Dia D


Louco é aquele que queria pôr fim à loucura do amor,
Porque o sol correrá como cavalos negros,
A terra extrairá trigo da cevada.
A corrente fluirá ao encontro da fonte
E antes que o coração conheça a moderação,
Os peixes nadarão em rios secos.

[Ezra Pound]

Movimento acusa sindicatos de ‘manipulações estatísticas’

O Movimento de professores PROmova desafia os sindicatos a revelarem o número exacto de professores que aprovaram o memorando de entendimento com o Ministério da Educação. Fenprof garante que 90% dos docentes aprovam o documento.
Para este movimento cívico, o entendimento «precipitado» com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues empurrou os professores «para a desmobilização e para o desejo de não participarem num DIA D esvaziado de sentido».

É por isso que o PROmova põe em causa as declarações da plataforma sindical, que garante uma aprovação de 90% relativamente ao acordo. Números que os professores deste movimento consideram ser fruto de «manipulações estatísticas».

Em comunicado enviado às redacções, o movimento desafia os sindicatos «em nome do rigor e da transparência de procedimentos, a publicar nos próximos dias o número exacto e realde professores que, em cada escola, votou favoravelmente o entendimento».

«Quer-nos parecer que a forma que muitos docentes encontraram para manifestarem o seu desânimo,e desacordo,foi a falta de comparência. Provem-nos o contrário» , dizem os responsáveis pelo PROmova, que se dispõem a pelos seus próprios meios fazer um «levantamento escola a escola».

«A plataforma sindical não veio garantir a tranquilidade dos alunos, veio, como é público e notório, assegurar a tranquilidade ao Governo e ao Ministério da Educação, administrando-lhes o ‘calmante’ que há muito lhes faltava» , criticam os membros do movimento cívico, que reclamam a suspensão do processo de avaliação do desempenho e o fim da figura do professor titular. (Margarida Davim).

Se querem saber os números exactos, que tal pedirem-nos directamente à fonte (espero que o tenham feito) e não em comunicado às redacções dos órgãos de comunicação social?

É que este tipo de atitude parece revelar que o principal adversário não é o ME e sim os sindicatos. Não me parece correcta tacticamente nesta altura este tipo de atitude.

Da mesma forma, e logo escreverei sobre isso, também discordo da análise feita hoje por Santana Castilho no Público.

Realmente parece que há quem queira dividir os professores e há os que se prestam a isso.

PARECER

Reunidos em assembleia, os professores desta Escola, abaixo assinados, após uma análise pormenorizada do Memorando de Entendimento entre a Plataforma Sindical e o Ministério da Educação, são de opinião que o mesmo não satisfaz as reivindicações dos docentes recentemente expressas na Marcha da Indignação do dia 8 de Março, a saber:

1. a imediata alteração do ECD, condição essencial para o prosseguimento das negociações;
2. a suspensão e renegociação do actual Modelo de Avaliação de Desempenho;
3. a revogação do novo Modelo de Gestão;
4. a eliminação da Prova de Ingresso na Carreira;
5. a revisão da legislação que enquadra o Ensino Especial.

Assim sendo, e, em particular, no que diz respeito aos dois primeiros pontos acima assinalados, reafirmam a tomada de posição assumida, a nível departamental, no passado dia 9 de Abril (cf. documento que se anexa à presente declaração). Os docentes manifestam estranheza pelo facto de a Plataforma Sindical considerar o Memorando de Entendimento uma vitória da classe docente, quando, na realidade, se trata de um documento que não apresenta avanços significativos relativamente ao anteriormente proposto, tanto mais que não contempla nenhuma das exigências subscritas por estes professores no documento acima referido. Face ao exposto, recomendam que:

1. não se ratifique o Memorando;
2. seja suspenso o DR n.º 2/2008, de 10 de Janeiro;
3. se retome o processo negocial;
4. se estabeleça como meta para a conclusão da negociação o final de Julho de 2008, de modo a garantir o normal funcionamento do próximo ano lectivo.

Assim, os professores propõem como acções de luta:

1. a realização de uma nova marcha da indignação docente num sábado de Maio;
2. a distribuição de comunicados à população e, em cada escola, aos encarregados de educação, que os esclareçam sobre os problemas da escola pública;
3. a manutenção das acções de contestação, de acordo com o calendário previsto;
4. a realização de greves parciais às reuniões de avaliação.

