, o número mínimo para a abertura de uma disciplina de opção do conjunto das disciplinas que integram as de oferta de escola é de 20 alunos.
5.6 – Nos cursos científico-humanísticos e nos cursos artísticos especializados, nos domínios das artes visuais e dos audiovisuais, no nível secundário de educação, o número mínimo para abertura de uma turma é de 26 alunos e de uma disciplina de opção é de 20 alunos.
5.6.1 – É de 15 alunos o número para abertura de uma especialização nos cursos artísticos especializados.

Isto vai ser mais complicado do que a reforma curricular, no que a horários-zero diz respeito.

Ao encaixotamento escolar segue-se o encaixotamento nas salas. Vai ser giro naquelas salas XPTO das Secundárias intervencionadas mas que não dão para mais de 20-24 alunos…

a quantas aulas terá já faltado o estudante de filosofeiria?

Há sempre um detalhe que os apologistas dos rácios tipo-OCDE (é verdade, para quando a retomada pelo actual Governo dessa prática gira dos Governos anteriores?) se esquecem sempre.

Se os alunos diminuíram à farta e os professores aumentaram a rodos, então é de esperar que existam turmas mais pequenas, certo? Porque os alunos estão, dessa forma, mais divididos por turmas mais pequenas, certo?

Seria essa a lógica.

Mas… infelizmente não é assim.

De acordo com a própria OCDE a evolução da dimensão das turmas foi a seguinte entre 2000 e 2009:

Se atentarem nos quadros, mesmo quem tenha poucas sinapses funcionais, percebe que Portugal está na média da amostra e que não houve especial evolução na dimensão das turmas.

Isto deveria fazer os defensores dos rácios pensar na razão porque isso acontece.

As principais são simples e já me cansei de as repetir:

  • Muitos professores asseguram nas escolas muitas horas de funções que não a docência, devido à falta de outro pessoal qualificado.
  • Aumentou o número de disciplinas e de horas no currículo e, logicamente, isso acarreta que sejam necessários mais professores mesmo que o número de alunos não aumente. E os Conselhos de Turma, no 3º CEB e Secundário, aumentaram por isso mesmo E, já agora, seria útil perceber-se que a criação de algumas dessas disciplinas não foi decretada pelos próprios professores.

Quem quiser analisar a coisa com mais atenção, pode espreitar o ficheiro em Excel que o Maurício me enviou: Average class size in primary education (2000, 2009).

Quando se apresentam quadros com linhas dramaticamente divergentes entre o número de alunos e professores seria interessante que se fizesse a seguinte interrogação: e porque não se reflecte nada disso nas salas de aula?

Mas para isso é preciso andar cá e não em consultas pelo Dubai… ou a olhar apenas para números, estudar variáveis e desconhecer completamente o que elas representam na vida real.

 

 

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