Didáctica


Aqui.

Volto depois de descansar, que é trabalhar noutras coisas.

É muito deserto. Maior ainda, com toda a areia comprada com dinheiro alheio.

(c) João de Brito

(c) João de Brito

Parece que hoje não há greve na cp.

3. Estamos agora em condições de começar o programa.

A comunicação linguística realiza-se numa sucessão de planos, replicando-se do maior para o mais pequeno, um pouco como as matrioskas. O contexto dá sentido ao texto; o texto, à frase; a frase, à palavra; a palavra à sílaba. Como estamos num processo de explicitação, é natural que este sentido seja respeitado. A tradicional abordagem ocasional e circunstancial dos conteúdos não contempla a sua articulação e inevitavelmente falha o mecanismo da comunicação linguística, que é o âmago da questão. Fornece peças, mas não as monta. E fatalmente as coisas não funcionam.
Então, o que se impõe, na planificação, é organizar os conteúdos, quer segundo o eixo sintagmático, quer segundo o eixo paradigmático. Pondo as peças ao acaso, nunca se fará funcionar um motor!

(c) João de Brito

João de Brito

João de Brito

Agora num formato que deve permitir a visualização a todos os interessados.

João de Brito

1.2 Planificação de aulas
 

Planificação/Execução de Aulas A evidência que interessa partilhar, mais do que a planificação propriamente dita, é o registo da execução, porque, pressupondo aquela, é o que, de facto, se realiza com os alunos e o que pode e deve ser confirmado nos seus cadernos diários.

 

Data Domínio/Conteúdo Actividade/Desempenho Avaliação da Execução
14.09.10

(90 m)

1.Texto

1.1 Classificação

1.2 Interpretação

2. Frase

2.1 F.s Sintácticas

3. Palavra

3.1 Função

3.2 Formação

3.3 Semelhança

1. Preenchimento da Ficha Individual do Aluno

2.Texto (jornalístico, fotocopiado): “O regresso às aulas”

2.1 Leitura Inteligente (LI)

2.2 Questões diversas, resolvidas individualmente

3. TPC

3.1 Estudo dos conteúdos desta aula, preparando um próximo teste escrito

Estes conteúdos são os que o último teste escrito do pretérito ano lectivo revelou como menos adquiridos. Trata-se, pois, mais do que de avaliação diagnóstica, de avaliação contínua, uma vez que alunos e professor transitaram, juntos, do 1º para o 2º ano de um ciclo de dois anos.
17.09.10

(90 m)

Os mesmos da aula anterior Correcção colectiva das questões da aula anterior  
21.09.10 1. Texto

1.1 Pontuação

1. Texto: “A velha da gata e a gata da velha” (Manual, 32)

1.1 Correcção da pontuação, pelos alunos

1.2 Leitura expressiva (bem conseguida, após a correcção da pontuação)

O manual é o “Segredo das Palavras”, 6º ano, da Santillana. É inadmissível a incorrecção da pontuação deste texto. Antes da correcção, os alunos confessaram que não tinham percebido nada…
24.09.10 1. Avaliação

1.1 Conteúdos referidos nas duas primeiras aulas

1. Teste escrito

1.1 Resolução

1.2 Correcção colectiva

Cerca de metade dos alunos continuam com muitas dificuldades.
28.09.10

 

 

 

 

 

 

1. Expressão oral

2. Interpretação do escrito

1. Trava-línguas (M. 38)

2. Texto:”Os antecedentes do jornal” (M. 98)

O bom ritmo e a diversificação das actividades fazem o tempo passar depressa.

João de Brito

 

Alternativa

1 Projecto

Venho partilhar práticas, esquemas e conceitos alternativos. Partilhar apenas. Nada disto pretende ser único, completo e muito menos definitivo.

Outras didácticas serão possíveis, desde que funcionem e produzam os efeitos desejados, com eficácia (também aqui é importante o critério universal da economia). Porque o que aqui está em causa não é a escolha de uma qualquer didáctica, entre as muitas que possam existir, ao gosto de cada um. O que aqui está em causa é a necessidade de modelos de abordagem, unos (que não únicos), coesos e coerentes, que estruturem a comunicação, estruturando também, por essa via, o pensamento dos alunos do 2º ciclo do ensino básico. Se a escola não potenciar, nos seus educandos, essa condição de autonomia, alguém, mais tarde, os formatará, com facilidade e proveito próprio…

Retomemos, então, a ideia de projecto. Formalizá-lo é condição necessária; a coesão, a coerência e a consequência, atributos indispensáveis. Se o fizermos e o fizermos assim, teremos conseguido algo que, no mínimo e por estranho que pareça, é muito pouco visto no nosso ensino:

João de Brito

A situação 1

As pessoas comunicam num discurso cada vez mais pobre de recursos significantes. Admitido publicamente pelos implicados, já não se redigem nem as leis com o rigor necessário. Por este andar, um dia, não muito distante, teremos de recorrer ao inglês, para construir e interpretar o nosso edifício legislativo. Será a machadada final na já precária soberania que nos resta. Além disso, perderemos também a pátria, porque a nossa pátria é a língua portuguesa!

Gramáticas, programas e, acerca de ambos, interpretações e reflexões, com muitas citações e infindáveis bibliografias, sempre houve. Também sempre houve estágios pedagógicos orientadores do modo como dar aulas e conteúdos, que os professores foram adoptando, acriticamente, para toda a vida! O que é muito mais difícil de encontrar são verdadeiras didácticas para o funcionamento da língua. Didácticas operativas, organizadoras dos conteúdos, que façam do ensino do português um verdadeiro projecto.

Os manuais seguem os programas e os professores seguem os manuais. Os conteúdos são ministrados de forma avulsa. Peças encaixotadas (quantas vezes de marcas diferentes!) de um motor por montar. Motor que, assim, nunca funcionará! De facto, de que serve, aos alunos do 2º ciclo do ensino básico, esse amontoado de conteúdos, respigados de diferentes abordagens, sem coesão nem coerência, de que são feitos os programas e os manuais?! Mais do que inútil, é perverso! Porque, em vez de formar, deforma!

João de Brito

 

Foi-me proposta uma colaboração pelo colega João de Brito, relativa à inclusão de alguns textos ligados ao tema acima referido. O que obviamente aceitei. Antes de mais fica aqui a apresentação do autor pelo próprio, assim como a definição da temática

Ensino do Português

  • 2º ciclo do ensino básico
  • Uma didáctica alternativa

O meu perfil

Nos anos 60, fiz o curso geral e o ciclo filosófico, no Seminário de Vila Real, e o ano propedêutico, no Seminário Maior do Porto. Nos 70, licenciei-me em filosofia, pela Universidade Católica, fiz o Curso de Ciências Pedagógicas, na Universidade do Porto, e o Estágio Profissional do Ciclo Preparatório, na Escola Diogo Cão de Vila Real. Nos 80, durante um lustro, dediquei-me à planificação e à construção de materiais pedagógicos na Coordenação Distrital de Educação de Adultos de Vila Real. Durante quarenta anos de trabalho pedagógico ininterrupto, bati-me pela diversificação das ofertas educativas, por um novo conceito de avaliação e, ano após ano, esforcei-me, com os meus alunos, por aprofundar cada vez mais e melhor o funcionamento da língua. O que se segue são marcas dessa caminhada, que continua.

João de Brito (professor)