Os professores desta assembleia tomam a iniciativa de divulgar a presente tomada de posição, de modo a que todos os interessados a possam subscrever.

Escola Secundária D. Afonso Sanches

Vila do Conde, 15 de Abril de 2008

Sincerely,

The Undersigned

Professores aprovam por “esmagadora maioria” acordo com Ministério da Educação

O apoio dos docentes ao acordo alcançado sábado entre os sindicatos e a tutela é “esmagador”, estando assim excluído o recurso à greve e a outros protestos que interfiram com as aulas, anunciou a plataforma sindical de professores.
Em declarações à Lusa, Mário Nogueira, porta-voz da estrutura que reúne todos os sindicatos do sector, afirmou que “a esmagadora maioria das escolas aprovou de forma inequívoca” a moção que prevê a ratificação do entendimento com o Ministério da Educação (ME) relativo à avaliação de desempenho.
Ressalvando que os dados são ainda parciais, o porta-voz da plataforma deu como exemplo os casos dos distritos de Évora, onde 17 escolas aprovaram a moção e só duas votaram contra, e Viseu, onde só cinco dos 36 estabelecimentos votaram contra. “Não há qualquer divisão dos professores. O apoio a esta moção foi inequívoco”, sublinhou o dirigente.

É público e notório que votei a favor da moção apresentada hoje nas Escolas, mas quer-me parecer que, sem quantificação mais alongada, dizer que a maioria é esmagadora poderá ser temerário.

Tão ou mais importante é saber ler o que disseram muitos dos que fizeram parte dessa maioria. Isto é apenas um primeiro passo. As pessoas estão mesmo, mesmo, irritadas. Penso não existir grande risco de desmobilização logo que, em Setembro/Outubro deste ano, tentem colocar o 2/2008 em funcionamento pleno, mesmo com os pequenos doces agora distribuídos.

Entretanto, como enorme sinal positivo, o facto de esta forma de consulta dos docentes ser uma forma nova e extremamente salutar dos sindicatos ouvirem as bases.

Já não era sem tempo.

Os abaixo-assinados, professores da Escola Secundária de Palmela, sentem-se incomodados com o facto de, após a manifestação do dia 8 de Março, que reuniu milhares de professores unidos na rejeição TOTAL e COMPLETA do modelo de avaliação imposto pelo ME, a Plataforma Sindical tenha aceite pôr em prática o modelo, sem alterações, embora essa aplicação se apresente travestida de experiência e preveja uma eventual negociação em Setembro de 2009, depois de todo um ano lectivo ser arruinado na tentativa de pôr semelhante modelo em prática.
A rejeição deste modelo deve continuar. Ele deve ser rejeitado na sua totalidade, ou alterado de forma muito substancial, antes de qualquer experimentação, da qual nunca se deverá prescindir. Assim, queremos que a Plataforma Sindical não assine este entendimento e prossiga a mobilização da classe docente contra este modelo de avaliação e a política educativa do governo.

Escola Secundária de Palmela. 15 de Abril de 2008

Escolas que terão rejeitado o memorando de entendimento (via Movimento Em Defesa da escola Pública e da Dignidade da Docência, já sem algumas imprecisões na designações de certos estabelecimentos da minha zona, que antes tinha assinalado com “?”). Levantamento até às 0 horas, embora esteja em actualização periódica:

Agrupamento de Escolas Lousada Oeste

Agrupamento da Freixianda, Ourém

Agrupamento de Escolas Conde de Ourém
Agrupamento de Escolas da Área Urbana da Guarda (Santa Clara)
Agrupamento de Escolas da Batalha
Agrupamento de Escolas da Ericeira
Agrupamento de Escolas de Almeida
Agrupamento de Escolas de Alvaiázere
Agrupamento de Escolas de Amares
Agrupamento de Escolas de Marrazes, Leiria
Agrupamento de Escolas de Ovar
Agrupamento de Escolas de São Bruno, Caxias
Agrupamento de Escolas de São Julião da Barra, Oeiras
Agrupamento de Escolas de Taveiro, Coimbra
Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus, Leiria
Agrupamento de Escolas José Saraiva, Leiria
Agrupamento de Escolas Professor Carlos Teixeira, Fafe
Agrupamento Vertical de Escolas de Ponte da Barca
Agrupamento Vertical de Escolas Vale de Milhaços
Escola Básica Integrada João Roiz , Castelo Branco

