Democracia A Quanto Desobrigas


… perceber que os sistemas que se elogiam têm padrões de exigência muito mais elevados.

Por cá, faz-se uma escolha muito oportunista do que se entendem ser as regras básicas de transparência de uma democracia liberal. Claro que seguindo as prédicas do guru Espada não se vai muito longe,, pois apenas se ganham tiques.

Por lá, até um trabalho se sopro debaixo da mesa deixa de ser assunto pessoal para se tornar objecto de luta política durante anos.

Por cá, andar quase uma década com inconsciência fiscal parece assunto menor, incluindo entre opinadores tão atentos a outras minudências políticas que recuam logo nestas matérias,, vá-selá saber porquê.

Exp14Mar15

Expresso, 14 de Março de 2015

… ou os 50 tons de castanho.

Não são todos iguais, mas ficam no mesmo espectro.

Passos escolhe também a comunicação social como alvo: «Há jornalistas que querem expor episódios da minha vida fiscal apenas com o propósito de querer sugerir que somos todos iguais».

Quando se escolhe a comunicação social como alvo é porque se anda de cabeça perdida.

Ao ponto de se dizer este disparate acerca de alguém que tem um dos cargos mais importantes num regime democrático.

Passos considera que questões fiscais são de «natureza pessoal»

Não… neste caso não são de natureza pessoal, muito menos em quem se afirmou um enorme moralista das contas públicas e as andou sempre a equivaler à economia doméstica.

Devem ser públicas e são mesmo de interesse público.

Se não percebeu isso, deveriam explicar-lhe que o cerne das democracias liberais também passa por aqui e não apenas pelos chavões d”os mercados”.

Há um inexplicável nervosismo no poder instalado (incluindo parte da oposição socialista central) quanto ao que o Syriza consiga ou não para a Grécia, de acordo com as suas promessas eleitorais.

A razão para este excesso de treme-treme, disfarçado com agressividade verbal, será a de recearem que se demonstre que há outros caminhos e que o que seguimos é apenas a dos acagachanço?

Não podem deixar os homens fazer as coisas para que foram eleitos? Sei que não é habitual e que daria um “mau” exemplo, mas… será mesmo que temos por cá gente com tanta autoridade moral para julgar quem foi legitimamente eleito?

(já agora… o Syriza não chegou ao poder encostando-se ao PASOK…)

Passos Coelho anda, claramente, a optar por algo que ele deve pensar que é coragem política, mas não passa de desrespeito pelos cidadãos e pelo país.

O MEC já lhe pediu a demissão… os secretários de Estado nunca lá deveriam ter estado… mas o actual PM continua firme e hirto, até que isto tudo caia de podre.

Exp11Out14

Expresso, 11 de Outubro de 2014

… e graças ao bom desempenho nas jotas.

Maioria força pedido de aclaração ao Tribunal Constitucional

Até porque se sabe que:

Todos os pedidos de aclaração dos acórdãos do Constitucional entregues em processos de fiscalização abstracta não passaram no crivo do Palácio Ratton. As decisões que foram sendo tomadas ao longo dos anos travaram a aclaração mas, da leitura destas decisões, fica patente que os juízes deixam sempre alguma pista ao requerente.

Entre os juízes que em 1991, 1995 e 1996 rejeitaram pedidos de clarificação estava Assunção Esteves, a presidente do Parlamento que tem em mãos um pedido de Passos para que a Assembleia da República (AR) peça a aclaração do acórdão que chumbou normas do Orçamento de Estado para 2014.

… mesmo perto das eleições?

Há uns tempos foi o rotundo Amorim a  tentar ser proto-elegante (tarefa funesta). Agora é o Rangel a parecer positivamente doente (espero que não, que sejam só as peneiras…) de tão esquálido que aparece.

Será que eles não aprenderam nada com o velho Soares?

Carlos Fiolhais. “Se há governantes que não querem cidadãos, era melhor irem eles embora”

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