Desbloqueador De Engonhanços


… e não fica com a menor parte do trabalho…

Será que “no âmbito dos alunos e das famílias” só se pode fazer isto para combater o insucesso e abandono escolar?

– Corresponsabilizar-se pelos programas e medidas de melhoria e reforço das aprendizagens estabelecidas para cada aluno;
– Promover o desenvolvimento de atitudes que facilitem os processos de aprendizagem, responsabilizando-se pelo acompanhamento das eventuais situações de indisciplina detetadas em sede escolar e pelo cumprimento das medidas constantes dos programas de recuperação;
– Valorizar e envolver-se nos processos de representação parental nos diferentes órgãos e estruturas escolares.

Sendo que, em boa verdade, a terceira recomendação é para a fotografia.

Responsabilização directa, assim à primeira vista, é pouco mais do que zero.

 

Desculpa a forma coloquial do tratamento, mas pareces ser um tipo informal e todo porreiraço e tal.

Eu percebo que andes chateado com o Crato e com o Governo, até com maioria de razão pois és da área política em causa.

Percebo que as coisas tenham afectado a tua descendência e estejas irritado. A minha petiza também está numa turma de 30 e como é das últimas, fica lá atrás e mal vê o raio das letras no quadro branco todo interactivo por causa do reflexo da luz deste verão tardio, pois não há sempre estores nestas salas de aula em escolas não “intervencionadas”. É uma treta.

Mas isso não deve toldar-te o raciocínio ao ponto de baralhares tudo.

Ora vejamos o que escreveste:

Nuno Crato justificou a reordenação no concurso da Bolsa de Contratação, e o subsequente atraso num processo que já estava atrasadíssimo, com “injustiças” que necessitavam de ser “corrigidas”. Mas lá está: mais uma vez, é o superior interesse do professor a ser colocado à frente do superior interesse do aluno. Em vez de se atribuir horários zero aos docentes que foram prejudicados pelo erro do ministério e não conseguiram colocação, Crato preferiu prejudicar os alunos que já estavam a ter aulas e retirar-lhes um professor que, para todos os efeitos, consideravam como seu. O interesse do aluno, como sempre, contou zero.

Eu até concordo com o facto dos interesses dos alunos valerem nada para este MEC.

Mas… mas… ó João Miguel, relê lá o que escreveste.

Então o interesse dos professores foi perderem a colocação e irem de malas aviadas outra vez, depois de as terem aviado para virem?

O resto do artigo até faz algum sentido e eu até me ofereceria de bom grado para ir dar aulas de História à turma da tua filha, se isso garantisse que recuperavas o pensamento lógico.

Mas… mas… cum caneco, pá… o interesse dos professores não é ficar no desemprego, que é o que aconteceu a muitos… ou então voltarem a andar de malas às costas mais umas centenas de km. Por eles, ficavam onde estavam e os putos com aulas. O MEC é que quis “corrigir” o erro e entrou numa espiral de disparates.

Mas, o problema é que se ficassem nos lugares deles, apareceria logo quem dissesse que só queriam era ganhar dinheiro à custa de um erro.

Sabes… o problema é que tu continuas a ver o mundo – e nisso estás bem alinhado com observadores, blasfemos e insurgentesem termos de cratos vs nogueiras.

E a realidade, quer queiram, quer não, é feita de marias, paulos como eu, anas, joões, joaquins, susanas, etc, etc, que se estão nas tintas para o nuno e o mário.

Dá para entender?

 

Esta gente é do melhor que se arranja em rebajas.

Multa

… nesta posição do presidente da Confap. Há três meses, quando já tudo isto era óbvio, andava muito mais calmo e cordato, só embirrando com os professores, como era norma do antecessor e passou também a ser a sua até perceber que o MEC, num dos poucos actos de lucidez, não renovou a relação preferencial que outra ministra em guerra com os professores tinha com uma das suas muletas favoritas.

Presidente da Confap: “Não tenho memória de um início de ano escolar com tanta instabilidade”

Com o fim do primeiro período de aulas chegam a público as preocupações da direcção da confederação das associações de pais, que lamenta não ser ouvida pelo Ministério da Educação e Ciência.

Não faz mal, até porque o líder da Confap andou muito ocupado até às autárquicas com o apelo ao voto nulo, algo que é divertido em quem depois ainda tem a lata de criticar as atitudes cívicas dos professores.

Vamos lá ao essencial: há tranche ou não há tranche?

Ouro para as Finanças, incenso para o Portas e mirra para ele próprio e o presidente.

Passos vai a Belém levar solução de Governo

 

… com a duração dos preliminares.

Entretanto, o I e a TVI adiantarm-se com uma previsão arrojada.

… pois parece ter-se movido apenas por ser empurrado e porque ficaria mal na fotografia.

Nada que me espante pois ainda tenho presente (via pilhas de jornais arquivados, em particular do Expresso) o que ele escreveu a este respeito há quase 30 anos… e como já então defendia a limitação de certos direitos…

Agora, ao Expresso, Alfredo Sousa diz ter recebido “centenas, senão milhares de pedidos” relativos aos subsídios e à CES, o que motivou este pedido. “Se não o fizesse, as pessoas indagar-se-iam sobre para que serve o provedor de Justiça”, explicou.

Questionado sobre as consequências orçamentais de uma eventual declaração de inconstitucionalidade relativamente aos pedidos em causa, Alfredo Sousa disse que “não se pode deixar de cumprir uma obrigação”.

Quanto aos professores, apenas o costume…

Alfredo Sousa deixa no entanto de fora as medidas que revogam o direito à aposentação antecipada e que, tal como o Diário Económico noticiou há algumas semanas, tinham sido alvo de mais de 700 queixas de professores do pré-escolar e primeiro ciclo junto da Provedoria de Justiça.

