Desabafo


Sou daqueles tempos de antanho em que se acreditava que a verdade acaba sempre por se saber e que as mentiras têm a perna curta e acabam sempre por tropeçar em si mesmas.

Dito isto, tenho algum desprezo pelos queixinhas que, não sendo capazes de demonstrar a sua razão, vão a correr chamar os matulões em sua defesa para intimidar o resto dos colegas que brincam no recreio.

Por matulões, pode entender-se a IGEC ou os Tribunais, que assim perdem o seu tempo com idiotices.

E um tipo ainda tem de testemunhar…

Tivesse eu mau feitio e não fosse a alma santa que sou e também lhe mandava polícia para a porta da escola.

Mas não consigo ser assim tão parvo.

 

Comecei o ano “útil” a reclamar pela primeira vez por escrito e no devido livrinho em relação ao atendimento na dependência mais próxima do meu domicílio do banco privado onde tenho conta há mais de 15 anos e onde sempre fui muito bem atendido.

A senhora embirrou logo comigo ou então não gostou de ter de deixar de atender o moçoilo jovem que estava antes de mim ou então quando viu um cheque internacional em nome da minha petiza para ser depositado, decidiu que não queria ter trabalho e mandou-me para a dependência de origem da conta (a qual até já nem existe, tendo sido fechada).

Disse-me a santa criatura que só na agência em causa seria possível tratar “desses detalhes específicos” e nem quando eu lhe perguntei se o mundo andava para trás e se os sistemas informáticos não tinham os meus dados se dignou, sequer, dizer que eu poderia abrir ali uma conta nova em nome da miúda. Claro que quando fui a uma outra dependência me disseram que tudo aquilo era treta, que o banco é o mesmo em todo o lado e que eu tenho acesso a todas as funcionalidades em qualquer ponto do país, até porque a miúda ia comigo e com todos os seus elementos identificativos. E tive o atendimento simpático que sempre tive,.

A senhorinha (daquelas com copulativa no apelido, porque eu pedi-lhe a identificação) quando me viu de novo na fila, cerca de uma hora depois (e 40 km de ida e volta pelo meio), e, após esperar 20 minutos por nova conversa dela com os clientes à minha frente, a pedir o livro de reclamações, fez-se de esquisita e quem nem percebia porque me estaria a queixar.

Só que, nestes casos, eu falo pouco e prefiro registar a ocorrência, porque dar conversa a gente parva só nos faz ficar um bocadinho mais estúpidos.

Se o 2015 continuar assim, é bom ter sempre caneta à mão e uma dose industrial de paciência.

E sim, isto por vezes também serve para ocasionais desabafos.

Texto chegado por mail, com solicitação de anonimato em caso de publicação:

Colega Paulo Guinote,

Peço desde já desculpa por este desabafo franco mas estou farto desta treta de país, de concursos, em que ser docente de quadro, ainda que de quadro de zona, é pior que ser contrato ou quadro de escola em horário zero. 

Caso queira publicar o texto que se segue, sinta-se dono do mesmo porque já o enviei para a DSCI a fim de solicitar esclarecimentos relativos à minha situação nos Açores, nos concursos externos no continente que deixam, descaradamente e com o consentimento de todos os sindicatos, ultrapassar à frente dos docentes de quadro docentes contratados. Estou farto de ver colegas serem indemnizados por terem, alegadamente, uma caducidade de contrato, mas que para efeitos de efetivação ninguém se lembra que recebeu esse dinheiro e querem efetivar à frente dos que se sacrificaram, sem olhar a meios e penso: eu também gostava de ser indemnizado por caducidade de confiança no estado, também gostava de efetivar num quadro de escola sem olhar aos meios e não tenho que ter vergonha nenhuma em não sentir pena de quem não está efetivo porque não concorreu para onde eu tive que concorrer, mas que raios, agora ter-me sacrificado dez anos longe de casa é um pecado e tenho que ter pena dos contratados e largar a minha luta só porque parece mal não ter pena de quem não correu e concorreu às vagas de todo o país? 