Escola Básica Integrada de Colmeias, Leiria

Escola EB 2.3 da Caranguejeira, Leiria

Escola EB 2/3 José Ferreira Pinto Bastos, Ílhavo
Escola EB 2/3 Gafanha da Nazaré, Aveiro

Escola E.B. 2,3 Dairas, Vale de Cambra
Escola EB 2.3 de Nisa
Escola EB 2.3 de Nogueira, Braga
Escola EB 2.3 de Penedono
Escola EB 2.3 Álvaro Velho, Lavradio
Escola EB 2/3 Frei Bartolomeu dos Mártires, Viana do Castelo
Escola EB 2.3/S de Maceira, Leiria
Escola Sec./3 Artur Gonçalves,Torres Novas
Escola Sec./3 de Latino Coelho, Lamego

Escola EB 2,3/S Monte da Ola, Viana do Castelo

Escola EB 2,3 Carlos de Oliveira, de Febres

Escola E.B 2,3 de Caldas das Taipas, Guimarães
Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, Leiria
Escola Secundária Conde de Monsaraz, Reguengos de Monsaraz
Escola Secundária Clara de Resende, Porto
Escola Secundária D. Afonso Sanches, Vila do Conde
Escola Secundária D. Inês de Castro, Alcobaça
Escola Secundária D. Maria II, Braga
Escola Secundária D. Martinho de Castelo Branco, Portimão
Escola Secundária da Póvoa de Lanhoso
Escola Secundária de Arganil
Escola Secundária dos Casquilhos – Barreiro
Escola Secundária de Figueiró dos Vinhos
Escola Secundária de Lousada, Porto
Escola Secundária de Olhão
Escola Secundária de Palmela
Escola Secundária de S. Pedro, Vila Real
Escola Secundária de Santa Maria, Sintra
Escola Secundária de Vagos, Aveiro
Escola Secundária do Entroncamento
Escola Secundária Dr. João Araújo Correia, Régua
Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, Abrantes
Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte, Marinha Grande
Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, Leiria
Escola Secundária Infanta Dona Maria, Coimbra
Escola Secundária Madeira Torres, Torres Vedras

Escola Secundária de Monserrate, Viana do castelo

Escola Secundária Maximinos, Braga
Escola Secundária Pinhal do Rei, Marinha Grande
Escola Secundária São Pedro, Vila Real
Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Vila Real
Escola Secundária de Barcelos
Escola Secundária da Mealhada
Escola Secundária D. Afonso Sanches, Vila do Conde
Escola Secundária Sá de Miranda, Braga
Escola Secundária Padre António Vieira, Lisboa

Quem tiver informações sobre os resultados das reuniões nas escolas, p. f. informe o Movimento (em.defesa.da.escola.publica@gmail.com).

Escola Secundária Conde de Monsaraz

Parecer relativamente ao Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores

Os professores, em reunião sindical realizada no dia 15 de Abril de 2008, procederam à leitura e análise da moção e à votação da mesma, da qual resultaram três votações distintas (votos contra, votos a favor e abstenções). No entanto, tal não significa a existência de uma divisão da essência do assunto discutido, visto a preocupação dos presentes ter sido a de salvaguardar o entendimento conseguido no que se refere à avaliação dos professores sujeitos à avaliação no ano lectivo 2007/ 2008.

Apesar da acção por parte da Plataforma Sindical, os docentes, após a análise comparativa do Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores e a Moção, apresentam as seguintes considerações:

– Relativamente às alíneas a), e c) do ponto 1, considerou-se que estas implicam aceitar o processo de avaliação nos moldes em que ele está definido pelo Ministério da Educação, a implementar a partir do início do próximo ano lectivo, moldes estes com os quais os professores não concordam e que motivaram precisamente todos os protestos e tomadas de posição contra os mesmos.

– No que respeita ao ponto quatro, a constituição de uma comissão paritária com o objectivo de preparar a negociação de alterações a introduzir ao modelo de avaliação de desempenho, pressupõe, à partida, que este mesmo modelo será aplicado, na íntegra, no próximo ano lectivo, mesmo apresentando dificuldades de implementação e falhas, o que não é aceitável;

– Quanto aos pontos cinco e seis, constituem uma contradição entre as posições tomadas por todos os professores, que consideram o modelo de avaliação instituído pelo Ministério de Educação como sendo injusto e impraticável, tal como é referido na moção, uma vez que estes mesmos pontos prevêm um processo negocial com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações ao referido modelo, tendo por base os elementos obtidos durante a avaliação e monitorização do 1º ciclo da sua aplicação;

– Já no que concerne ao ponto nove, verifica-se uma vez mais a manutenção da divisão da carreira docente, com a criação de mais um escalão no topo da carreira dos professores e educadores, sendo este um aspecto perante o qual a classe sempre se mostrou contra.

