Desabafo


Sou daqueles tempos de antanho em que se acreditava que a verdade acaba sempre por se saber e que as mentiras têm a perna curta e acabam sempre por tropeçar em si mesmas.

Dito isto, tenho algum desprezo pelos queixinhas que, não sendo capazes de demonstrar a sua razão, vão a correr chamar os matulões em sua defesa para intimidar o resto dos colegas que brincam no recreio.

Por matulões, pode entender-se a IGEC ou os Tribunais, que assim perdem o seu tempo com idiotices.

E um tipo ainda tem de testemunhar…

Tivesse eu mau feitio e não fosse a alma santa que sou e também lhe mandava polícia para a porta da escola.

Mas não consigo ser assim tão parvo.

 

Comecei o ano “útil” a reclamar pela primeira vez por escrito e no devido livrinho em relação ao atendimento na dependência mais próxima do meu domicílio do banco privado onde tenho conta há mais de 15 anos e onde sempre fui muito bem atendido.

A senhora embirrou logo comigo ou então não gostou de ter de deixar de atender o moçoilo jovem que estava antes de mim ou então quando viu um cheque internacional em nome da minha petiza para ser depositado, decidiu que não queria ter trabalho e mandou-me para a dependência de origem da conta (a qual até já nem existe, tendo sido fechada).

Disse-me a santa criatura que só na agência em causa seria possível tratar “desses detalhes específicos” e nem quando eu lhe perguntei se o mundo andava para trás e se os sistemas informáticos não tinham os meus dados se dignou, sequer, dizer que eu poderia abrir ali uma conta nova em nome da miúda. Claro que quando fui a uma outra dependência me disseram que tudo aquilo era treta, que o banco é o mesmo em todo o lado e que eu tenho acesso a todas as funcionalidades em qualquer ponto do país, até porque a miúda ia comigo e com todos os seus elementos identificativos. E tive o atendimento simpático que sempre tive,.

A senhorinha (daquelas com copulativa no apelido, porque eu pedi-lhe a identificação) quando me viu de novo na fila, cerca de uma hora depois (e 40 km de ida e volta pelo meio), e, após esperar 20 minutos por nova conversa dela com os clientes à minha frente, a pedir o livro de reclamações, fez-se de esquisita e quem nem percebia porque me estaria a queixar.

Só que, nestes casos, eu falo pouco e prefiro registar a ocorrência, porque dar conversa a gente parva só nos faz ficar um bocadinho mais estúpidos.

Se o 2015 continuar assim, é bom ter sempre caneta à mão e uma dose industrial de paciência.

E sim, isto por vezes também serve para ocasionais desabafos.

Texto chegado por mail, com solicitação de anonimato em caso de publicação:

Colega Paulo Guinote,

Peço desde já desculpa por este desabafo franco mas estou farto desta treta de país, de concursos, em que ser docente de quadro, ainda que de quadro de zona, é pior que ser contrato ou quadro de escola em horário zero. 

Caso queira publicar o texto que se segue, sinta-se dono do mesmo porque já o enviei para a DSCI a fim de solicitar esclarecimentos relativos à minha situação nos Açores, nos concursos externos no continente que deixam, descaradamente e com o consentimento de todos os sindicatos, ultrapassar à frente dos docentes de quadro docentes contratados. Estou farto de ver colegas serem indemnizados por terem, alegadamente, uma caducidade de contrato, mas que para efeitos de efetivação ninguém se lembra que recebeu esse dinheiro e querem efetivar à frente dos que se sacrificaram, sem olhar a meios e penso: eu também gostava de ser indemnizado por caducidade de confiança no estado, também gostava de efetivar num quadro de escola sem olhar aos meios e não tenho que ter vergonha nenhuma em não sentir pena de quem não está efetivo porque não concorreu para onde eu tive que concorrer, mas que raios, agora ter-me sacrificado dez anos longe de casa é um pecado e tenho que ter pena dos contratados e largar a minha luta só porque parece mal não ter pena de quem não correu e concorreu às vagas de todo o país? 