Há quem diga “mas há contratos que estão na mesma escola da cidade à sete e oito anos” pudera, essas vagas nunca apareceram para os quadros de escola e de zona poderem mudar de grupo a 1 de setembro, aparecem sempre três e quatro dias após as afetações e destacamentos, no ensino especial só as há porque o MEC não permitiu que os docentes de QZP e QE em horário zero as ocupassem, como deveria ter sido, em nome das boas práticas de gestão e economia do estado, preferiu efetivar uma centena e meia de contratos e não abrir nem uma vaguinha para mudança de grupo dos docentes de quadro.

Exponho também a minha surpresa quanto à decisão tomada pela Secretaria Regional de Educação dos Açores, em não permitir que docentes em QZP do Continente concorram ao concurso interno da região autónoma dos Açores, considerando isto um tratamento discriminatório em relação a todos os outros professores quer do continente, quer das Regiões Autónomas da Madeira e Açores, pelo que vem apresentar os seguintes fundamentos:

Sou professor de QZP, este ano letivo leciono turmas e continuo a ser considerado horário zero, uma vez mais injustiçado pelas diretrizes do ministério que originou um grande número de excedentários no meu grupo de recrutamento.

Pretendo concorrer ao concurso das regiões autónomas dos Açores, mas este ano letivo a referida região acabou com os Quadros de Zona Pedagógica da RAA por intermédio de portaria e passou a afetar em quadro de escola quem se encontrava nesta situação (QZP das RAA), permitindo que todos os docentes continentais (QE e contratados) possam concorrer este ano, excluindo unicamente os QZP do Continente, por não reconhecerem o vínculo outorgado pelo Ministério da Educação e Ciência a estes docentes (ou seja, fazendo frente à política educativa do estado português).

Este tratamento discriminatório dos professores de Quadro de Zona do Continente é justificado pela Sec. Regional dos Açores por terem extinguido esta figura na sua região, ou seja, retiram a possibilidade do MEC afetar quadros do continente aos Açores, indo o orçamento de estado engrossar mais uns milhões em futuros quadros que poderão concorrer já nó próximo ano para o continente.

Hipóteses de resolução da embrulhada criada pala Sec. Regional de Educação dos Açores:

1 – Vincular os docentes em QZP do continente a quadros de escola, nos grupos em que tenham habilitação profissional para lecionar, tal como foi feito na região autónoma, retirando a injustiça criada pelos concursos externos de professores que discriminam os docentes de quadro em favor dos contratos, possibilitando que os primeiros concorram às vagas que de outra forma não serão disponibilizadas a quem ficou em horário zero e impossibilitando que contratos que concorram para a região peçam destacamento imediato para o continente por estarem as vagas ocupadas por docentes de quadro (um professor dos Açores pode mudar de grupo todos os anos e vincular posteriormente em qualquer grupo para o qual tem habilitação no continente,  o mesmo não se se passa com os docentes de quadro do continente, aos quais lhes é impedido mudar de grupo, tendo o MEC contratado docentes para serviços em que há profissionais qualificados em horário zero). Por exemplo, um docente pode concorrer para o grupo 910 nos Açores e concorrer ao concurso interno dentro de três anos ou pedir destacamento porque só há quadros de escola na região autónoma; um professor de quadro de escola do continente pode fazer o mesmo e um QZP que deveria etar afeto a gruos carencidos no continente, não podem concorrer.

2 – Instaurar um concurso interno extraordinário, antecedendo o externo extraordinário, que permita aos docentes de QZP e QE em horário zero a mudança de grupo ou de quadro de vinculação.

