Dimensão Das Turmas


Os dados da primeira tabela e do primeiro gráfico aglutinam os 1º e 2º ciclos, algo que pode distorcer de algum modo a especificidade de cada ciclo.

No entanto, comparando com o resto dos países europeus analisados (sim eu sei, no extremo oriente e em Israel eles encaixotam os alunos nas turmas…), verifica-se que a média de alunos no CITE1 (1º e 2º ciclos) é mais alta do que em 12 outros países e mais baixa do que em 8, ficando abaixo da média global da amostra, enquanto no CITE2 (3º ciclo), apenas 3 países têm turmas maiores, em média. O que deita abaixo certas conversas de café ou tertúlia.

CNETurmas

Os dados que se seguem referem-se ao número de turmas por número de alunos. Para quem costuma dizer que o limite de 30 está longe de ser atingido, é interessante perceber que 35% das turmas tem 25 ou mais alunos e que há mesmo quase 4% de turmas com o limite legal de alunos ou mais.

Já as turmas com menos de 10 alunos (as que devem fazer as delícias dos viciados em rácios alunos/professor) são menos de 2%.

CNETurmas1Agora uma questão lateral… se o CNE consegue compilar e publicar estes dados já para 2014, porque é que o MEC dificilmente “liberta” este tipo de informação sem passar um ano ou dois?

… que se vão generalizando por aí, será que a Confap vai reagir com algo mais do que um comunicado e umas parições em noticiários para completar a quota e manter a coreografia?

Como encarregado de educação tenho representantes tão curiosos e sazonais como enquanto professor…

Via Diane Ravitch (e Luiz Carvalho no FB):

Agradecendo a referência ao Fernando Nabais:

Why small is beautiful when it comes to class sizes

OCDE defende que mais alunos por turma “piora” educação

Portugal aumentou o tempo de estudo, mas foi também o estado-membro europeu da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o número de alunos por turma mais subiu, disse hoje um responsável da organização, em Bruxelas.

“Portugal investiu muito em dar mais tempo de estudo aos alunos”, disse o director adjunto para a Educação da OCDE, Andreas Schleicher. “Mas o aumento do número de alunos por turma piora o nível da educação e Portugal foi o que mais cresceu”, salientou, no entanto.

Por outro lado, a organização volta a indicar que, em 2010, os professores portugueses auferiam salários superiores a outros trabalhadores licenciados, mas alerta que esta situação “deverá alterar-se em 2012 devido às medidas de austeridade, incluindo cortes salariais no sector público”.

O que é fácil verificar com estes dados é que a dimensão média das turmas com que os professores portugueses trabalham está dentro da média geral (se excluirmos o Chile, a China e outros países orientais) e que o chavão do ratio alunos/professor não tem sustentação na realidade da sala de aula.

A seguir aos quadros uma explicação teórica sobre o assunto no Education at a Glance 2012 (pp. 440-441 da obra).

Class size and student-teacher ratios are much-discussed aspects of education and, along with students’ total instruction time (see Indicator D1), teachers’ average working time (see Indicator D4), and the division of teachers’ time between teaching and other duties, are among the determinants of the size of countries’ teaching force. Together with teachers’ salaries (see Indicator D3) and the age distribution of teachers (see Indicator D5), class size and student‑teacher ratios also have a considerable impact on the level of current expenditure on education (see Indicators B6 and B7).
Smaller classes are often perceived as allowing teachers to focus more on the needs of individual students and reducing the amount of class time needed to deal with disruptions. Yet, while there is some evidence that smaller classes may benefit specific groups of students, such as those from disadvantaged backgrounds (Krueger, 2002), overall the evidence of the effects of differences in class size on student performance is weak. There is more evidence to support a positive relationship between smaller class size and aspects of teachers’ working conditions and outcomes (e.g. allowing for greater flexibility for innovation in the classroom, improved teacher morale and job satisfaction) (Hattie, 2009; OECD, 2009).

É mesmo isso que se está a passar agora, entre nós… muito moral, muita satisfação…

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