Se o ministro Álvaro sabemos que tem destino marcado, o do equivalente não se sabe se é Angola, Brasil ou… Cabo verde onde consta existirem bons dias, digo, bons negócios, digo, boas praias para relaxar da profunda azáfama governativa.

Miguel Relvas e Santos Pereira poderão sair do Governo

Ainda estava atarantado com a brilhante prosa de Henrique Monteiro sobre a imensa qualidade de certo jornalismo em relação ao lixo da internet (que ele parece confundir com a sua caixa de correio e com o feicebuque) quando dei com a entrevista fofinha feita a Nuno Crato no Expresso, por ocasião das festividades em torno de uma (meritório) iniciativa do jornal (37 bolsas para alunos universitários).

A entrevista é do melhor, parecendo atapetada à medida para o despejo da nova vulgata do MEC sobre o que disse ou não o PM acerca da co-participação das famílias nas despesas da Educação.

Vai daí e dispara:

Exp15Dez12b

Phosga-se, pá! Isto aplica-se a mim, mesmo à medida. Deturpador e míope.

No ensino obrigatório não se podem exigir (co-)pagamentos! Apesar de tudo o que certos comentadores andaram a espalhar por aí, semanas a fio, e outras fontes deixaram fugir para os jornais.

Afinal, só se forem propinas na Universidade… pois já não é obrigatória… pensamos nós, penso eu, apequenado na minha insignificância bué insignificante. Pois quando é que poderá haver maior co-pagamento pelas famílias na Educação dos seus rebentos depois do ensino obrigatório de 12 anos?

Na Universidade, certo?

Errado!

Pois o senhor ministro garante:

Exp15Dez12

Mas, mas, mas?

Então, então, então?

No que ficamos?

Não pode ser no obrigatório, não vai ser no superior, no que estava a falar exactamente o PM? Nos pós-docs subsidiados?

Agora fiquei estrábico!

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E o mais giro é que o grande jornalismo do jornal de Henrique Monteiro nem deu pela contradição, incoerência, incocoiso, sei lá.

Ora bolas… tinha escrito um post todo giro acerca desta tirada deliciosamente humorística do Miguel Pinto e a rede foi-se-me mais os quatro parágrafos que não me apetece reescrever em todo a sua doçura sarcástica.

Nem sempre o que parece óbvio é tangível. Quer pela inabilidade de alguns dirigentes sindicais em lidar com a blogosfera, quer pelos preconceitos bacocos de professores com as estruturas sindicais, a verdade é que a onda divisionista, a que se referia o Paulo Guinote na peça jornalística do jornal Público, serve perfeitamente os interesses dos inimigos da escola pública, promotora de uma sociedade sem castas, e de algumas coutadas.

Ora, se o problema são os divisionistas, criem-se as pontes. Há dois colegas que reúnem, a meu ver, o perfil adequado para desempenhar esse papel: o Paulo Prudêncio, pela visibilidade que tem na blogosfera docente e pelo equilíbrio das suas posições críticas, e o João Paulo pela sua experiência sindical e ligação à FENPROF. Tivessem eles vontade porque não lhes falta a capacidade!

Resumindo: do alto da sua magistratura de influência o Miguel (com a benção da Isabel Campeão, que aproveita em comentários para verberar a blogosfera) nomeia dois actuais militantes de base da Fenprof (um do SPN, outro do SPGL, ambos não enquadráveis na lógica arménia) para fazer pontes.

Mas que pontes? Internas? Externas?

Sei que o PP não encomendou tal nomeação e certamente o JP (que conheço menos) também não. E acredito que qualquer deles também fique sem perceber como se constroem pontes com os protagonistas do mesmo lado do rio. A ideia não seria ir em busca dos desalinhados e divisionistas para os trazer de volta ao bom redil da unidade perdida? Os dois nomeados ficariam com essa missão, é isso?

Ora bem… por vezes a sofisticação da prosa do Miguel acaba por trair o seu pensamento, pois acredito que ele lá saberá o que quer dizer, embora não o tenha conseguido.

A menos que a intenção fosse mesmo essa. Confundir. Porque nenhum dos nomeados é divisionista, nem me parece que queira andar a mando de quem já de si anda mandado.

E isto era há 4 anos…

O quê, as verbas para as acções de formação em piquetes foram gastas pela frente polisário?

  • Sabidos os problemas constitucionais de uma suspensão parlamentar da ADD junto de Belém e de muito PSD disfarçado, o que pode explicar a paradinha em que está a viver este problema.
  • Sabido que, teoricamente, são necessárias negociações com os sindicatos para rever o ECD e, dessa forma, precaver tais problemas na suspensão desta ADD.
  • Sabidos os pedidos sindicais para urgente suspensão da ADD (a FENEI juntou-se agora a pedidos anteriores da Fenprof e FNE), que se esperam sinceros.
  • Sabido que é que a ADD não é o problema central da Educação em Portugal, mas que está a envenenar muita coisa e pode mesmo funcionar com factor de desmotivação dos docentes para a adesão a outras medias.

Propõe-se:

  • Que os sindicatos proponham ao ME uma ronda negocial para revisão rápida do ECD na matéria que pode desbloquear a suspensão da ADD no Parlamento.

A coisa pode ser rápida, escusam de querer coisa tântrica ou começarem com minhoquices. Proponham uma coisa célere e fundamentada. Acredito que, ao fim deste tempo todo, já tenham uma solução pensada. Caso contrário, que o ME a arranje e não aceite devoluções.

Penso eu de que.