3 – Solicitar às secretarias das escolas do continente que passem declarações aos docentes em QZP do continente, conferindo-lhes, apenas para efeito de concurso às regiões autónomas, a mesma figura jurídica da dos quadros de escola dos Açores, possibilitando que estes docentes concorreram ao concurso interno dos Açores sem serem ultrapassados por docentes com graduação inferior e sem vínculo ao estado PORTUGUÊS (que é quem paga as contas da Região, já que o dinheiro arrecadado pelos Açores não chega para fazer cantar um cego);

4 – Solicitar um prazo excepcional à Sec. Reg. De Edução dos Açores para permitir o concurso de todos os docentes de quadro do território Português;

5 – Solicitar o dinheiro aos docentes contratados que foram indemnizados por caducidade de contrato a seu pedido e que agora afirmam que o estado os tem que efetivar por não ter havido caducidade de contrato. Com esse dinheiro o MEC poderá pagar, a titulo indemnizatório, os docentes em horário zero que foram impedidos de concorrer às vagas do concurso externo e que foram ultrapassados graças a esse concurso por colegas com graduação inferior, os honorários dos docentes que deveriam ter sido afetos às vagas em que se encontram contratados a lecionar, muitas vezes do mesmo grupo de recrutamento dos docentes em horário zero (como é o caso dos grupos 110 e 910).  

O único mérito de Cavaco Silva foi o de não se curvar perante a assembleia dos Açores e agora espero que alguém no MEC tenha a mesma coragem. Se foram obrigados a aceitar (e bem) ao concurso externo os contratos dos Açores, qual o motivo dos Açores não aceitarem ao concurso interno os docentes dos quadros do Continente? Outros interesses se levantam…

Está criada uma nova desigualdade para com os docentes já pertencentes aos quadros há muitos anos.

A.

… em relação a crianças e jovens que parecem ter perdido comportamentos e adultos de referência, mesmo no âmbito familiar, que os ajudem a encontrar um caminho de seriedade e serenidade na sua vida escolar e pessoal.

Em todas as épocas há lamentos destes, mas eu nem me refiro apenas aos “mais novos” pois é para a minha geração que olho e a vejo meios ou três quartos perdida no seu papel parental, em parte porque as pessoas se perderam a si mesmas e permanecem em paradeiro incerto ou numa vaga nebulosa em que a realidade dói menos quando vista através de mediações químicas, Embora pior me pareça a da década seguinte, a que agora ainda não entrou nos “entas” mas parece já estar em frangalhos, mesmo quando aparenta sorrisos e sucessos.

Muito faz a miudagem, procurando orientar-se onde os adultos se desorientaram e não voltaram a encontrar o rumo.

Se em tempo de menos dificuldades a coisa ainda se consegue disfarçar, quando o colapso social fica diante dos olhos tudo fica muito mais complicado.

COMO FOI POSSÍVEL (desabafo de um professor contratado)

Ontem, mais uma vez, não foi um bom dia para os professores contratados, pois o desprezo e desconsideração do Ministério da Educação por quem, ano após ano, trabalha nas escolas em condições difíceis e precárias, atingiu níveis incomparáveis.

Os sentimentos de injustiça e frustração são profundos e transversais a todos os que investiram largos anos das suas vidas numa carreira que, dizem-nos agora, é impossível de alcançar. E, pior, a desilusão ainda é maior porque quem deveria ter feito alguma coisa por nós nos deixou completamente ao abandono, em especial os sindicatos que, para sermos justos, estão muito bem para os incompetentes que nos desgovernam na 5 de outubro. O que ontem foi revelado é muito mau e poderia ter sido enfrentado na altura certa. Não foi por falta de aviso. Foi apenas por desinteresse e incompetência dos que nos governam e dos que nos representam. Agora é chorar sobre o leite derramado e tudo o que se fizer é propaganda que não serve a nenhum professor contratado.

Por isso pergunto:

1. Como foi possível permitir que os professores contratados não ficassem a conhecer a sua colocação ainda antes do início de setembro? Será que não teria sido possível ter as listas da mobilidade publicitadas há 15 dias para que agora se publicassem as de Contratação Inicial tal e qual como acontece todos os anos?

2. Como foi possível permitir que milhares de professores contratados, grande parte com mais de 10 anos consecutivos ao serviço da escola pública, fiquem 15 dias em suspenso com as suas vidas e dos seus familiares que deles dependem à espera de não se sabe bem o quê? Como foi possível permitir que a escola pública dispensasse os professores contratados de uma preparação correta e atempada do ano letivo?