Há ainda a salientar a inquietação por parte dos docentes acerca da omissão de assuntos tão importantes como: o novo regime de autonomia, gestão e administração das escolas e a prova de ingresso na carreira docente.

Em suma, considera-se que a rejeição do modelo de avaliação vigente deve continuar. Ele deve ser rejeitado na sua totalidade, ou alterado de forma muito substancial, antes de qualquer experimentação, da qual nunca se deverá prescindir. Assim, queremos que a Plataforma Sindical prossiga a mobilização da classe docente contra este modelo de avaliação e a política educativa do governo.

TOMADA DE POSIÇÃO

Os professores da Escola Secundária de Arganil, reunidos em plenário convocado pela Plataforma Sindical, face ao Memorando de entendimento entre Ministério da Educação e a Plataforma Sindical de Professores, consideram que o documento encerra alguns pontos positivos:

– a aplicação aos docentes contratados e do quadro em situação de progressão na carreira de um procedimento de avaliação simplificado e uniformizado;

– a instituição de normas que garantam uma segunda oportunidade aos docentes a quem forem atribuídas as classificações de regular ou insuficiente;

– a constituição de uma comissão paritária entre o ME e os sindicatos, para acompanhamento e alteração do modelo de avaliação;

– a negociação de critérios para a definição de um crédito de horas destinado à concretização da avaliação de desempenho;

– a definição de um número mínimo de horas a atribuir à componente individual de trabalho;

– o princípio relativo à dedução das horas utilizadas para formação dos docentes na componente individual de estabelecimento.

No entanto, este plenário não deixa de considerar que este documento apresenta, no seu entender, vários aspectos muito negativos, nomeadamente:

– a aplicação na íntegra, já no próximo ano lectivo (2008/2009), de todo o sistema de avaliação previsto no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, sem que tenha havido experimentação e validação dos respectivos instrumentos;

– a não referência às implicações para os docentes não avaliados no presente ano lectivo decorrentes da não aplicação deste processo na classificação do próximo ano lectivo;

– o facto de uma eventual alteração do modelo de avaliação só vir a ocorrer no final do próximo ano lectivo, Junho/Julho 2009, ignorando-se assim as consequências gravosas que o mesmo acarreta no período de tempo anteriormente referido.

Acresce ainda que o modo como todo este processo se está a desenrolar carecer de suporte legal que altere o estipulado no Decreto Regulamentar n.º 2/2008.

Os docentes repudiam também o facto de se mencionar que os mecanismos do novo regime de autonomia, gestão e administração das escolas, ao entrar em vigor até 30 de Setembro de 2008, abrem caminho a uma aceitação implícita do mesmo; com o qual os elementos deste plenário não concordam.

Assim, os professores reunidos neste plenário propõem que:

– a Plataforma não assine o Memorando de Entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical dos Professores;

– sejam mantidas e intensificadas as formas de luta aprovadas no plenário que se realizou no seguimento da Marcha da Indignação, no dia 08 de Março de 2008;

– a plataforma continue a envidar esforços e a empenhar-se, no sentido de alterar os seguintes normativos:

. Estatuto da Carreira Docente (com destaque para a divisão artificial entre professor/titular);

. Decreto Regulamentar n.º 2/2008;

. Decreto da autonomia, gestão e administração escolar;

. Estatuto do Aluno – decreto regulamentar n.º 3/2008;

. Legislação sobre Educação Especial;

Perante o exposto, os professores manifestaram a sua determinação em continuar a luta contra a política e práticas do actual Ministério da Educação, em defesa da Escola Pública e democrática.