Há quem diga “mas há contratos que estão na mesma escola da cidade à sete e oito anos” pudera, essas vagas nunca apareceram para os quadros de escola e de zona poderem mudar de grupo a 1 de setembro, aparecem sempre três e quatro dias após as afetações e destacamentos, no ensino especial só as há porque o MEC não permitiu que os docentes de QZP e QE em horário zero as ocupassem, como deveria ter sido, em nome das boas práticas de gestão e economia do estado, preferiu efetivar uma centena e meia de contratos e não abrir nem uma vaguinha para mudança de grupo dos docentes de quadro.

Exponho também a minha surpresa quanto à decisão tomada pela Secretaria Regional de Educação dos Açores, em não permitir que docentes em QZP do Continente concorram ao concurso interno da região autónoma dos Açores, considerando isto um tratamento discriminatório em relação a todos os outros professores quer do continente, quer das Regiões Autónomas da Madeira e Açores, pelo que vem apresentar os seguintes fundamentos:

Sou professor de QZP, este ano letivo leciono turmas e continuo a ser considerado horário zero, uma vez mais injustiçado pelas diretrizes do ministério que originou um grande número de excedentários no meu grupo de recrutamento.

Pretendo concorrer ao concurso das regiões autónomas dos Açores, mas este ano letivo a referida região acabou com os Quadros de Zona Pedagógica da RAA por intermédio de portaria e passou a afetar em quadro de escola quem se encontrava nesta situação (QZP das RAA), permitindo que todos os docentes continentais (QE e contratados) possam concorrer este ano, excluindo unicamente os QZP do Continente, por não reconhecerem o vínculo outorgado pelo Ministério da Educação e Ciência a estes docentes (ou seja, fazendo frente à política educativa do estado português).

Este tratamento discriminatório dos professores de Quadro de Zona do Continente é justificado pela Sec. Regional dos Açores por terem extinguido esta figura na sua região, ou seja, retiram a possibilidade do MEC afetar quadros do continente aos Açores, indo o orçamento de estado engrossar mais uns milhões em futuros quadros que poderão concorrer já nó próximo ano para o continente.

Hipóteses de resolução da embrulhada criada pala Sec. Regional de Educação dos Açores:

1 – Vincular os docentes em QZP do continente a quadros de escola, nos grupos em que tenham habilitação profissional para lecionar, tal como foi feito na região autónoma, retirando a injustiça criada pelos concursos externos de professores que discriminam os docentes de quadro em favor dos contratos, possibilitando que os primeiros concorram às vagas que de outra forma não serão disponibilizadas a quem ficou em horário zero e impossibilitando que contratos que concorram para a região peçam destacamento imediato para o continente por estarem as vagas ocupadas por docentes de quadro (um professor dos Açores pode mudar de grupo todos os anos e vincular posteriormente em qualquer grupo para o qual tem habilitação no continente,  o mesmo não se se passa com os docentes de quadro do continente, aos quais lhes é impedido mudar de grupo, tendo o MEC contratado docentes para serviços em que há profissionais qualificados em horário zero). Por exemplo, um docente pode concorrer para o grupo 910 nos Açores e concorrer ao concurso interno dentro de três anos ou pedir destacamento porque só há quadros de escola na região autónoma; um professor de quadro de escola do continente pode fazer o mesmo e um QZP que deveria etar afeto a gruos carencidos no continente, não podem concorrer.

2 – Instaurar um concurso interno extraordinário, antecedendo o externo extraordinário, que permita aos docentes de QZP e QE em horário zero a mudança de grupo ou de quadro de vinculação.