3. Como foi possível permitir que todos os professores contratados, incluindo os eventualmente colocados em contratação inicial para este ano letivo, tivessem que ser humilhados com a obrigatoriedade de irem ao centro de emprego se inscreverem como desempregados?

4. Como foi possível permitir que as escolas públicas pudessem colocar professores a lecionar determinadas disciplinas, sem nenhuma habilitação profissional ou própria para tal, em prejuízo da qualidade da escola pública quando ao mesmo tempo impõem uma prova de aptidão aos professores contratados devidamente qualificados?

5. Como foi possível permitir que os professores contratados fossem obrigados a concorrer a dois megas QZP’s (na prática 4 ou 5 QZP’s antigos) quando até os próprios professores do quadro, os únicos em que esta medida poderia ter algum efeito de poupança, ficaram apenas obrigados a concorrer a um?

6. Como foi possível permitir que, num ano de redução drástica de horários e em que as escolas públicas estão impedidas de renovar os contratos dos seus professores, se permita que, nas escolas TEIP’s e de Autonomia (que nascem como cogumelos), professores, com graduações muito, mas mesmo muito, inferiores, colocados o ano letivo passado em contratação de escola, sabem deus e a inspeção em que condições, tenham essa possibilidade?

7. Como foi possível termos chegado aqui?

João Filipe Marques Narciso

Chegado por mail e inicialmente publicado no FBook. Pela dureza faz um bom contraste com aquilo que não é dito publicamente por muita outra gente.

desabafo

 

Eu telespectadora, me confesso.

Larguei o hábito da TV faz muitos meses e ressacando aqui e acolá, recaindo após juras de não mais… eis que com tanto alarido de vizinhança, inquietação crescente de um povo que comigo se cruza e me questiona… Pum! Liguei o aparelho, já ia adiantado o discurso sem curso… do governante deste País desgovernado.

Ai que mágoa, meu povo… ai que dor meus irmãos… que poderemos nós fazer, meus amigos, pensava eu.

Este eu que somos nós. Um nós tão sozinho que já nem um eu poderá ser. Coisificam-nos desrespeitosamente como se não tivéssemos vidas, compromissos e palavras dadas.

Mas eu dei a palavra a meu filho, como tantos de nós deram a palavra a seus filhos, que teria de estudar, aprender para ter um futuro melhor e assim tentar ser feliz! Eu honro a palavra dada e agora… nem palavras tenho.

Um discurso sem curso… do governante deste País desgovernado saiu pela TV fora. Recordo a Segunda Guerra mundial…. caiem bombas e pessoas como nós são levadas para os campos de concentração! Pois, sinto-me enlouquecer! Claro que eram outros tempos! Mas eu sinto as bombas caírem cá dentro, deste dentro que cada um de nós tem, ainda. E não posso aceitar que se fale como se não fosse este o meu tempo, o nosso tempo. Nos campos de concentração, também só iam trabalhar e com direito a habitação e no fim, mesmo no fim, tinham direito a um duche. Bem sei que era colectivo…. talvez não se sentisse tanto medo ou abandono pela humanidade.

Estamos num cenário de guerra sem barulho ou alarido. E tudo que se grita, grita-se para dentro…. que este povo, aguenta, aguenta, aguenta…

Não me quero perder na narrativa. Eu telespectadora me confesso. Pequei, diga-se ouvi.

O canal dois, animava com Banda Desenhada, os restantes três, ( pois tudo fora cortado para as poupanças face aos cortes anteriores) lá emitiam o discurso sem curso de um governante de um País desgovernado…. Não se aguenta… passa-se de um para outro para confirmarmos a tragédia! Não posso crer! Ninguém ajuda!

E revolta das revoltas, haja decoro que este povo sofre!

Acaba o discurso e metem futebol!!!!!!!!! Nada de nada. Nem uma palavra de apoio ao domicilio. FUTEBOL!!!!!

Eu quero apoio psicológico, sinto-me vítima de stress pós traumático. Eu vim da guerra, eu estou na guerra e não sei como desertar.

Apago a TV, imediatamente.

Venho aqui libertar a alma. Que pelo sim, pelo não… para o duche só vou amanhã!

Elsa Dourado

Chegou-me ontem, mas só agora pude publicar:

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Mas porque desejo este querer de justiça? Porque anseio esta liberdade? Este amor fraterno entre todos nós? Porque exijo respeito pela vida? Porque considero o nosso tempo e a nossa vida algo de tão sagrado se, e apenas, se for pelo bem e pelo bom? Porque compreendo racionalmente a sombra e o meu coração apenas aceita o luminoso? Que lutas mais terei de travar para que os crescidos entendam que não podemos seguir mais este caminho tão desumano?

Espero que o sono me chame, sem desespero, apenas triste, muito triste por exigir demais da vida tão medíocre que me rodeia… Definitivamente não dou daqui… Triste sina a minha que não consigo encaixar-me. Exigo demasiado! Mas porque razão nasci com alma de gente num mundo de escravos?

Para tanta pergunta com tão pouca resposta… uma única certeza… SEREI SEMPRE LIVRE! Lamento saber que estou condenada… mas seja de que forma for… estarei do lado da liberdade, do bem e da justiça. Um grande pesar aos conformados… aos rendidos… que respeito na sua luta pela sobrevivência.. Mas eu… eu só sobreviverei em absoluto pelo que valer a pena de verdade e a sério… Até chego a lamentar não aguentar a hipocrisia… Fraca neste mundo covarde… guerreira num mundo que terá de renascer! Toda a gente de bem faz parte da minha irmandade e todos somos filhos da Terra! Não sou nada, apenas sei que a verdade e o bem é o caminho! Quem tiver coragem que se levante… e siga! Aos restantes… aceitem simplesmente que eles não conhecem ainda o dom que existe na força de recusar a escravatura!

Beijinho e até amanhã, a todos, mesmo aos que não compreenderam uma linha do que quis transmitir! Grata a todos, por inteiro!

Elsa Dourado

P:S. E isto num contexto de uma tertúlia de gente boa! Gente que quer justiça e verdade, mas que estão impotentes para agir nestas relações de poder socialmente impostas! Todos sentimos que a determinada altura a humanidade escolheu o caminho errado mas tão poucos têm a coragem de o assumir e procurar rectificar o erro! Lamento tanto que assim seja! Não contem comigo para essa hipocrisia social! Irei de alguma forma sobreviver a oferecer sorrisos e um abraço do tamanho do mundo do amor!”

Recolhido no FBook com autorização da autora:

Ontem vi um grupo morto…

Na apresentação dos manuais da Porto Editora, onde estavam cerca de 200 professores de EVT, respirava-se desespero, desânimo e pessimismo. Eu, nos meus 41 anos, deveria ser das mais novas, mas todos tínhamos o mesmo cheiro: a depressão, a stress psicológico, a Burnout (palavra tão na moda…). Colegas com cerca de 20 anos de serviço, que efectivaram logo a seguir a acabarem o curso, já vão para a 4ª (sim, quarta!) substituição! Porque tiveram o azar de ser DACLs.

Colegas que, sendo DACLs, não trabalharam ainda este ano.

Colegas que, sendo DACLs, concorreram a quase tudo e com isso ficaram a mais de 50 km de casa e da escola onde estão efectivos. Colegas que já foram várias vezes às urgências dos hospitais porque estavam com graves problemas, provocados pelo sistema nervoso. Colegas que fazem das tripas coração para continuarem a fazer o que sempre fizeram: serem excelentes profissionais e darem o seu máximo.

Porquê, pergunto eu, porquê?? Todos estávamos perdidos, sem saber que porra são estas metas, sem saber que porra andamos nós a ensinar aos alunos.

vi um grupo morto, dizimado por meia dúzia de tipos atrás de uma secretária comandada por mentirosos, egoístas, gananciosos e pelas costas largas, justificadas ou não, da Troika.

Ontem tive a certeza que tínhamos morrido!

Venha outro governo ou não venha, o espírito que fazia EVT estar vivo está agora enterrado. O amor à camisola que fazia ir mais longe teve as pernas cortadas.

O que somos nós, no meio disto tudo?? Quem somos? Para que existimos??

Ontem doeu-me a alma, ao ver que tantos, como eu, sobrevivem à custa de ansiolíticos e antidepressivos. Tantos que, como eu, já respiraram felicidade, são agora uma sombra de si mesmos…

EVT morreu, e com ela a felicidade de amar aquilo porque se dá tanto de nós, o ensino, os alunos. Pode, como Fénix, ainda vir a levantar-se, até ainda poderemos sonhar com isso, mas os danos, as feridas, as cicatrizes ainda vivas estão todas lá, na nossa alma, no nosso corpo, no nosso ser.

Ontem vi a tristeza nos olhares que já conheci apaixonados… A mágoa, o sofrimento, a dor, estampados na cara de quem deu uma vida por algo em que acreditou.

A todos os que, como eu, lutaram com quanta garra tinham no corpo, um BEM-HAJA! Tenho orgulho de ter estado ao vosso lado!!! Tenho orgulho de dizer: SOU PROFESSORA DE EVT!!

Maria João Serpa

Recebido por mail:

Exemplos de 10 coisas (simples) que uma escola não pode fazer por causa do Despacho:
  1. Comprar pão ou leite se não tiver contrato de fornecimento;
  2. Contratar um autocarro para uma visita de estudo;
  3. Pelo seguro escolar pagar o transporte a um aluno que tenha partido uma perna e não possa vir de autocarro;
  4. Pagar uma carta registada se não tiver avença no correio (ou se isso estiver fora da avença);
  5. Pagar uma ambulância que não seja do 112 se um aluno se sentir mal na escola (aqui sempre se poderia alegar estado de necessidade mas o acto ´e normal de mais para termos de andar com isso…)
  6. Mandar mudar um vidro se ele se partir;
  7. Contratar um serralheiro para mudar uma fechadura;
  8. Mandar recarregar um extintor se ele se avariar;
  9. Mudar o tambor de uma fotocopiadora se não tiver contrato com fornecedor (ou se tal função ficar fora dos termos do contrato);
  10. Contratar um serviço para desentupir uma fossa se ela ficar bloqueada e a cheirar no espaço de um recreio;
Naturalmente que o estado de necessidade (e o mau cheiro) e o desejo de servir o público faz com que muitas destas coisas se continuem a fazer fora do despacho mas o que o centralista lunático (e ignorante de gestão pública prática) merecia era que todos os pedidos de autorização para estas e outras coisas se fazerem lhe começassem a pingar no gabinete. A enxurrada havia de o fazer perceber que os trabalhadores e gestores públicos lhe devem merecer mais respeito.
E agora a dúvida que assaltou o espírito da minha colega da direcção especializada em compras públicas:
Se as crianças do 1º ciclo vão fazer os exames na escola sede (6/7 kms de viagem)  o mínimo e´ que se lhes pague o transporte;
Se os exames são em Maio (inícios) e o despacho deve durar até lá ou perto quando vamos poder contratar o autocarro para as trazer aos exames?
E quem paga essa despesa que não estava prevista?
E já agora… porque não nos deixam tratar disso já e explicam como vai ser? Quem aluga muitos autocarros sabe que alugar em cima da hora agrava o custo….

 

Caro colega,

Eu sou a professora ana clara ramos; trabalho numa escola em Setúbal, onde me aconteceu um acidente de trabalho/agressão involuntária. Levei com uma porta que um aluno desencaixou, ocorrência que me impeliu a escrever um texto que foi publicado no seu blogue. Muito agradeço a divulgação do mesmo que gerou uma onda de solidariedade incrível e que muito me impressionou. Contudo, e após ter prosseguido com todas as diligências que estavam ao meu alcance, tudo ficou como antes de ter levado com a porta. Ninguém viu; ninguém sabe quem foi e, neste momento, estou profundamente revoltada e sentindo um amargurado sentimento de injustiça face à impunidade que prevalece. Mais uma vez, vencem os prevaricadores e ainda se ficam a rir dos lesados. Uma vez que, agora, já não sei “a que porta hei-de ir bater”, pensei se me poderia ajudar, nem que fosse a publicar este e-mail no seu blogue. Gostaria que se fizesse justiça, mas como não consigo de forma nenhuma, pelo menos continuo a escrever para divulgar o meu caso. É o que me resta: a palavra.

Obrigada pela atenção dispensada,

com os melhores cumprimentos,

Ana Clara Ramos

Paulo, desculpe estar a incomodá-lo novamente, mas urge divulgar o caso dos PROFESSORES DOS QUADROS, que estão a ser mt prejudicados com toda esta reviravolta. Os órgãos de comunicação social agitaram as águas relativamente aos QZP, que são, na generalidade, os menos graduados do sistema, e esquecem os docentes mais graduados QA/QE que estão a 80, 90, 100 KM até 200 Km há décadas e não saem no próximo concurso (porque ficam em 2ª prioridade).

Para eles não há, nunca houve e não se prognostica qualquer benesse de dias de tempo de serviço. Eu estou efetiva a 90Km de casa há 12 anos (o que recebi foi um pé para a mobilidade especial, pois neste momento, como sabe, sou DACL). Este projeto de portaria que saiu agora para os QZP é uma INJUSTIÇA MONUMENTAL que vai gerar, daqui a 4 anos, à data de novo concurso, saltos de trampolim para gente que nunca mereceu estar à frente dos que estão.

Licenciei-me com nota de bom, fiz mestrado, fiz especialização, trabalhei como técnica especializada para o ME e vou ser ultrapassada por gente que nunca fez “A PONTA DUM CORNO” e que nunca arriscou ir parar mais longe, por opção, por comodismo ou por simples incapacidade de graduação para tal (seja qual for o caso, o ato tem consequências). Não podemos é inverter completamente as regras de um jogo que é o da vida das pessoas, mas também o do mérito, o da hierarquia, o da ordem. Este sistema passa a ser uma anarquia completa! Veja que os que têm disponibilidade pessoal (sem compromissos de ordem familiar) vão querer ficar o mais longe possível para “comerem” milhares no próximo concurso. SOMOS TODOS GENTE E TODA A GENTE DEVE SER TRATADA COM O MESMO RESPEITO, segundo as regras da justiça e da ética.

C. F.

As negociações estão por aí e é interessante como serão feitas em paralelo as dos concursos para educadores e professores e as gerais relativas a condições de trabalho, de vínculo, etc.

Entretanto, chegou-me este desabafo de uma colega, após troca de mails com o seu sindicato, que mais parece um dependência de esclarecimentos do MEC do que uma organização representativa da maioria dos seus associados:

(…)

Vejam-se as prioridades, que mais uma vez deixam de fora da primeira prioridade muitos colegas dos quadros sem componente letiva, só pela simples razão de não pertencerem a qualquer agrupamento objeto de extinção, fusão, suspensão ou reestruturação (como se nós tivéssemos culpa de os nossos terem ficado isolados. Estamos “fundidos” no próximo concurso e condenados a ficar com horário zero outra vez (catapultados para a 2ª prioridade). O mesmo equivale a dizer que temos a porta da RUA aberta, pois seremos excedentários, por não conseguirmos mudar de lugar de quadro (prevendo as míseras vagas que irão abrir e que, naturalmente, serão ocupadas pelos colegas que estão na 1ª prioridade, claro)!

Isto é justo, Paulo?

1 — Os candidatos ao concurso interno são ordenados de acordo com as seguintes prioridades:

a) 1.ª prioridade — docentes de carreira dos agrupamentos de escolas ou de escolas não agrupadas que tenham sido objeto de extinção, fusão, suspensão ou reestruturação desde que, por esse motivo, tenham perdido a sua componente letiva;

b) 2.ª prioridade — docentes de carreira dos agrupamentos de escolas ou de escolas não agrupadas, os de zona pedagógica e os docentes dos quadros das Regiões Autónomas que pretendam a mudança do lugar de vinculação;

c) 3.ª prioridade — docentes de carreira dos agrupamentos de escolas ou de escolas não agrupadas e os de zona pedagógica que pretendem transitar de grupo de recrutamento e sejam portadores de habilitação profissional adequada.