Arganil, 15 de Abril de 2008

O responsável pela dinamização da reunião

Na Escola Secundária de Barcelos, o Dia D teve uma adesão esmagadora. Não consigo avançar com uma percentagem, mas posso afiançar que a maior parte das turmas não tiveram aulas. Participaram 76 professores numa reunião que se prolongou das 8.30 às 16.30 (com um quarto de hora para café, a meio da manhã, e uma hora para almoço). Discutiu-se e votou-se a moção, que junto de seguida, e trabalhou-se intensamente num carta reivindicativa que ainda não posso avançar, por carecer de vários acertos na redacção.

Apesar de exausta pela maratona (e muitos de nós estivemos, ontem à noite, na manifestação de Braga), sinto-me absolutamente radiante por ter participado numa reunião que mobilizou tantos de nós, e que não se limitou a cumprir agenda: houve discussão séria, houve a partilha de inquietações, houve a apresentação de propostas sérias e reflectidas sobre o que queremos para a nossa avaliação e para o ensino público.

Foi com imenso orgulho na minha classe, personificada naqueles meus colegas, que saí daquela reunião. Faço votos que tenha sido este o sentir de muitas e muitas mais escolas pelo país fora.

Fátima Inácio Gomes

POSIÇÃO

Os professores da Escola Secundária de Barcelos, reunidos em plenário, no dia 15 de Abril, votaram por unanimidade contra a moção apresentada pela Plataforma Sindical dos Professores, nomeadamente no que diz respeito ao “memorando de entendimento” a assinar com o Ministério de Educação.

Esta posição contrária deve-se à recusa em aceitar:

1. a divisão da carreira docente, que fica implícita tacitamente na aceitação do ponto 9;

2. o adiamento do “processo negocial com as organizações sindicais, com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações” para o final do ano lectivo de 2009, pois enfraquecerá o poder reivindicativo do movimento de professores durante esse período, comprometendo toda as acções de luta empreendidas desde Janeiro, assim como ratificará (nem que seja apenas durante um ano lectivo) um modelo que nunca foi aceite pela classe docente.

Esta assembleia de professores propõe que, no ano lectivo 2008/2009, se aplique, transitoriamente, o modelo anterior de avaliação, para que, durante esse período de tempo, as comissões responsáveis, a equipa ministerial e os próprios professores trabalhem um novo modelo de avaliação, equilibrado, exequível e respeitador dos direitos e obrigações dos professores.

Por fim, esta assembleia de professores

1. denuncia o distanciamento dos princípios acordados com a Plataforma de Sindicatos, a 8 de Março, e o enunciado do “memorando de entendimento” em apreciação,

2. assume como um direito a exigência de uma avaliação equitativa dos professores contratados e dos professores do quadro em condições de progressão neste ano, pelo que reivindica a aplicação de um modelo de avaliação simplificado único para estes professores, neste ano lectivo,

3. avoca que qualquer acordo que parta de aspectos do Estatuto da Carreira Docente, antes deste ser revisto, não poderá colher a aprovação desta assembleia de professores, que exigem a revisão deste diploma.

Barcelos, 15 de Abril de 2008

Numa amostra que valerá o que vale (leituras dos comentários e contactos estabelecidos ao longo do dia) percebem-se algumas coisas de forma evidente, que vou tentar sintetizar, enquanto não dou um passeio pela blogosfera:

  • São poucos os professores que aceitam este entendimento como mais do que um primeiro passo de um processo. O entusiasmo é fraco na sua defesa.
  • Muitos dos que o defendem, fazem-no de forma táctica. Este foi um passo necessário em termos de trégua e de demonstração que a intolerância negocial não está deste lado. É o meu caso.
  • Quase todos os que acabaram por votar afirmativamente a moção – talvez a esmagadora maioria – querem mais, pelo menos a partir de agora.
  • Uma proporção importante de docentes está efectivamente desagrada com o entendimento, apoiando a radicalização das formas de resistência, quer à implementação da avaliação, quer à segmentação horizontal da carreira. Existem, contudo, dúvidas quanto á forma dessa radicalização e aos seus efeitos práticos.

Perante isto, e não sabendo o resultado final desta consulta alargada da classe docente, quer-me parecer que a Plataforma Sindical deve entender que, mesmo assinando o entendimento e incluindo lá as suas posições de princípio, o pessoal não está minimamente satisfeito e, mesmo entre os que votaram sim, quer que se faça mais.

Agora é necessário discutir o quê, quando e como.

E não atirar sobre as próprias fileiras.