3 – Solicitar às secretarias das escolas do continente que passem declarações aos docentes em QZP do continente, conferindo-lhes, apenas para efeito de concurso às regiões autónomas, a mesma figura jurídica da dos quadros de escola dos Açores, possibilitando que estes docentes concorreram ao concurso interno dos Açores sem serem ultrapassados por docentes com graduação inferior e sem vínculo ao estado PORTUGUÊS (que é quem paga as contas da Região, já que o dinheiro arrecadado pelos Açores não chega para fazer cantar um cego);

4 – Solicitar um prazo excepcional à Sec. Reg. De Edução dos Açores para permitir o concurso de todos os docentes de quadro do território Português;

5 – Solicitar o dinheiro aos docentes contratados que foram indemnizados por caducidade de contrato a seu pedido e que agora afirmam que o estado os tem que efetivar por não ter havido caducidade de contrato. Com esse dinheiro o MEC poderá pagar, a titulo indemnizatório, os docentes em horário zero que foram impedidos de concorrer às vagas do concurso externo e que foram ultrapassados graças a esse concurso por colegas com graduação inferior, os honorários dos docentes que deveriam ter sido afetos às vagas em que se encontram contratados a lecionar, muitas vezes do mesmo grupo de recrutamento dos docentes em horário zero (como é o caso dos grupos 110 e 910).  

O único mérito de Cavaco Silva foi o de não se curvar perante a assembleia dos Açores e agora espero que alguém no MEC tenha a mesma coragem. Se foram obrigados a aceitar (e bem) ao concurso externo os contratos dos Açores, qual o motivo dos Açores não aceitarem ao concurso interno os docentes dos quadros do Continente? Outros interesses se levantam…

Está criada uma nova desigualdade para com os docentes já pertencentes aos quadros há muitos anos.

A.

… em relação a crianças e jovens que parecem ter perdido comportamentos e adultos de referência, mesmo no âmbito familiar, que os ajudem a encontrar um caminho de seriedade e serenidade na sua vida escolar e pessoal.

Em todas as épocas há lamentos destes, mas eu nem me refiro apenas aos “mais novos” pois é para a minha geração que olho e a vejo meios ou três quartos perdida no seu papel parental, em parte porque as pessoas se perderam a si mesmas e permanecem em paradeiro incerto ou numa vaga nebulosa em que a realidade dói menos quando vista através de mediações químicas, Embora pior me pareça a da década seguinte, a que agora ainda não entrou nos “entas” mas parece já estar em frangalhos, mesmo quando aparenta sorrisos e sucessos.

Muito faz a miudagem, procurando orientar-se onde os adultos se desorientaram e não voltaram a encontrar o rumo.

Se em tempo de menos dificuldades a coisa ainda se consegue disfarçar, quando o colapso social fica diante dos olhos tudo fica muito mais complicado.

COMO FOI POSSÍVEL (desabafo de um professor contratado)

Ontem, mais uma vez, não foi um bom dia para os professores contratados, pois o desprezo e desconsideração do Ministério da Educação por quem, ano após ano, trabalha nas escolas em condições difíceis e precárias, atingiu níveis incomparáveis.

Os sentimentos de injustiça e frustração são profundos e transversais a todos os que investiram largos anos das suas vidas numa carreira que, dizem-nos agora, é impossível de alcançar. E, pior, a desilusão ainda é maior porque quem deveria ter feito alguma coisa por nós nos deixou completamente ao abandono, em especial os sindicatos que, para sermos justos, estão muito bem para os incompetentes que nos desgovernam na 5 de outubro. O que ontem foi revelado é muito mau e poderia ter sido enfrentado na altura certa. Não foi por falta de aviso. Foi apenas por desinteresse e incompetência dos que nos governam e dos que nos representam. Agora é chorar sobre o leite derramado e tudo o que se fizer é propaganda que não serve a nenhum professor contratado.

Por isso pergunto:

1. Como foi possível permitir que os professores contratados não ficassem a conhecer a sua colocação ainda antes do início de setembro? Será que não teria sido possível ter as listas da mobilidade publicitadas há 15 dias para que agora se publicassem as de Contratação Inicial tal e qual como acontece todos os anos?

2. Como foi possível permitir que milhares de professores contratados, grande parte com mais de 10 anos consecutivos ao serviço da escola pública, fiquem 15 dias em suspenso com as suas vidas e dos seus familiares que deles dependem à espera de não se sabe bem o quê? Como foi possível permitir que a escola pública dispensasse os professores contratados de uma preparação correta e atempada do ano letivo?

3. Como foi possível permitir que todos os professores contratados, incluindo os eventualmente colocados em contratação inicial para este ano letivo, tivessem que ser humilhados com a obrigatoriedade de irem ao centro de emprego se inscreverem como desempregados?

4. Como foi possível permitir que as escolas públicas pudessem colocar professores a lecionar determinadas disciplinas, sem nenhuma habilitação profissional ou própria para tal, em prejuízo da qualidade da escola pública quando ao mesmo tempo impõem uma prova de aptidão aos professores contratados devidamente qualificados?

5. Como foi possível permitir que os professores contratados fossem obrigados a concorrer a dois megas QZP’s (na prática 4 ou 5 QZP’s antigos) quando até os próprios professores do quadro, os únicos em que esta medida poderia ter algum efeito de poupança, ficaram apenas obrigados a concorrer a um?

6. Como foi possível permitir que, num ano de redução drástica de horários e em que as escolas públicas estão impedidas de renovar os contratos dos seus professores, se permita que, nas escolas TEIP’s e de Autonomia (que nascem como cogumelos), professores, com graduações muito, mas mesmo muito, inferiores, colocados o ano letivo passado em contratação de escola, sabem deus e a inspeção em que condições, tenham essa possibilidade?

7. Como foi possível termos chegado aqui?

João Filipe Marques Narciso

Chegado por mail e inicialmente publicado no FBook. Pela dureza faz um bom contraste com aquilo que não é dito publicamente por muita outra gente.

desabafo

 

Eu telespectadora, me confesso.

Larguei o hábito da TV faz muitos meses e ressacando aqui e acolá, recaindo após juras de não mais… eis que com tanto alarido de vizinhança, inquietação crescente de um povo que comigo se cruza e me questiona… Pum! Liguei o aparelho, já ia adiantado o discurso sem curso… do governante deste País desgovernado.

Ai que mágoa, meu povo… ai que dor meus irmãos… que poderemos nós fazer, meus amigos, pensava eu.

Este eu que somos nós. Um nós tão sozinho que já nem um eu poderá ser. Coisificam-nos desrespeitosamente como se não tivéssemos vidas, compromissos e palavras dadas.

Mas eu dei a palavra a meu filho, como tantos de nós deram a palavra a seus filhos, que teria de estudar, aprender para ter um futuro melhor e assim tentar ser feliz! Eu honro a palavra dada e agora… nem palavras tenho.

Um discurso sem curso… do governante deste País desgovernado saiu pela TV fora. Recordo a Segunda Guerra mundial…. caiem bombas e pessoas como nós são levadas para os campos de concentração! Pois, sinto-me enlouquecer! Claro que eram outros tempos! Mas eu sinto as bombas caírem cá dentro, deste dentro que cada um de nós tem, ainda. E não posso aceitar que se fale como se não fosse este o meu tempo, o nosso tempo. Nos campos de concentração, também só iam trabalhar e com direito a habitação e no fim, mesmo no fim, tinham direito a um duche. Bem sei que era colectivo…. talvez não se sentisse tanto medo ou abandono pela humanidade.

Estamos num cenário de guerra sem barulho ou alarido. E tudo que se grita, grita-se para dentro…. que este povo, aguenta, aguenta, aguenta…

Não me quero perder na narrativa. Eu telespectadora me confesso. Pequei, diga-se ouvi.

O canal dois, animava com Banda Desenhada, os restantes três, ( pois tudo fora cortado para as poupanças face aos cortes anteriores) lá emitiam o discurso sem curso de um governante de um País desgovernado…. Não se aguenta… passa-se de um para outro para confirmarmos a tragédia! Não posso crer! Ninguém ajuda!

E revolta das revoltas, haja decoro que este povo sofre!

Acaba o discurso e metem futebol!!!!!!!!! Nada de nada. Nem uma palavra de apoio ao domicilio. FUTEBOL!!!!!

Eu quero apoio psicológico, sinto-me vítima de stress pós traumático. Eu vim da guerra, eu estou na guerra e não sei como desertar.

Apago a TV, imediatamente.

Venho aqui libertar a alma. Que pelo sim, pelo não… para o duche só vou amanhã!

Elsa Dourado

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