O pessoal queixa-se das coisas, da governança, da crise, da calamidade, da comunicação social.

Arranja-se onde se denunciar as situações, onde falar sem reservas, onde há abertura para se exporem as situações…

Por exemplo, de professores desempregados de longa duração (mais de um ano, ou mais além, melhor se for um casal). Contactam-se amigos e conhecidos que procuram e encontram.

Mas que não, que isto e aquilo. Que frito e que assado.

Às vezes chateia tanto receio por parte de quem quase nada tem a perder.

Se houver por aí alguém nestas condições que mo comunique para o mail que talvez ainda venha a tempo de.

Trotinetas eléctricas;

Estação de cromagem;

CNC’s de dois e três eixos para corte com plasma;

Guitarras electrónicas;

Robots ferramenteiros;

Recuperação de karts;

Reciclagem inteligentemente lúdica;

… e as árvores:

Menos Umbigo.

 

  • As escolas privadas com contrato de associação acham-se injustiçadas e exigem que o MEC faça um estudo sobre o custo por aluno? O MEC acede, manda fazer o estudo e entrega a coordenação a um antigo presidente associativo das ditas escolas privadas. Ao fim de algo tempo, alguns arautos começam a espalhar a mensagem de que o estudo tem conclusões convenientes para os encomendadores e que há que redireccionar os dinheiros gastos com as escolas públicas.
  • Os politécnicos apresentam problemas sérios de sobrevivência, rarefacção de matrículas e cursos sem procura? Aparecem uns grupos de trabalho com gente politécnica bem colocada e começa logo a falar-se em sacar o ensino profissional das escolas secundárias para os politécnicos.
  • Há problemas no financiamento das Universidades e cortes que colocam em causa o seu funcionamento? Deslocam-se verbas do ensino básico e secundário para minorar os cortes e manda-se anunciar isso por dois deputados reconhecidamente especialistas no assunto.

Em resumo… os bombos da festa são sempre os mesmos e uma educação não-superior pública já muito sacrificada e amputada serve de mealheiro de recurso para tudo o que dá jeito.

Uma coisa era um tipo queixar-se das exigências exógenas do Min. Finanças, outra coisa é ter de lidar com um MEC de costas viradas para tudo o que não toca directamente nos interesses particulares dos decisores ou seus ajudantes.

Não coloquem já as pessoas em lume médio-alto!

Só os gasparinhos e relvettes é que precisam de tratamento fofinho para não se desincentivarem?

Ministério diz que directores podem recuperar em Agosto professores com horário zero

O Ministério da Educação e Ciência garantiu esta terça-feira, em nota enviada ao PÚBLICO, que em Agosto será possível às direcções das escolas retirar do concurso para mobilidade interna os docentes agora identificados como tendo horário zero, caso se verifique que, afinal, lhes pode ser atribuído serviço lectivo nas escolas em que actualmente se encontram.

…o problema não foi quando viram que o Estado estava a ficar sem dinheiro devido aos ruinosos negócios da clique do engenheiro mas sim que o Estado estava a ficar sem dinheiro para pagar pelo menos uma parte significativa desses negócios?

A diferença é de somenos, claro, porque é entre salvar o país da bancarrota e salvar os dividendos de alguns.

“Solução Final”

… e respectivas associações, que preferem discutir minudências e ignorar que deixam os seus educandos horas a fio em espaços com condições de segurança cada vez menores por falta de pessoal auxiliar, e muitas escolas deste país estariam encerradas até serem repostas condições mínimas de funcionamento.

Porque não adianta nada os professores e as direcções queixarem-se que a tutela e afins não se interessam.

Quantos aos pais da estirpe albina só aparecem quando dá créditos e nos tempos que correm o úbere anda seco.

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