MOÇÃO

“ENTENDIMENTO” É IMPORTANTE PARA OS PROFESSORES,
MAS NÃO RESOLVE AS QUESTÕES DE FUNDO, PELO QUE DEVERÁ MANTER-SE UMA FORTE ACÇÃO SINDICAL E REIVINDICATIVA

A luta dos Professores e Educadores obteve um importantíssimo resultado ao obrigar o ME, pela primeira vez em 3 anos, a recuar nas suas intenções, a aceitar propostas das organizações sindicais de docentes e a quebrar a sua intransigência em aspectos que declarara como “bandeiras” e “pontos de honra”.

O forte recuo a que o ME foi obrigado, no designado primeiro ciclo de avaliação dos professores, será um importante contributo para a estratégia de alteração profunda do modelo de avaliação que impôs e que não serve as escolas nem os professores. Trata-se de um modelo burocrático, incoerente, injusto, inadequado e inaplicável, razão por que é muito importante que já se tenha estabelecido um processo negocial, com vista à sua alteração, para o final de 2008/2009, após o seu designado primeiro ciclo de aplicação.

Fica, entretanto, garantido que, este ano, os docentes a classificar serão uniformemente avaliados, através de procedimentos mínimos, e que eventuais classificações inferiores a Bom não terão consequências, devendo as escolas apurar todos os defeitos do modelo e da sua aplicação. Os Sindicatos participarão activamente no processo de acompanhamento e avaliação do modelo, bem com as suas condições de aplicação, apresentarão propostas alternativas que debaterão com os professores e envolver-se-ão na alteração do modelo.

O memorando de entendimento com o ME, alcançado pelos Sindicatos, contém outros importantes resultados, tanto para os professores, independentemente do seu vínculo laboral, como para as escolas, designadamente em níveis como a carreira, os horários de trabalho, a formação contínua e a gestão, para além de garantir, desde já, o desenvolvimento de processos negociais sobre matérias que, de outra forma, não seriam negociadas. Por estas razões, a Plataforma Sindical dos Professores deverá subscrever uma declaração conjunta com o Ministério da Educação que, para além do memorando de entendimento, contenha as apreciações dos Sindicatos dos Professores, necessariamente negativas, sobre a política educativa do Governo, marcada por:

– Um ECD imposto, que deverá ser revisto para dele expurgar a divisão dos professores em categorias, a prova de ingresso na profissão, o actual modelo de avaliação, entre outros aspectos;
– Um regime de direcção e gestão escolar, unilateralmente imposto, que impede a participação democrática da comunidade educativa e, em especial, dos docentes, na vida das escolas, cerceando espaços fundamentais de autonomia, para além de degradar a sua organização pedagógica;
– Uma alteração de sentido muito negativo da legislação sobre Educação Especial, pondo em causa princípios fundamentais da escola inclusiva;
– Um conjunto de outras medidas negativas, como o encerramento de escolas sem alternativas de qualidade e sem o acordo das comunidades, a implementação dos designados prolongamentos de horário no 1.º Ciclo do Ensino Básico sem coordenação ou garantia de qualidade (que o ME pretende estender ao 2.º Ciclo), os sucessivos cortes de financiamento na Educação, entre muitas outras.

É nesse quadro de protesto, mas, também, de construção, que os professores e educadores, com as suas organizações sindicais, continuarão a agir e lutar, ao mesmo tempo que estabelecerão os tempos adequados para auscultação, debate e elaboração de propostas que serão assumidas pela Plataforma de Sindicatos.

Desses momentos deverá resultar a definição da estratégia sindical para 2008/2009, quer ao nível das propostas orientadas para os processos negociais já previstos, quer da acção e da luta dos professores e educadores.

Os professores e educadores continuam a considerar a política educativa do Governo muito prejudicial ao exercício da sua profissão, das aprendizagens dos seus alunos e do trabalho nas Escolas, bem como a avaliar de forma muito negativa aqueles que, no Ministério da Educação, a concretizam.

Assim, os professores e educadores, manifestam a sua determinação em continuar a luta contra tal política e tais práticas.

REUNIÃO REALIZADA EM ____________________________________

PARTICIPARAM NA REUNIÃO _______ DOCENTES, TENDO VOTADO
_________, COM O SEGUINTE SENTIDO DE VOTO:

A FAVOR ______; ABSTENÇÕES ______; CONTRA ______.

A Moção foi: APROVADA / REJEITADA

O Responsável pela dinamização da reunião: