Delação


Geração relvas.

Há denúncias e denúncias. Umas fazem sentido, outras não.Umas trazem fundamentos, outras perdem-se em si mesmas.

Num tempo em que tanto se elogiam as redes sociais como forma de debate instantâneo e de de mobilização em rede para certas causas (lembram-se dos rasgados elogios ao twitter e facebook quanto à primavera árabe?) é ridículo andar no facebook a denunciar que os deputados estejam, no parlamento, a usar o dito cujo, sem que se verifique exactamente o que estavam a fazer.

Acredito que alguns usem as redes sociais de forma menos apropriada ao lugar. Mas… e se em alguns casos estiverem mesmo online a debater, em tempo real, o tema em discussão no plenário com os seus contactos?

Não seria interessante num debate sobre um tema polémico – a regionalização, a ivg, o casamento de pessoas do mesmo sexo, o federalismo europeu – que os deputados da Nação estivessem mesmo a recolher contributos da dita Nação?

Utópico? Ingénuo? Quiçá, mas não seria melhor confirmar antes de atirar a matar?

Recordar quem foi o adversário, por parte do PS, de Isaltino nas autárquicas, por favor.

Taguspark: zangam-se os accionistas, descobrem-se as lutas de poder

Em 2007 Isaltino Morais negociou com Rui Pedro Soares uma lista conjunta para mudar a administração do parque empresarial. No ano seguinte a PT tentou ultrapassar a posição accionista da câmara.

Espero mesmo, embora por Gaia andem coisas mais estranhas… E está neste raio de acção. Medo, muito medo.

Obviamente, cortei a assinatura, embora confirme com o detentor do cargo em causa.

Inspectores recebem queixas contra professores online

No site da Inspecção-Geral de Educação, alunos e encarregados de educação podem preencher um formulário para apresentar queixas contra escolas e professores. Movimento cívico de docentes teme que as denúncias na internet façam com que os professores se sintam intimidados.

O problema no meio disto tudo é o tipo de «ambiente» que se quer criar. Afinal não existe actuyalmente um procedimento regular de denúncia de qualquer tipo de situações?

É que isto faz lembrar demasiado certo tipo de práticas de delação que não são de boa memória.

E é bom que isto surja à luz do dia e não circule apenas entre os blogues e as pessoas «do meio». Há que perceber até que ponto o ME se tornou um foco de hostilização ostensiva dos profissionais do sector.

É pena.

Aqui no site da IGE. Se a celeridade da denúncia de situações incorrectas não é um mal em si, o que aflige qualquer um de nós é que todas as ressalvas vão para os dados dos denunciantes e parecem-me nulas as precauções quanto à credibilidade das queixas apresentadas.

De certa forma, isto faz lembrar um bocado o sistema do velho Santo Ofício para denunciar os reais ou pretensos cripto-judeus nos séculos XVI a XVIII. Só falta mesmo garantirem ao denunciante uma recompensa material a partir dos bens do denunciado, acaso este venha a ser condenado e imolado pelo fogo purificador em praça pública.

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(c) Antero Valério

Declaração para efeitos do politicamente correcto: Este post, originalmente publicado no Anterozóide, tem o Título de “All Bredjeiros” e parece-me que é tudo menos ofensivo seja para quem for. Mas pelo sim pelo não, fica aqui o esclarecimento.

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